“Mais um ano de espera”, avalia economista do Banco Santander 1629

"Mais um ano de espera", avalia economista do Banco Santander

Luciano Sobral analisou perspectivas, incertezas e oportunidades para a economia no biênio 2019-2020

Sobral participou de café da manhã organizado pela Euler Hermes, em São Paulo
Sobral participou de café da manhã organizado pela Euler Hermes, em São Paulo

Você certamente já ouviu falar sobre a “década perdida”, termo para descrever o período de dificuldade financeira na América Latina da década de 1980. Acontece que estamos vivendo mais uma dessas fases. A pior crise econômica já enfrentada pelo Brasil deve ser superada apenas entre 2022 e 2023, “quando acontecerá a recuperação do índice do Produto Interno Bruto (PIB) Per Capta ao nível em que estavam anteriormente, este índice caiu quase 10% entre 2013 e 2017”, explicou Luciano Sobral. O economista do Banco Santander analisou perspectivas, incertezas e oportunidades para o biênio 2019-2020.

O ajuste fiscal é colocado como principal ponto para fomentar um crescimento mais expressivo da economia. O mercado dá plenos sinais de frustração. “A previsão de crescimento para este ano chegou a ser de 3%, agora caiu para pouco mais de 1%”, reforçou Sobral. O especialista traça este como “mais um ano de espera”. “Em 2018 ainda haviam fatores externos, como a influência da crise na Argentina e até mesmo a greve dos caminhoneiros”, completou.

Um ponto crucial, analisado pelo economista, é de que o “governo se perde em outras discussões e a tramitação da reforma previdenciária não avança”. Ou seja, mais uma vez fica evidenciada a necessidade da urgente aprovação da reforma do Regime Geral de Previdência Social. “As empresas estão aguardando para voltar a investir ou contratar. Se o emprego não cresce a economia patina”, evidenciou ao lembrar que o acesso ao crédito está crescendo. “O que falta é demanda para o crédito, as pessoas não querem se endividar. O nível de endividamento já recuou”, afirmou.

Mas existe uma luz no fim do túnel. “Se tudo der certo vamos crescer de 2,5% a 3% em 2020. É um índice muito relevante considerando a situação do Brasil”, traçou Luciano Sobral ao lembrar que o saldo da balança comercial está caindo. “Os investimentos que são feitos são, em grande parte, as multinacionais injetando dinheiro em suas sucursais. O juros em mínima histórica dificulta a redução do câmbio para algo próximo aos R$ 3. Com menos dólar entrando no País, a projeção é que a moeda passe a R$ 4,30 em 2020”, justificou.

Setores que apresentam maior risco para a economia

Já Felipe Tanus, Risk Director da Euler Hermes, líder mundial em seguro de crédito e especialista em seguro garantia, analisou 19 setores da economia. “Nossas projeções estão em linha com o que apresentou o Luciano Sobral, mas alertamos para o nível sensitivo de alguns setores, como o de construção e o têxtil, como principais riscos setoriais. A ideia é que já se vejam pontos positivos a partir do 4º trimestre. Outros pontos a serem atacados são o baixo nível de governança corporativa e a informalidade. A retomada depende da retomada do emprego e da confiança do consumidor”, avaliou.

O CEO da Euler Hermes no Brasil, Rodrigo Jimenez, também participou do momento. O encontro foi realizado no Octávio Café, nesta quarta-feira, na Zona Oeste da capital paulista.

Rodrigo Jimenez, CEO da Euler Hermes no Brasil, também participou do momento
Rodrigo Jimenez, CEO da Euler Hermes no Brasil, também participou do momento

Questão fiscal impede crescimento maior

Um corte ainda mais profundo na taxa de juros é impossibilitada com a inflação dos alimentos. “Isso deve ficar ainda mais acentuado, de acordo com a dimensão dos problemas com a produção de proteína suína na China. Brasil, Canadá e outros países produtores não possuem capacidade para absorver a demanda do mercado chinês”, exemplificou o economista do Banco Santander.

Outro ponto relevante, na visão de Sobral, trata sobre o desafio fiscal. “O endividamento vai chegar a 81% ou 82% do PIB, mesmo com a reforma. Previdência é a despesa que mais cresce e sobra muito pouco dinheiro para o governo central resolver os problemas do Brasil. A questão da relação entre ativos e inativos no regime previdenciário só tende a piorar”, projetou ao enfatizar que a situação do governo “já foi pior”, em relação a aprovação nas mudanças propostas pelo economista Paulo Guedes, em apreciação no Congresso Nacional.

Na opinião do especialista, a aprovação do tema deve acontecer entre o final de agosto e o começo de setembro. “Considero a agenda econômica correta, baseada na reforma, desestatização e na questão tributária”, finalizou.

Pandemia educou o mercado sobre sustentabilidade 505

A percepção de que a pandemia vai fazer da agenda sustentável “o novo normal” é reforçada por Thomaz Fortes, gestor de fundos da Warren. Para ele, o coronavírus mostrou a importância de estimar impactos ambientais.

Tendência intocada

Até o ano passado, crescia no Brasil uma tendência de direcionar partes maiores das carteiras dos clientes para investimentos que, além do financeiro, prevejam retorno em áreas como educação, meio ambiente e saúde.

O movimento seguia uma onda mais ampla e antiga no exterior, em especial na Europa, onde há dez anos é crescente a relevância dos critérios ESG nas decisões sobre onde investir. Eram US$ 31 trilhões aplicados em sustentabilidade no mundo em 2019, 34% mais que em 2017, uma alta puxada por fundos de pensão japoneses preocupados com as mudanças climáticas, segundo a entidade Global Sustainable Investment Alliance.

Esse fortalecimento da agenda sustentável se manteve no início de 2020. Em janeiro, a BlackRock, a maior gestora do mundo, com US$ 7 trilhões em ativos, informou que as alterações climáticas haviam se tornado o centro da estratégia de investimentos da casa. No mesmo mês, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, subiu o tom no alerta ao governo brasileiro sobre o tema.
Em fevereiro, um estudo da consultoria KPMG, quantificou esse ritmo acelerado. Após entrevistar 135 gestores de grandes fundos em 13 países, que juntos, totalizaram US$ 6,25 trilhões em ativos, a pesquisa previu que já chega a 45% a proporção de investidores institucionais que dizem escolher onde aplicar levando em conta fatores ambientais, sociais e de governança.
O estudo conclui ainda que foram os investidores privados que puxaram a maior parte desse aumento – também porque acreditam mais que o segmento dê retorno financeiro –, mas que governos em todo o mundo também instituíram mais de 500 medidas, nos últimos dois anos, para estimular o ESG.

Por outro lado, o levantamento ressalvava que a falta de dados confiáveis sobre o segmento, a ausência de métricas para quantificar os benefícios não financeiros e uma dificuldade em prever os rendimentos nesse segmento eram obstáculos para um crescimento ainda maior.

E, para 74% dos gestores ouvidos, a principal estratégia para ampliar o ESG ainda era engajar os acionistas das empresas investidas. “Porém”, pontuou o estudo da KPMG, “à exceção de casos pontuais entre clientes de altíssima renda, os investidores finais ainda não têm uma ideia clara do valor que está sendo gerado por suas escolhas em priorizar o sustentável, pois falta detalhamento”.

“Alguns números chamaram nossa atenção”, diz Lino Júnior, sócio-líder de gerenciamento de ativos da KPMG no Brasil. “Por exemplo, 84% dos gestores declaram que a mera maximização de retorno já não é o principal objetivo, e 86% dizem que aceitam retorno mais baixo caso o investimento seja em uma companhia que privilegie a sustentabilidade”.

Em desaceleração, nascimento de empresas cresce 5,8% 516

Dados são do mês de fevereiro

A abertura de novas empresas desacelerou no último mês de fevereiro. Dados do Indicador de Nascimento de Empresas da Serasa Experian mostram que foram registrados 270.221 novos empreendimentos em todo o país em fevereiro deste ano, o que representa uma alta de 5,8% na comparação com o mesmo período do ano passado. Trata-se do crescimento mais baixo desde junho de 2018, quando a alta fora de 5,3%.

Já na comparação com janeiro desde ano, sem ajuste sazonal, o índice apresentou baixa de 15,7%, movimento de retração que se repete em todas as naturezas jurídicas dentro da avaliação mês-a-mês.

Na comparação com o ano passado, todos os segmentos apresentaram altas menos expressivas na abertura de novas empresas. O ramo de serviços é o que mais cresceu em fevereiro, com alta de 8,0%. Em seguida está a indústria, com variação positiva de 1,9%. Já o comércio amargou queda de 2,6% na abertura de novas empresas, a mais acentuada desde junho de 2018, quando chegou a marcar -4,2%.

O economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, avalia que a desaceleração observada neste mês é consequência do efeito-calendário causado pelo Carnaval, pois o feriado resulta em uma menor quantidade de dias úteis.

Rabi ainda avalia que o surgimento de novas negócios está ligado a busca dos brasileiros por novas fontes de renda e por mais segurança financeira. “Os novos microempreendedores individuais seguem ganhando volume no Brasil e a previsão é que esse movimento continue nos próximos meses. Embora o cenário de distanciamento social e paralisação de alguns setores possa se estender, estes fenômenos devem ser um dos influenciadores da alta no setor de serviços, uma vez que as empresas de entrega por exemplo, estão sendo alvo da demanda populacional”, analisa o economista.

MEIs representam a maior parte das novas empresas

A maior parte das companhias abertas em fevereiro de 2020 é representada por Microempreendedores Individuais, que são 78,6%, um total de 212.292 empreendimentos. Ante o mesmo período de 2019 houve variação de 1,4%. Ainda na comparação anual, as Sociedades Limitadas lideram a alta com 42,9%, totalizando 24.121. Quando fazemos a mesma relação com as Empresas Individuais, observa-se baixa de 19,9%, que significam 12.301 novos negócios.

Amazonas ganha destaque no primeiro bimestre do ano

No primeiro bimestre de 2020 em relação ao mesmo período de 2019 o destaque no número de novas companhias fica para a região Norte, com variação de 22,8%. Na sequência está a região Sul (22,3%), Centro-Oeste (17,7%), Sudeste (11,0%) e Nordeste (10,1%). Em análise estadual dentro do mesmo intervalo de tempo, o Amazonas continua liderando com 41,0%. Apenas 15 Estados estão acima da média nacional de 13,9%. Confira:

Lives no Instagram e curso on-line orientam empresários em dificuldades

Para ajudar os pequenos empresários neste momento desafiador para a economia, a Serasa Experian lançou uma série de iniciativas que podem ser conferidas no site. Entre as ações estão lives semanais no Instagram da Serasa Experian (@serasa_experian), que acontecem todas as quintas-feiras, as 18h, com a presença de especialistas da companhia e convidados especiais dando dicas e orientações para os donos de negócios. Entre as principais temáticas, estão capacitação remota de colaboradores, gestão de pessoas à distância, segurança nas vendas e criatividade para vender.

A Serasa Experian também lançou um curso gratuito e on-line que auxilia consumidores a organizar suas finanças pessoais, algo cada vez mais necessário nesses tempos de instabilidade. O conteúdo ensina a elaborar o orçamento doméstico – com dicas de como priorizar pagamentos, dividir ganhos e despesas –, fazer o planejamento e construir uma reserva de emergência e concretizar ambições de curto, médio e longo prazos.

Susep: Mais de 30 mil corretores estão registrados 523

Registro pode ser feito por meio do sistema web, via app android ou iOS

Ao todo, mais de 30.467 corretores já concluíram seu registro no novo sistema da Susep, online e gratuito. A ferramenta foi desenvolvida para automatizar e simplificar esse procedimento para os profissionais do setor que, com o fim da validade da Medida Provisória (MP) 905/2019, voltam a necessitar de registro prévio na autarquia para o exercício da atividade. O registro pode ser feito por meio do sistema web, via app android ou app iOS.

As evoluções promovidas nesta etapa são parte de um conjunto de ações para modernização do mercado que vêm sendo implementadas pela autarquia. Dúvidas sobre o novo sistema podem ser esclarecidas dentro da própria plataforma ou utilizando o e-mail corretores@susep.gov.br.

Artigo: Seguros – Uma evolução lógica 519

“A tela ‘touchscreen’ veio para rapidamente mostrar que é uma assassina impiedosa, tão cruel quanto os celulares”

Os telefones celulares estão sob ataque e seu reinado como principal causa dos acidentes de automóveis pode ter vida curta, muito mais curta do que as demais causas que nas últimas décadas ocuparam o pódio, matando dezenas de milhares de pessoas todos os anos, nas ruas e estradas do Brasil. Não que o celular tenha perdido eficiência ou que ele não faça sua parte cada vez com mais competência. A culpa não é dele, ao contrário, ele se esforça diariamente e com bastante sucesso.

Acontece que o ser humano é cruel e, da mesma forma com que introduziu o celular no mundo dos motoristas, agora acaba de introduzir um equipamento fascinante e tão mortal quanto os telefones de bolso. A tela “touchscreen” veio para rapidamente mostrar que é uma assassina impiedosa, tão cruel quanto os celulares, e que já é responsável por dezenas de milhares de acidentes, com centenas de mortos e feridos espalhados pelo mundo.

O fenômeno não é nacional, ao contrário, nós ainda estamos no começo da caminhada, até porque a maior parte dos veículos brasileiros só agora vai sendo equipado com elas. Não quer dizer que não temos potencial para galgar a rampa do sucesso com enorme rapidez. O mau, o feio e o ruim entram na vida nacional sem maiores barreiras e causam danos irreparáveis muito mais depressa do que imaginam.

Com certeza, um número crescente de acidentes, com e sem vítimas, acontece porque os veículos causadores estão equipados com telas “touchscreen” que, no milésimo de segundo anterior ao evento, estavam sendo tocadas pelos dedos do motorista, em busca de algum serviço de fácil acesso que, embora extremamente rápido, é lento o bastante para distrair o cidadão e levá-lo a causar a batida ou o atropelamento.

Estudos internacionais já detectam o fenômeno e as seguradoras fora do Brasil começam a tomar as medidas necessárias para neutralizar a ameaça, através do aumento do preço do seguro de veículos e de medidas pontuais para minimizar ou desincentivar a prática. Ninguém discute, as telas inteligentes, acionadas por um único toque de dedo, são maravilhosas e representam um avanço fenomenal na vida dos motoristas. Mas elas são também um problema.

Só que, neste momento, apesar do seu potencial de danos, outras estatísticas mostram que existem perigos mais graves do que a capacidade das telas “touchscreen” darem ensejo a milhares de acidentes de trânsito.

Com a decretação do isolamento social, milhares de pessoas pararam de sair de casa e seus veículos estão imóveis, estacionados nas garagens há mais de um mês.

O resultado é que, com a diminuição do número de veículos nas ruas, houve também a redução acentuada dos acidentes e consequentemente a queda do número de mortes causadas pelo trânsito na cidade de São Paulo.

Seria uma notícia para ser comemorada se não houvesse o outro lado da moeda e esse lado é trágico. Se, de um lado, aconteceu a queda absoluta do número de mortes causadas pelo trânsito, de outro, houve o aumento do número de mortes de motociclistas e ciclistas nas ruas da cidade.

É a consequência lógica da realidade das ruas vazias por conta da pandemia. Com as ruas sem movimento e com os “deliverys” se tornando a forma de entrega das encomendas feitas pelos que estão confinados em casa, os entregadores dessas mercadorias se sentiram donos das ruas e, daí pra frente, a quantidade de imprudências e sandices que podem ser observadas em qualquer canto da cidade, em primeiro lugar, assustam e, em segundo, levantam uma pergunta assustadora – por que o número de mortos não é ainda maior?

Mão, contramão, lado direito e esquerdo, ultrapassar pela faixa que divide as pistas, estacionar no meio da rua e o mais que se imaginar se tornou rotina, da mesma forma que um bom número de motoristas de automóveis não está nem aí para o que é certo ou errado. Na sua visão, a rua vazia é dele. E isso liberou a possibilidade de se fazer tudo, quanto mais errado ou proibido melhor.

Neste cenário, o aumento das mortes de motociclistas e ciclistas é a consequência lógica do que vai pelas ruas. E pode piorar.

 

*Por: Antonio Penteado Mendonça

Susep publica Circular sobre guarda de documentos 541

Segundo a autarquia, a medida possibilitará uma redução de custos nos processos de armazenagem

A Susep publicou a Circular 605/2020, que estipula o prazo para guarda de documentos, além de dispor sobre o armazenamento de documentos das operações de seguro. Segundo a autarquia, a medida possibilitará uma redução de custos nos processos de armazenagem e manutenção de documentos gerados nas operações realizadas pelas entidades sob sua supervisão. Apesar de ter sido publicado hoje (29/05), o documento entrará em vigor somente no dia 1º de julho.

De acordo com a Circular, o prazo de guarda desses documentos, que é de até 20 anos, conforme a regulamentação vigente, será reduzido para cinco anos para todos os setores supervisionados pela Susep.

“Para os estipulantes e intermediários, entre eles os corretores de seguro, é exigida a guarda apenas dos documentos determinados expressamente pela legislação ou pela regulamentação. Ainda, com o objetivo de evitar duplicidade desnecessária, os intermediários e estipulantes ficam dispensados da guarda daqueles documentos já armazenados pelas demais entidades supervisionadas”, diz o documento.

A digitalização de documentos, conforme os requisitos técnicos definidos em legislação, também consta na Circular. “Com a edição desse normativo, os documentos originais físicos mantidos pelas entidades poderão ser digitalizados e, na sequência, descartados, reduzindo-se o custo de armazenamento”.

Confira a Circular nº 605/2020.