Parcerias digitais são capazes de atuar como consultoras para seguradoras em expansão 710

Rossana Costa é diretora da GEO / Divulgação

Confira artigo de Rossana Costa, diretora da GEO

O dicionário Houaiss define o consultor como aquele que “tem a função de aconselhar, emitir parecer técnico sobre determinado assunto de sua especialidade e/ou sugerir soluções”. Apesar dos enormes avanços tecnológicos em automação e inteligência artificial no setor de seguros, o trabalho de consultoria técnica do meio digital aparece entre as prioridades de corretores, seguradoras e da indústria como um todo.

Se antigamente o pensamento vigente era o de desenvolver todos os processos necessários de forma interna, com a atual expansão de mercados securitários essa obrigação ganhou mais complexidade em um mundo cada vez mais imediato e com exigência pela inovação. Nesse sentido, o suporte externo de empresas que oferecem soluções de rápida integração com a estrutura das grandes corporações virou um dos novos pilares da transformação digital.

No mercado de seguros, parte desta transformação veio das chamadas insurtechs, empresas de tecnologia que se propõem a resolver desafios do mercado de seguros com desenvolvimento ágil, geralmente com soluções digitais e baseadas em big data. Por conta destas características, tornou-se comum que seguradores busquem aliar-se a essas empresas para terceirizar ou incorporar serviços que, de outra forma, levariam meses e  dezenas de milhões de reais para serem implementados por conta própria. Até alguns anos atrás, muitas dessas seguradoras ainda apostavam a maior parte das suas fichas simplesmente na força de suas marcas, o que se provou ineficiente diante da explosão do mercado de startups.

A medida que esse tipo de parceria se consolida, é normal que as seguradoras cobrem mais inteligência de negócio e visão estratégica de longo prazo. Assim, o que poderia ser visto apenas como um suporte tecnológico pontual, hoje é encarado como um suporte especializado. Por isso, é importante que as insurtechs entendam também os gargalos nas áreas de legislação e regulação, estudem a demanda da área de atuação e analisem projeções futuras, que são algumas das medidas que qualificam o produto no momento de ser ofertado ao mercado. Infelizmente, não é sempre esse o caso.

Nesse sentido, algumas plataformas passaram a aliar experiência no mercado de seguros com a capacidade tecnológica de big data e análise de dados para entregar insights às seguradoras, e não limitar-se a processamento e entrega de grandes quantidades de dados estruturados. Assim, a visão estratégica compartilhada resulta também em dividendos para ambas as partes, seja para as apólices que já fazem parte do portfólio atual das seguradoras ou para novas adições.

Com esse arcabouço de qualidades desenvolvidas, esses parceiros também ganham destaque no mercado segurador como agentes de impulsionamento na contratação de seguros. Considerando que o Brasil faz parte das dez maiores economias globais, ocupar a 12ª posição no ranking de seguros e apenas a 45ª em arrecadação per capita em seguros demonstra o potencial que o segmento pode atingir nos próximos anos.

Analisando dessa forma, fica claro a necessidade das seguradoras por uma consultoria estratégica em um cenário que elas são desafiadas a investir em todos os segmentos securitários com o mesmo know-how e estrutura, enquanto convivem com demandas mais complexas de infraestrutura tecnológica e de relacionamento com parceiros e clientes. Esse tipo de solução também atrai os corretores de seguros, que teriam à disposição uma ferramenta que permite a entrada em novos segmentos sem ter que passar por um período extenso de especificação, que já teria sido feito pela empresa desenvolvedora e oferecida de forma didática.

Essa é uma estrutura em que todos podem se beneficiar ao expandir suas áreas de atuação e, assim, aumentar a contratação de ofertas de seguros. Seguros para a construção civil e o setor imobiliário, assim como seguros para a oferta de crédito com garantia de imóvel são alguns dos exemplos que podem se beneficiar ao ganhar mais visibilidade já que muitas vezes suas ofertas se concentram nas mãos de poucos players. Um cenário de baixa concorrência que tradicionalmente não estimula inovações como processos 100% digitais e com taxas mais baixas.

Por unanimidade, Altevir Prado é eleito presidente do Sindseg PR/MS 1503

Nova diretoria assume a partir do dia 15 de fevereiro

O Sindicato das Seguradoras do Paraná e do Mato Grosso do Sul (Sindseg PR/MS) elegeu sua nova diretoria durante a terça-feira, 14. Por unanimidade, o superintende da Bradesco Seguros na Região Sul Altevir Prado foi eleito presidente da entidade, em conjunto com a diretoria, que conta com Gustavo Henrich, vice-presidente da Junto Seguros, como vice-presidente.

A nova diretoria toma posse a partir do dia 15 de fevereiro. SindSeg PR/MS

Altevir Prado possui Mestrado em Economia pela Unisinos e Doutorado em Economia do Desenvolvimento pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com parte do seu doutorado realizado na Espanha, assumiu a Regional Sul da Bradesco Seguros em 2019. “É um sentimento de felicidade e ao mesmo tempo de um enorme compromisso que a gente passa a assumir, oficialmente, a partir de agora. Eu acho que é preciso lembrar que o Sindseg Paraná/Mato Grosso do Sul é uma das instituições mais antigas do país, praticamente centenária, e um dos sindicatos de maior representatividade e de maior respeito em todo país”, destacou ao JRS o novo presidente.

Ele e a diretoria eleita tem à frente o desafio de suceder a equipe que tinha como presidente João Gilberto Possiede, que soma mais de 70 anos de mercado segurador. “A sucessão no Paraná talvez seja uma das mais emblemáticas do país porque estamos continuando o trabalho de João Gilberto Possiede, que é uma lenda no mercado de seguros brasileiro, talvez como Miguel Junqueira foi no Rio Grande do Sul”, lembrou. “Substituí-lo é uma responsabilidade gigantesca. Então tem essa parte emblemática de não ser só uma eleição ou uma sucessão simples, mas, sim, uma sucessão emblemática que marca o encerramento de um ciclo para a abertura de um novo tempo na entidade”, acrescentou.

Prado ainda contou com exclusividade ao JRS que a diretoria eleita, sob seu comando, caminhará sob quatro eixos: ações coletivas e democráticas, respeito à cultura e tradições da instituição, a modernização do Sindseg PR/MS e promoção do protagonismo da entidade. “Estamos prestes a comemorar os cem anos e uma das principais missões, dentro desses quatro eixos, é preparar o Sindicato para os próximos cem anos. Ou seja, construir as bases ao comemorar o centenário e prepará-lo para as próximas gerações, o que é um desafio muito grande”, concluiu.

A trajetória completa do presidente da entidade foi destaque na edição 231 da Revista JRS. Leia em A fantástica trajetória de Altevir Prado.

Diretoria Sindseg PR/MS 2020/2022

Presidente: Altevir Dias do Prado Bradesco Seguros
Vice-Presidente: Gustavo Henrich Junto Seguros
Diretor Financeiro: Moacir Abba de Souza HDI
Diretor 2º Financeiro: Leandro Ariel Poretti Sancor
Diretor Secretário: João Maria Francisco Centauro On

Conselho Fiscal
Conselheiro Efetivo: Vanderlei Scarpanti Mapfre Seguros
Conselheiro Efetivo: Wilson Bessa Pereira AIG
Conselheiro Efetivo: Ulisses Ferreira Caldeira Sompo
Conselheiro Suplente: Luciano Ambrosini Allianz
Conselheiro Suplente: Luciana Maria de Almeida Gomes Porto Seguro
Conselheiro Suplente: Luciana Alves Sobreda Zago Tokio Marine

Conselho de Representantes junto à Fenaseg
Membro efetivo: Altevir Dias do Prado Bradesco Seguros
Membro suplente: Gustavo Henrich Junto Seguros

Análise de dados pode desenvolver o mercado de seguros médicos e salvar vidas 584

Uma boa gestão da jornada do beneficiário pode ser aliada da medicina preventiva

A área da saúde começa a se adaptar com as novas demandas da transformação digital e passa a utilizar dados a fim de trabalhar de forma preventiva, tratando de fato a saúde dos beneficiários, e não a doença. A tecnologia de análise de grandes volumes de dados já vem mostrando resultados em grandes prestadores de saúde e seguradoras.

Por exemplo, um plano de saúde pode mensurar todas as idas de um paciente a um pronto socorro. Se a análise de dados é bem feita, essa ida recorrente ao PS pode disparar um alerta para um médico especialista analisar o caso e também um alerta para o paciente, a fim de agendar um atendimento de emergência com esse médico especialista. Após receber o atendimento personalizado, o paciente recebe o diagnóstico de uma doença crítica, mas que por estar em estágio inicial pode receber um tratamento adequado e eficiente.

Essa história é um caso real e mostra como o uso de dados de forma proativa e a boa gestão da jornada do beneficiário podem, além de salvar vidas, reduzir custos de tratamentos e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. O aumento da expectativa de vida do brasileiro, que chegou a 76,3 anos em 2019, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que, cada vez mais, as pessoas estão preocupadas com prevenção e promoção da saúde.

Para que os planos de saúde consigam gerenciar o relacionamento com seu beneficiário de forma personalizada e em escala, é necessário utilizar a tecnologia, e, principalmente, a análise de dados. Apenas dessa forma é possível fazer a gestão da jornada do paciente de forma completa, desde a central de relacionamento, até o atendimento clínico.

Seguradoras e hospitais podem otimizar serviços e melhorar a experiência de seus clientes e pacientes com a utilização de plataformas de dados acionáveis. “Percebemos que a área da saúde tem muitas oportunidades para a análise de dados, isso porque muitos dos dados já são registrados e armazenados, mas ainda não são utilizados de forma assertiva a fim de gerar ações preventivas nos beneficiários. É preciso começar a utilizar os dados de forma acionável”, explica Mateus Pestana, CEO e cofundador da SenseData.

Prevenção de eventos clínicos críticos a partir da análise de dados

No caso descrito acima pode-se perceber que a análise de dados e a tomada de ação é muito benéfica para o paciente, que pode receber um diagnóstico adequado e seguir com o tratamento correto. Mas, esse investimento em centralização e análise de dados também é muito vantajoso para os planos de saúde, convênios e seguradoras, sempre respeitando a regulamentação e a anuência do cliente, é claro

No caso descrito, a ação proativa do plano de saúde reduziu as custosas idas do paciente ao Pronto Socorro. Além disso, ao identificar a doença ainda em estágio inicial, foi possível evitar outros gastos com internações ou cirurgias. Isso prova que o investimento em tecnologia e análise de dados é uma forma de reduzir custos e aumentar a qualidade de vida e experiência dos beneficiários.

“Anjo” é sucesso em solicitações de convites para uso do App em seu primeiro dia de lançamento 3038

App Anjo: Corretores podem vender seguro de vida sem burocracia

Ferramenta foi desenvolvida pelo Grupo Caburé e tem como seguradora a Zurich

O Anjo, aplicativo desenvolvido pelo Grupo Caburé para venda de seguro de vida, tendo a Zurich como seguradora, alcançou grande sucesso de solicitações de convites para o seu uso no primeiro dia de lançamento que ocorreu na última sexta-feira, 13.

O App Anjo foi criado para ser utilizado por Corretores e Agenciadores de Seguros e será uma ferramenta que poderá revolucionar a forma de vender seguro de vida no Brasil. Inicialmente, estará sendo disponibilizado através de convites para os interessados.

Corretores e Agenciadores de Seguros que quiserem receber convites para uso do Anjo, podem baixar o App e cadastrar-se através dele mesmo. Venha ser um Anjo!

Guilherme Bini eleito presidente do SindSeg RS 1957

Nova diretoria assume a partir do dia 15 de fevereiro

Guacir Bueno (à direita) entregará presidência da entidade a Guilherme Bini (à esquerda) no dia 15 de fevereiro. Filipe Tedesco/JRS

O Sindicato das Seguradoras do Rio Grande do Sul (SindSeg RS) escolheu nesta terça-feira, 14, seu próximo presidente. A partir do dia 15 de fevereiro, o paranaense Guilherme Bini substituirá Guacir Bueno nos próximos dois anos. Alberto Muller, diretor da Sompo, e Rubens Oliboni, diretor da HDI, assumirão as vice-presidências. Bueno foi presidente do SindSeg RS nos últimos quatro anos, tendo se reelegido em 2018. A definição do novo presidente é feita a partir de uma votação com participação de representantes das empresas associadas ao Sindicato.

Guilherme Bini possui 23 anos de experiência de mercado. Ele iniciou sua carreira como digitador e movimentador de apólices de vida, passou pelas áreas de sinistro e atendimento de corretores e foi assessor comercial na Mapfre. Ocupou o cargo de Gerente Especialista de Vida e Previdência, cuidou da sucursal da companhia em Curitiba nos últimos seis anos e há três meses assumiu a diretoria territorial da Mapfre no Rio Grande do Sul e no sul de Santa Catarina. O JRS conversou com Bueno e Bini sobre o período de transição, balanços e perspectivas para o futuro.

Ao relembrar o último ano, Guacir Bueno enfatizou que “nossa mensagem é relembrar que conseguimos fazer um 2019 com a resiliência, a força e o comprometimento peculiar ao setor de seguros brasileiro. Saímos com um resultado muito acima da inflação apresentada no país, então considero que estamos novamente de parabéns porque isso é fruto do nosso trabalho e do comprometimento de todos nossos players. Entregamos ao povo do Brasil produtos e serviços de qualidade e avançamos na difusão e na abrangência que tanto almejamos, para que possamos beneficiar a todos os nossos conterrâneos com o consumo do nosso trabalho, do nosso serviço, dos nossos produtos”.

Rubens Oliboni, junto com Alberto Muller, assumem a vice-presidência.

Ambos frisaram a importância do trabalho em equipe e da cooperação.  “Nós estamos aqui manifestando o nosso agradecimento muito efusivo aos nossos pares, aos diretores do nosso sindicato, das seguradoras do Rio Grande do Sul pelo trabalho ao qual nos dedicamos no ano de 2019”, destacou Bueno. “Estou contando muito com o apoio do presidente Guacir nessa transição e nós entendemos que o sindicato não é algo de uma pessoa, é de uma equipe e de um time. E para isso nós compusemos uma chapa forte, com antigos diretores e conselheiros que vão me auxiliar muito nessa empreitada. O presidente Guacir se colocou a total disposição nessa transição para que seja a mais suave e cômoda possível. E nós vamos continuar trabalhando junto ao mercado de seguros para o desenvolvimento da classe, pensamos muito nas oportunidades para 2020 e como o sindicato vai auxiliar o Mercado, as seguradoras e até mesmo os corretores de seguros nesse desenvolvimento e também nas ações sociais onde o sindicato se envolve, aumentando também a nossa participação e a divulgação do mercado de seguros como um todo” frisou Bini.

O novo presidente enfrentará, segundo ele mesmo, grandes desafios frente à empresa e segundo à frente do Sindicato. Mas conta novamente com a parceria como motor principal do seu trabalho. “A equipe vai me ajudar muito, a composição da agenda de todos nossos compromissos já está muito bem estruturada. A própria diretoria vai me ajudar nesse caminho, mas eu conto muito com a equipe do sindicato nas organizações, no planejamento. Não posso fazer nada sozinho e eles serão muito importantes nesse momento” comentou.

Guilherme Bini desembarcou há três meses em solo gaúcho, rodou o estado visitando as sucursais da Mapfre e sente-se bem recebido aqui. “Eu aprendi um pouquinho sobre o que é ser bairrista e eu acredito que o Rio Grande do Sul tem muito disso, de gostar do que é daqui. Por que gostar do que é daqui? Porque faz muito sentido, o Rio Grande por muito tempo foi deixado de lado pelo Governo e algumas empresas locais abraçaram o Estado. E hoje eu vejo que o bairrismo é você comprar, ir ao mercado, prestigiar quem é da região” pontuou.

Bueno e Bini frisam a importância da equipe do Sindicato.

Ele define-se enquanto “uma pessoa que se preocupa com pessoas, alguém muito ligado a esse mercado e quer divulgar cada vez mais o seguro, a importância e o nosso papel para a sociedade mostrando o que a seguradora pode fazer para a sociedade no caso de uma catástrofe ou dos imprevistos que temos todos os dias”. Já Bueno, ao refletir sobre seus anos de contribuição ao Sindicato despede-se com “um enorme agradecimento aos colaboradores do nosso sindicato, pessoas que se dedicam desde muito tempo para que possamos fazer um belo trabalho. E meu agradecimento muito forte aos meus pares que trabalharam e se dedicaram para que pudéssemos assim cumprir nossa missão da melhor forma possível. Aos meus antecessores nessa diretoria meu forte abraço, meu agradecimento pelas suas vivências e pelas suas transmissões de conhecimento que a mim puderam auxiliar no desempenho da função. Que todos nós do setor de seguros do Brasil, que tem efetivamente um trabalho muito profícuo na nossa seara tenhamos um 2020 bastante produtivo e que nós possamos transmitir aos brasileiros muitas boas coisas, oferecendo segurança numa hora de sinistro. Quando há uma fragilidade familiar ou pessoal, que possamos estar com a nossa mão estendida para minimizar os problemas decorrentes dessas infelicidades. Um grande abraço a todos”.

Austrália: incêndios alertam seguradoras para os riscos da crise climática 460

Perdas globais do setor com eventos naturais somam 225 bilhões de dólares em dois anos e atingem um patamar recorde

Os incêndios que se alastram pela Austrália, desde setembro, devem gerar bilhões de dólares em prejuízos para o país. O fogo já atingiu cerca de 8 milhões de hectares, uma área equivalente a quase duas vezes o Estado do Rio de Janeiro.

A expectativa é de que os efeitos da tragédia provoquem uma redução entre 0,25% e 1% no PIB do país, o que, no pior cenário, significaria perdas de 20 bilhões de dólares. A conta, como explica o economista Shane Oliver, da consultoria de investimentos AMP Capital, leva em consideração não somente os custos de reconstrução, mas também a queda na atividade econômica de setores importantes, como agricultura e turismo. O prejuízo total só será conhecido no segundo semestre, quando será possível medir os efeitos das rupturas nos negócios.

Ao menos um setor, no entanto, já começa a contabilizar as perdas: o de seguros. Até o início desta semana, mais de 8.500 sinistros relacionados ao fogo haviam sido registrados, totalizando cerca de 700 milhões de dólares em indenizações, segundo dados do Insurance Council of Australia (ICA), entidade que representa as seguradoras australianas. Pelo menos 1.800 residências foram destruídas e a conta deve aumentar nos próximos meses.

Segundo o ICA, dentro da área impactada pelo fogo, perto de 95% das construções têm algum seguro, o que se traduz em 25.000 apólices. Desse total, 16.000 contratos incluem proteção adicional aos bens móveis dos segurados.Na terça-feira, dia 7, Rob Whelan, CEO do ICA, e Josh Frydenberg, tesoureiro da Austrália (ministro responsável pelas despesas e receitas do governo), se reuniram para discutir sobre a atuação da indústria de seguros em meio à crise.

No dia seguinte, o governo australiano anunciou a criação de um fundo de 2 bilhões de dólares para financiar os esforços de reconstrução, medida que foi louvada pelas seguradoras.A recente crise australiana é mais um desastre natural que se soma à enorme lista de eventos climáticos que trouxeram prejuízos para as seguradoras, nos últimos anos.

Dados reunidos pela resseguradora Munich RE mostram que o número de catástrofes naturais disparou nas últimas décadas. Em 1980, foram registrados 249 eventos relevantes, entre terremotos, chuvas, furacões, secas etc. No ano passado, o número mais do que triplicou, chegando a 848. As seguradoras perderam 225 bilhões de dólares com eventos climáticos entre 2017 e 2018, período de maior prejuízo para o setor em 40 anos.

Por trás da intensificação dos eventos extremos estão as mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada à ONU, no período entre 2010 e 2019, a temperatura global subiu 1,1°C em comparação aos níveis pré-industriais. Os dados apontam que esta será a década mais quente da história. A concentração de dióxido de carbono na atmosfera atingiu o volume recorde de 407,8 milhões de partes por milhão (ppm). “No dia a dia, os impactos das mudanças climáticas podem ser percebidos pelos eventos climáticos extremos e anormais”, afirmou Petteri Taalas, secretário-geral da OMM.

“Grandes ondas de calor e enchentes, que costumavam ocorrer uma vez a cada século, estão se tornando recorrentes.”Até o momento, o setor de seguros foi capaz de absorver essas perdas sem muitos sobressaltos. Mas, o aumento constante e a imprevisibilidade dos eventos extremos causam desconforto. “Essa incerteza dificulta os cálculos e pode elevar o custo do seguro”, afirma Marjorie Leite, especialista de riscos ambientais da Willis Towers Watson, uma das três maiores corretoras de seguros do mundo, com sede na Irlanda.

“Os eventos climáticos também geram danos colaterais, como perda de produtividade e riscos de imagem, que, em grande parte, são segurados.”O cenário preocupa os reguladores. Uma pesquisa feita pela consultoria Deloitte, divulgada no ano passado, mostra que 19 dos 27 órgãos reguladores estatais americanos preveem um aumento da exposição das seguradoras a riscos climáticos.

No ano passado, o Banco da Inglaterra (BoE) iniciou um programa de testes de estresse com seguradoras, cujo objetivo é calcular o impacto no setor caso o mundo não atinja a meta de conter o aquecimento global em 2°C, definida pelo Acordo de Paris. A instituição irá usar três cenários, com o mais severo prevendo uma elevação de 4°C, até 2080. Os resultados serão divulgados apenas em 2021.

Segundo Mark Carney, presidente do BoE, as mudanças climáticas devem afetar o valor de todos os ativos financeiros. “Esse teste nos ajuda a garantir a resiliência do sistema a essas mudanças”, afirmou Carney, ao jornal Financial Times. Um colapso na indústria de seguros pode ser o gatilho para uma nova crise financeira global.