Tendências do Mercado Segurador até 2030 385

Confira o artigo do diretor de operações e tecnologia da Tokio Marine Seguradora, Adilson Ignacio Lavrador


Durante meus mais de trinta anos de carreira, tenho percebido que as seguradoras não passaram incólumes pela revolução tecnológica, que vem mudando as relações entre consumidores e empresas. Vivemos hoje em uma realidade na qual há, cada vez mais, uma procura por novas formas de oferecer produtos e serviços por meio do menor número possível de toques numa tela de celular.

Diante deste cenário, precisamos pensar, diariamente, em como transformar um mercado tradicionalmente burocrático como o segurador em um segmento apto a oferecer soluções que mesclem segurança, agilidade e facilidade, para alcançar e fidelizar cada vez mais nossos clientes. Nesse contexto, a minha experiência me permite apontar 4 caminhos essenciais, que acredito que devem nortear as principais seguradoras do mundo em sua busca por inovação nas próximas décadas:

1. O efeito Millenium na modernização das aplicações

Mais do que nunca, é preciso voltar o nosso olhar para essa geração. Nas próximas décadas, serão bem-sucedidas as companhias de seguros que conseguirem conquistar a geração Millenium, que tem como principal característica o interesse de se comunicar e interagir com seus prestadores de serviços via mundo digital. Contraditoriamente, muitos dos sistemas e funcionalidades utilizados por corretores, atualmente, foram feitos para atender os fluxos operacionais de uma seguradora que ainda precisa de muita interação humana, ou seja, não foram pensados em modelos digitais.

Sempre reforço que, em poucos anos, as seguradoras que irão se destacar serão as mais inovadoras. É preciso, urgentemente, renovar a comunicação com os clientes nesse mercado. É imprescindível pensar em novas formas de interação que forneçam respostas imediatas e precisas por meio de Aplicativos Mobile e Internet, deixando um pouco mais o papel de lado. A geração Millenium já tem nos forçado positivamente a mudar nossa filosofia na hora de desenhar e desenvolver aplicações – e é chegado o momento de pensarmos em serviços rápidos e que rodem em qualquer lugar.

2. Um novo olhar para as redes sociais

É fato. Não dá mais para fugir dos modelos de Relacionamento com Clientes que acontecem pelas redes sociais, dispositivos móveis e Internet, sempre no modelo de visão 360° e em tempo real. Se o cliente está navegando neste mundo digital, deve conseguir acessar seu seguro, ou sua seguradora, ou seu corretor. Deve ter acesso a todas as suas informações sem entraves ou dificuldades. Precisamos fortalecer DBM, CRM e Customer Services, ao mesmo tempo, sem esquecer que atendimentos telefônicos e pessoais continuarão existindo.

É difícil pensar nisso sem se colocar efetivamente no lugar do cliente digital e do corretor, que sempre buscam pela autonomia. Há, nesse sentido, vários modelos que podem ser disponibilizados e aprimorados para implantar esse novo paradigma. Em termos de corretor e parceiros, precisamos cada vez mais disponibilizar serviços como IoT- Internet das Coisas- (conectividade), serviços na Nuvem, integração de dados (troca de informação rápida e simples), entre outros. Melhorar o relacionamento e pensar nisso de uma forma digital é garantir negócios para o futuro.

3. Internet das Coisas no mercado segurador

O oferecimento de serviços e a avaliação de riscos mediante a coleta de dados de consumidores já são amplamente utilizados por companhias como Netflix e Google. A tendência para as próximas décadas é que esse tipo de tecnologia seja adotado também por empresas ligadas a setores tradicionalmente menos ligados à tecnologia. Uma seguradora norte-americana, por exemplo, recentemente analisou os dados de seus clientes e chegou à conclusão de que os homens casados na faixa dos 30 anos tinham pouquíssimas chances de reincidir no chamado DUI (dirigir sob efeito de álcool), na medida em que esse tipo de infração tende a trazer problemas domésticos. A empresa utilizou a informação para oferecer a renovação de seus seguros de automóvel a preços reduzidos para consumidores com esse perfil. Existem muitas tecnologias para começarmos a pensar e precisamos estudá-las mais profundamente para conseguir explorar todas as possibilidades fornecidas pela Internet das Coisas (IoT).

4. Não vire as costas para as startups

Por último, mas não menos importante, há uma série de eventos voltados para tecnologia em que são apresentadas soluções de startups para todos os segmentos. É importante que o mercado segurador se mantenha avaliando possíveis parcerias que possam agregar valor aos processos, sejam eles tecnológicos ou operacionais, como serviços diferenciados para Corretores e Clientes. Para sobreviver às próximas décadas, é necessário explorar, de alguma forma, toda essa tecnologia inovadora que se apresenta por meio das diversas empresas que estão começando, pois ainda existe muita inteligência não explorada.

Bom, acredito que chega a ser redundante dizer que, sem monitoramento efetivo, disponibilidade, capacidade e agilidade em fornecer informações em tempo real, nada do que foi dito acima tem muito sentido. Para se adaptarem às necessidades dos consumidores nas próximas décadas, as seguradoras têm que ter ambientes computacionais que garantam isso e capacidade de processar informações de forma assertiva e qualitativa. Difícil, mas é um desafio que pode ser vencido.

Por que contratar seguro para a gestão dos riscos de serviços profissionais 593

Rodrigo Granetto é Diretor Regional de Professional Indemnity da Chubb America Latina

Confira artigo de Rodrigo Granetto, Diretor Regional de Professional Indemnity da Chubb America Latina

Por muito tempo, na América Latina, as atividades profissionais desfrutaram de visível respeito na sociedade e algumas chegavam a ser reverenciadas por toda a opinião pública. Advogados, médicos e engenheiros, por exemplo, podiam atuar livremente sem o receio de serem questionados, pois suas habilidades eram amplamente reconhecidas pelo simples motivo de que possuíam um diploma que lhes conferia grande prestígio.

Mas, nas últimas décadas, essa realidade foi profundamente transformada por conta do processo de globalização e por influência da cultura internacional de reparação de danos. A intensidade do processo foi tal que, hoje, todas as atividades profissionais passaram a ser vistas igualmente na região como mera prestação de serviços remunerados.

Com base nessa nova visão, as pessoas passaram a não mais tolerar qualquer forma de erro no exercício profissional e, por isso, já não demonstram qualquer receio em procurar a justiça em busca de reparação quando se julgam contrariadas em seus direitos de consumidor. Aliás, na América Latina, essa nova compreensão consolidou leis particularmente severas, que suscitam decisões quase sempre em prol do consumidor.

Agora, um só erro profissional pode colocar em cheque as atividades de toda uma empresa de serviços. Basta, por exemplo, que um escritório de advocacia perca o prazo em uma ação judicial de alto valor. Ou que uma firma de engenharia incorra em um erro de cálculo ou ainda que uma agencia de turismo não informe a necessidade de vacina para seu cliente. São eventos que podem gerar não apenas prejuízos insuportáveis aos profissionais, mas também danos à reputação por conta da propaganda negativa na mídia e redes sociais.

Tendo em vista que falhas profissionais, de fato, ocorrem, as empresas prestadoras de serviços começaram a perceber que precisam estar preparadas financeiramente para reparar o consumidor de acordo com a nova realidade. Trata-se, contudo, de uma tarefa complexa, pois, entre outros aspectos, os valores de indenização podem variar em mais de 1 mil%, sobretudo em função do que é compreendido como dano moral. Assim, como atender esses novos direitos do consumidor? A resposta para essa importante pergunta foi encontrada no mercado de seguros.

Uma grande missão para corretores e seguradoras

Ao mesmo tempo em que, a partir da segunda metade do século 20, cresceu no ocidente a conscientização acerca dos direitos dos consumidores, seguradoras de vários países se dispuseram a estudar e assumir riscos associados com os prestadores de serviços. Dessa forma, o seguro de Responsabilidade Civil (RC) Profissional, também conhecido como Errors & Omissions (E&O), ganhou força e rapidamente chegou à América Latina.

Com o tempo, essa importante proteção amadureceu. Hoje, entre outros benefícios, a apólice pode cobrir gastos com advogados, efetuar a devida indenização nos eventos de responsabilização, custear ações de comunicação para defender a imagem do profissional prejudicado pelo evento e contribuir com a gestão dos riscos envolvidos.

O corretor de seguros, em particular, tem exercido um papel essencial, ao buscar compreender com profundidade os riscos do segurado para, em seguida, recomendar ações preventivas em conjunto com uma apólice sob medida. Para essa tarefa, muitos têm obtido sucesso ao escolher seguradoras sólidas e experientes a fim de estabelecer parcerias longevas, com base em uma visão global.

A Chubb Seguros, em especial, oferece o RC Profissional na América Latina desde o início dos anos 2000. As soluções apresentadas atendem praticamente todas as profissões por meio de apólices customizadas para advogados, engenheiros, médicos, arquitetos, empresas de mídia, agentes de viagem, operadores de turismo, notários, corretores e várias outras. A companhia também dispõe de um produto denominado Miscellaneous, que se adequa a todas as demais categorias que não demandam uma apólice com clausulado específico.

Assim, por proteger o profissional e, consequentemente, os direitos do consumidor, a contratação desse seguro hoje representa um importante diferencial competitivo para o fornecedor de serviços. Essa é uma oportunidade que pode ser levada ao conhecimento de milhões de profissionais da América Latina. Por isso, uma das maiores missões dos corretores e seguradoras é fazer com que essa mensagem se dissemine em toda a região, onde a expansão do seguro de RC Profissional está apenas no começo.

4 passos para maximizar suas vendas em aplicativos 426

Rafael Martins é CEO da LifeApps / Divulgação

Confira artigo de Rafael Martins, CEO da LifeApps

Os hábitos dos consumidores mudaram drasticamente nos últimos anos. E isso se deve, sobretudo, à tecnologia, que permite um fácil acesso às informações em tempo real e também cria formas eficientes de realizar compras, como o e-commerce e, mais recentemente, os dispositivos móveis. É cada vez maior o número de pessoas que acessa à internet por meio dos seus smartphones e tablets. Isso porque a evolução tecnológica possibilita boas experiências de navegação sem precisar acessar um desktop. Dado este cenário, é preciso investir na maximização das vendas nos aplicativos. A seguir, listo três passos para evoluir essa estratégia.

  1. Crie conteúdo personalizado – os usuários adoram conteúdo personalizado para uma imersão. Quanto maior for a capacidade de proporcionar uma experiência única, maiores são as chances de ter sucesso no mercado. E essa personalização pode se basear no interesse, nos comportamentos, na localização, na cultura, entre outros fatores. O uso de um aplicativo para dispositivos móveis permite que os usuários definam claramente suas preferências desde o início, informando dados que você pode explorar para entregar conteúdo personalizado. O aplicativo observará o envolvimento e o comportamento para oferecer recomendações personalizadas e atualizações de produtos para usuários, dependendo de sua localização e em tempo real.
  1. Recursos dos smartphones e tablets – os aplicativos para dispositivos móveis têm uma vantagem adicional, você pode codificar um app para utilizar vários recursos como a câmera para escanear tipos de códigos de barras e o GPS para se conectar a mapas e a outros serviços que podem ser utilizados para propósitos diferentes. Outra vantagem adicional é que os recursos do dispositivo podem reduzir significativamente o tempo que os usuários levam para iniciar e executar uma ação e, fundamentalmente, mudam a maneira como eles interagem com o dispositivo e seus aplicativos. Além disso, as plataformas de codificação dos sistemas iOS, Android, Xamarin e Hybrid possuem todos os recursos e padrões distintos que os desenvolvedores de apps móveis utilizam para otimizar a experiência do usuário.
  1. Atualizações instantâneas – a capacidade de enviar notificações instantâneas e não intrusivas aos usuários é uma das principais razões pelas quais as empresas devem investir em um aplicativo. Esse é um recurso muito interessante para estimular as vendas da sua loja online. As notificações são recebidas quando um usuário abre um app em seu dispositivo.
  2. Push Notifications – são recebidas nos dispositivos independentemente de um usuário abrir um app ou não. Além disso, você pode enviar atualizações regulares via Play Store, App Store e Windows Store para o seu aplicativo, mantendo-o atualizado em todos os momentos com os recursos mais recentes. Isso permite que você promova produtos e serviços, aumentando regularmente suas vendas e lucros.

Após a consolidação do e-commerce, a migração para os dispositivos móveis é apenas uma consequência da evolução tecnológica somado aos novos hábitos dos consumidores. Em razão destes fatores, vislumbra-se a importância de investir, cada vez mais, nas vendas mobile para fornecer experiências personalizadas aos clientes. Seguindo este passo a passo, a estratégia de vendas nos aplicativos das lojas online é muito mais assertiva e maximizada!

*Rafael Martins é CEO da LifeApps, empresa do Grupo Máxima responsável por plataformas de e-commerce.

Parcerias digitais são capazes de atuar como consultoras para seguradoras em expansão 596

Rossana Costa é diretora da GEO / Divulgação

Confira artigo de Rossana Costa, diretora da GEO

O dicionário Houaiss define o consultor como aquele que “tem a função de aconselhar, emitir parecer técnico sobre determinado assunto de sua especialidade e/ou sugerir soluções”. Apesar dos enormes avanços tecnológicos em automação e inteligência artificial no setor de seguros, o trabalho de consultoria técnica do meio digital aparece entre as prioridades de corretores, seguradoras e da indústria como um todo.

Se antigamente o pensamento vigente era o de desenvolver todos os processos necessários de forma interna, com a atual expansão de mercados securitários essa obrigação ganhou mais complexidade em um mundo cada vez mais imediato e com exigência pela inovação. Nesse sentido, o suporte externo de empresas que oferecem soluções de rápida integração com a estrutura das grandes corporações virou um dos novos pilares da transformação digital.

No mercado de seguros, parte desta transformação veio das chamadas insurtechs, empresas de tecnologia que se propõem a resolver desafios do mercado de seguros com desenvolvimento ágil, geralmente com soluções digitais e baseadas em big data. Por conta destas características, tornou-se comum que seguradores busquem aliar-se a essas empresas para terceirizar ou incorporar serviços que, de outra forma, levariam meses e  dezenas de milhões de reais para serem implementados por conta própria. Até alguns anos atrás, muitas dessas seguradoras ainda apostavam a maior parte das suas fichas simplesmente na força de suas marcas, o que se provou ineficiente diante da explosão do mercado de startups.

A medida que esse tipo de parceria se consolida, é normal que as seguradoras cobrem mais inteligência de negócio e visão estratégica de longo prazo. Assim, o que poderia ser visto apenas como um suporte tecnológico pontual, hoje é encarado como um suporte especializado. Por isso, é importante que as insurtechs entendam também os gargalos nas áreas de legislação e regulação, estudem a demanda da área de atuação e analisem projeções futuras, que são algumas das medidas que qualificam o produto no momento de ser ofertado ao mercado. Infelizmente, não é sempre esse o caso.

Nesse sentido, algumas plataformas passaram a aliar experiência no mercado de seguros com a capacidade tecnológica de big data e análise de dados para entregar insights às seguradoras, e não limitar-se a processamento e entrega de grandes quantidades de dados estruturados. Assim, a visão estratégica compartilhada resulta também em dividendos para ambas as partes, seja para as apólices que já fazem parte do portfólio atual das seguradoras ou para novas adições.

Com esse arcabouço de qualidades desenvolvidas, esses parceiros também ganham destaque no mercado segurador como agentes de impulsionamento na contratação de seguros. Considerando que o Brasil faz parte das dez maiores economias globais, ocupar a 12ª posição no ranking de seguros e apenas a 45ª em arrecadação per capita em seguros demonstra o potencial que o segmento pode atingir nos próximos anos.

Analisando dessa forma, fica claro a necessidade das seguradoras por uma consultoria estratégica em um cenário que elas são desafiadas a investir em todos os segmentos securitários com o mesmo know-how e estrutura, enquanto convivem com demandas mais complexas de infraestrutura tecnológica e de relacionamento com parceiros e clientes. Esse tipo de solução também atrai os corretores de seguros, que teriam à disposição uma ferramenta que permite a entrada em novos segmentos sem ter que passar por um período extenso de especificação, que já teria sido feito pela empresa desenvolvedora e oferecida de forma didática.

Essa é uma estrutura em que todos podem se beneficiar ao expandir suas áreas de atuação e, assim, aumentar a contratação de ofertas de seguros. Seguros para a construção civil e o setor imobiliário, assim como seguros para a oferta de crédito com garantia de imóvel são alguns dos exemplos que podem se beneficiar ao ganhar mais visibilidade já que muitas vezes suas ofertas se concentram nas mãos de poucos players. Um cenário de baixa concorrência que tradicionalmente não estimula inovações como processos 100% digitais e com taxas mais baixas.

É possível vender mais para os mesmos clientes? 460

É possível vender mais para os mesmos clientes?

Confira artigo de Eduardo Tardelli, CEO da upLexis

Ter uma grande carteira de clientes ativa, sendo, a maior parte, fidelizados e recorrentes é o desejo de qualquer empresa e empresário, justificando, muitas vezes, o alto valor na aquisição do lead. Com um LTV (Life Time Value) grande, se tem um gap maior para gastar na aquisição, além de muitas vezes tornar o comprador/usuário um “advogado” da marca.

A aspiração é grande, assim como o desafio de conquistar esse patamar. A pesquisa “Vendo além da ilusão de fidelidade: é hora de investir de forma mais inteligente”, da Accenture Strategy, empresa global de consultoria de gestão, Tecnologia da informação e outsourcing, aponta que 80% dos brasileiros estão diminuindo sua fidelidade em níveis que afetam o lucro das empresas. Junto a isso, a grande maioria dos consumidores (83%) trocaram de fornecedores de um ano para outro e 36% confiam que suas expectativas sobre fidelidade de marca mudaram completamente.

É fato: o consumidor brasileiro é infiel e o adversário (a concorrência) enorme. Ao empresário, cabe buscar, diariamente, alternativas para manter o faturamento de vendas e o time ganhando. O start é ter em mente que nós, seres humanos, temos atitudes e reações distintas diante de uma oferta, com diversas objeções prontas e outras, formatadas conforme o modelo de negociação. Com isso, é preciso que as companhias entendam as linguagens da fidelidade dos seus clientes mais lucrativos e implementem a combinação ideal para garantir que elas ofereçam as experiências que impulsionam defesa, retenção e crescimento.

As estratégias, portanto, devem considerar a dúvida e as necessidades do consumidor – e trabalhar em cima delas. Para uma empresa, por exemplo, que vende produtos físicos em pontos específicos, pode ser muito mais interessante trabalhar estratégias de PDV.

Já para empresas B2B com grandes contas, inbound marketing, venda consultiva e um funil de vendas mais complexo geralmente são caminhos a se considerar. Para as que possuem modelos SAAS, os clientes aceitam bem serviços com diferenciais competitivos, personalizando atendimentos. Portanto, o time em campo – a escolha de cada player deve ter grande atenção, assim como a qualidade do que é oferecido.

Ressalto que vender dentro da base previamente conquistada é sempre mais fácil – a conquista do campo adversário costuma ser mais árdua do que o emplacamento; fora que a interação com clientes ativos para evolução dos serviços/produtos é algo que acaba gerando um ciclo em que se evolui o que é ofertado pensando no usuário, e, em resposta, o usuário vê valor nas novas soluções da empresa, continuando dentro da base, com feedbacks para melhorias. Mantê-la saudável e interessada no seu serviço é sempre benéfico.

Olhar para o cliente e ofertar o que ele precisa é ganho para todos: consumidor e empresa. Tenha isso em mente e trabalhe com o melhor do seu time, em termos de atendimento, e no desenvolvimento de produtos para que o crescimento e o placar estejam sempre a seu favor!

*Eduardo Tardelli é CEO da upLexis, empresa de software que desenvolve soluções de busca e estruturação de informações extraídas de grandes volumes de dados (Big Data) extraídos da internet e outras bases de conhecimento

América Latina e o roubo de cargas 682

América Latina e o roubo de cargas

Confira artigo Cyro Buonavoglia, presidente do Grupo Buonny

No Brasil, é comum falarmos de roubo de cargas, infelizmente. De acordo com um levantamento das polícias Militar, Civil e Rodoviária Federal, foram registrados mais de 22 mil ataques a motoristas em todo o país, em 2018. A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC) aponta que o prejuízo para o setor produtivo com a perda de cargas e veículos chegou a cerca de R$ 2 bilhões no ano passado.

Mesmo com números alarmantes, nos tornamos referência no combate a essa modalidade de crime e, hoje, diversos países assolados por essa prática se espelham nos modelos de gerenciamento de riscos criados aqui.

Como temos atuação na América Latina, recentemente estivemos no México e pudemos entender que o roubo de cargas é um problema comum aos nossos vizinhos. Isso demonstra que ainda temos muito no que pensar para reverter essa situação e permitir a segurança para cargas e motoristas, em qualquer país latino-americano.

O México, por exemplo, é o sétimo país mais perigoso do mundo em roubo de cargas (o Brasil está em sexto lugar). Segundo estudos de seguradoras, as cargas mais visadas são alimentos, bebidas (alcoólicas ou não), materiais de construção, produtos químicos e autopeças.

Porém o que mais chocou a todos nós foi o crescimento de 120% em roubos de cargas nos últimos 10 anos e a perspectiva para mais 12%, aproximadamente, em 2019. É assustador.

A preocupação lá ainda é maior, pois embora as práticas utilizadas para combater o roubo serem similares às nossas, a tecnologia está muito longe do ideal. Eles não usam inteligência embarcada, por exemplo, e não há sinergia ou união entre os interessados em coibir o crime. Há muito o que evoluir ainda.

Na Argentina, o problema também existe e o cenário é muito parecido com o brasileiro. Por isso, especialistas em seguros destacaram que o uso da tecnologia é imperativo, além das avaliações de riscos. Mesmo assim, ainda há muito a ser feito naquele país.

A Colômbia também é um vizinho que sofre com roubos de cargas, embora usem ferramentas de gerenciamento de riscos e serviço integrados de tecnologia, ações de pronta resposta coordenadas com as polícias. Eles também criaram um comitê de iniciativa privada sobre o roubo de cargas junto ao governo, o que demonstra grande interesse em resolver essa questão o quanto antes.

O Peru apresentou franco crescimento no roubo de cargas, inclusive com muita violência envolvida. Lá, os roubos se concentram em Lima e Callao, província do principal porto do país.

Aqui no Brasil, sabemos que o Rio de Janeiro é o estado mais problemático. Por outro lado, temos comprovações, com base no trabalho que prestamos, que o gerenciamento de riscos é a ferramenta fundamental para que esse cenário se reverta. Não é um trabalho com resultados imediatos, logicamente, mas sim de melhoria contínua.

Com a experiência dos últimos anos no estado, conseguimos entender exatamente o problema e, assim, propor soluções. Os roubos, por exemplo, ocorriam (e ocorrem), principalmente, em trechos de rodovias rodeadas por comunidades controladas por criminosos.

Dados da Firjan apontaram que, em 2018, 81% dos roubos ocorrem na capital e na Baixada Fluminense; 76% foi o aumento de incidentes na região de São Gonçalo, com 17% dos roubos e, no total o prejuízo estimado foi de 607,1 milhões de reais.

No entanto, quando as ações de segurança e atuação da força pública, em conjunto com o Estado, o roubo de cargas migrou para outras comunidades.

Por isso, uma das principais medidas tomadas pelas gerenciadoras de riscos foi a proibição de entrar com veículos carregados em comunidades cariocas, uma vez que as características geográficas dificultam o acesso das forças policiais e diminuem as possibilidades de recuperação do veículo e da carga.

Outra ferramenta utilizada foi a análise de perfil profissional de todos os envolvidos nos processos logísticos. Isso porque, de acordo com investigações da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC), a participação interna de funcionários das empresas ocorre em, aproximadamente, 50% dos casos.

Como as áreas mais perigosas foram mapeadas, foi possível criar cercas eletrônicas, integradas a regras de segurança das tecnologias de rastreamento. Além disso, destaco o acompanhamento técnico vigiado, ou pronta resposta, bem como o controle de chegada de veículos a cidade do Rio de Janeiro, com criação de pontos de parada com base nos horários do trânsito.

Foram criadas ainda outras soluções específicas para combater o roubo de cargas no Rio de Janeiro, o que demonstrou que a tecnologia, aliada à inteligência e estratégia de equipes especializadas, funciona aqui no Brasil e pode funcionar em todos os outros países que sofrem com o crime.

De qualquer forma, é lamentável concluir que a América Latina está contaminada pelo crime organizado e a corrupção, mas como temos exemplos tão positivos no Brasil, temos o dever de espalhar pelos quatro cantos do continente a importância do GR para nossos vizinhos.

Felizmente, a tecnologia evolui a cada dia e, atualmente, a inteligência artificial tem se mostrado eficaz e fundamental para entender cenários e, rapidamente, apontar soluções.

Por atuar nesse mercado há mais de 24 anos, posso afirmar que o gerenciamento de riscos e todas as ferramentas de prevenção são fatores que melhoram a cadeia logística e tudo o que gravita em torno dela. Entretanto, é um processo de melhoria contínua, uma vez que a tecnologia e os cenários rapidamente mudam, e que requer a união de todas as forças envolvidas no fim dessa prática, em qualquer país do mundo.

*Cyro Buonavoglia, 70 anos, com vasta experiência em comércio e indústria, formado em administração de empresas pela Faculdade Dom Pedro II, atuou nas áreas de indústria e comercio e fundou há 24 anos a Buonny Projetos e Serviços, que se transformou em um conglomerado de empresas, que busca atender com eficácia o mercado nos segmentos de logística, saúde, tecnologia e energia fotovoltaica. O executivo também fundou as entidades: GRISTEC e SINDIRISCO. Atualmente como Presidente do Grupo Buonny, sua principal meta é avançar com o crescimento das empresas que compõe o grupo, por meio de investimentos em tecnologia, que aumentam a qualidade dos serviços prestados na mitigação de riscos.