Pacientes devem estar atentos ao “Uber da Saúde” 307

Ferramenta é útil; porém, tanto o paciente quanto o profissional devem estar atentos para evitar dor de cabeça

Recentemente chegou a São Paulo um aplicativo que permite ao paciente solicitar consultas médicas em domicílio através do celular. A ideia é permitir que médicos atendam diretamente na casa do paciente, resgatando a antiga tradição dos “médicos de família”. A iniciativa, embora muito interessante, exige alguns cuidados, tanto por parte dos consumidores quanto dos profissionais médicos.

Ao solicitar uma consulta através do aplicativo, é importante que o paciente se certifique de que seja gerado algum tipo de comprovante do atendimento pelo médico (que possa ser impresso por e-mail, por exemplo). É uma forma de o paciente ter os dados do médico (como nome e CRM) e comprovar que naquela data e horário foi realizado um atendimento. O comprovante de pagamento também ajuda.

Isto é importante, pois, no caso de algum problema, será possível identificar o profissional e comprovar o atendimento realizado, bem como o pagamento. Além disso, é bom lembrar que a empresa que disponibiliza o serviço eventualmente também pode ser considerada corresponsável no caso de algum problema com o médico.

Para o profissional da saúde, a ideia do aplicativo parece ser resgatar a relação de confiança dos antigos médicos de família. Esta relação, no entanto, obviamente se constrói ao longo do tempo, e não de uma simples consulta pontual. Assim, pelo menos no primeiro contato, o profissional deve tomar todas as cautelas que tomaria no caso de atender um paciente pela primeira vez em seu consultório, tais como conversar detidamente com o paciente, realizar os exames clínicos necessários, documentar por escrito (como num prontuário) as observações e prescrições realizadas (até para ter material para poder se defender no caso de necessidade).

Vale destacar que tanto o paciente quanto o médico podem, inclusive, gravar em áudio ou vídeo o teor da consulta, que servirá como meio de prova em caso de necessidade futura, lembrando que tal documentação está protegida pelo sigilo profissional e só deve ser divulgada com autorização judicial.

Por fim, o paciente que pretender pleitear o reembolso da consulta com o plano de saúde deve se certificar de que seu contrato preveja a possibilidade de reembolso. Em caso positivo, o convênio deverá proceder ao reembolso dentro dos limites previstos em contrato, tal como seria se o paciente se consultasse com um médico não integrante da rede credenciada.

Contratação de planos sobe em linha com empregos formais 343

Contratação de planos sobe em linha com empregos formais

Levantamento IESS confirma relação entre incremento de postos de trabalho e contratação de planos médico-hospitalares

O mercado de planos de saúde médico-hospitalares começa 2019 com crescimento de 226,7 mil vínculos entre janeiro de 2019 e o mesmo mês de 2018. De acordo com a Nota de Acompanhamento de Beneficiários (NAB), do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), o setor registrou alta de 0,5% nesse período.

O superintendente executivo do IESS, Luiz Augusto Carneiro, aponta que o resultado está em linha com o mercado de trabalho que também apresentou crescimento em janeiro deste ano, com saldo positivo de 34,3 mil postos formais. “Apesar de os números de emprego no País terem um crescimento menos expressivo que o de novos beneficiários de planos médico-hospitalares, os números reforçam nossa percepção de que há uma relação direta entre os dois indicadores”, argumenta. “Em grande parte, esse movimento se justifica pelo desejo do brasileiro de possuir um plano de saúde, que fica atrás apenas do anseio pela casa própria e educação. Isso explica porque este é um dos últimos bens que as famílias se desfazem quando em necessidade e um dos primeiros que readquirem assim que a renda começa a ser recomposta”, completa.

O avanço apontado pelo NAB foi mais forte no Sudeste do País, que registrou 112,2 mil novos vínculos, alta de 0,4% e no Centro-Oeste, que conta com 109,9 mil beneficiários a mais do que em janeiro de 2018, alta de 3,5%. Apesar de o total de novos vínculos nas duas regiões ser muito parecido, o crescimento porcentual foi mais expressivo no Centro-Oeste devido à base de beneficiários de planos médico-hospitalares em cada uma delas. Enquanto o Sudeste conta com 28,9 milhões de vínculos, o Centro-Oeste tem 3,2 milhões.

Analisando a contratação de planos por Estado, o maior número de novos vínculos foi firmado em São Paulo: 135,4 mil, o que equivale a alta de 0,8%. Por outro lado, o Rio de Janeiro teve a maior quantidade de vínculos rompidos: 32,3 mil, uma queda de 0,6%.

Quando analisamos os resultados por modalidade de Operadora de Plano de Saúde (OPS), as Medicinas de Grupo foram, novamente, as únicas a apresentar impulso. Foram 573,1 mil novos beneficiários na comparação de janeiro deste ano com o mesmo mês do ano passado. Alta de 3,2%.

ANS realiza audiência pública sobre contratualização dos planos de saúde 236

ANS realiza audiência pública sobre contratualização dos planos de saúde

Consulta à sociedade visa avaliar necessidade de aprimorar a relação entre operadoras e prestadores

A relação contratual entre operadoras de planos de saúde e prestadores de serviço é tema de debate constante entre esses dois atores no setor, por isso a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) vai realizar, no dia 22/03, no Rio de Janeiro, uma audiência pública para ouvir a sociedade sobre a necessidade de revisão ou aprimoramento da regulação acerca da contratualização dos planos. A agenda também visa compartilhar os subsídios colhidos na Câmara Técnica de Contratualização e Relacionamento com Prestadores (CATEC), que desde outubro de 2018 tem debatido o tema com o setor e órgãos públicos.

Instituída pela ANS, a CATEC tem em sua composição integrantes de cerca de 30 órgãos e entidades do governo, além do Ministério Público Federal, Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e Ministério Público do Consumidor (MPCON). Foram realizadas três reuniões até o momento e o último encontro acontecerá no dia 21/03, um dia antes da audiência pública. A câmara foi instaurada para identificar quais medidas regulatórias podem ser aplicadas para aprimorar a relação entre operadoras e prestadores, dentre elas a revisão das regras sobre contratualização.

Ao longo das reuniões foram identificados problemas regulatórios acerca do relacionamento entre operadoras e prestadores, que serão apresentados durante a audiência pública, envolvendo temas como: remuneração de materiais e medicamentos de uso hospitalar; dificuldades na negociação contratual; casos de inadimplência (glosas sobre o faturamento, não-pagamento e aplicação irregular do reajuste previsto); adoção da Tabela TUSS (terminologia do setor); rescisão de contratos; utilização de tabelas de referência para remuneração; subnotificação das irregularidades pelos prestadores de serviço; e o tratamento das OPMEs, entre outros.

Apesar de a ANS não ter competência regulatória para definir a relação entre as empresas e nem impor qualquer delimitação comercial entre as partes, a proposta é encontrar soluções menos intervencionistas e mais indutivas, harmonizando a relação em prol de uma construção conjunta para o setor. “Cabe à Agência olhar para esse tema para evitar que problemas dessa relação possam impactar a qualidade da prestação do serviço. É importante aproximar as partes para chegarmos a um ambiente de regulação cada vez melhor”, explica o diretor de Desenvolvimento Setorial, Rodrigo Aguiar.

Clique aqui para se inscrever na audiência pública

Confira aqui as pautas e materiais apresentados durante a CATEC

Audiência Pública sobre Relacionamento e Contratualização entre Prestadores de Serviços de Saúde e Operadoras de Planos Privados de Assistência à Saúde

Data: 22/03/2019, das 9h às 18h
Local: Auditório da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (FECOMÉRCIO – RJ)
Rua Marquês de Abrantes, 99, Térreo – Flamengo, Rio de Janeiro – RJ.

Tecnologia para corretores impulsiona seguros imobiliários em 2019 384

Tecnologia para corretores impulsiona seguros imobiliários em 2019

Confira artigo de Rossana Costa, diretora da GEO

O mercado de construção civil tem se notabilizado nos últimos anos pela evolução tecnológica em diversas áreas, beneficiando-se dos avanços como em modelagem 3D, com ferramentas como o BIM e até mesmo o uso de drones para captura de imagens, reduzindo riscos, custos e até mesmo os cronogramas de entrega.

No intuito de acompanhar o desenvolvimento das construtoras e incorporadoras no boom de obras e tecnologia na década de 2000, o cenário de seguros da construção civil também iniciou sua transformação digital.

Apesar do avanço em investimentos e na disponibilidade das novas tecnologias no mercado de seguros, quando tratamos de seguros para a construção civil e imobiliário ainda há uma defasagem na adoção pela cadeia, dado que o caráter do setor sempre foi o de baixa concorrência e maior conforto em relação à necessidade de inovar. Por conta disso, não houve um desenvolvimento com todo o potencial oferecido pelo mercado, como já vem ocorrendo com mais força em setores mais ligados ao consumidor final, como o automotivo e vida, por exemplo.

Esse cenário foi transformado com as novas tecnologias baseados em computação na nuvem e Big Data, que possibilitaram o cruzamento de grandes volumes de dados para análise de riscos, precificação de prêmios e para embasar uma tomada de decisões mais assertiva. Isso também inclui avanços na inteligência artificial para experiência do consumidor, acessibilidade por dispositivos móveis na Internet das Coisas e a automação de processos e experiências por meio do machine learning.

Segundo o levantamento da Tata Consultancy Services (TCS), o mercado de seguros é um dos que mais investe no desenvolvimento de inteligência artificial, especialmente vindo das insurtechs, que já receberam investimentos acima de US$ 9 bilhões desde 2010, segundo o estudo InsurTech Outlook, e as seguradoras estão entre os grandes investidores.

De fato, a oportunidade para inovar é grande, tanto para desenvolvimento como para adoção de tecnologias que buscam reduzir custos, tempo e burocracia no trabalho do corretor e das seguradoras. Hoje, a maior parte do tempo de um corretor de seguros está ligado a atividades burocráticas, e a demora para emitir apólices dentro dos sistemas tradicionais pode levar dias para ocorrer.

Um exemplo de como a tecnologia pode servir como um “quarto participante” da cadeia do seguro imobiliário (além das seguradoras, corretoras e clientes) é em relação a Garantia de Entrega de Obra. Este seguro é alvo de grande demanda do setor, mas conta com o desafio de acompanhar toda a gestão da construção por parte das seguradoras para conseguir gerenciar os riscos decorrentes.

A digitalização permite que todos os players, incluindo até mesmo o consumidor final, possam ter acesso em tempo real às informações como fotos, medições de banco de dados, mapeamentos e cronograma da construção. Tudo em uma única ferramenta, que oferece não apenas a transparência das informações, mas que também é capaz de atender às diferentes demandas de seguradoras, construtoras e corretores por meio de relatórios didáticos e personalizados.

Esta transparência na gestão de dados pode também ser vista em situações de seguro habitacional, obrigatório no financiamento imobiliário ao parcelar a compra de um bem imóvel. Por meio da digitalização, os corretores conseguem disponibilizar para seus clientes certificados individuais a cada mudança de crédito mensal. Assim, de forma proativa e em tempo real conseguem oferecer aos credores informações sobre os valores segurados de forma transparente, reforçando o seu papel de confiança em um setor que exige tanto esta qualidade e que costuma lidar com altas cargas de burocracia.

Por fim, a digitalização do setor de seguros serve como pilar fundamental para toda a evolução decorrente de soluções de Big Data e analytics, que conseguem entregar uma miríade de insights e análises que não são possíveis tendo como base documentos em papel ou em arquivos digitais que não estão incorporados em uma gestão unificada. O cenário agora é outro – apólices podem ser digitais e podem ser emitidas com um clique na tela.

Desafio cultural para adoção de tecnologias

Sabendo do desafio cultural do setor para adaptação de novas tecnologias, um dos desafios para a implementação de novas ferramentas é a portabilidade com as estruturas legadas complexas e extensas das grandes empresas do meio, o que torna os processos internos de digitalização mais lentos e custosos se feito internamente. Para 2019, no entanto, plataformas de tecnologia que facilitam essa integração para as seguradoras ficarão ainda mais acessíveis e populares, tirando das seguradoras os altos custos de implementação e manutenção.

Temos visto também que o entendimento das vantagens na digitalização pelos corretores ainda é nebuloso, considerando que apareceram no mercado insurtechs que propõem a substituição do corretor pela inteligência artificial. Não é preciso de muito esforço para mostrar que estas empresas estão se precipitando quanto à qualidade do que é entregue ao cliente, ainda mais se tratamos de clientes com exigências complexas, como acontece na construção civil. Não podemos e nunca devemos comparar os avanços da tecnologia com essa proposta.

Ao contrário, a maioria das empresas de tecnologia, insurtechs e seguradoras entendem o corretor como pilar central do trabalho com as diferentes ferramentas tecnológicas, que servem para auxiliá-los na entrega de processos mais velozes e assertivos. Segundo levantamento da Camara-e.net, das insurtechs brasileiras, mais de 62% tem como objetivo potencializar negócios para as seguradoras e 57% também querem trazer mais negócios aos corretores.

E quando tratamos da experiência de mercado, das especificidades das análises e das necessidades para variáveis de cada apólice e certificado, entendemos que o corretor é fundamental e indispensável para o sucesso do setor. Nos momentos de uma opinião especializada ou dificuldades, clientes ainda preferem lidar diretamente com os corretores, o que mostra pesquisa da Accenture, apontando que 80% dos consumidores optam por resolver problemas com contato humanizado.

Para as seguradoras, os investimentos se tornam igualmente importantes para subsidiar melhorias no rendimento de seus corretores e para trazer ganhos em agilidade e eliminar custos significativos com a operação, que incluem manutenção da TI própria e equipes dedicadas a processos manuais e repetitivos.

Estamos diante de uma oportunidade para uma transformação no setor, dado que já temos à nossa disposição recursos altamente disruptivos e benéficos para auxiliar tanto os corretores e seguradoras, como também dos clientes na ponta. O mercado de seguros já projeta um grande crescimento em 2019, e um dos principais fatores de competitividade – e até de sobrevivência – será a adoção de novas tecnologias.

Começa a valer hoje suspensão da venda de 46 planos de saúde 267

Começa a valer hoje suspensão da venda de 46 planos de saúde

Medida da ANS protege cerca de 570 mil beneficiários e é resultado de monitoramento do atendimento

A partir desta segunda-feira (11/03), começa a valer a suspensão da venda de 46 planos de saúde em todo o país, por determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A medida, anunciada no dia 01/03, é temporária e acompanha os resultados trimestrais do Programa de Monitoramento da Garantia de Atendimento, programa que monitora o desempenho do setor e atua na proteção do beneficiário. Neste ciclo, a reguladora determinou a suspensão temporária da comercialização de planos de 13 operadoras em função de reclamações assistenciais recebidas de consumidores no período, tais como: cobertura assistencial, prazo máximo de atendimento e rede de atendimento, entre outras.

Juntos, os planos atendem cerca de 570 mil beneficiários, que ficam protegidos com a medida e têm mantida a garantia à assistência regular. O ciclo atual do programa refere-se ao monitoramento realizado pela ANS no 4º trimestre de 2018. Paralelamente à suspensão, a Agência liberou a comercialização de sete planos de saúde de duas operadoras, que haviam sido suspensos em ciclos anteriores. A liberação indica que esses planos poderão voltar a ser vendidos para novos clientes também a partir de hoje (11/03).

O Monitoramento da Garantia de Atendimento avalia as operadoras a partir das reclamações registradas pelos beneficiários nos canais da ANS. O objetivo do programa é estimular as empresas a qualificarem o atendimento prestado aos consumidores. Assim, os planos suspensos só podem voltar a ser comercializados quando forem comprovadas melhorias. “É uma medida que amplia a proteção ao beneficiário da operadora, já que não haverá ingresso de mais contratantes, ao passo que impede que novos consumidores contratem um plano que demande ajustes por parte da empresa”, explica o diretor de Normas e Habilitação dos Produtos, Rogério Scarabel.

Reclamações

Nesse ciclo, foram consideradas as reclamações (como negativas de cobertura e demora no atendimento) recebidas entre 1º de outubro e 31 de dezembro de 2018. No período, foram registradas 19.186 reclamações de natureza assistencial nos canais de atendimento da ANS. Dessas, 15.821 foram consideradas para análise pelo Programa de Monitoramento, excluindo-se as demandas finalizadas por motivos como duplicidade.

No período, mais de 94% das queixas foram resolvidas pela mediação feita pela ANS via Notificação de Intermediação Preliminar (NIP), índice que regularmente tem se mantido superior a 90% em resolutividade, garantindo resposta ao problema dos beneficiários.

Perfil das reclamações assistenciais no período

Divulgação
Divulgação

Resumo dos resultados do Programa de Monitoramento – 4º trimestre/2018

• 46 planos com comercialização suspensa
• 13 operadoras com planos suspensos
• 569.650 consumidores protegidos
• 7 planos reativados
• 2 operadoras com reativação parcial de planos (7 produtos)

Acesse aqui a lista de planos com comercialização suspensa
Acesse aqui a lista de operadoras com planos parcialmente reativados
Veja a classificação de todas as operadoras
Veja a apresentação com os resultados

Informações detalhadas por operadora e por faixa de classificação

Os beneficiários também podem consultar informações do monitoramento por operadora, conferindo o histórico das empresas e verificando, em cada ciclo, se ela teve planos suspensos ou reativados.

Para dar mais transparência e possibilitar a comparação pelos consumidores, a ANS disponibiliza ainda um panorama geral com a situação de todas as operadoras, com a classificação das empresas nas quatro faixas existentes (que vão de 0 a 3).

Clique aqui e faça a consulta por operadora de plano de saúde

Diferenças entre Proteção Veicular e Seguro de Automóvel 187

Diferenças entre Proteção Veicular e Seguro de Automóvel

Confira artigo de Bernard Biolchini, CEO do Grupo Pentagonal

Primeiro ponto a deixar claro que não sou especialista em Direito e não irei entrar nos méritos legais da questão, me atento somente a questões práticas e em alguns aspectos emitindo a minha opinião. Talvez nem a Própria Susep tenha tentado entrar neste mérito tendo em vista a sua, se não inércia quanto ao assunto, sua ineficiência em reprimir essa prática.

Para iniciar – Como surgiram as Cooperativas de Proteção Veicular? O mercado se adapta, de acordo com as necessidades do cliente. E quando há demanda, atender é fundamental. Seguindo esta linha de raciocínio, podemos dizer que existe uma fatia enorme de consumidores que não eram vistos pelas seguradoras como interessantes. As companhias de seguros com seus gênios atuariais, ao longo dos anos, alegam o seguinte motivo para recusar a apólice para a classe média baixa: “não tenho interesse em te ter como segurado, por morar em locais com alto índice de criminalidade, por possuírem veículos mais antigos, o que me dificulta a achar peças de reposição, além de terem o crédito negativado, o que significa que eu já entendo que vocês possam fraudar um sinistro para conseguirem pagar as suas dívidas e “limparem” os seus nomes na Praça. E o consumidor com esse perfil, questiona: então eu não posso proteger o meu patrimônio que demorei tanto para conseguir auferir? Para as seguradoras até podem segurar o bem, desde que paguem entre 30% a 50% do valor do veículo a ser segurado. E mesmo assim, pode ser que a resposta ainda seja não!

O Mercado se adaptou e  o público que a seguradora ignora, resolveu se unir em torno de um CNPJ de cooperativa, para que todos paguem mensalmente um valor que possa Proteger o seu patrimônio. As cooperativas de Proteção Veicular foram simplesmente uma adaptação de mercado como muitas que vemos hoje em dia.

Quais são as diferenças entre cooperativas de Proteção Veicular e Seguradoras? As Cooperativas não têm um órgão regulador que fiscalize seu caixa ou balanços, para saber se possuem reserva técnica que garanta uma Indenização. Há também o risco de que uma cooperativa vá à falência, tenha desvios internos e que o seu cooperado em caso de necessidade fique a ver navios. Em Seguradoras não há o Risco de que isto aconteça, ou os riscos são mínimos. O cooperado obviamente pode pleitear seus direitos na Justiça, mas como cooperado, ele também não deixa de ser um cotista. È importante lembrar que a relação de consumidor já fica abalada em caso de processo. Obviamente, muitas coisas poderão ser alegadas pelos advogados e operadores do direito, mas os riscos são muito mais altos. Fazer uma Proteção Veicular é algo que vai muito mais da confiança que a Cooperativa passa do que qualquer outro aspecto. O Famoso jargão: “é o que temos para Hoje. Se não quiser, fique sem nada!”

Proteção Veicular pode ser vendida por qualquer vendedor.  Não há a necessidade legal de especialização para ser comercializada. Eu vejo hoje corretores espumando pela boca quando se fala na tal Proteção Veicular, mas não vejo Seguradoras preocupadas, ou se estão, não deveriam estar, pois as proteções foram uma resposta do mercado dada através dos clientes que ela mesma não aceita. Não acredito realmente que os clientes que possam ter seguros em Seguradoras a preços que caibam nos seus orçamentos fariam Proteção Veicular ao invés do Seguro Tradicional.

Finalizo então para não me alongar mais, a Proteção Veicular se agigantou juntamente com a crise. De acordo com a minha opinião, não há nada que se possa fazer para mudar esse quadro. Essa modalidade de proteção nós sabemos que não é seguro e a sua regulamentação já foi aprovada em primeira votação no Congresso. Corretores, a realidade é única: não adianta reclamar dos peixinhos, se os tubarões estão satisfeitos com as suas refeições. Tenham sempre em mente que é preciso não só fazer o planejamento estratégico financeiro e de vendas, mas atuar num cenário onde não existem mocinhos e bandidos, mas sim, profissionais que sabem o que, quando e onde atuar para oferecer o melhor para seus segurados.