Fenômenos da natureza: Prevenção é o melhor remédio 11577

Seguradoras e profissionais dos ramos de proteção esclarecem questões relacionadas a temporais e vendavais

O verão brasileiro é caracterizado por fortes chuvas isoladas que por diversas vezes ocasionam perdas ao comércio e para a população em geral, muitas vezes pela falta de conscientização com a preservação do meio-ambiente e tantas outras pela própria desinformação. Por isso, o seguro se faz tão importante, pois ameniza os efeitos de perdas de forma antecipada e endossada por uma base sólida que garante a rentabilidade para todos os envolvidos no processo de mutualidade.

Alexandre de Souza Vieira, diretor de sinistros da Tokio Marine Seguradora / Divulgação

A Revista JRS, em janeiro de 2016, após um forte vendaval que deixou rastros de destruição e muitos prejuízos em Porto Alegre abordou o tema com o especialista em riscos, Alexandre de Souza Vieira, que alertou para as cláusulas nas apólices. Segundo o executivo, o seguro de automóvel prevê cobertura para vendavais e temporais, enquanto que, no seguro residencial, este tipo de cobertura deve ser contratado separadamente por parte do segurado.

“Os eventos da natureza são diretamente considerados na precificação do seguro. A principal maneira de precificar a apólice é analisar a incidência desses riscos pela região, sendo possível criar um preço regional de acordo com a frequência em que os fenômenos ocorrem naquele local”, conta Vieira ao explicar como as companhias precificam este tipo de risco, medido por dois parâmetros principais: frequênciaseveridade dos acontecimentos.

Alexandre Vieira destaca uma série de ações das companhias de seguros que apostam em fortes estruturas de precaução, para que o segurado tenha as informações necessárias para evitar sinistros. Entre as ações disponibilizadas pelas principais seguradoras do mercado está o envio de equipe especializada para realizar o atendimento e simplificar o fluxo de pagamentos. “Uma ação que facilitou esse mecanismo foi a criação de um canal exclusivo para regulação de sinistros via aplicativos, simplificando o fluxo de regulação”, reforça.

O corretor de seguros é o principal elo entre as empresas do ramo e os segurados e a proximidade e especialidade deste profissional é o que oferecerá a cobertura que mais se enquadre na necessidade do cliente, conforme os riscos e expectativas. “Em muitos casos, é desejo do comprador não incluir determinada cobertura, decisão que futuramente poderá prejudicá-lo patrimonialmente e economicamente. O corretor é o consultor que auxiliará na análise desses riscos”, exalta Alexandre Vieira.

O advogado Pery Saraiva Neto / Reprodução

O advogado e consultor jurídico Pery Saraiva Neto lembra que os eventos climáticos extremos, capazes de gerar grandes impactos em vidas e patrimônios, são de ocorrência relativamente recente no Brasil. Ainda que não se possa afirmar que não existiram no passado, “o fato é que somente recentemente começamos a catalogar e tentar entender estes eventos, e por conseguinte compreender os riscos decorrentes de eventos climáticos de maior envergadura. Não é da nossa experiência fenômenos como tornados, tufões ou ciclones, especialmente se compararmos com a experiência norte americana, mas o fato é que estes conceitos começaram a se tornar mais presentes entre nós a partir de 2004, com o que foi denominado de Catarina, na região sul de Santa Catarina, muito próximo ao litoral norte do Rio Grande do Sul”, registra.

Neto explica que fenômenos de maior proporção e com novas características passaram a ser mais frequentes, como o vendaval que deixou Porto Alegre (RS) irreconhecível em janeiro de 2016. “(Estes acontecimentos) chamam especial atenção, seja pelo volume de prejuízos, força dos ventos e por ter ocorrido em uma grande e importante capital. Como disse, não há como afirmar que não ocorreram eventos semelhantes antes. Pelo contrário, há muito acontecem. O que falta são dados”, elucida o também mestre em direito pela UFSC. “Este contexto é muito novo para nós. De lidarmos de forma mais séria e profissional com tais questões, destacadamente no aspecto preventivo, seja no poder público ou na iniciativa privada. Basta ver que os principais marcos legais sobre desastres naturais e defesa civil são muito recentes, posteriores a 2010 (Lei 12.608/2012, Lei 12.340/2010 e Decreto n. 7.257/2010)”, apresenta.

Uma das questões que mais intrigam os segurados se dá pela formação dos valores cobrados pelas coberturas. “Regiões com maior catalogação de caso de eventos extremos passam a receber um tratamento diferenciado e as populações sofrem impacto no preço dos seus seguros, especialmente os seguros patrimoniais. Pois são bens segurados localizados em regiões
cuja frequência e intensidade são mais agravadas. Para as companhias seguradoras, entender bem estas diferenças por regiões é o grande desafio, pois aí reside justamente a especificação e delimitação de riscos, com carteiras diferenciadas e assim por diante. O impacto nas apólices e carteiras vai muito além, por certo, quando da ocorrência de sinistros, pois gerará forte impacto nas reservas das seguradoras”, conta.

Pery Saraiva Neto também destaca para outra questão relevante na relação do consumidor de seguros com as companhias. “A questão da clareza da redação contratual para os consumidores é uma questão de ainda maior complexidade. No que toca especialmente aos seguros e mais precisamente nos riscos decorrentes de eventos climáticos extremos a realidade é que em razão do baixo conhecimento destes fenômenos, como antes referi, bem como pela complexa questão técnica e conceitual envolvida (diferenciar ciclone e furacão, por exemplo, ou a própria nomenclatura técnica que envolve os seguros), a atividade de intermediação de seguros, realizada pelos corretores, deveria ser fortemente aprimorada. O corretor é que tem o dever, básico e elementar, quase educativo, de bem fazer seu cliente entender qual a amplitude de seu seguro. Este esforço de compreensão tem que ser feito pelos corretores, com o apoio das seguradoras”, afirma.

O advogado destaca que, caso as apólices não expressem a exclusão de coberturas para vendavais e temporais, as mesmas devem cobrir tais eventos. “Mas é claro, há uma gama de questões correlatas de suma importância, sendo inadequado uma resposta categórica. Estas questões passam pelas peculiaridades de contratação (alteração do clausulado geral por cláusulas particulares ou especiais) incluindo ou excluindo eventos climáticos (nos seguros residenciais é como a exclusão de riscos relacionados a distúrbios climáticos imprevistos e que causem calamidade, por exemplo, mas há produtos específicos que podem ser agregados a um clausulado padrão – o custo, porém, será elevado, justamente em razão da intensidade dos
danos em tais eventos); Outro ponto é o desdobramento da questão supra é a clareza sobre o que seja um imprevisto, ou o que seja calamidade, para fins do seguro. Podemos, hoje, dizer que eventos climáticos extremos são imprevisíveis? Há tecnologia, há estudos e há histórico, tudo especialmente na região sul do Brasil”, explica.

A situação do bem antes do evento (danos preexistentes) também conta, assim como outros fatores. “Não podemos trabalhar com respostas categóricas em questões de seguros, ainda mais
quando envolvidas com riscos ambientais e climáticos”, justifica ao lembrar que precaução é a melhor forma de se enfrentar eventos da natureza. “Valem as regras gerais de cautela, de buscar locais seguros, para proteção. Mas no particular, cumprir automaticamente as orientações da Defesa Civil e das forças públicas envolvidas com a emergência”, complementa.

O Código de Defesa do Consumidor foi um dos maiores ganhos da população brasileira em seus mais de 25 anos de criação, porém, o também diretor da Associação Internacional de Direito
do Seguro (AIDA Brasil) destaca que é preciso avançar na discussão do tema. “Temos que avançar mais, para que esta informação seja útil, relevante, qualificada e compreensível”, conta ao efetivar a importância da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

O Centro de Experimentação e Segurança Viária (CESVI Brasil) classifica os veículos Renault Fluence, da Renault, e Sentra, da Nissan, como os melhores contra enchentes. O Índice de Danos de Enchente avalia o risco da ocorrência de panes mecânicas e elétricas pela exposição indevida de carros às lâminas d’água, garantindo sua mobilidade. O indicativo técnico serve de referência não apenas para a indústria, como também, para o consumidor. Com quatro estrelas, meio ponto abaixo dos primeiros colocados, compõem o ranking os modelos Peugeot 208 (Active e Allure), Renault Duster high-flex 4×2 (Expression), e Chevrolet Cobalt (LTZ).

O Centro de Experimentação enviou algumas dicas, caso seu veículo esteja em meio a uma enchente

  • Se o carro morrer, não dê a partida novamente. Você pode piorar ainda mais o quadro de pane elétrica ou mecânica.
  • Em casos de alagamento, não arrisque. Espere até que a água comece a baixar para seguir caminho.
  • A eficiência de seguir o rastro de outro carro é mito. A água pode voltar em formato de onda e prejudicar o sistema elétrico do carro.
  • Verifique itens básicos como o estado dos pneus e das palhetas de limpeza.
  • Confira se as luzes de iluminação do carro estão em pleno funcionamento, principalmente as setas e as luzes de freio.
Emerson Farias, analista técnico do CESVI Brasil / Reprodução

Para Emerson Farias, analista técnico do CESVI Brasil, alguns cuidados são necessários para guiar carros em condições adversas, como no caso de fortes chuvas ou enchentes. “Um erro comum é querer arriscar e passar com o automóvel em áreas alagadas. É aconselhado, no máximo, passar em trechos em que a água esteja na altura da metade das rodas do carro, como é informado no manual do proprietário. O que passar disso, é risco”, afirma Farias. “Em geral, quando a rua está coberta pela água, o motorista raramente consegue ver se há buracos ou barreiras na pista, o que agrava o cenário de possíveis acidentes. O melhor mesmo é encostar o carro, desligá-lo e aguardar pacientemente até que a água baixe para seguir caminho”, reforça.

A Itaú Seguros Auto e Residência também registrou um aumento de 9,6% nos casos de sinistros, média nos meses de janeiro entre 2013 a 2015, em relação ao comportamento da carteira.

Outra companhia especialista em desenvolver ações decorrentes de desastres naturais é a SulAmérica, representada na Região Sul pelo diretor Gilson Bochernitsan. “Nos seguros residencial e empresarial a SulAmérica oferece coberturas acessórias para cobrir desastres naturais como vendavais, fortes chuvas, queda de raios, entre outros”, destaca ao lembrar que a companhia utiliza dados do mercado e suas informações internas para avaliar quais regiões são mais afetadas por fenômenos da natureza, em qual época do ano e que tipos de sinistro são mais comuns. Com base no histórico dos registros é possível ter um panorama dos riscos de cada seguro. “Em caso de sinistros ocasionados por desastres dessa espécie, o segurado deve
acionar a SulAmérica o mais breve possível por meio dos nossos canais de atendimento. Os corretores parceiros da SulAmérica também estão aptos a orientar os segurados, configurando um importante suporte em situações como essas. Nosso objetivo é atender com rapidez e permitir que as famílias e empresas possam voltar à normalidade o quanto antes. Por isso, estamos sempre atentos, muitas vezes reforçando nossa operação de atendimento quando há uma situação anormal devido a chuvas, vendavais e outros eventos climáticos. No ano passado, fizemos isso no Rio Grande do Sul e em outros estados, o que beneficiou muito nossos clientes”, lembra.

Gilson Bochernitsan em entrevista ao JRS

A SulAmérica, maior seguradora independente de ramos gerais no Brasil, acredita que o corretor é peça chave para o relacionamento e a comunicação com os segurados. “Ele é a nossa interface diante do cliente e quem dá ainda mais credibilidade para os nossos produtos e serviços. Muitas vezes, o segurado aciona primeiramente o seu corretor para informar o sinistro ou tirar dúvidas sobre seus produtos. Os corretores são nossos grandes parceiros de negócios e vêm abraçando cada vez mais o papel de consultores de proteção, e para isso damos todo o suporte, com treinamento e eficientes canais de comunicação”, esclarece.

A companhia também alerta outras modalidades de seguro, que não a de automóveis. “No caso dos seguros empresarial e residencial é importante avaliar se as telhas, vidros e vedações em geral estão em boas condições para suportar a força do vento ou uma grande quantidade de água”, alerta. “Em alguns casos é realizada a vistoria do imóvel ou veículo, mas não há exigências específicas por cobertura. Quando o cliente vai contratar um seguro, é importante optar por uma apólice que atenda adequadamente às suas necessidades”, finaliza Gilson Bochernitsan.

Alfredo Chaia é especialista em riscos / Reprodução

“Falamos fundamentalmente das ações para evitar que algo aconteça, mas estamos também falando em atendimento comercial, expertise em subscrição de riscos e engenharia e ainda estar preparados para atendimento de alto nível aos sinistros são a nossa filosofia”, disse Alfredo Chaia, em uma entrevista que deu ênfase para a relação entre o segurado, o corretor de seguros e a companhia de seguros no programa Seguro Sem Mistério.

O assunto não poderia deixar de contar com a contribuição dos corretores de seguros, representados nesta reportagem pelo gaúcho Paulo Ibañes. “Nos últimos dez anos os custos dos seguros residenciais, comerciais e industriais vem sofrendo constantes aumentos devido as disfunções climáticas, principalmente nas coberturas de vendaval e consequentemente suas franquias, causadas pelas poluições do meio ambiente e seus ecossistemas”, conta ao lembrar que mais de 90% das apólices preveem este tipo de cobertura.

Segundo o profissional é fundamental manter a calma caso aconteça algum imprevisto. “Em todos (os tipos de infortúnios) o segurado deverá manter a calma, avisar o Corpo de Bombeiros e Polícia Militar de suas regiões. Fotografar os sinistros em seus detalhes, avisar seu corretor de seguros ou a seguradora imediatamente após o fato”, diz Ibañes ao enfatizar que o corretor é o único profissional devidamente habilitado, treinado e capacitado para atender as demandas de seus segurados, bem como oferecer as proteções que mais se adequar as necessidades do segurado e por estar conectado 24 horas por dia. “Lamentavelmente os desastres naturais poderiam ser amenizados com algumas atitudes das autoridades locais, como a aquisição de equipamentos meteorológicos com previsão de determinadas tempestades, retirada de árvores muito velhas e algumas já em estado de apodrecimento, limpezas sistemáticas dos bueiros, conscientização e educação da população através de medidas e campanhas preventivas”, completa. “O mais importante é contratar seguros somente através do corretor, com este profissional sua vida certamente será mais segura e tranquila”, aponta.

Previsul Seguradora coloca inovação para o corretor de seguros como prioridade 576

Previsul Seguradora coloca inovação para o corretor de seguros como prioridade

Companhia atua há 110 anos e está orientada para o futuro

Com 110 anos, a Previsul Seguradora destaca a inovação como fundamental para o sucesso ao longo desta trajetória. “Por isso também estamos sempre atentos para disponibilizar ferramentas que facilitem os processos diários do nosso parceiro de negócios. Por isso estivemos em São Francisco e no Vale do Silício, para respirar essa inovação e incorporar ao nosso dia a dia”, conta a Diretora de Negócios e Marketing da Previsul, Andreia Araujo.

A companhia participou na última semana do CQCS Insurtech & Inovação, evento realizado na capital paulista entre os dias 12 e 13 de junho. “O corretor de seguros tem um papel consultivo fundamental junto ao segurado”, comentou o presidente da Previsul Seguradora, Renato Pedroso. O presidente da seguradora digital, orientada para o futuro, participou do painel “Porque o Corretor é o Futuro da Proteção”. Pedroso explicou como o corretor pode ser agente de prospecção para o mercado de seguros.

CIAB: mercado segurador vive o estágio de Reinvenção Digital 498

CIAB: mercado segurador vive o estágio de Reinvenção Digital

Na pauta, insurtechs, IFRS 17 e TI como aceleradora de negócios

No segundo dia da Trilha de Seguros no CIAB Febraban 2019, na quarta-feira (12), executivos do setor discutiram o fluxo de investimentos em insurtechs, a implementação da IFRS 17 e o papel da área de TI como aceleradora de negócios.

Os investimentos em startups de seguros (insurtechs) ao redor do mundo são direcionados majoritamente à América do Norte com 60%; Europa, 24%; Ásia-Pacífico, 8%; Israel, 3%; e a América Latina registra apenas 2%. Os dados, resultados de uma pesquisa realizada pela Everis, foram apresentados por Roberto Ciccone, sócio da empresa, responsável pelo setor de Seguros na região das Américas, no painel Insurtechs Outlook – Inovação em Seguros, da Trilha de Seguros, em 12 de junho durante o CIAB Febraban 2019.

Nos últimos anos, o Brasil vem registrando um crescimento das insurtechs, atualmente estimadas em mais de 80. “Temos inovação no Brasil, mas falta fluxo de capital para as empresas brasileiras, pois não temos fundos de investimento gigantes atuando no País”, apontou Ciccone.

Ainda segundo Ciccone, a pesquisa também apontou como as seguradoras percebem a atuação das gigantes de tecnologia em termos de distribuição, liderado pela Amazon, e em novas tecnologia, pela Google.

“O fato de as inovações trazidas pelas insurtechs serem incrementais, em um primeiro momento, leva a um alívio porque agregam valor ao negócio. Mas, por outro lado, o disruptivo não manda sinais. Quando ele vem, pode ser tarde para se adequar”, observou Alexandre Leal, diretor Técnico e de Estudos da CNseg e mediador do painel.

Com relação às demandas dos consumidores, o presidente da Comissão de Inteligência de Mercado da CNseg, Alex Körner (head de Seguros do Santander Brasil),  destacou que a forma como o cliente compra o plano de assinatura da Netflix é a mesma como ele vai querer comprar seguro. “Se não mudarmos, vamos ficar para trás. A minha preocupação não é com o avanço das bigtechs no mercado de seguros, mas sim com elas conseguirem oferecer um processo de compra de seguro mais atraente do que o nosso”, salientou.

O Insurtech Outlook ainda indica que o digital e a inovação têm de ser prioridade no foco estratégico das empresas. O maior desafio, porém, é a mudança cultural e o engajamento de toda a organização no processo.  “A cultura organizacional devora qualquer belíssima estratégia. Envolver a companhia como um todo em uma jornada de transformação é essencial”, ressaltou Mariane Bottaro Berselli Marinho, diretora de Estratégia, Marketing e Governança da Zurich Santander Seguros e Previdência.

IFRS 17: grau de complexidade difere em cada companhia

Prioridade na agenda das seguradoras, o IFRS 17, padrão internacional de contabilidade para as operações de seguros, publicada pela International Accounting Standards Board (IASB), organização responsável por estabelecer normas contábeis a nível internacional, foi discutida no painel “IFRS 17: grau de complexidade difere em cada companhia” da Trilha de Seguros.

Desafio para as seguradoras, a norma deverá ser implementada até 2022. Mediadora do painel, Karini Madeira, superintendente de Acompanhamento Técnico da CNseg, lembrou que desde maio de 2017, quando o padrão foi publicado, a Confederação formou um grupo multidisciplinar para discuti-la. O grupo produziu 13 memorandos técnicos e, em 2018, iniciou uma discussão junto à Susep.

Atualmente, as companhias têm desenvolvido estudos internos para entender os reflexos e quais áreas serão impactadas. Conforme Karini, o grau de complexidade é diferente para cada seguradora, pois varia de acordo com o segmento de atuação, os produtos oferecidos, exposição ao risco, grau de maturidade e o envolvimento com a convergência das normas. “Não temos uma ferramenta de prateleira ou uma solução mágica que faça que a implementação aconteça”, disse Karini.

Alexandre Paraskevopoulos, da Deloitte, observou que, embora não tenha uma receita pronta, a implementação da norma possui uma sequência lógica e gira em torno de uma metodologia. “Mas ao mesmo tempo em que temos o IFRS 17, o IFRS 9, que versa sobre instrumentos financeiros, entra em conjunto. É importante entender que as duas normas conversam entre si”.

Ao compartilhar a experiência da companhia, no painel sobre IFRS 17, a superintendente de práticas contábeis de seguros da SulAmérica, Flávia Vieira, lembrou que a norma faz sentido para a operação de seguros, mas a definiu como de difícil implementação, dependendo da carteira. “Uma pessoa que não conhece a companhia não conseguirá implementar o IFRS 17 e o IFRS 9 em conjunto. É importante ter um grupo inicial formado pelas áreas financeira, contábil, TI e atuarial. O segundo passo é entender a norma”.

A visão de tecnologia da informação, transmitida também pelo gerente de arquitetura corporativa de TI da SulAmérica, Cristiano da Silva Bezerra, consiste no desafio da robustez de escabilidade. “É necessário também reconhecer, mapear e entender todas as origens de integração de dados que fazem parte do processo”, ressaltou, ao lembrar: “A norma é padrão, porém a jornada é particular”.

Data Center a serviço do negócio

A Trilha de Seguros foi encerrada com a apresentação do case “Data Center a serviço do negócio”, da Tokio Marine, implantado pela Dell, que simboliza um rompimento da ideia tradicional de Data Center com a junção dos processos em hiperconvergência.

Para o presidente da Comissão de Processos e Tecnologia da Informação da CNseg, Camilo Ciuffatelli (Tokio Marine), o case da companhia indica para todo o mercado a necessidade de possuir uma estrutura capaz de suportar as inovações em termos de tecnologia, como telemetria, Internet das Coisas (IoT) e Analytics. “São processos novos que toda companhia vai ter que usar. Caso contrário,  corre-se o risco de ficar totalmente defasada e até sair do mercado”, afirmou.

Os investimentos em tecnologia na seguradora tiveram início em 2011 com o Insourcing do Datacenter com servidores Dell Blade e Storage DellEMC. “Uma das vantagens de utilizar a cloud de maneira híbrida é também desenvolver fora e trazer para dentro”, destacou Erick Pascoalato, da Dell.

Os resultados foram muito expressivos. “Esse foi o gatilho do diferencial da companhia frente ao mercado. O alto investimento foi revertido em uma capacidade de processamento três vezes maior e na redução de custo de 64%. Isso permitiu que dobrássemos de tamanho em três anos”, contou Wilson Leal, CIO da Tokio Marine.

Em sua visão, o mercado segurador já transcendeu a fase de transformação digital e agora está na etapa de Reinvenção Digital. “Não é só a tecnologia que faz parte do processo. Agora é o negócio, precisamos mudar o processo para que em dois cliques o cliente se resolva”, definiu Wilson Leal.

Gabriel Portella destaca a importância da inovação, em Porto Alegre (RS) 1100

Gabriel Portella destaca a importância da inovação, em Porto Alegre (RS)

Questões regulatórias, benefícios e produtos adequados foram apresentados pelo palestrante

O Restaurante Clube do Comércio, na Região Central de Porto Alegre, foi palco de mais um tradicional encontro do mercado segurador, na última quinta-feira (13). Realizado há mais de 70 anos, pelo Sindicato das Seguradoras do Rio Grande do Sul (Sindseg/RS), o evento contou com palestra de Gabriel Portella, presidente executivo da SulAmérica Seguros. Ao todo, quase duas centenas de operadores do setor de seguros na região acompanharam o momento.

O tema: a importância da inovação para a indústria do seguro. Questões como os benefícios e a entrega do produto seguro ao tomador. “As insurtechs, moedas como o Blockchain e aplicativos diversos que a SulAmérica disponibiliza para seus segurados é uma maneira de ofertar produtos adequados e serviços inovadores ao cliente final. A inovação é um processo desafiador”, explica Portella.

A divulgação das normas para o sandbox no setor de seguros, que torna otimizadas e mais acessíveis as questões relacionadas às insurtechs, também foi tema da fala do executivo. “O fato de as inovações trazidas pelas insurtechs agregarem valor ao negócio do seguro tornam os processos muito mais ágeis. É muito importante buscar sempre a inovação”, completou.

Para o presidente do Sindseg/RS, Guacir Bueno, o momento foi especial. “Agradeço ao renomado palestrante, que apesar de sua extensa agenda, brinda os gaúchos com um tema que irá permear por muito tempo a indústria do seguro que busca métodos e práticas eficazes. A inovação, aqui, hoje, ficou destacada de forma brilhante e nos ajuda no processo de transformação digital”, finaliza.

Almoço do Sindseg/RS – Todas as imagens

Prudential mistura música clássica e rock em Curitiba 616

Prudential Concerts 2019 chega a Curitiba misturando música clássica e rock

Prudential Concerts 2019 será no dia 26 de junho e terá como convidado o músico Frejat

Após um show marcante em Porto Alegre, o Prudential Concerts chega à capital paranaense. A edição 2019 quer mostrar ao público que música clássica combina com rock and roll. O show, sob o comando de Carlos Prazeres – regente titular da Orquestra Sinfônica da Bahia e um dos mais requisitados maestros brasileiros de sua geração – acontecerá no Ópera de Arame, no dia 26 de junho, e terá como convidado o músico Frejat.

O projeto, que teve início em maio e se estenderá até outubro, ainda vai passar pelas cidades de Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo. A expectativa é de que mais de seis mil pessoas prestigiem os shows.

“O Prudential Concerts é uma turnê que aguardo sempre muito ansioso para fazer. São shows super descontraídos e com conteúdo cultural incrível. Grande parte dos sucessos populares têm referência erudita e estou animado para reger as orquestras tocando rock and roll, que tem influência direta do Barroco”, diz o maestro Carlos Prazeres.

O Prudential Concerts conta, ainda, com a realização de oficinas musicais voltadas para crianças e adolescentes de instituições sem fins lucrativos ligadas à música. A iniciativa, ministrada por Carlos Prazeres, já beneficiou mais de 300 jovens e acontece em todas as cidades que recebem o evento. O objetivo é desenvolver e aperfeiçoar a técnica do instrumento de preferência de cada participante.

“O propósito da Prudential do Brasil é levar tranquilidade para as pessoas por meio do seguro de vida. Em linha com o negócio, as nossas ações culturais visam proporcionar também um momento de bem-estar para o público. Por isso, estamos orgulhosos em realizar, pelo terceiro ano consecutivo, o Prudential Concerts, que dessa vez vem com a temática do rock, fazendo uma ponte direta com o grande evento que iremos apoiar neste ano, que é o Rock in Rio”, afirma Fernanda Riezemberg, gerente de Marketing Institucional da Prudential do Brasil.

Nomes importantes da MPB, como Milton Nascimento, Gilberto Gil e Alceu Valença, participaram das edições anteriores do evento, que tiveram como tema Acordes Brasileiros e Bossa Nova. Ao todo, mais de 8.600 pessoas assistiram aos espetáculos.

O evento é idealizado e produzido pela Novo Traço Comunicação, com patrocínio da Prudential do Brasil e realização da Secretaria Especial de Cultura, do Governo Federal, por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura.

Para mais informações sobre o Prudential Concerts, acesse as páginas oficiais do projeto no Facebook e no Instagram.

Austral Re e Terra Brasis Re anunciam fusão 1051

Austral Re e Terra Brasis Re anunciam fusão

Movimento resulta na segunda maior resseguradora do País

Bruno Freire será o CEO da nova companhia / Divulgação
Bruno Freire será o CEO da nova companhia / Divulgação

A Austral Re e a Terra Brasis Re acabam de anunciar ao mercado a assinatura de um acordo de investimento para fusão de suas atividades. Da união, resultará a segunda maior resseguradora nacional em prêmios de resseguros emitidos (R$ 672 milhões em prêmios emitidos bruto combinados em 2018) e a quarta maior resseguradora local em patrimônio líquido (R$ 387 milhões em patrimônio líquido combinado em 2018).

O bloco de controle da operação caberá à Vinci Partners, tendo como sócios o grupo Brasil Plural e o International Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial, que já detém participação nas duas companhias.

O posicionamento competitivo da nova resseguradora será fortalecido pela complementaridade dos portfólios de negócio e pela ampliação da cobertura geográfica no Brasil e no exterior, com escritórios no Rio de Janeiro, São Paulo, Colômbia e Guernsey, além de autorizações para operar em diversos países latino americanos.

Bruno Freire será o CEO da nova companhia e Rodrigo Botti será o CFO. A resseguradora manterá sua estratégia focada no atendimento à indústria de seguros em todas as linhas de negócio com soluções inovadoras, atendimento qualificado, responsabilidade na gestão de riscos e os mais altos padrões de governança corporativa.

“A fusão oferece uma expressiva criação de valor a longo prazo. Esperamos que a combinação dos negócios capture significativas sinergias operacionais, administrativas e econômico-financeiras. Trata-se de um parceiro que conhece amplamente o setor e que proporcionará uma capacidade renovada de expansão e internacionalização de atividades”, destaca Bruno Freire.

“A oportunidade é única para acelerar as estratégias de expansão com nova força e dimensão. Estamos entusiasmados com a oportunidade de ganho de escala, com o portfólio de produtos e o compromisso dos nossos times”, pontua Rodrigo Botti.

A associação não terá qualquer interferência na composição da Austral Seguradora, controlada pela Vinci Partners.

A consumação da operação está condicionada à aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP).