AIDA comemora resultados de Congresso Mundial, no Rio de Janeiro 1076

Associação Internacional de Direito do Seguros reuniu aproximadamente 400 convidados

Segundo a avaliação do membro da comissão organizadora do AIDA Rio 2018 e conselheiro da entidade, Luis Felipe Pellon, essa edição do congresso é considerada um dos melhores eventos já promovidos pela Associação, nas palavras da própria presidente da AIDA World, Peggy Sharon. Pela primeira vez no Brasil, o evento reuniu cerca de 400 especialistas no Windsor Convention & Expo Center, na Barra da Tijuca.

A mesma opinião é compartilhada pelo organizador do próximo congresso mundial, em 2022, o australiano Chris Rodd. De acordo com ele, algumas das ideias implementadas no evento brasileiro foram tão bem aceitas que serão aplicadas em Melbourne, cidade que vai sediar o encontro.

Entre as novidades que agradaram em cheio os congressistas, Pellon destacou a ótima repercussão dos grupos de trabalho formados para aprofundar temas expostos nos painéis principais do evento. Além disso, a exposição com estandes dos patrocinadores “deu vida ao ambiente e reuniu representantes dos escritórios de advocacia, que mobilizam e convocam outros profissionais da área”.

Outra ideia positiva foi a utilização, pela primeira vez, de um aplicativo exclusivo do Aida Rio 2018, contendo a programação, os currículos dos painelistas, resumos das sessões e ainda um ambiente interativo para fotos e comentários. Como exemplo disso, Pellon citou a mensagem de um americano que acompanhou o congresso à distância, pelo aplicativo. Ele finalizou com um feedback dos patrocinadores de que o investimento realizado para a participação do congresso foi recompensado.

Lava jato e denúncias de corrupção alavancam Seguro D&O no Brasil

O D&O também foi debatido no AIDA Rio 2018. “Este produto, contratado pelas empresas para resguardar seus diretores e administradores contra reclamações de terceiros eventualmente prejudicados por atos de gestão, ganhou destaque nos últimos anos com os recentes escândalos de corrupção e as cifras inimagináveis que preenchem diariamente as pautas dos noticiários”, explicou a advogada Mariana Ferraz Menescal.

Ela expôs o assunto no Grupo de Trabalho “Linhas de financiamento”, no Congresso Mundial da AIDA, no Rio de Janeiro, no dia 13 de outubro, último dia do encontro.

Discussão entre Grupos de Trabalho

A programação ainda abriu espaço para debates mais específicos entre os grupos de trabalho da entidade. A reunião com foco em novas tecnologias foi conduzida pelos professores Robert Merkin e Kyriaki Noussia, ambos da Universidade de Exeter, do Reino Unido.

Muito foi falado em relação a quem seria o responsável em caso de acidentes causados ou envolvendo veículos autônomos, e mesmo sobre a definição do que pode ser considerado um veículo autônomo. Segundo os professores, a Alemanha está bem avançada em relação a outras jurisdições, porque já prevê regras específicas para esses veículos em seu Ato de Tráfego (RTA, sigla em inglês).

“O tema foi escolhido pelo próprio Conselho Mundial. Nosso objetivo é verificar os impactos da tecnologia futura na vida das pessoas e o que isso pode impactar as coberturas de seguro, sejam adaptando-se ou alterando-se”, explica o diretor jurídico e compliance da seguradora Zurich, Washington Silva. “Existe uma extensa análise de risco feita em carros e maquinários por especialistas em segurança. Esse conhecimento pode ser de grande auxílio do ponto de vista de prevenção”, completa.

Do ponto de vista do seguro, também foi debatida a possibilidade de que, em um futuro bem próximo, seja criado um modelo de responsabilidade específica, já que, em uma escala global, 90% dos acidentes de trânsito estão relacionados ao motorista.

Na reunião do grupo de trabalho sobre Estipulações pré-contratuais e ciência das partes contou com representantes da Itália, Turquia, África do Sul e Brasil. As advogadas Sara Landini, Ozlem Gurses, Darren Millard e Angélica Carlini foram conduzidas pela presidente da Aida World, Peggy Sharon, e discutiram os deveres de divulgação por parte do segurado, segurador e intermediário.

Os participantes do Congresso também tiveram oportunidade de entender um pouco mais sobre governança corporativa com os professores Paolo Rainelli (Itália), Hsien-Nung, Kuei (Taiwan) e Bernardo Gabineski (Brasil). As realidades de cada país foram apresentadas pelos palestrantes.

No Brasil, por exemplo, o advogado Bernardo Gabineski explicou que a governança corporativa ainda está em processo de desenvolvimento. “Foram firmados há 10 anos compromissos internacionais para instaurar mecanismos de combate à corrupção, mas esse processo foi acelerado com a Lava Jato e, com isso, as empresas estão trabalhando cada vez mais com compliance e governança corporativa. A operação da Polícia Federal foi um componente importante deste processo de desenvolvimento, agregou a divulgação dessas boas práticas”, afirma.

Bernardo explica que todas as empresas envolvidas tinham governança corporativa. “O ponto central é avaliar se estavam realmente comprometidos com as boas práticas ou apenas mantinham um documento que não era seguido. E o maior desafio dessas empresas hoje é mostrar para os stakeholders, seus empregados e a sociedade como um todo que viraram a página e que estão em um novo cenário, não mais envolvidos em corrupção”, acrescenta Gabineski.

Na reunião sobre seguro poluição, a advogada brasileira Patrícia Godoy Oliveira realizou apresentação sobre o produto no país, expondo um breve histórico das leis ambientais nacionais. Ela informou que R$ 68 milhões foram arrecadados em prêmios em 2017, segundo dados da Susep. “A sinistralidade é alta, ficando em torno de 30%”, completou. Para ela, a maior dificuldade das empresas é entender a importância das coberturas e das exclusões – ou seja, o que não pode ser contratado – e que a participação da área jurídica é essencial no momento da contratação.

O engenheiro ambiental Carlos Sá, da Cooper Bros, compartilhou dificuldades recorrentes na regulação de sinistros em acidentes que envolvem danos ao meio ambiente. Já Luciano Pérez fez um relato sobre a experiência mexicana: “temos leis ambientais recentes muito bem estabelecidas, mas a forma como elas serão cumpridas ainda está em aperfeiçoamento. É preciso que as empresas olhem para essa questão de uma maneira mais social”.

Por fim, a advogada ambientalista Rossana Bril, da Argentina, fez um apelo nessa mesma linha. “Ao observar as normas, pensamos estar muito bem protegidos, mas a verdade é que criamos processos muito longos”, avaliou, citando um caso de julgamento que já dura 20 anos. De acordo com a especialista, conflitos ambientais envolvem questões sociais e culturais complexas, e precisam ser tratadas com maior diálogo e rapidez.

Leis sobre seguro ambiental precisam de aperfeiçoamento em ao menos 22 países

Relatório foi apresentado durante o AIDA Rio 2018, congresso mundial dedicado ao Direito de Seguros, no painel “Seguro Poluição: Métodos, coberturas e beneficiários”, presidido pelo Ministro do STJ Sebastião Reis
Relatório foi apresentado durante o AIDA Rio 2018, congresso mundial dedicado ao Direito de Seguros, no painel “Seguro Poluição: Métodos, coberturas e beneficiários”, presidido pelo Ministro do STJ Sebastião Reis

A legislação, no que diz respeito ao seguro ambiental, ainda é pouco clara em diversas regiões do planeta. O conselheiro da AIDA World e integrante da Comissão Organizadora do AIDA Rio 2018, Luís Felipe Pellon, realizou uma importante análise sobre um dos mais graves casos de catástrofes ambientais do nosso país: o rompimento da barragem do Fundão, da empresa Samarco, em Mariana, Minas Gerais (MG), no ano de 2015. O painel aconteceu no segundo dia do Congresso.

“Mais de 55 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro e sílica percorreram cerca de 22km, passando pelo Rio Doce e atingindo o oceano Atlântico, matando 19 pessoas e desalojando centenas, poluindo o solo, o ar, causando a mortandade de animais, da flora, e tornando extensas áreas urbanas e rurais imprestáveis”, enumerou o advogado.

Ao explicar os aspectos e causas do acidente, Pellon contou que a empresa optou pela técnica de construção mais econômica – e arriscada – para a barragem, e que diversas questões deveriam ter servido como alertas de que havia algo errado. Ele ressaltou, ainda, a importância da atuação do poder público na prevenção de tragédias como essa, por meio das chamadas fiscalizações pós licença.

De acordo com estudo apresentado na mesma plenária, pela presidente do Grupo Nacional de Trabalho de Linhas Financeiras da AIDA Brasil, Mariana Menescal, as diferenças entre as leis aplicadas ao seguro ambiental ao redor do mundo vão desde a própria definição do que se enquadraria como risco ambiental até os critérios para definir a quem deve ser atribuída a responsabilidade pelos danos em caso de sinistro.

O trabalho contou com a colaboração de sete seções da AIDA. A partir de respostas enviadas por 22 países, foi possível constatar que o tema é ainda pouco desenvolvido do ponto de visto jurídico. “Somente no México, por exemplo, existe uma estrutura de regulamentação específica para o segmento”, ressaltou Mariana.

Além disso, a penetração desse tipo de proteção ainda é baixa: segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), a produção do mercado de seguros brasileiro para esses riscos representam menos de 1% no ramo de seguros patrimoniais e Responsabilidade Civil. “Essa situação se repete na maioria dos países questionados em nosso estudo”, contou a advogada.

Na sequência, o Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Sebastião Reis, que presidiu o painel, avaliou: “o que podemos concluir é que existe, hoje, uma preocupação real com a efetividade das leis dentro dessa área. Até que elas se tornem mais concretas, há um longo caminho a ser percorrido”.

O terceiro integrante do painel, o advogado Pery Saraiva Neto, presidente do Grupo Nacional de Trabalho da AIDA Brasil voltado a esse segmento, defendeu a garantia da prevenção como uma das principais missões a serem perseguidas pela legislação. “Precisamos avançar na modulação de instrumentos econômicos de proteção ambiental, entendidos com soluções reguladas pelo Direito que visam romper com sua lógica meramente repressiva, com o objetivo de incentivar a adoção de melhores práticas”, afirmou. Em sua visão, isso se refletiria na instituição de estímulos econômicos para a adoção de práticas ambientalmente adequadas, protetivas e sustentáveis.

Novas tecnologias e regras contratuais do seguro

Divulgação
Divulgação

“Eu gostaria de agradecer pela confiança e de dizer que conto com a colaboração de Kullman para dar continuidade ao trabalho que vem sendo realizado pela AIDA World, temos muito a inovar”, disse Sharon, que será a primeira presidente mulher da seção internacional da entidade.

Logo após a eleição realizada durante Assembleia Geral da AIDA World, os congressistas receberam as boas vindas em um coquetel. O presidente da AIDA Brasil, Inaldo Bezerra Silva Junior, afirmou que organizar o Congresso é uma oportunidade de “mostrar ao mundo que o Brasil é um país de instituições democráticas sólidas e possui enorme potencial para retomar o crescimento  e a expansão dos negócios em todas as áreas, em especial naquelas em que o seguro é mais relevante, como infraestrutura, logística, armazenagem, proteção de dados, saúde, responsabilidade civil”.

Ele também anunciou o lançamento da 6ª edição do livro “Aspectos Jurídicos dos Contratos de Seguro”, feito em conjunto pelos Grupos de Trabalho da AIDA Brasil. O trabalho foi organizado pelos integrantes da instituição Angélica Carlini e Pery Saraiva Neto.

A nova presidente da AIDA World, Peggy Sharon, apresentou uma pesquisa realizada com 29 países sobre as estipulações pré-contratuais e ciência das partes no contrato de seguros. O estudo verificou que existe, em muitos casos, uma lacuna de informações entre a seguradora e o segurado, além de diferenças legislativas e contratuais adotadas pelos países – enquanto alguns adotam o direito comum, outros seguem as normas do direito civil.  

No Reino Unido, Brasil e Japão, por exemplo, diferenciam seguro para pessoas físicas e seguro comercial. Já outros, como Colômbia, Dinamarca, Taiwan e Uruguai, utilizam regras gerais de proteção ao consumidor. “São muitas as diferenças, mas chegamos à conclusão de que a busca pela equidade e possível equilíbrio entre as partes é compartilhada por todos os sistemas legais”, afirma Peggy. 

Na sequência, um dos consensos do painel “Novas tecnologias – veículos e robôs autônomos, riscos cibernéticos e processo de seguro” foi que a tecnologia está à frente da lei. Isso porque o mundo está mudando e evoluindo em uma escala bem mais rápida do que os ambientes regulatórios. Durante a explanação, foram abordados aspectos relativos aos reflexos jurídicos e de seguros no direito internacional.  

Entre os pontos apresentados, destacaram-se questões como o limite entre a liberdade e a privacidade dos consumidores diante da disseminação massiva de informações pessoais, inclusive por meio das mídias sociais – o que pode levar à discriminação; e o emprego da responsabilidade (à seguradora, ao segurado ou mesmo ao responsável pela manutenção do veículo) à luz da utilização de carros autônomos. 

AIDA Rio 2018 reúne lideranças do setor de seguros e autoridades

Lideranças do setor de seguros, autoridades e representantes da AIDA na abertura do AIDA Rio 2018
Lideranças do setor de seguros, autoridades e representantes da AIDA na abertura do AIDA Rio 2018

“Somos um fórum aberto para o debate acadêmico, científico, dialético e crítico da mais alta envergadura. Sempre com o objetivo de aprimorar as instituições de seguros e torná-las ainda mais significativas em um contexto social e econômico”. Com essas palavras, o anfitrião do evento e presidente da AIDA Brasil, Inaldo Bezerra Silva Junior, recebeu lideranças do setor de seguros, autoridades e congressistas, durante a abertura do XV Congresso Mundial da AIDA.

Na sequência, a presidente da AIDA World, Peggy Sharon, ressaltou a honra e agradeceu a confiança por ter sido escolhida como a primeira mulher a liderar a seção internacional da entidade. Em sua fala, ela destacou o processo de inovação pelo qual o mundo está passando e enfatizou que a AIDA precisa abraçar essas mudanças. “Já chegou o momento de mudança também para a AIDA. Hoje, mais mulheres estão chegando à liderança do nosso time. Eu e o meu grupo estamos aqui para trabalhar de mãos dadas em prol dessa entidade e para fazer com que a AIDA seja cada vez mais relevante e significativa para as leis de seguros”, enfatizou.

Nessa mesma linha, o titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Joaquim Mendanha de Ataídes, falou sobre a importância da participação do órgão supervisor do setor em um evento de alcance mundial e também abordou a inovação como ponto de discussão em questões regulatórias. “Gostaria de destacar a relevância desses estudos e trabalhos, esse estímulo dos aspectos jurídicos para o regulador. Uma vez que aprimoramos os contratos e as relações, facilita muito a missão da Susep que é desenvolver os seus mercados supervisionados”, pontuou, fazendo referência aos direitos do consumidor em um momento de tantas inovações, já que haverá impacto nos contratos de seguros.

Já o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Marcio Coriolano, discorreu sobre a importância da atividade seguradora no mundo, citando que a indústria do seguro responde por 6% do PIB mundial, movimentando cerca de US$ 4,9 trilhões e que, no Brasil, os números giram em torno de US$ 83 bilhões. “O setor de seguros também passou a fazer parte da pauta de mudanças das políticas macroeconômicas globais”, afirmou, explicando que está havendo uma revisão de benefícios antes garantidos pelo poder público e que agora estão migrando para o setor privado. Além disso, Coriolano pontuou a crescente judicialização do setor de seguros. “Todos precisamos nos debruçar sobre o assunto para verificar eventuais falhas regulatórias ou de lacunas contratuais”, ponderou.

Não obstante, o presidente da Escola Nacional de Seguros, à ocasião, também presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor), Robert Bittar, concordou que a ciência jurídica exige uma constante atualização. “A dinâmica do tempo, as mudanças comportamentais da sociedade e o surgimento de novos riscos pelas atividades humanas impõem aos operadores da justiça estar pensando sempre muitos passos à diante dos fatos”, afirmou, observando que a atividade de seguro possui princípios universalizados.

Nesse sentindo, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Sebastião Reis, chamou atenção para o fato do mundo hoje ser uma aldeia global onde os países e as economias estão cada vez mais próximos. “Um evento dessa magnitude demonstra, mais uma vez, não só a importância do Brasil em um cenário internacional, mas também o anseio deste País de cada vez mais contribuir para a discussão de um assunto tão palpitante e fundamental nos dias de hoje”, concluiu, ressaltando que o STJ está à disposição da AIDA para futuros debates e encontros sobre as questões que envolvem seguros.

Também compuseram a mesa de abertura, o desembargador Milton Fernandes de Souza, presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), que salientou a heterogeneidade do Brasil, exemplificando que, no Amazonas, muitas vezes um juiz para chegar à comarca precisa de três dias de barco. E o presidente do Sindicato das Seguradoras do Rio de Janeiro e do Espírito Santos (Sindseg RJ/ES), Roberto Santos, que exaltou a contribuição que a realização do Congresso Mundial no Brasil traz para o mercado segurador.

Associação Internacional de Direito do Seguros (AIDA)

Fundada em 1960, em Luxemburgo, a Associação Internacional de Direito de Seguros é uma instituição de cunho científico, sem fins lucrativos. É mundialmente conhecida como AIDA, as iniciais de seu nome em francês: Association Internationale de Droit des Assurances. Hoje, a Associação está presente em 73 países, incluindo o Brasil.

No país, teve sua primeira sede no Rio de Janeiro, tendo sido transferida para São Paulo em 1973, onde permanece até hoje. Ao longo de sua história, a Seção Brasileira participou de praticamente todos os Congressos Mundiais já realizados. Em 2002, organizou o VIII Congresso do CILA, realizado também no Rio de Janeiro.

Além disso, desde 2007, vem promovendo congressos nacionais que reúnem advogados, magistrados, juízes, professores e juristas interessados em Direito do Seguro, com expressiva participação, em diferentes capitais brasileiras. Atualmente, movimenta-se por meio de seus Grupos Nacionais de Trabalho, que tratam de todos os temas que envolvem o contrato de seguros.

*Com informações de Race Comunicação.

Seguradoras globais pressionadas com a nova abordagem das normas IFRS 287

Seguradoras

Levantamento foi realizado pela KPMG

As grandes seguradoras globais iniciaram os preparativos para a IFRS 17 (que diz respeito aos contratos de seguros e que passa a vigorar em 1º de janeiro de 2021) e a IFRS 9 (norma sobre instrumentos financeiros que deverá ser adotada em conjunto para a maior parte das empresas seguradoras), mas as pequenas ainda estão atrasadas, de acordo com um novo relatório “Participando para vencer”, da KPMG Internacional. Sessenta e sete por cento das grandes seguradoras pesquisadas estão na fase de concepção de projeto ou implementação da IFRS 17 e 64% estão em posição semelhante com relação à IFRS 9. Em comparação, entre as pequenas seguradoras, somente 10% e 25% iniciaram a concepção de projeto ou a implementação da IFRS 17 e da IFRS 9, respectivamente.

Segundo o estudo, mesmo diante do progresso de muitas seguradoras, ainda há obstáculos para tornar a IFRS 17 e a IFRS 9 operacionais: 90% delas afirmaram que esperam dificuldades para garantir um número suficiente de pessoas fazer o trabalho e metade delas está preocupada com o orçamento.

“As organizações globais que estão mais adiantadas com os projetos são as que mais sentem a pressão do tempo. Quanto mais fazem, mais percebem como a implementação das novas normas é desafiadora. As pequenas seguradoras, que fizeram um mínimo de preparativos, precisam se engajar urgentemente nessa tarefa. Já aqui no Brasil, espera-se que o IFRS 9 seja obrigatório para seguradoras que não estão ligadas a banco somente quando o IFRS 17 entrar, e sobre esse último, as entidades ainda não possuem prazo regulamentar”, afirma o sócio da KPMG no Brasil, Lúcio Anacleto.

Pessoal e treinamento são necessidades críticas

Ainda de acordo com a pesquisa, 45% das grandes seguradoras no mundo já têm equipes com 50 ou mais integrantes e metade delas já recrutou até 25 pessoas. O levantamento mostrou ainda que o treinamento é uma necessidade crítica e que até agora a maioria das seguradoras só capacitou os membros das equipes de implementação. A maioria das grandes seguradoras pesquisadas, 97%, vê a implementação nas novas normas IFRS como uma oportunidade de transformar os negócios, com foco na otimização do processo (77%), aperfeiçoamento do processo atuarial (65%) e modernização do sistema (58%).

“Os custos da implementação da IFRS 17 e da IFRS 9 são significativos, mas a pesquisa demonstra que as oportunidades apresentadas são ainda maiores. Com as novas normas, as seguradoras passaram a ver as estratégias e processo financeiro e atuarial de novo ângulo. A transição pode ser um catalisador da inovação e do desenvolvimento dos talentos dos seus líderes emergentes”, analisa.

Desafios operacionais

O levantamento identificou também que os novos desafios operacionais ficam claros à medida em que os preparativos avançam: somente 7% das seguradoras pesquisadas acreditam que estarão prontas a tempo para os dois anos da execução paralela; mais da metade (56%) prevê somente um ano de execução paralela antes de se firmarem.

“Em última instância, é um ponto crítico para as seguradoras a atenção à evolução das questões de interpretação para que os impactos sobre as demonstrações financeiras sejam bem entendidos e que haja um diálogo com os investidores sobre as mudanças que podem esperar”, acrescentou.

Sobre a pesquisa

O relatório “Participando para vencer” (do original em inglês, In it to win it: Feedback from insurers on the journey IFRS 17 and 9 implementation one year in) fez uma abordagem da implementação da IFRS 17 e da IFRS 9, realizada com base em uma pesquisa com 160 executivos de seguradoras de mais de 30 países. A maior porcentagem de empresas (37%) é composta, 19% são seguradoras de ativos e responsabilidade civil, sendo 7%, resseguradoras. São consideradas grandes seguradoras as que tiveram prêmios superiores a US$ 10 bilhões e pequenas as que tiveram prêmios abaixo de US$ 1 bilhão.

Tempo Assist tem um novo acionista 347

Tempo Assist

Swiss Re passou a deter 30% de uma das maiores empresas de assistências especializadas do mercado brasileiro

A Tempo Assist, uma das empresas líderes em serviços de assistência no Brasil e a única independente no segmento, anunciou que a Swiss Re Direct Investments Company Ltd, que detém participações minoritárias em empresas listadas e não listadas em nome do Grupo Swiss Re, adquiriu uma participação de 30% do Grupo Carlyle e dos fundadores da companhia. O Grupo Carlyle permanece o acionista majoritário com 62% da Tempo Assist. Os fundadores da companhia e executivos detém os 8% restantes.
O investimento do braço financeiro da Swiss Re na Tempo corrobora a solidez e liderança da companhia no segmento de assistências no mercado brasileiro. A Tempo Assist vem executando uma estratégia diferenciada e ambiciosa para ampliar os seus negócios. Além do foco na qualidade, eficiência e inovação como principais pilares de diferenciação e crescimento junto ao mercado segurador, a Tempo Assist continua a expandir sua atuação, oferecendo seus serviços para montadoras, varejistas e financeiras. O canal direto com o consumidor também será outro guia de crescimento nos próximos anos. A Tempo Assist deve lançar em breve sua estratégia digital para acessar um amplo mercado que hoje não é plenamente atendido.
Gibran Marona, CEO da Tempo Assist, afirmou que “A Tempo Assist tem crescido consistentemente nos últimos anos apoiada pelo bom desempenho de seus clientes, expansão da base de clientes e por desenvolver canais inovadores de distribuição dos serviços de assistências especializadas. A chegada do novo acionista evidencia o forte posicionamento estratégico da Tempo Assist e de seus investimentos em tecnologia que resultaram na ampliação da qualidade dos serviços prestados, maior eficiência em processos e de inovação em serviços”.
Daniel Sterenberg, Managing Director da Carlyle e presidente do Conselho de Administração da Tempo Assist, afirmou que “é um motivo de orgulho que um sócio com a qualidade da Swiss Re compartilhe da nossa visão para o futuro da Tempo Assist e tenha decidido nos apoiar na execução do plano de negócios para os próximos anos, o que deverá consolidar ainda mais os diferenciais competitivos da companhia.”
A Tempo Assist foi assessorado por Rothschild & Co, Goldman Sachs e Cescon Barrieu Flesch & Barreto Advogados, enquanto a Swiss Re foi assessorado no Brasil por Cascione Pulino Boulos Advogados e no exterior por Freshfields Bruckhaus Deringer LLP.

Seguros Unimed apoia seminário da ONA 194

Divulgação

Tema é estratégico para o desenvolvimento sustentável

A Seguros Unimed reuniu, no final de outubro, os palestrantes do 3º Seminário Internacional de Segurança do Paciente e Acreditação em Saúde, da Organização Nacional de Acreditação (ONA). O tema é estratégico para o desenvolvimento sustentável do setor e constitui a base dos produtos desenvolvidos pela seguradora para atender os serviços de saúde – um de seus mercados prioritários.

Como parte da programação, a seguradora convidou o palestrante internacional, Dr. Ezequiel García Elorrio, para abordar os desafios em segurança do paciente na América Latina. O convidado é um dos fundadores e membro do conselho do Instituto de Eficácia Clínica e Política de Saúde na Argentina, onde também lidera o Departamento de Qualidade da Saúde e Segurança do Paciente. A palestra ocorre amanhã (27), das 10h30 às 12h, no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo.

Para o presidente da ONA, Dr. Cláudio José Allgayer, os esforços da entidade, além de promover a acreditação, estão em trazer a segurança do paciente para o centro das discussões junto ao setor. E, mais do que isso, é dar ao indivíduo protagonismo no cuidado com a saúde, atuando essencialmente na prevenção.

“A adoção pelos padrões de qualidade e segurança na saúde vem crescendo no país a cada ano, e o compromisso de levar a medicina de qualidade a todos os cantos do país é algo essencial para a Seguros Unimed”, destaca o superintendente de Informação, Projetos, Inovação e Novos Negócios e vice-presidente da ONA, Fábio Leite Gastal. Ainda segundo ele, almejamos um futuro mais sustentável e nossa atenção está voltada a um novo modelo de atenção à saúde com foco na qualidade dos serviços, na segurança e cuidado do paciente.

Bradesco Seguros segue na lembrança dos brasileiros 240

Casa da Photo

Grupo Segurador, pela 17ª vez consecutiva, é a empresa mais lembrada em “Seguros”

Por 17 anos consecutivos, pesquisa feita pelo conceituado instituto Datafolha com consumidores de diversos municípios do país revela o mesmo resultado: a Bradesco Seguros é a marca mais lembrada quando o assunto é seguros. O Grupo Segurador conquistou, mais um troféu na categoria “Seguros” no prêmio Top of Mind, da Folha de S. Paulo. O evento de reconhecimento contou com a presença do Diretor de Marketing, Alexandre Nogueira, e da Superintendente de Marketing, Ana Claudia Gonzalez.

“Estar presente na memória dos brasileiros como a melhor marca em seguros é motivo que muito nos orgulha. Esse reconhecimento é a prova de que oferecemos soluções completas em seguros para os mais variados públicos, com confiança e solidez, nos momentos em que mais precisam de nós”, afirma Alexandre Nogueira.

Para se chegar a esse resultado, o instituto Datafolha ouviu mais de 6,5 mil pessoas de diferentes idades e classes sociais. Além de “Seguros”, outras 60 categorias de produtos e serviços foram reconhecidas.

ANSP aborda a lei de proteção de dados e os impactos no setor de seguros 346

ANSP

Debate conta com três painéis

A Academia Nacional de Seguros e Previdência realizará, no dia 29 de novembro, mais uma edição do Café com Seguro, que debaterá o tema “A lei de proteção de dados e os impactos no setor de seguros”. O evento, que acontecerá no auditório do Sindseg-SP, tem como objetivo abordar a lei geral da proteção de dados pessoais (Lei n° 13.709/2018) e seus reflexos em toda a cadeia da indústria de seguros.

O debate terá três painéis e contará com a apresentação, composição da mesa e moderação do diretor da ANSP, Rafael Ribeiro do Valle; a abertura do presidente da ANSP, João Marcelo dos Santos.

O primeiro painel abordará a Lei e “compliance”: como se adaptar? Como palestrante, Paulo Eduardo Lilla, Doutor e Mestre em Direito Internacional pela USP, especialista em direito e tecnologia da informação pela Escola Politécnica da USP (PECE/POLI/USP). Possui extensão em direito digital aplicado pela FGV/EDESP, é membro do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP), do Instituto Brasileiro de Estudos sobre Concorrência, Consumo e Comércio Internacional (IBRAC), da Associação Brasileira de Direito da Tecnologia da Informação e das Comunicações (ABDTIC) e da “International Association of Privacy Professionals” (IAPP).

Em seguida serão colocados em debate os aspectos trabalhistas da lei por Alexandre Magalhães, especialista em Direito Empresarial pela Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ). Logo após, Maria Fernanda Hosken Perongini, apresentará os agentes de tratamento na Lei no terceiro painel. A palestrante é mestre em propriedade intelectual e inovação pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), com extensão em proteção de dados (IDP/SP), professora de propriedade intelectual no LLM e de direito empresarial pela FGV e membro da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI),

A coordenação dos Trabalhos é do Ac. Edmur de Almeida, diretor de Fóruns Acadêmicos da ANSP, coordenador das comissões técnicas dos seguros de crédito, garantia e finança locatícia do SINCOR-SP e da FENACOR; e Ac. Voltaire G. Marensi, coordenador da cátedra de Direito do Seguro.

O evento é gratuito, mas as vagas, limitadas. As inscrições podem ser feitas até o dia 26 de novembro pelo e-mail eventos@anspnet.org.br ou pelos telefones (11) 3333-4067 e (11) 3661-4164.