Precisamos falar sobre telemarketing 765

Indagações para ter sucesso com as metas

Nos últimos dias, o setor de televendas ganhou destaque na grande imprensa, mas o motivo não foi animador. O Procon de São Paulo notificou 35 empresas por desrespeito à Lei 13.226/08, instituindo o “Cadastro para o Bloqueio do Recebimento de Ligações de Telemarketing”. Quem registra seus dados pessoais no site da entidade, não pode ser incomodado.

É importante frisar: entidades filantrópicas e assessorias de recuperação de crédito não entram no acordo. Regiões do Brasil como Minas Gerais, Santa Catarina, Espírito Santo e Rio Grande do Sul, entre outros, possuem um procedimento semelhante em seus respectivos programas de defesa dos direitos do consumidor.

Reprodução

Com a evolução das leis, comportamentos e tendências das novas gerações, é necessário repensar o processo de venda por telefone. A própria norma do Procon já demonstra: quantidade de contatos não significa aumento de resultados positivos. E pior: você terá negado o acesso a um possível cliente no futuro!

Baseado na minha experiência como ex-supervisora de uma operação de telemarketing e atual diretora comercial, deixo dicas para utilizar essas indagações a ser favor e ter sucesso com as metas da equipe:

1. Primeiro, fique de olho na legislação! O Procon de cada estado disponibiliza a lista de cadastros de quem não quer receber chamadas. Basta adquiri-la e subir os contatos na black list de seu software de gestão de telefonia.

2. Conheça seu produto e pesquise seu cliente. Quem compra? Em qual horário e época do ano? Por quê? Onde e como? Às vezes, essa mercadoria faria mais sucesso se fosse comercializada por outro meio de comunicação, como e-mail, chat ou SMS, por exemplo.

3. Modifique a estratégia, definindo novos planos de ação e maneiras de trabalhar seu mailing. Parâmetros como o tempo de discagem, ligações simultâneas por evento e pausas para o operador são muito importantes, além da modalidade do discador.

4. Por fim, cuidado! Você pode estar ligando para alguém da Geração Y. Eles não gostam de falar ao telefone. Uma opção é a URA Reversa: ao final de uma mensagem de áudio, oferece a possibilidade para, caso a pessoa tenha interesse, falar com um agente e iniciar o atendimento. O CPC é certeiro, não desperdiçando o tempo dos operadores.

Ariane Abreu é diretora comercial da Total IP / Divulgação

Viu só como é possível contornar uma barreira e melhorar os resultados com pequenas mudanças? Basta ter calma, treinar sua equipe constantemente e usar a melhor tecnologia disponível no mercado. Boa sorte!

Coronavírus: 10 dicas para cortar gastos e organizar a vida financeira durante a quarentena 566

Use o tempo em casa para listar todas as dívidas e procurar renegociar as que forem possíveis. Em tempos de crise, é fundamental contar com a reserva de emergência

A pandemia do novo Coronavírus (COVID-19) está exigindo uma série de mudanças de atitude de todos nós. Em mercados onde é possível, muitas empresas instituíram políticas de trabalho remoto para evitar que as pessoas saiam às ruas.

Para quem está de quarentena ou em home office, essa pode ser uma oportunidade para rever seu orçamento e tentar melhorar sua saúde financeira. Confira 10 dicas para organizar o orçamento e começar a planejar o seu futuro com segurança.

1- Liste os seus ganhos e gastos

Como primeiro passo para organizar a vida financeira, especialistas em finanças indicam anotar todos os gastos, por um mês, para visualizar um cenário completo. Como muita gente está trabalhando de casa e com uma rotina diferente, a sugestão é tirar algumas horas para reunir holerites, comprovantes de pagamento, extratos de bancos, faturas de cartões de crédito, boletos, cobranças e carnês dos últimos três meses.

Em um papel, uma tabela no computador ou no celular, liste os ganhos, as despesas fixas e essenciais do mês e também os gastos variáveis, de estilo de vida e supérfluos.

Ao analisar os extratos do cartão ou débitos na conta, você pode se deparar com gastos recorrentes, que devem ganhar uma linha especial: o cafezinho depois do almoço, o lanche da tarde, as baladas, o salão de beleza ou barbearia, etc.

No final, faça a soma de quanto dinheiro está entrando mensalmente, de quanto você está gastando com o que é essencial, com o que é variável e até mesmo dispensável.

2- Liste todas as suas dívidas

O passo seguinte é criar uma nova coluna para listar todas as dívidas que estão consumindo parte do seu orçamento – ou que estão paradas, aguardando você tomar uma atitude: empréstimos, parcelamentos, negociações, boletos atrasados, mensalidades, faturas do cartão, cheque especial, etc.

Fazer essa lista pode ser assustador, especialmente para quem não consegue entender como se colocou em uma situação de endividamento. No entanto, é o choque essencial para planejar os próximos passos.

3- Responda: sobra ou falta dinheiro no final do mês?

Comparando as colunas de ganhos, as despesas essenciais, os gastos variáveis e as dívidas, você responde: está sobrando ou faltando dinheiro no fim do mês?

Se a diferença entre ganhos e gastos é maior do que você pensava, aproveite o susto para repensar atitudes e começar a cortar excessos. Mostre a tabela para a família e inclua todos na discussão dos próximos passos, em especial, em tentar ser mais consciente com o consumo.

4- Renegocie as dívidas mais urgentes e organize as demais

Dívidas urgentes são aquelas que vão desestabilizar a vida da família. Se tem atrasos com aluguel ou financiamento da casa, procure a imobiliária ou o banco para mostrar seu empenho em resolver.

Para contas de água, luz e gás atrasadas, entre em contato com as empresas e negocie um parcelamento para evitar cortes. Se possível, ofereça para pagar a primeira parcela de imediato. Faça o mesmo com a mensalidade da escola dos filhos.

Antes de falar com credores, é importante preparar propostas de pagamento que estejam dentro do seu orçamento. Não adianta entrar em uma renegociação de dívida que você sabe que não conseguirá cumprir.

Já com os bancos, cheque especial, rotativo do cartão e crédito para negativados possuem os juros mais altos do mercado. Considere trocar esse tipo de dívida por opções com juros mais baixos, como crédito pessoal ou empréstimo consignado.

Da mesma forma, ligue para bancos e instituições financeiras para renegociar financiamentos e parcelamentos. O momento de juros mais baixos na economia é perfeito para isso. E não hesite em procurar a portabilidade da sua dívida para uma instituição que ofereça condições mais favoráveis, caso o gerente não lhe ofereça um bom negócio.

5- Corte os excessos nas contas

Aproveitando que listou todos os serviços, assinaturas e boletos que paga, reavalie o que está usando realmente: streaming de música, de séries e filmes, games, leitura de revistas, jornais, entrega de produtos e compras. Converse com a família para cancelar os que possuem versão gratuita ou que vocês menos acessam.

Ligue para as operadoras de telefonia, celular, internet, TV a cabo e outros serviços para negociar uma redução das tarifas ou dos planos. Avalie com o atendimento se há opções mais baratas que atendem às suas necessidades. Se for cliente antigo, use esse argumento. E se não houver negociação, pense em mudar de operadora, quando for possível. Normalmente, há mais vantagens para novos clientes do que para a manutenção dos antigos.

Há cidades onde as academias estão fechadas e outras onde devem permanecer abertas ao público, com uma série de medidas para evitar disseminação do Covid-19. De qualquer forma, se o objetivo atual é reduzir gastos para melhorar a saúde financeira, pode ser a hora de cancelar seu contrato com a academia e buscar alternativas, como procurar vídeos e apps com exercícios para fazer em casa.

Aproveite o momento também para cozinhar mais em casa, ao invés de pedir comida e gastar mais nos apps e serviços de delivery.

6- Seja consciente e acompanhe os gastos com mais atenção

Controlar os gastos e a impulsividade é essencial para organizar a vida financeira. Isso não significa deixar de fazer coisas que você gosta, mas, sim, encaixar os programas no seu orçamento. Dizer não a alguns convites e ao seu próprio impulso consumista deve ser parte do cotidiano de quem quer ter dinheiro na conta no final do mês.

Trabalhando de casa, tente não abrir lojas virtuais sem motivo. Aproveite para cancelar assinaturas de e-mails de promoções e desative as notificações de apps de compras no celular. Essas são ações que combatem o sugestionamento do consumo, assim como ir ao supermercado sem lista de compras.

Se você realmente precisa ou quer comprar alguma coisa, tenha certeza de que ela cabe no seu orçamento ou programe-se, como uma meta de curto ou médio prazo: guarde dinheiro até ter o valor necessário. Compare preços, procure cupons online de desconto e serviços de cashback.

Para acompanhar os gastos com mais atenção, uma sugestão é concentrá-los no cartão de crédito ou débito. Acompanhe a fatura pelo app no celular, pelo menos, a cada três dias. Alguns apps possuem ícones para as categorias das compras, para diferenciar na fatura. Faça o teste.

Se você controlar os gastos ao longo do mês, não terá surpresas no fechamento da fatura do cartão. E pague sempre a fatura completa. Isso ajuda a melhorar sua pontuação com a instituição para, no futuro, negociar desconto ou isenção da anuidade, pedir aumento do limite ou solicitar um cartão com programa de pontos mais vantajoso.

Com todos os gastos listados, a ideia é que, naturalmente, você ganhe mais consciência sobre os pequenos gastos do dia a dia e o peso que eles fazem no seu orçamento geral.

7- Se necessário, tome medidas mais drásticas

Para ter uma vida financeira saudável é preciso cortar excessos e reduzir o consumo. Se o seu endividamento é mais grave ou se seu estilo de vida não cabe mais no seu orçamento, é preciso levar em consideração algumas mudanças mais drásticas.

Isso significa, por exemplo, procurar um imóvel com aluguel mais barato, vender o carro, mudar os filhos de escola, desfazer-se de eletrônicos, livros, sapatos e peças que possam render algum dinheiro na venda. Há grupos no Facebook e sites especializados que agilizam esse processo.

Se for possível, aproveite os dias em casa para procurar oportunidades de renda extra. A economia vai sofrer um baque com a pandemia, porém, pode haver chances de trabalhos como freelancer para empresas. Acione seus contatos, faça cursos online e mantenha-se ativo.

8- Organize seu orçamento de forma racional

Após um período de consumo mais consciente e corte de excessos, sua lista de ganhos e gastos estará atualizada e você pode organizar seu orçamento de forma mais racional. Especialistas em finanças pessoais criaram a regra 50-30-20, uma fórmula simples que divide os gastos em três categorias:

– 50% para gastos essenciais, como moradia (aluguel, financiamento da casa, condomínio, água, luz, manutenção), educação, saúde, alimentação nos dias úteis e transporte;

– 30% para os gastos variáveis, supérfluos e do estilo de vida, como cuidados pessoais, celular, combustível do carro, academia, internet, TV a cabo, lazer, diversão, alimentação no final de semana e compras;

– e 20% para pagar dívidas e investir para metas de médio e longo prazos e para o futuro.

As proporções podem variar um pouco, mas o ideal é tentar mantê-las nesse patamar. Por exemplo, reduzir os gastos com supérfluos e estilo de vida enquanto você estiver pagando dívidas, mas não deixar de investir, ao menos, 10% quando a situação começar a se normalizar.

9- Estabeleça metas e prioridades

Definir metas é uma forma prática de manter o foco nas coisas importantes, sejam os desejos de consumo, como comprar um novo smartphone ou trocar de carro; as realizações, como fazer uma viagem com a família ou pagar os estudos dos filhos; ou planejar uma aposentadoria com conforto.

A primeira dica é estabelecer suas metas de curto, médio e longo prazos da forma mais objetiva possível, com período e o valor planejado. Depois da ajuda da família para sair das dívidas, esse foco motiva a todos para seguir reduzindo gastos e controlando o consumismo em nome de prioridades e objetivos maiores.

Depois das dívidas pagas, negociadas e encaixadas no orçamento, uma parte do dinheiro do mês vai ser poupado e investido. Defina os aportes mensais ou semestrais necessários para chegar a cada meta. Como dissemos no passo anterior, você pode estabelecer gastar menos com supérfluos por um ano para pagar uma viagem em 2021.

Os valores podem ser aplicados em um investimento seguro e compartilhados com todos os envolvidos, que vão acompanhar a evolução e se sentir motivados a colaborar também.

10- Crie sua reserva de emergência e comece a investir

Com dívidas pagas e encaixadas no orçamento mensal, é hora de começar sua reserva de emergência. Especialistas em finanças pessoais defendem o equivalente a três até seis meses de renda reservados. Independentemente do valor, o ideal é começar.

Poupança é segura, porém, menos interessante, em razão da baixa rentabilidade. Os bons investimentos para a reserva de emergência são os que oferecem liquidez, ou seja, permitem o resgate do dinheiro a qualquer momento.

Com a reserva criada, você pode começar a diversificar seus investimentos para alcançar suas metas ou escolher produtos com um pouco mais de risco e/ou vencimento mais distante, em nome de maior rentabilidade. Assessores financeiros das plataformas de investimento vão ajudar a montar uma carteira ideal para o seu perfil, para suas metas e para seus objetivos de vida.

Estamos em um momento de grande preocupação, mas a evolução da pandemia mostra que a vida deve voltar à normalidade em alguns meses. Com organização e foco na sua saúde financeira, é possível começar a planejar um futuro com mais segurança e conforto para você e sua família.

 

Ferramentas digitais da Previsul facilitam a venda de seguros em tempos de home office 1982

Soluções permitem que corretores possam trabalhar online, sem a visita física ao cliente

O Ministério da Saúde recomenda que a população fique em casa e trabalhe no esquema de home office por conta da pandemia do coronavírus. E como fazem os corretores de seguros, que precisam apresentar a proposta pessoalmente e recolher assinatura dos segurados? Na Previsul Seguradora, isso não é problema. Conhecida por ser a seguradora digital do corretor, há anos a Previsul tem adotado ferramentas e soluções que facilitem a vida do corretor de seguros, seu principal parceiro. Conheça mais:

Cota+: Siga vendendo mesmo à distância

O Cota+, é um cotador online de ponta, oferecido pela Previsul. Com ele, o corretor consegue cotar e emitir, por meio de assinatura digital, todos os produtos da Previsul: pessoas, bens, odonto e consórcio. A ferramenta, que foi recentemente atualizada, é fácil de utilizar e possibilita que o corretor possa seguir vendendo, mesmo trabalhando de casa ou sem visitar seus clientes.

“Muitas seguradoras oferecem cotador na ponta para o corretor. Entretanto, posso afirmar que com a qualidade do nosso cotador, principalmente para produtos de vida, não há outro no mercado. Convido todos os corretores da Previsul a conhecerem nossa ferramenta e também os novos produtos Empresarial, Residencial, Odonto e Consórcio.”, afirma o presidente Renato Pedroso.

Vale lembrar que a Previsul dispõe de mais de 80 assistências que podem ser adicionadas aos seguros e, em momento como este, agregam valor ao cliente. É o caso do Saúde24h, um serviço para orientar o segurado na melhor conduta a ser tomada frente à descrição dos sintomas, esclarecendo dúvidas gerais sobre a saúde e fornecendo orientações educativas e de autocuidado, que pode ser acionado 24h por dia, 7 dias por semana.

Portal do Corretor: + Autonomia

Assim como o Cota+, o Portal do Corretor da Previsul também passou por uma atualização e está +ágil e inteligente. Por meio dessa ferramenta, que pode ser acessada de qualquer lugar, o corretor consegue realizar serviços de primeiro e segundo nível, como emitir segunda via de documentos, realizar movimentação de vidas, acompanhar de forma online o status de sinistros e consultar informações de comissionamento.

É também pelo Portal que o Corretor confere seu desempenho na campanha de incentivo de vendas Sou + Previsul, que premia mensalmente os corretores com vendas novas emitidas a partir de R$1.000 com pontos para trocar por produtos e serviços a sua escolha. Tudo de forma online, sem precisar sair de casa. Ao final da campanha, os 10 corretores com maior faturamento em vendas novas ganham uma viagem com acompanhante para África do Sul.

Os impactos do coronavírus na previdência privada 1784

Saiba como a pandemia afeta esse segmento e as recomendações da advogada e especialista Ana Rita Petraroli, durante essa fase

De acordo com dados de instituições financeiras, os efeitos do coronavírus já se refletem também na previdência privada. A pandemia afetou fortemente os mercados financeiros em todo o mundo, com quedas acumuladas de mais de 30% nas bolsas de valores globais, e os impactos atingem tanto os investimentos de renda variável como os de renda fixa.

“Em meio a essa crise ocasionada pela disseminação da Covid-19, a redução da taxa Selic para 3,75% ao ano trouxe dúvidas nos investidores. Apesar da grande tensão causada em todos os setores, especialmente na economia, a recomendação é manter a calma e ter prudência nos investimentos. As pessoas estão muito confusas, mas é preciso evitar movimentações bruscas e priorizar a visão no longo prazo”, ressalta a advogada Ana Rita Petraroli, sócia-fundadora do Petraroli Advogados.

Especialista em previdência privada, ela ainda reforça que o momento é de prudência para quem mantém esse tipo de plano. “A insegurança que estamos vivendo, com a queda dos mercados financeiros em todo o mundo, assusta especialmente a população brasileira, que vinha se recuperando aos poucos de uma crise econômica. Mas, o mais importante é manter o foco no planejamento feito para o futuro, pensando na ocasião da aposentadoria.”

Se houver necessidade de corte nas despesas, recomenda-se revisar todas as contas e eleger prioridades. A principal análise a ser feita é com relação ao resgate de valores da previdência privada. Deve-se avaliar se isso é imprescindível para sua subsistência, agora, pois outras medidas podem ser tomadas para reduzir gastos, sem precisar mexer no valor já contribuído.

Uma alternativa é fazer a portabilidade do plano para uma operadora com tarifas melhores. Entretanto, a migração pode ser realizada apenas de uma tabela regressiva para uma progressiva, não o contrário; de um PGBL para outro PGBL; e de um VGBL para outro VGBL. “O contribuinte pode, ainda, reduzir o aporte mensal ou, em casos mais extremos, interromper a contribuição e retomar quando for viável. Isso é melhor do que fazer uma retirada, pois a aplicação continua rendendo”, conclui Ana Rita.

A economia do seguro e o direito 1780

Confira o artigo do Presidente da Cnseg publicado no blog do Fausto Macedo, no Estadão

No Brasil, vimos assistindo a uma mudança positiva na incorporação, ao direito securitário, dos fundamentos e avanços teóricos e metodológicos da economia dos seguros, o que vem servindo para o melhor debate e superação da judicialização que ainda alcança de forma importante o mercado de proteção de patrimônios e rendas.

Em geral, essa judicialização tem como pano de fundo o que pareceria ser uma grave oposição entre a formulação e as práticas dos contratos de seguros oferecidos e os interesses individuais ou difusos daqueles que compram esses contratos.

Entretanto, essa suposta oposição já vem sendo, em muitos casos, dirimida por óticas que integram o direito ao verdadeiro cerne universal da ciência securitária, que consiste na união de todos os que participam da mutualidade intrínseca aos seguros no mesmo destino econômico, exigindo repartição de riscos com sustentação em métodos atuariais fundados na segregação das contribuições baseada na probabilidade de riscos segundo a idade, hábitos, e outros parâmetros mensuráveis.

Em analogia, é a diferença entre uma ótica de equidade absoluta e uma ótica de repartição e contribuição heterogênea para a proteção de riscos, que historicamente diferenciou a mera economia da ampla economia política. É esta última que vem permitindo sustentabilidade dos sistemas de produção, consumo e distribuição de múltiplos setores em escala planetária. Ainda que submetida aos ciclos de progresso e redução de atividades, como o que estamos vivendo atualmente.

E, apenas para evitar alguma interpretação deslocada, a qualificação “política” da economia se refere à filosofia econômica, de Adam Smith aos atuais teóricos, que podem divergir bastante, menos no núcleo dos fundamentos inaugurado pelo primeiro.

Buscando endereçar o assunto de forma mais pragmática, essa mudança positiva de integração do direito à economia política dos seguros, ou macroeconomia como querem outros, pode ser exemplificada pela superação recente, por turma do Superior Tribunal de Justiça, da aplicação de reajustes a contribuições de contratos de seguros coletivos de vida conforme o alcance de idades.

Aqui, de novo, não se trataria de busca da equidade a qualquer custo, mas da necessária sustentação, em regime de repartição de riscos, de um sistema de proteção com base nas evidentes e mensuráveis diferenças de riscos entre a população assistida conforme os dados epidemiológicos por idade.

Essa mesma questão pode ser abordada, para fortalecer a presença da economia política dos seguros na preservação do sistema, a partir do conceito de eficiência, tão caro também ao direito securitário. Simplificadamente, em termos econômicos a eficiência é medida pela melhor alternativa existente para a obtenção do mesmo objetivo. Então, na ausência de contratos de seguros coletivos de vida em regime de capitalização – como também são a maioria dos contratos previdenciários, a adoção dos reajustes de contribuições pelo alcance de idades vem se mostrando como a melhor alternativa para um sistema eficiente. Porque o contrário seria a ruptura do pacto entre gerações resultando em inevitável desequilíbrio estrutural do sistema mutualista. O mesmo entendimento jurídico, é evidente, deveria se aplicar aos contratos de planos e seguros privados de saúde.

Há outras dimensões da integração produtiva, e de óbvio alcance social, entre a economia e o direito securitário. E os avanços a que assistimos devem nos animar a perseguir melhores soluções para reduzir o conflito ainda existente, através do desenvolvimento científico e do diálogo.

Por Marcio Seroa de Araujo Coriolano, economista e presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg)

Fintechs precisarão pensar em novas soluções para enfrentar a crise e enxergar oportunidades após o período 1554

Para as fintechs, o grande objetivo neste momento de crise global é facilitar a vida do consumidor e amenizar seu próprio prejuízo financeiro

O mundo todo está em alerta desde que o Coronavírus (Covid-19) virou uma ameaça para a sociedade, contaminando milhares de pessoas em um curto período de tempo. E no Brasil não é diferente. Os governantes têm tomado várias medidas de proteção à saúde pública e prevenção ao contágio. Parte da população aderiu ao cenário de quarentena voluntária. Mesmo não sendo ainda uma medida obrigatória em todo país, é uma forma de resguardar a saúde e diminuir a proliferação do vírus.

Para as fintechs, startups que trabalham para inovar e otimizar serviços do sistema financeiro de forma online, o grande objetivo neste momento de crise global é facilitar a vida do consumidor e, também, tentar amenizar seu próprio prejuízo financeiro. É importante pontuar que todo o sistema financeiro nacional continua operando normalmente – pagamentos de boletos bancários, transações de crédito e compensações de cheque.

“O Banco Central (BC) tem se mostrado extremamente ativo e bastante parceiro das empresas financeiras. Mas vale lembrar que o Banco Central também está remoto. É impressionante ver as instituições brasileiras funcionando tão bem remotamente e deixando esse sistema sem atritos”, destaca o Product Owner da fintech Juno, Gabriel Falk.

Para o especialista, as fintechs que vão sobreviver ao período conturbado são aquelas que conseguirão entender as adversidades do mercado, além de remodelar seu próprio formato de trabalho, cooperando de uma maneira colaborativa com o cliente. Além do papel de prestadoras de serviços pelos quais foram contratadas, as empresas de tecnologia terão que trazer soluções para clientes que não são financeiramente educados, e que provavelmente não aguentariam a crise sozinhos.

“Vamos ter muita rolagem de dívida, com o governo disponibilizando liquidez a pequenos empresários, então as empresas também têm que estar cientes desses movimentos macroeconômicos e das mudanças no mercado. Será fundamental se adequar e informar os clientes sobre o novo cenário, tentando deixar tudo muito mais claro”, afirma Falk.

As dificuldades irão fortalecer as fintechs

De acordo com especialistas, o maior desafio dos brasileiros nos próximos meses será honrar compromissos financeiros. “O empreendedor brasileiro está tendo uma tomada de risco muita alta. O perfil do consumo no país tem mais da metade das cobranças do varejo feitas de forma parcelada. Analisando isso, é possível perceber que o cenário das pessoas sendo demitidas, perdendo suas fontes de renda, será muito perigoso, refletindo em todo mercado a curto e médio prazo”, detalha Falk.

A falta de pagamento vai resultar na diminuição de caixa das empresas, que também têm seus compromissos financeiros. Ou seja, um ciclo virtuoso de perdas tomará conta do país. “Nós, como empresa de tecnologia, temos que pensar em como trazer recursos para os nossos clientes, tudo para garantir um nível interessante de receita com a menor interferência possível nos serviços e sem criar muitos atritos com os pagadores. Esses serão os grandes desafios das empresas: honrar seus compromissos e fazer seu negócio continuar rodando de uma maneira clara e transparente, sem chiados do lado do cliente final”, explica Falk.

Sendo assim, o empreendedor precisa olhar para o cliente final e se colocar na posição dele. “A verdade é: o consumidor final de todo mundo mudou. O consumidor final do mês passado já não é mais o mesmo, o perfil mudou. Deixou de ser agressivo, gastador, e se tornou um cara mais precavido, mais temeroso, e de certa forma com razão”, comenta. “Então, como que você, olhando para um viés de educação financeira, consegue estar do lado do seu cliente afinal? Sua persona não é mais a mesma, nem o seu cliente ideal. Precisamos nos adequar a isso também”, complementa o especialista.

Perspectivas pós-pandemia

O cenário vai ser complexo. Haverá um grande aumento de desempregados no Brasil. No que isso vai refletir? O aumento do desemprego vai acabar resultando em um nível menor de renda, o que vai afetar também o nível de consumo. Pessoas que vão ganhar menos, vão consumir menos. Automaticamente, o Governo vai ter que criar medidas para incentivar e alavancar o consumo. As coisas vão se recuperar, assim como em todas as crises, tomando-se os passos corretos.

“A grande dica é não deixar de ganhar receita para seus serviços. As fintechs vão caminhar lado a lado com essa digitalização e separação com o meio físico que muitos clientes têm hoje em dia. Esse é o principal desafio. Estávamos acostumados com um cenário, mas a gente também depende do sucesso do nosso cliente. Agora, não podemos perder tempo procurando culpados. As fintechs precisam andar e amparar seus usuários”, enfatiza o especialista da Juno.

Para Falk, é importante ver o ecossistema como um todo, para organizar o futuro e entender como traçar o cenário mais positivo possível. “O governo vai criar medidas para incentivo ao consumo em breve, mas isso precisa ser feito com muita consciência em questão da insalubridade de crédito do brasileiro. As fintechs têm uma responsabilidade muito alta, porque vão estar do lado do empreendedor que vai ter um fluxo mínimo de caixa ou vai ter tomado algum tipo de dívida, contraído algum empréstimo para poder honrar recebidos passados. Ele vai querer entender como recuperar aquele cliente que ele perdeu por causa da crise. Ele vai precisar entender como renegociar suas próprias dívidas, caso ele necessite fazer isso. Ou seja, assim como o banco, a saúde das fintechs depende da saúde dos seus clientes. A grande diferença entre a fintech e o banco é que o banco está autorizado pelo BC a cobrar taxas de juros extremamente abusivas e as fintechs não – além de não ser interesse a elas se utilizar dessa prática para sobreviver”, completa o especialista.