“Não importa se você é de direita ou de esquerda, política econômica boa é uma só”, analisa Victoria Werneck 686

Economista-Chefe da Icatu Seguros participou de almoço ao lado do cientista político Francisco Ferraz

Almoço reuniu público seleto na sede da Federasul, em Porto Alegre (RS). William Anthony/JRS
Almoço reuniu público seleto na sede da Federasul, em Porto Alegre (RS).

A população brasileira continua sem perspectivas de solução para o atual momento de crise vivido pelo País há aproximadamente dois anos. A afirmação fica reforçada pela última pesquisa divulgada pelo Ibope nesta quarta-feira. O levantamento realizado com 2.002 pessoas em 142 municípios aponta que apenas 10% da população aprova o Governo Dilma, ante 69% de avaliações negativas. Com esta premissa, o almoço “Tá na Mesa”, realizado semanalmente na sede da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul), abordou os próximos capítulos de nossa história política e econômica. “E agora Brasil?”, foi a principal questão emitida a Francisco Ferraz, professor e cientista político, e Victoria Werneck, economista-chefe da Icatu Seguros.

O lala
O cientista político Francisco Ferraz.

Em uma análise da atual conjuntura política, Ferraz atentou que a democracia brasileira não é consolidada. “Nosso sistema político sofre mudanças a cada cinco anos, em média. Nossos problemas não serão resolvidos com mais uma reforma política”, disse. Durante coletiva de imprensa, 0 cientista político demonstrou como diversos países consolidaram instituições e regimes. “Precisamos de estadistas que lembrem do ontem, pensem no hoje e também no amanhã”, explicou.

O professor também reitera o famoso “toma lá, da cá” político. Onde uma votação para o impedimento de um Presidente da República acaba “de forma escancarada” em troca de cargos. “Qualquer ação deste governo com o Congresso sempre envolve alguma transação e não enxergo que isso vá mudar”, apontou. Francisco Ferraz alerta que ainda não é o momento para se realizar análises de um provável governo do Vice-Presidente Michel Temer. “O quadro é bem maior do que a simpatia do povo por um líder político”, complementou ao lembrar da tentativa do Governo Federal em nomear o ex-presidente Lula como Ministro de Estado.

O mercado segurador se fez presente durante o encontro. Na imagem Rodrigo Pelaipe, diretor executivo da Emergency Corretora; Guacir Bueno, presidente-eleito do SindSeg-RS; Odete Dias, executiva da Emergency Corretora; Jota Carvalho, editor-chefe do JRS e Ricardo Rezende, diretor comercial da PlaniLife.
O mercado segurador se fez presente durante o encontro. Na imagem Rodrigo Pelaipe, diretor executivo da Emergency Corretora; Guacir Bueno, presidente-eleito do SindSeg-RS; Odete Dias, executiva da Emergency Corretora; Jota Carvalho, editor-chefe do JRS e Ricardo Rezende, diretor comercial da PlaniLife.
Victória Werneck, economista-chefe da Icatu Seguros.
Victoria Werneck, economista-chefe da Icatu Seguros.

“Independentemente de quem esteja governando haverá uma grande queda no Produto Interno Bruto do Brasil este ano. A inflação ficará acima do teto da meta, que é de 6,5%. E, no próximo ano, teremos um crescimento muito baixo”, contou Victoria Werneck. Ela ainda previu que “teremos quatro ou cinco anos de queda do PIB per-capta. A sensação de que você rema, rema e rema sem sair do lugar. No cenário internacional, o Brasil é um dos poucos países que está indo para trás”, argumentou.

A chefe de economia da Icatu Seguros também reitera que urgentemente o Brasil precisa deixar este momento de estagnação. Tomar um rumo é fundamental para sair da crise, segundo Victoria. Ela lembrou de erros sistemáticos, como as chamadas “pedaladas fiscais”, e o desrespeito ao famoso conceito do tripé macroeconômico. “Não importa se você é de direita ou de esquerda, política econômica boa é uma só”, lembrou a economista quando questionada sobre o sucesso de Lula no campo econômico em seu primeiro mandato.

 

Assista novamente a participação de Victoria Werneck no Seguros Sem Mistério em 2014:

Confira todas as imagens:

“Não importa se você é de direita ou de esquerda, política econômica boa é uma só”, analisa Victória Werneck

Mourão: Reforma de militares deve economizar R$ 13 bi em 10 anos 378

Hamilton Mourão é o presidente da República em exercício / Reprodução

General ocupa posto de presidente da República interinamente

O presidente da República em exercício, Hamilton Mourão, disse hoje (19), em Brasília, que o governo espera economizar em torno de R$ 13 bilhões nos próximos 10 anos com a reforma das aposentadorias e pensões dos militares. A estimativa, explicou, já inclui a reestruturação das carreiras militares, o que abrangerá medidas como aumento de gratificações.

Sem essa reestruturação, a economia prevista era de R$ 92,3 bilhões nos próximos 10 anos.

Ontem (18), o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, disse que o impacto da reestruturação de carreiras militares será conhecido na íntegra amanhã (20), quando o governo apresentar o projeto que reforma a previdência das Forças Armadas.

Mourão adiantou a informação após reunião, hoje, com o ministro da Defesa, Fernando Azevedo. “Já está tudo ajustado, [a equipe] vai apresentar para o presidente amanhã para fechar o pacote. Não tem nada faltando definir da parte do Ministério da Defesa, é só a decisão presidencial”, disse Mourão.

De acordo com o presidente em exercício, a alíquota de contribuição dos militares vai aumentar 14% ao longo dos próximos dois anos, sendo 10,5% para a previdência e 3,5% para o plano de saúde, que já é pago pelos militares.

O seguro garantia e a retomada do desenvolvimento 341

O atual presidente da CNseg, Marcio Serôa de Araujo Coriolano

Confira artigo de Marcio Serôa de Araujo Coriolano, economista e presidente da CNseg

Nos últimos 30 anos, o Brasil enfrentou – e venceu – desafios imensos. Nos anos 1990 derrotou a hiperinflação e, nas décadas seguintes, superou os efeitos de grandes terremotos financeiros internacionais. Agora, recém-saído da pior recessão desde os anos 1930 e com o início do novo governo, o País tem pela frente mais um grande desafio: avançar nas reformas necessárias ao inadiável ajuste fiscal – com destaque para a reforma da Previdência, – sem abrir mão de uma agenda de retomada do crescimento econômico com justiça social.

A infraestrutura ocupa lugar central nessa agenda.  Investimentos no setor significam melhoria da qualidade de vida dos brasileiros em áreas fundamentais como saneamento e mobilidade urbana, geração de empregos e a ampliação da presença competitiva do Brasil na economia global, com mais e melhores ferrovias, rodovias, aeroportos, portos e bons serviços de energia elétrica, telefonia e outros. Em um momento no qual o País decidiu abandonar modelos que derrubaram o emprego e a renda média, viabilizar investimentos em infraestrutura é algo estratégico para a reconstrução, modernização e reconstrução da vida nacional.

Nesse cenário, a Confederação das Seguradoras (CNseg) considera que a inserção do seguro garantia obrigatório para grandes obras públicas é tema prioritário. Trata-se de uma modalidade de seguro que reforça o arcabouço para a estruturação de financiamento e garante o cumprimento das obrigações assumidas pelo contratado, eliminando a necessidade de recorrer a garantias como o patrimônio das empresas (o que frequentemente põe em risco sua sobrevivência) ou fianças bancárias (que já se demonstraram ineficazes para as amortizações de longo prazo características dos empreendimentos de infraestrutura). O objetivo é garantir que a obra seguirá no ritmo esperado, e que a construtora contratada será rapidamente substituída por outra se abandonar os trabalhos.

O seguro garantia é instrumento crucial para melhorar a qualidade, a transparência e a execução de projetos governamentais, em parceria com a iniciativa privada, e deixar para trás um modelo que resultou na paralisação de milhares de empreendimentos. Estudos recentes dão conta de que existiam em 2016 mais de 2.500 obras paralisadas no Brasil, sendo pouco mais de 500 delas de infraestrutura.  Ainda que muitas tenham sido retomadas, esses são números preocupantes. Obras paradas significam população privada de serviços, e dinheiro do contribuinte escorrendo pelo ralo – além de configurar sinal negativo para potenciais investidores. De acordo com o Ministério do Planejamento, a maior parte das paralisações acontece por problemas técnicos, abandono da obra pela empresa responsável e dificuldades financeiras.

São informações que reforçam a importância do seguro garantia, figura que já existia nos Estados Unidos do século XIX para apoiar obras voltadas ao desenvolvimento do país e dar bom destino aos impostos pagos pelos cidadãos. Em 1893, o Congresso americano aprovou o “Heard Act”, estabelecendo a obrigatoriedade das garantias em todos os contratos governamentais, dando mais segurança à aplicação dos recursos públicos. A primeira seguradora especializada nessa modalidade de seguro surgiu em 1895, na Filadélfia.

No Brasil, o tema precisa de mais atenção. Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 6814/2017 (apensado ao PL 1292/1995), que prevê alterações na Lei de Licitações, com a adoção de seguro garantia obrigatório para obras acima de R$ 100 milhões, e ampliação da garantia para 30% do valor do empreendimento. A lei atual já permite (mas não obriga) a contratação de seguros, que podem variar de 5% a 10% do valor da obra. Hoje, a maioria dos seguros é de 5%.  Nossa proposta para o novo seguro garantia tem como parâmetros práticas do mercado internacional.

Existe um largo atraso a superar. Os investimentos nesse setor não passam de 1,67% do PIB, quando o ideal seria uma taxa de 4% a 5%, ou algo em torno de R$ 300 bilhões por ano ao longo de uma década. O desafio é grande, mas entendemos que há motivos para estarmos otimistas. Apesar de persistirem incertezas no horizonte, a confiança começa a retornar. A Fundação Getúlio Vargas registrou, em janeiro, o primeiro resultado positivo no Índice de Clima Econômico depois de três trimestres consecutivos de níveis negativos, o que significa expectativa de retomada de investimentos e contratações. E os movimentos iniciais do governo federal são alentadores.

Na infraestrutura, que voltou a merecer um ministério, o plano é realizar leilões de 23 concessões de aeroportos, ferrovias e terminais portuários dentro dos primeiros cem dias de governo. Já se percebe também movimentação de investidores interessados em explorar as possibilidades de parceria em obras públicas. Os empreendimentos necessários a dotar o país de infraestrutura compatível com seu tamanho e importância na geopolítica mundial envolve desafios logísticos relevantes e exige atualização de marcos regulatórios, o que confere ao seguro garantia importância ainda maior.

No mundo inteiro, o setor de seguros passou a fazer parte da pauta de mudanças de políticas macroeconômicas pelas quais, em maior ou menor grau, todos os países passam hoje, com menor participação dos governos em setores como saúde, previdência e infraestrutura.  No Brasil, queremos estar no centro das políticas públicas, junto com o setor de resseguros em coberturas de grande valor, fundamental para o equilíbrio do sistema, como garantidor da atividade seguradora. O apoio ao desenvolvimento brasileiro será o tema do 8º Encontro de Resseguro, que se realiza em abril, no Rio de Janeiro.

No Brasil, o setor de seguros dispõe de ativos para garantir riscos assumidos da ordem de R$ 1,2 trilhão, equivalentes a 25% da dívida pública brasileira, montante que o posiciona entre os grandes investidores institucionais do país.

As seguradoras estão preparadas e confiantes na recuperação, apostando que é possível devolver ao Brasil o desenvolvimento frustrado, a melhoria da infraestrutura, a competitividade, a liberdade de empreender e a reconquista do emprego.

Vice-governador apresenta detalhes do plano RS Seguro 247

Vice-governador apresenta detalhes do plano RS Seguro

Ranolfo Vieira Jr. também é Secretário de Segurança Pública do Rio Grande do Sul

Está tudo pronto para o primeiro almoço promovido pelo Sindicato das Seguradoras do Estado do Rio Grande do Sul (Sindseg/RS), que recebe o vice-governador e secretário de Segurança Pública na próxima quinta-feira. Ranolfo Vieira Jr. apresenta detalhes do Plano RS Seguro aos profissionais do setor em almoço especial, no Clube do Comércio de Porto Alegre (RS).

O valor para participar do encontro é R$ 70. As confirmações de presença devem acontecer até o dia 20 de março, no e-mail margareth.souza@sindsegrs.org.br. Informações adicionais podem ser obtidas pelos telefones (51) 3221-4433 e (51) 3221-4960.

Ações de curto prazo que podem agilizar o comércio bilateral entre EUA e Brasil 553

Ações de curto prazo que podem agilizar o comércio bilateral entre EUA e Brasil

Alguns tópicos no curto prazo poderiam ter efeito imediato no comércio e investimento entre os dois países

O Brasil tem todas as condições para conseguir resultados concretos de aproximação bilateral de comércio com os Estados Unidos durante a visita do presidente Jair Bolsonaro a Washington, que vai acontecer nos dias 18 e 19 de março. É o que acredita Deborah Vieitas, CEO da Amcham Brasill, a maior Câmara Americana, entre 114 existentes fora dos EUA.

“Uma vez que temos dois presidentes que dão bastante importância ao desenvolvimento do setor privado, nossa expectativa é que se faça um bom programa de trabalho, com objetivos de curto, médio e longo prazos para que esse relacionamento, de fato, ganhe outra dimensão”.

Na primeira semana de março, a CEO da Amcham Brasil se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e levou as propostas de cooperação bilateral que são as mais relevantes para suas 5 mil empresas associadas para o encontro. “Um bom programa de trabalho é a forma mais adequada de conseguir resultados concretos. Falo de uma agenda que traga bom impacto nas relações e não tenha uma complexidade tal que seriam necessários anos para se chegar a um resultado”, resume.

A CEO da Amcham Brasil acompanhará a delegação do presidente Bolsonaro aos EUA como uma das representantes do setor privado. No dia 18, vamos divulgar nos EUA o relatório Brazil and the United States: A Roadmap to a Trade Agreement, sobre as possíveis etapas para um acordo de livre comércio. O documento foi feito em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a US Chamber e será divulgado na segunda-feira (18) durante o Brazil Day in Washington, encontro de empresários e autoridades dos dois países na capital americana.

Resultados de curto prazo

É muito provável que o governo brasileiro comece a dialogar com os Estados Unidos sobre um acordo de livre comércio ou mesmo um acordo de cooperação e facilitação de investimentos, iniciativas que são apoiadas pela Amcham. O que requer entendimentos e negociações que podem chegar a dois ou três anos para finalmente serem concluídos.

Isso não quer dizer que o Brasil não tenha expectativas de curto prazo que não possam ser atingidas no período e, que preparem o terreno para alcançarmos esses acordos, detalha a CEO. “São as ações e entregas intermediárias que lançam as bases para entendimentos duradouros. Precisamos de medidas à curto prazo para trazer um novo folego de diálogo a relação e aquecer negociações para conquistas amplas e ambiciosas. A intenção de um acordo comercial pode até parecer em discurso dos dois presidentes, mas sabemos que ela é completamente dependente desse entusiasmo comercial e bilateral renovado à curto prazo”, comenta Deborah Vieitas.

Alguns tópicos no curto prazo poderiam ter efeito imediato no comércio e investimento entre os dois países. A Amcham listou os temas de impacto rápido e com chance de serem anunciados como prioritários no primeiro encontro entre os presidentes Bolsonaro e Trump:

CEO Fórum

Principal iniciativa em prol do diálogo, o CEO Fórum deve ser reativado. “Criado há 10 anos e interrompido em 2015, é focado em reuniões bilaterais criadas entre grandes empresários dos dois países e seus respectivos Presidentes para encontrar formas de ampliar as relações comerciais e de investimento”, explica Vieitas. Do lado americano, já saíram duas chamadas para apresentação de candidaturas do Federal Reserve e o Ministério de Economia está em definição da seleção de membros brasileiros.

Acordo de Salvaguardas Tecnológicas

Com ambos os lados comprometidos, o texto do acordo segue em revisão final com chances de ser assinado durante a visita presidencial, permitindo o uso da base de Alcântara (MA) pelo governo americano. “Se isso for concretizado, pode trazer muitas oportunidades na área de Defesa e dar um belo impulso ao programa espacial brasileiro. É um cenário promissor para a transferência e desenvolvimento de tecnologias”, explica.

Global Entry – adesão do Brasil ao Global Entry, programa de facilitação de vistos para executivos e investidores. “Para que os países possam fazer parte deste programa, é necessária uma troca de informações bilateral. Que, no nosso caso, envolvem Receita Federal e Polícia Federal. Quando se compartilham essas informações, os viajantes que são considerados de baixo risco têm um processo de liberação muito mais rápido através de quiosques eletrônicos”. Pela complexidade de informações trocadas em sistemas, pode não ser assinado durante a visita, mas segue sendo um atual tema de interesse e não controverso para os dois lados.

Operador Econômico Autorizado

Um acordo de reconhecimento mútuo entre o Operador Econômico Autorizado (OEA) brasileiro e o dos EUA traria benefícios imediatos ao comércio, sendo um tópico de grande convergência entre os dois países e dependente apenas do cumprimento das exigências sensíveis de segurança (sendo o único ponto atual de obstáculo). O OEA é uma plataforma que reúne empresas que atuam com importação e exportação e certifica as que são mais assíduas e responsáveis. “É uma ferramenta fundamental para ajudar a cadeia logística a cumprir de forma agilizada as exigências aduaneiras dos dois países. Se houvesse esse acordo de reconhecimento mútuo, as empresas que são tradicionais exportadoras e importadoras acabam recebendo uma classificação que facilitaria e daria muita agilidade ao trânsito de mercadorias que elas têm com os dois países”.

Convergência regulatória

Uma das exigências prévias para fazer trocas comerciais com outro país é estar em conformidade com os padrões técnicos e legais da localidade. Nesse sentido, é importante ampliar o acordo de convergência regulatória com os EUA. O setor de porcelanato conseguiu fazer um acordo desses, que surgiu de um diálogo entre o Departamento de Comércio dos EUA (em inglês, a sigla é DoC) e o ex-MDIC, hoje Ministério da Economia.

“Em comum acordo, os dois países fizeram um alinhamento da regulação permitindo aos brasileiros exportar para lá e vice-versa. Seria muito importante que esse acordo fosse alcançado com outros setores. Para isso, é necessário que haja disposição nos diferentes setores econômicos dos dois países”. O lado americano (DOC) aguarda propostas do Brasil para avançar na agenda.

Diálogos bilaterais

O diálogo setorial também é um mecanismo importante de aproximação. “O diálogo comercial entre o DoC e o Ministério da Economia tem sido dos mais ativos, mas há outras iniciativas, como o da Infraestrutura, da Defesa e de Energia. Esses diálogos é que acabam levando a ações mais concretas de cooperação”. A agenda está em processo de retomada no Ministério da Economia, tendo o seu esforço concentrado na facilitação comercial.

Ações de médio e longo prazos

Para consolidar o diálogo bilateral, Vieitas destaca que ele não depende só do governo e do setor privado, mas também do Congressos americanos e brasileiros. “Precisamos envolver os dois congressos nesse movimento de aproximação. Não se pode ter qualquer ambição de acordo comercial sem iniciar esse envolvimento. Precisamos reativar a Frente Parlamentar Brasil – EUA, bem como o “Brazil Coucus” nos EUA, voltando a reunir os congressistas que estão diretamente implicados na decisão sobre temas da relação bilateral, e que serão responsáveis pelo entendimento aprofundado desses temas”.

Apesar da grande expectativa da obtenção do apoio dos EUA para acessão do Brasil à OCDE, o tema pode até ser citado neste primeiro encontro, mas segue ainda sendo um ponto com necessidade de maior diálogo e influência. “Sabemos que os EUA têm sua própria visão sobre instituições multilaterais, mas isso não impede que possamos receber o apoio americano para a nossa acessão à OCDE, já que ele foi dado à Argentina recentemente”.

A visita de Bolsonaro é a oportunidade para aprofundar a relação, defende a CEO. “Entendemos que esse momento exige um sincero desejo de fazer mais. O que é muito positivo. Como representantes do setor privado, somos espectadores e ao mesmo tempo protagonistas: esperamos coisas boas e sabemos que temos espaço para ampliar a relação comercial e de investimentos com vantagens para ambos os lados”.

Fatos e dados da relação bilateral Brasil-EUA

Investimentos estrangeiros diretos dos EUA no Brasil

  • As exportações de empresas americanas estabelecidas no Brasil somaram US$ 8,5 bilhões em 2015.
  • As empresas americanas geraram US$ 37,2 bilhões em valor agregado ao PIB brasileiro e empregaram 645.800 brasileiros, com um estoque de ativos de US$ 263 bilhões em 2015, e venderam US$ 171,3 bilhões internamente.
  • Os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar entre as origens de investimento estrangeiro direto no Brasil . O estoque alcançou US$ 68,2 bilhões. Isso equivale a 3.3% do PIB brasileiro. Entre 2008 e 2017, o IED dos EUA no Brasil cresceu 55.3%.

Investimentos brasileiros diretos nos EUA

O estoque de IED brasileiro nos Estados Unidos cresceu 356% entre 2008 e 2017, alcançando US$ 42,8 bilhões em 2017. Em 2017, o Brasil foi a 16ª maior investidor nos EUA – à frente do México.

Em 2015, as empresas brasileiras detinham US$ 102,2 bilhões em ativos nos Estados Unidos e empregavam 74.200 pessoas. Comparado com grandes emergentes (China, Índia, Rússia, e México), o Brasil fica em segundo lugar na geração de empregos nos EUA.

As subsidiárias brasileiras venderam US$ 48,3 bilhões no mercado interno, e geraram US$ 7,9 bilhões em valor adicionado ao PIB americano (2015). Entre 2009 e 2015, as empresas brasileiras nos EUA superaram consistentemente empresas de outros grandes emergentes em vendas internas e valor adicionado ao PIB dos EUA.

As subsidiárias brasileiras nos EUA exportaram US$ 5,1 bilhões em 2015, mais que subsidiários de outras grandes economias emergentes (China, México, Índia, Rússia).

*Dados Amcham, Apex e Brazil-US Business Council.

MAPFRE Investimentos: Atividade econômica e o Ibovespa 428

MAPFRE Investimentos: Atividade econômica e o Ibovespa

Cenário aponta necessidade de atenção para relação entre desempenho da renda variável e do IBC-BR

Nesta semana, serão divulgadas informações de atividade econômica e eventos de política monetária no Brasil e no exterior. Serão apresentados dados de confiança do consumidor da União Europeia e os índices de gerentes de compras nos Estados Unidos nos dias 19 e 22, respectivamente. Nos dias 20 e 21, acontecerão as reuniões dos comitês de política monetária dos EUA e da Inglaterra, respectivamente. No Brasil, além da reunião do Copom, contamos com o IBC-Br, em queda de 0,4% na margem, e o Índice de Confiança do Empresário Industrial, da CNI.

Vale atentar para essas divulgações no Brasil. O senso comum indica que há uma correlação positiva entre indicadores de atividade econômica e de renda variável, notadamente o Ibovespa. É verdade que outras variáveis também impactam a evolução do índice no curto prazo. De qualquer modo, segundo o senso comum, o índice, por conta do resultado das empresas de capital aberto, deveria guardar relação positiva com a atividade econômica no longo prazo.

Diante de indicadores anêmicos de atividade econômica no Brasil e da evolução positiva do Ibovespa nos últimos meses, a pergunta que nos fazemos é se essa correlação de fato existe. Quando relacionamos variações do IBC-Br e do Ibovespa (gráfico abaixo), esse senso comum se confirma. Em nosso exercício estatístico, essa correlação supera 0,77 nos últimos 15 anos. Interessante verificar na mesma figura que o Ibovespa parece antecipar o IBC-Br, o que também confirma o senso comum.

IBC-Br e Ibovespa (mm12m – %)
Fonte: BCB,BOVESPA. Elaboração: MAPFRE Investimentos

Se essa relação é comprovada no passado, o que dizer da atual divergência entre o IBC-Br e o Ibovespa? Há 3 hipóteses para essa segunda pergunta. A primeira é a de que essa correlação deixou de existir em 2019; a segunda é a de que o IBC-Br assumirá trajetória positiva, compatível com a do Ibovespa; a terceira é a de que o Ibovespa assumirá trajetória negativa, compatível com a do IBC-Br. Atribuímos baixa probabilidade à primeira hipótese. Indicadores antecedentes ainda não confirmam a segunda hipótese. Por exclusão, vale ficar atento às perspectivas do Ibovespa.

Empresas e Setores: Turnaraound na Direcional

Em 11 de março, a Direcional Engenharia divulgou seu resultado referente ao quarto trimestre de 2018 e o consolidado do ano passado. Os números divulgados validam o sucesso na estratégia de turnaround da empresa.

Fonte: Direcional Engenharia

O foco do turnaraound foi concentrar esforços no segmento em que a empresa tinha menor participação em termos de percentual da receita e que apresentava margens crescentes: MCMV faixas 2 e 3. Os executivos olhavam para os resultados obtidos pela MRV e acreditavam que poderiam fazer tão bem quanto, ou ainda melhor.

Ao mesmo tempo, construção no Minha Casa Minha Vida faixa 1 perdia relevância, após a redução do programa por parte do Governo federal. A empresa também optou por suspender os lançamentos no segmento média e alta renda (MAC), devido às condições de mercado, problemas com distratos e operações mal-sucedidas em regiões distantes.

Em 2018, a Direcional também contou com sorte e competência. Conseguiu realizar a venda de imóveis do MAC para o Fundo de Investimento Imobiliário DMAC11 por R$ 246 milhões. Este evento possibilitou o pagamento de dividendos equivalentes a um yield de 9% aos acionistas na data do recebimento.

Uma das características do investidor de valor (value investor) é ser paciente. Enquanto a empresa organizava sua estratégia, as ações estavam “esquecidas” pelo mercado. Os resultados contábeis eram fracos e deixaram o preço da ação sem tendência de alta ou de baixa por mais de um ano. Aos nossos olhos, se a estratégia de turnaround desse certo, a Direcional seria reprecificada e poderia ter uma forte alta.

Conforme a empresa apresentou melhores resultados, o mercado foi reconhecendo os esforços. Desde o começo do ano até o 15 de março, as ações acumulam alta de 26%. Valorização bastante superior ao do índice Bovespa (12,8%). Devemos ver boa entrega de resultados ao longo de 2019. Esperamos que o preço das ações reflita tal melhora.

Gestão: No-Brexit e cenário dovish generalizado impulsionam mercados

Numa semana, temores sobre o crash landing chinês; noutra, arroubos altistas capitaneados por avanços nas reformas, recuos no Brexit e novos estímulos na China.

Com efeito, o mercado é para os fortes e balança ao sabor de circunstâncias que variam em horizontes de minutos, de modo que mudanças abruptas de estratégia nestes interstícios podem muitas vezes ser fatais. Com definições importantes na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, que analisará a admissibilidade da PEC da Previdência, providenciais palestras do ministro Guedes sobre um novo pacto federativo no estilo “mais Brasil, menos Brasília” e uma cereja do bolo com o excepcionalmente bem-sucedido leilão de aeroportos no último dia da semana, o Ibovespa voltou a subir, flertando com os 100 mil pontos, fechando a semana com ganhos de 4%. Há três semanas, porém, havia quem atribuísse elevadas chances de um retorno aos 90 mil pontos.

Após três anos de um plebiscito dividido e um processo altamente atabalhoado, na semana anterior, os defensores do Brexit sofreram nova derrota com a rejeição, pelo Parlamento, do no-deal Brexit. Há inclusive entre os frustrados partidários originais da separação recém-tornados eurocentristas. Enquanto isso, nos bastidores, a Europa clama em uníssono pelo retorno da Grã-Bretanha ao bloco. Com possibilidades de separação cada vez menores e, portanto, menores impactos econômicos tanto para um (UK) como para o outro (EU), o micro-rally da libra e do euro dominou a semana, avançando sobre o dólar, que por aqui recuou cerca de 1,5%, com efeitos inclusive sobre os DIs, que devolveram prêmios e chegaram a cair mais de 20 pontos-base nos vértices mais longos, beneficiados pelos pequenos avanços nas reformas.