Compliance em hospitais: uma nova onda de acreditação está a caminho! 349

Jefferson Kiyohara é Líder da Prática de Riscos e Compliance da Protiviti, consultoria global especializada em Gestão de Riscos, Auditoria Interna, Compliance, Gestão da Ética, Prevenção à Fraude e Gestão da Segurança

Num momento em que o tema compliance ganha força nas organizações brasileiras, importantes iniciativas de promoção vêm sendo coordenadas, como a realizada pela ANAHP – Associação Nacional de Hospitais Privados junto ao setor de saúde hospitalar neste assunto. O tema compliance é relevante e tem demonstrado estar presente na agenda das organizações e seus executivos, independentemente do setor.

Sobre o tema, uma das vantagens que os hospitais já possuem versus outros setores da economia é o fato de já terem o histórico de trabalhar com questões como ética, cultura, padrões formalizados e treinamentos, assim como a gestão de relacionamento com pacientes, médicos, fontes pagadoras e fornecedores e análise de riscos, entre outras ações que fazem parte ou se assemelham às que são necessárias na adoção de um Programa Efetivo de Compliance.

Ao mesmo tempo, tais semelhanças têm levado a entendimentos imprecisos e dúvidas. A gestão de riscos, por exemplo, envolvendo questões como a segurança do paciente, saúde e segurança no trabalho, manipulação e descarte de resíduos, é presença constante em todos os hospitais. Mas por outro lado, quantos já realizaram um mapeamento de riscos do negócio ou de riscos de compliance? E de riscos de corrupção?

Já o comitê de ética, pensando no atendimento médico e na assistência, também está presente nos hospitais. Por outro lado, quantos já possuem um comitê de ética para promover e direcionar uma cultura ética na organização, patrocinar e dar diretrizes sobre a conduta esperada de cada colaborador, bem como dirimir dúvidas sobre dilemas éticos vivenciados no dia a dia da organização e tomar decisões após um processo de apuração de fraude?

Recentemente ouvi de um executivo do setor que, como eles não participavam de licitações, não tinham que ter preocupações com a questão de corrupção. Tal visão é equivocada. Todas as organizações, inclusive os hospitais, possuem relacionamento com os órgãos públicos. Há licenças e alvarás para obras e operação, há fiscalizações tanto em relação aos processos trabalhistas, como tributários, há médicos que também são funcionários públicos, entre outros. E o que é feito para garantir que a relação com estes agentes públicos ocorra de forma ética e respeitando as leis e regulamentações vigentes?

Os riscos também podem ser oriundos de terceiros. A lei anticorrupção do Brasil é clara na responsabilidade objetiva das empresas. Por exemplo, se um importador de equipamento, materiais ou medicamentos contratado pelo hospital pagar propina na alfândega para liberar ou agilizar a liberação do item, o hospital como beneficiário da prática provavelmente acabará sendo responsabilizado. Quantos hospitais hoje realizam processos de diligência de terceiros por meio de pesquisa reputacional?

Além dos danos reputacionais, não gerir o compliance pode trazer sanções e impactos financeiros negativos, restrição de acesso ao crédito e, até mesmo, a possibilidade de prisão de executivos, superintendentes e demais envolvidos. Não há mais espaço para a omissão, tampouco para o desrespeito às leis e regulamentações, sendo que a lei anticorrupção é apenas uma delas.

É fundamental para todas as organizações, inclusive os hospitais, implantar um Programa Efetivo de Compliance aplicando os oito passos, que envolvem: patrocínio e exemplo da alta direção; supervisão e recursos de compliance; código de ética e políticas; mapeamento de riscos de compliance; treinamento, comunicação e incentivos; controles internos, monitoramento, auditoria de cultura e aprimoramento contínuo; diligência de terceiros e compliance individual; canal de denúncias, investigação e mecanismos disciplinares.

Os hospitais já passaram pelo desafio de acreditações e certificações com ISO 9001, ONA, JCI e outros. O próximo será o de obter o reconhecimento como Pró Ética e ou de obter a certificação ISO 37.001 – Sistemas de Gestão Antisuborno. O caminho certo já começou a ser trilhado. Ele é longo e pode ser realizado por etapas. É importante conhecer o nível de maturidade do Programa de Compliance existente, bem como ter um plano de ação para buscar as melhorias e evoluções necessárias para torná-lo efetivo.

Uma nova onda está emergindo com força, trazendo diferenciais e vantagens competitivas. A excelência na gestão contempla e exige boas práticas de compliance, seja em termos de reputação, seja nas questões financeiras. Pensando no Pró Ética e na ISO 37.001, quem será o hospital pioneiro?

Crescimento da economia acelerará setor de rastreamento e monitoramento 512

Crescimento da economia acelerará setor de rastreamento e monitoramento

Confira artigo do Diretor de TI da CEABS, Gustavo Müller

Gustavo Müller é Diretor de TI da CEABS / Divulgação
Gustavo Müller é Diretor de TI da CEABS / Divulgação

O mercado de monitoramento veicular e telemática está preparado para experimentar um grande avanço nos próximos anos com a expectativa de crescimento da economia. O segmento vem crescendo bem acima de outros setores nos últimos anos – em 2018, por exemplo, a CEABS, uma das líderes do mercado, teve uma expansão de 27% na base ativa de bens monitorados. Mas o potencial é enorme, porque apenas uma parcela ainda pequena da frota nacional dispõe desses serviços.

Dos cerca de 44 milhões de veículos que circulam pelo País, segundo dados do Sindipeças – Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores, ou 66 milhões registrados no Denatran – Departamento Nacional de Trânsito, aproximadamente apenas 2,3 milhões possuem sistema de monitoramento e rastreamento. Já tecnologias mais avançadas, como soluções de telemetria, que permitem monitorar o desempenho da frota e o comportamento do motorista, são contratadas por uma clientela bem menor.

O uso da telemática no segmento veicular é pouco difundido no Brasil e tem um extraordinário mercado a ser explorado. São processos automatizados de coleta e envio de informações que permitem, por exemplo, às frotas identificar o comportamento do motorista e controlar melhor fatores que possam resultar em maior eficiência e segurança de suas operações. As seguradoras também lucram com essa tecnologia, que proporciona redução de sinistralidade e de custos.  A tendência é que a telemetria se torne um atraente mercado para o setor.

Soluções de telemática possibilitam captar informações relativas ao comportamento do motorista, como excesso de velocidade, quantidade de frenagens bruscas, acelerações exageradas e outros fatores, como o consumo de combustível, que podem aumentar os custos da operação e comprometer a segurança do veículo e do condutor. Ressalte-se que todos os dados podem ser captados, em tempo real, em um aplicativo de smartphone, sem a necessidade de equipamento instalado no veículo.

A telemetria é, portanto, uma ferramenta que permite aos gestores de transporte tomar decisões objetivas e seguras, com base em dados reais, em relação tanto aos veículos quanto aos motoristas. De forma preventiva, o controle do veículo e a aferição do comportamento do condutor, em tempo real e de forma contínua, induzem o motorista a dirigir melhor, com mais cautela, evitando acidentes, multas e maior desgaste de componentes. Estima-se no setor que, com a telemetria, as empresas de transporte podem ter uma economia de combustível e com manutenção de até 25%.

O crescimento da economia alavancará, de um lado, investimentos no setor, principalmente em inovação. De outro lado, incentivará os clientes, tanto individuais como frotistas, a buscar serviços de segurança e de apoio logístico e telemetria. As duas categorias de clientes enfrentam os problemas de furto e roubo de veículos e de cargas, que batem recordes a cada ano. De acordo com levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, um veículo é roubado ou furtado no Brasil a cada minuto. Um número verdadeiramente estarrecedor.

Seguradoras são grandes aliadas e clientes das empresas de rastreamento e monitoramento, pois têm interesse em reduzir os riscos e os custos. Por isso, oferecem descontos nas apólices para carros equipados com esses sistemas.

Já as frotas buscam não apenas serviços de segurança contra furtos e roubos, mas também soluções que implicam redução de custos e ganhos contínuos de qualidade no atendimento aos seus clientes. Neste caso, a temática é um dos segmentos que mais tendem a crescer com o aquecimento da economia.

O setor tem dado grandes saltos em matéria de inovação, o que resulta na oferta de produtos sofisticados e eficientes, como as soluções de telemática, com boa relação custo-benefício. Indo mais além, empresas como a CEABS já investem em soluções de conectividade, soluções IoT, ou Internet das Coisas, que conecta o carro a smartphones, sistemas de trânsito e a muitos outros aparelhos. Uma tendência de mercado cuja força já se evidencia com a expectativa de que 250 milhões de carros com essa tecnologia embarcada estarão circulando no mundo em 2020.

Seguro de celular: o que você deve saber antes de comprá-lo 970

Seguro de celular: o que você deve saber antes de comprá-lo

Confira artigo de Sergio Fernandes – Regional SPL Head, Personal Lines, Latin America da Chubb

Hoje em dia não é possível imaginar nossas vidas sem celulares, especialmente os chamados smartphones. Quando você precisa verificar sua conta bancária é a primeira coisa que busca. Você precisa comprar alguma coisa, mas não quer ir a uma loja? Encomende a partir do seu celular. Você está com fome e sem comida em casa? Com o seu smartphone, você pode encomendar o seu prato favorito. Você está entediado? Basta usar o telefone para navegar nas suas redes sociais favoritas. Você pode entrar em contato com as pessoas através do seu aplicativo de mensagens favorito ou, nas raras ocasiões em que realmente quiser, pode até se ligar para alguém.

Mas o que acontece se o seu amado dispositivo cair e quebrar? De repente, uma parte tão importante da sua vida se rompe e sua funcionalidade fica limitada.

Felizmente, os smartphones podem ser protegidos contra eventos comuns, como danos acidentais e roubo. Naturalmente, a maioria das pessoas nunca pensa nisso, até que elas tenham um incidente e percebam que precisam comprar outro aparelho novo, às vezes caro.

No entanto, nem todo seguro de smartphone é o mesmo, o que deixa você com a tarefa de selecionar o que melhor se encaixa em suas necessidades, sem que isso afete muito seu bolso.

A primeira tarefa é verificar a cobertura. Você tem certeza de que uma publicidade legal, lançada no mercado em um site super atraente, cobrirá seu dispositivo se você se jogar em uma piscina com ele? Não se esqueça de confirmar se o dano por líquido está ou não excluído da cobertura de danos acidentais.

Outra coisa importante a considerar é que a maioria das apólices de seguro não cobre perda ou mesmo roubo simples – aquela coisa terrível que acontece quando você está em seu show favorito, e do nada seu smartphone simplesmente desaparece do seu bolso. A razão pela qual não é coberto é por que a maior parte do tempo a sua companhia de seguros não pode diferenciar um sinistro verdadeiro de um falso. Acredite ou não, há muitas pessoas tentando enganar seguradoras para que paguem por um novo celular simplesmente porque o antigo está desatualizado ou buscam por um novo.

O que a maioria não sabe é que as seguradoras administram profissionalmente os recursos das pessoas para que seja possível pagar uma indenização quando essas surpresas acontecem, portanto, parte da gestão profissional é manter a fraude sob controle, a fim de não forçar todos a pagar prêmios mais altos. É por isso que as apólices de seguro têm exclusões.

Nunca se esqueça de verificar novamente sua franquia! Sim, o seguro para celular geralmente tem uma franquia, portanto, não é uma boa ideia esperar até que você entre com um pedido de indenização para descobri-la. Lembre-se que quanto mais barato for o seguro, maior será a franquia.

Por último, mas não menos importante, as melhores apólices de seguro também incluem outras coberturas, como a proteção de mochilas ou bolsas (geralmente, o roubo de um celular também pode incluir o roubo de outros pertences pessoais). Outras apólices incluem serviços especiais, como antivírus ou proteção de suas informações pessoais.

O que é ainda mais importante, certifique-se de escolher uma empresa de seguros sólida para gerenciar seus negócios. Como você pode saber disso? Verificando se repararão ou substituirão o seu aparelho. As empresas que pagam em dinheiro delegam à pessoa a tarefa de encontrar um serviço técnico confiável que possa consertá-lo a um preço razoável ou, pior, você terá que encontrar outro telefone, provavelmente de um modelo inferior ao que você tinha, considerando o valor que você terá depois de pagar sua franquia.

Enfim, procure sempre o seguro mais adequado! Não fique sem cobertura, as coisas acontecem e você não precisa lidar com isso sozinho.

Licitações públicas para micro e pequenas empresas: confira principais benefícios 1468

Licitações públicas para micro e pequenas empresas: confira principais benefícios

Existem diversas vantagens para empresas que desejam firmar contratos com a Administração Pública

Em 2018 o Governo Federal abriu cerca de 39 mil processos de licitação, desse total, pelo menos 19 mil contaram com a participação de pequenas e médias empresas (PME´s). Segundo o Portal do Empreendedor, no Brasil, existem mais de 6 milhões de ME´s (Microempresas) e EPP´s (Empresas de Pequeno Porte). As micro e pequenas empresas possuem preferência em relação aos processos licitatórios, porém, ainda são minoria na hora de garantir o contrato com a Administração Pública. Em 2018, por exemplo, apenas pouco mais de 5 mil micro e pequenas empresas venceram licitações com a Administração Pública.

Para ser considerada microempresa, a receita bruta anual precisa ser igual ou inferior a R$ 360 mil. No caso de empresas de pequeno porte, enquadram-se aquelas que possuem receita bruta anual superior a R$ 360 mil e igual ou inferior a R$ 3 mi e 600 mil. Existem inúmeros benefícios para empresas ao firmarem contratos com o Poder Público. Vender produtos e serviços para o Estado pode representar uma oportunidade eficiente, especialmente para ME´s e EPP´s que estão em processo de crescimento no mercado.

Na maioria das licitações, as micro e pequenas empresas concorrem com grandes empresas, que já possuem experiência no mercado. A falta de infraestrutura e de recursos pode representar outro grande problema. Com o objetivo de incentivar a abertura e bom funcionamento de micro e pequenas empresas, o Congresso Nacional aprovou a criação da Lei Complementar n° 123 de 2006, conhecida como Estatuto Nacional da Microempresa e Empresas de Pequeno Porte. No entanto, somente com a vigência do decreto 8.538 de 2015 é que os benefícios às ME´s e EPP´s foram realmente aplicados. O decreto estabeleceu certo equilíbrio durante a concorrência, e as ME´s e EPP´s tiveram suas obrigações administrativas, tributárias e previdenciárias simplificadas. Entre os principais benefícios:

  • O Estatuto define processos licitatórios exclusivos para micro e pequenas empresas. Neste caso, os valores dos contratos não podem ultrapassar o valor de R$ 80 mil;
  • É possível que médias e grandes empresas vencedoras de processos licitatórios subcontratem micro e pequenas empresas. Para esta categoria, a principal exigência é que a subcontratação não ultrapasse 30% do valor total do contrato;
  • Outra vantagem é que ME´s e EPP´s, ao participarem de licitações para o fornecimento de bens para pronta entrega ou para locação de matérias, não sejam obrigadas a apresentarem o balanço patrimonial do último exercício social;
  • Caso uma micro ou pequena empresa apresente uma proposta de 5% a 10% com valor maior que as outras empresas participantes do processo licitatório, a situação é considerada empate fictício. Se isso acontecer, é apresentado a ME ou EPP as propostas das concorrentes, o que possibilita às micro e pequenas empresas cobrirem a oferta;
  • Durante o processo licitatório, as empresas participantes devem comprovar a inexistência de débitos por meio de certidões negativas, ou seja, comprovar a regularidade fiscal, para só então serem habilitadas a participar do processo, porém, para micro e pequenas empresas, essa regularidade pode ser atestada somente após a fase da habilitação, garantindo assim mais tempo caso a ME ou EPP possua alguma irregularidade. O prazo para a regularização é de cinco dias, caso vença a licitação.

Além destes, existem outros benefícios para aquelas ME´s e EPP´s que desejam firmar contratos públicos. Apesar do Estatuto e do Decreto estarem relacionados à Administração Pública Federal, estados e municípios podem usar tal legislação para criar maneiras mais eficientes e democráticas que possam beneficiar microempresários e empresas que estão iniciando no mercado regional ou nacional. Uma forma de estimular a economia do município, além de aumentar a competitividade.

Como superar os desafios?

Para Alfredo Dezolt, diretor executivo da UGP Brasil, empresa especializada em licitações e contratos públicos, um dos principais obstáculos apontados para as ME´s e EPP´s na participação em processos licitatórios é o fato de a maioria dessas empresas não possuírem profissionais qualificados e que tenham a capacidade de interpretar os editais licitatórios. “Para que uma organização, independentemente do porte ou estrutura societária, possa executar contratos administrativos firmados com instituições públicas, a qualificação profissional dos seus funcionários é imprescindível. Haja vista que a maioria das ME´s e EPP´s não dispõe de recursos financeiros para esses fins, a terceirização desses serviços pode ser uma opção viável para uma efetiva participação em processos licitatórios”.

O Diretor Executivo explica que a falta de capacidade técnica das empresas resulta em diversas oportunidades perdidas. Ele aponta que a partir de 15 de julho, a UGP Brasil irá conduzir o curso básico sobre licitações públicas. O conteúdo foi pensado, segundo Dezolt, para suprir a falta de pessoas que sejam capacitadas para formular propostas licitatórias eficientes, especialmente num mercado que vem crescendo e que possui diversos benefícios para as empresas participantes.

LGPD em seguros: principais desafios 2179

LGPD em seguros: principais desafios

Confira artigo de Leandro Augusto e Erika Ramos, sócios da KPMG

Falta pouco mais de um ano para a entrada em vigor da lei nº 13.709/18, conhecida como Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e já é possível constatar uma repercussão significativa da implantação dela em diversos setores da economia e no comportamento da sociedade. O segmento de seguros, conhecido por tratar um número colossal de dados pessoais e dados pessoais sensíveis (aqueles tipificados no artigo 5º da referida lei, como por exemplo, dados referentes à saúde), será um dos primeiros a sentir tal impacto. Além das adequações básicas, as seguradoras terão desafios mais específicos.

A transparência, princípio basilar da LGPD, será motivo para que as seguradoras passem a ter relações com titulares que não sejam clientes diretos. Um dos exemplos é o dos motoristas nomeados em apólices e beneficiários de planos de saúde que deverão ter resguardados os mesmos direitos dos titulares dos seguros, uma vez que são igualmente titulares de dados pessoais, sendo-lhes conferido acesso e outros direitos baseados em transparência.

Mas há desafios maiores para as seguradoras, visto que a adequação à LGPD mudará o jeito dessas empresas fazerem negócios. Um deles será como fazer valer o conceito de portabilidade de dados, introduzido pelo artigo 18 da lei, que permite os titulares solicitarem a migração das informações dadas cadastradas de uma empresa para outra. Esse direito ainda deverá ser devidamente regulado pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), mas tudo levar a crer que o Brasil seguirá o padrão europeu que exige que a portabilidade de dados seja disponibilizada em formato inteligível por máquinas. Isso significa que as seguradoras deverão desenvolver os seguintes processos: disponibilizar os dados para portabilidade de maneira inteligível e preparar-se para recebê-los provavelmente em canais ou templates distintos, que vierem dos concorrentes.

O processo de exportação de dados, portanto, deverá ser feito de forma estruturada (como arquivos texto ou xml), criptografada e com a disponibilização de mapeamento identificando a estrutura dos dados e o esquema (schema). Este último requisito, por fim, deve soar como alerta às seguradoras que ainda não possuem esquemas mapeados para que já comecem a fazê-lo, de modo a ter documentado o descritivo de todos os dados que poderão ser transmitidos.

Outro grande desafio inerente ao direito de portabilidade será como atendê-lo em caso de dados não estruturados, uma vez que nem sempre há um schema para exportá-los. Nesse caso, estruturar os dados para se tornarem inteligíveis de acordo com o requisito da LGPD pode requerer grandes esforços e investimentos.

Além do requisito técnico para o cumprimento da portabilidade, devem ser observados também os princípios jurídicos. Sobre o tema, em relação ao GDPR (General Data Protection Regulation), ensina o Grupo de Trabalho do artigo 29 que, além da necessidade de adequação de sistemas para recebimento de dados transferidos, haverá, pela seguradora receptora, o ônus de garantir que os dados pessoais recebidos sejam necessários para o propósito de processamento e não sejam excessivos. Quaisquer dados pessoais recebidos sem que haja conexão com o propósito do novo processamento não devem ser mantidos ou processados.

Além disso, um ponto em comum entre todas as seguradoras, além dos produtos oferecidos, obviamente, é a relação que todas mantêm com inúmeros terceiros, como fornecedores e corretores.

Serão necessários um redesenho e uma reestruturação contratual com terceiros para determinar as funções de cada um enquanto agentes de tratamento, uma vez que, de acordo com o artigo 39 da LGPD, o operador deverá realizar o tratamento segundo as funções fornecidas pelo controlador, e tais funções devem ser delimitadas e específicas, de modo que dados não sejam utilizados por agentes com finalidades distintas da original.

Baseado no termo “Know Your Client (KYC)” (conheça seus clientes), a Europa já faz referência ao “Know Your Data (KYD)” (conheça seus dados). Ou seja, saber como tais terceiros relacionam-se com dados será determinante para o cumprimento da LGPD. Além de ter conhecimento como tais tratamentos são feitos, será importante estruturar processos de admissão de terceiros e avaliações iniciais sobre o nível de maturidade desses para desempenhar o relacionamento.

Faz-se também pertinente considerar a construção de canais de comunicação seguros entre seguradoras e terceiros em situações em que o envio de documentos e a verificação de logs de utilização dos dados possa se dar em tempo real.

Assim, revisar e atualizar contratos e acordos com terceiros, documentar claramente a divisão de responsabilidades, e, por fim, realizar due diligences (diligências) em Agentes de Tratamentos parceiros (ora controladores, ora operadores) para relacionar-se apenas com quem esteja adequado à LGPD – e em canais seguros e restritos – poderão mitigar riscos e evitar disputas no caso de uma violação de dados.

*Leandro Augusto e Erika Ramos são sócios da KPMG.

Big Data e Inteligência Artificial: o que as operadoras podem fazer diante de tantos dados? 1663

Big Data e Inteligência Artificial: o que as operadoras podem fazer diante de dados?

Confira artigo de Tatiana Giatti, diretora executiva da Saúde Concierge

Vivemos em uma era em que toda empresa precisa ter um sistema tecnológico em seu negócio. Independente do segmento, difícil encontrar uma apresentação institucional que não mencione Big Data ou Inteligência Artificial. As operadoras de seguros e corretoras também já incorporaram tais termos em seus discursos.

Mas será que estamos verdadeiramente prontos para trabalhar com essas informações? Não duvido da usabilidade ou capacidade humana, mas a pergunta é: sabemos como usar a tecnologia para traduzir as inúmeras informações ali encontradas em ações realmente assertivas?

Para exemplificar e tentar responder à questão, pensemos no processo de implantação de uma nova tecnologia em uma empresa. Você apresenta a plataforma, o que ela faz e os benefícios que espera gerar. Então, constrói um padrão de uso para ela. Treina e educa os profissionais para utilizarem esse padrão. Além de habilidade tecnológica, é preciso boa comunicação para explicar o que se espera do profissional e o porquê de usar a nova ferramenta dentro dos padrões estabelecidos. Depois, é preciso ter uma forma tão tecnológica quanto para medir a efetividade e detectar possíveis falhas.

Podemos definir essas etapas como Metodologia de Gestão. Esse é o grande diferencial de uma operadora que passa a usar a tecnologia em seus negócios. Com metodologia de gestão, a aplicação é bem estruturada, o profissional sabe qual é o seu papel dentro desse novo ecossistema e sabe que há um monitoramento para acompanhar a assertividade do programa.

Quantas empresas você conhece que tenham um método de gestão atrelado a sua tecnologia?

Sem essa metodologia, vivemos como bombeiros corporativos, apagando incêndios que estavam sendo alertados, mas que não tínhamos recursos metodológicos para compreendermos.

Traduzindo para a saúde, vemos empresas com aplicativos que registram os dados clínicos do paciente e que emitem alertas sonoros quando esses estão fora de parâmetro. Ótimo. E o que é possível fazer com isso? A resposta mais simples seria “chamar um médico diante de uma alteração”.

Ok, chame um médico, mas analise esse dado. Por que da alteração? O que mais o sistema nos mostra? Era possível evitar esse “incêndio” com outras ações?  O que precisamos analisar ou quais informações precisamos enxergar ali para ter as respostas?

O passo a passo para acionar o médico, socorrer rapidamente o paciente e analisar as informações certas de maneira adequada estarão contidos na metodologia de gestão. Somente ter a tecnologia e o dado não significa que você tomará a melhor decisão quando o sistema soar o alerta.

Analisar, tomar uma ação, medir sua eficácia, modificar e monitorar até evoluir. Transformar dados em ações conforme o previsto, dentro de processos e padrões. Essa é a metodologia de gestão. Sem ela, esperaremos o próximo alerta para apagar mais um “pequeno fogo”.