Copom deve fazer novo corte na taxa de juros no início de 2020 1043

Copom deve fazer novo corte na taxa de juros no início de 2020

Confira análise do economista-chefe da Porto Seguro Investimentos, José Pena

O Banco Central (BC) inicia hoje (10), a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2019 e a nossa expectativa é de uma redução de 0,55 ponto percentual na taxa. As atenções estão concentradas na sinalização de que o Copom poderá dar sobre seus próximos passos. O Banco central deve deixar a porta aberta para uma eventual última redução na reunião de fev/2020, que então levaria a Selic para 4,25%.

Embora o IPCA esteja surpreendendo nestes últimos meses de 2019, essa alta está concentrada em poucos itens (carnes, energia elétrica e jogos de azar), que não refletem uma excessiva pressão de demanda interna, o que se fosse o caso, justificaria uma postura mais cautelosa do Copom. Os núcleos de inflação seguem em patamares bastante confortáveis (próximos do piso do intervalo que contém a meta de inflação, considerando os 12 meses terminados em novembro).

Além disso, as expectativas, apuradas pelo levantamento Focus, seguem ancoradas. Na verdade, as projeções para 2020 seguem abaixo (3,60%) do centro da meta (4,00%) para o próximo ano. Diante de todos esses fatores, me parece justificável e recomendável que o Copom mantenha amplo grau de liberdade para decidir em fevereiro sobre a Selic, evitando se comprometer desde já com um movimento que deve ocorrer em quase 2 meses.

Os juros para os tomadores de crédito seguem caindo lentamente e por isso há espaço para quedas adicionais nas diversas linhas de crédito mesmo que o Copom eventualmente sinalize o encerramento do atual ciclo monetário a partir da reunião desta semana.

7 dicas fundamentais para manter a produtividade no home office 775

“Ainda que a tecnologia já proporcione vários recursos para que as pessoas continuem seu trabalho, mesmo em isolamento social, é necessário adaptar-se rapidamente a essa nova realidade”

De repente, o que era algo a se pensar virou uma emergência. A Covid-19 trouxe vários desafios para o mundo, muitas empresas precisaram abrir mão do tradicional modus operandi e agora enfrentam uma grande responsabilidade: preservar genuinamente a saúde das pessoas e dos negócios.

Ainda que a tecnologia já proporcione (ainda bem!) vários recursos para que as pessoas continuem seu trabalho, mesmo em isolamento social, é necessário adaptar-se rapidamente a essa nova realidade. Afinal, comprometer-se a manter de fato a operação e os negócios funcionando é preservar empregos e nossa própria qualidade de vida.
Se o home office o pegou de surpresa, deixo aqui sete dicas para que ele funcione da melhor maneira possível:

1 – Ache um lugar confortável: Nem todos terão o espaço adequado para trabalhar de casa, mas em uma emergência é necessário improvisar. Uma mesa de altura adequada, uma cadeira em que se sinta confortável. Faça desse local seu escritório. E, se mora com a família, peça que respeitem esse local como seu escritório nos próximos dias.

2 – Faça acordos com familiares: Informe a eles seus horários de trabalho e suas pausas, explique a delicada situação que estamos vivendo e peça respeito ao seu escritório temporário. Se você faz pausas para um cafezinho na empresa, faça o mesmo em casa, mas volte logo à rotina de trabalho para não se distrair em conversas ou problemas familiares que possam tirar seu foco. Se você tem crianças em casa, melhor escolher um cômodo reservado para trabalhar – não se espante se elas não entenderem a situação.

3 – Teste seus recursos de tecnologia: Podemos ficar uma semana em casa, 15 dias, talvez um mês, o que queremos é que esses dias de isolamento social passem voando. Verifique se o laptop da empresa está devidamente configurado, sua conexão à internet e se recursos como VPN, chats, e-mails estão funcionando com excelência. Se tiver problemas contate logo o help desk de sua empresa – tempo é dinheiro, e esses problemas tecnológicos costumam nos tomar um tempo razoável.

4 – Mantenha sua rotina diária de trabalho: Comece a trabalhar no horário de sempre, vista-se de forma adequada caso alguém queira vê-lo pela webcam. Aliás, acorde com tempo suficiente para começar a trabalhar com o ânimo de sempre, como seus colegas estão acostumados. Você pode até pensar que não, mas a depender de seu tom de voz, vão pensar que você está trabalhando em “slow motion”. Preserve sua imagem, mesmo virtualmente.

5 – Mantenha-se conectado com sua equipe: Será que sairemos desta fase especialistas em encontros virtuais? Gostemos ou não da experiência, o fato é que não podemos perder nossas conexões. Continue questionando e se envolvendo nas decisões. Está tudo muito parado? Faça você o movimento, envie um e-mail, uma mensagem indagando por que está tudo tão calado. Continue sorrindo, pois, mesmo do outro lado da tela, precisamos mais do que nunca contar uns com os outros.

6 – Faça coisas de sua rotina anterior: Tanta notícia ruim, o caos lá fora, isso pode gerar em você um estado de tristeza e até desencadear quadros depressivos – o que não ajuda nada com a produtividade. O que é possível fazer da rotina que você tinha? Ouvir as músicas de que você gosta quando estava indo para o trabalho? Estudar inglês na hora do almoço? Olhar as redes sociais no fim da tarde? Não deixe que a rotina de trabalho emende com a rotina familiar. Continue fazendo o máximo de coisas possível que te deem prazer.

7 – Faça novas coisas: Se queria começar um curso on-line, agora talvez com a economia de tempo no trânsito você tenha finalmente espaço na agenda. Quem sabe não seja a hora de saber mais sobre Mindfulness por exemplo, a prática que o ensina a manter o cérebro no aqui e agora, evitando ansiedade e stress – aliás, você pode começar pelo podcast “autoconsciente” da Regina Giannetti, uma profissional incrível que ensinou aos gestores da Husqvarna práticas de Mindfulness muito importantes. Aproveite para conhecer coisas novas, que talvez permaneçam para sempre depois que essa fase passar.

Se não era esse o home office que você queria, entenda que você está começando no meio de uma situação de emergência. Siga todas as instruções de saúde e segurança, pois seu desafio agora é um pouco mais complicado – manter você e os outros seguros e saudáveis e continuar fazendo com que a empresa funcione da melhor maneira possível, porque afinal, as empresas são as pessoas.

Um abraço virtual!

*Por Fábio Bier, gerente de RH para América Latina da Husqvarna

Economia em quarentena. Qual será o impacto da pandemia de coronavírus? 792

Economistas da Allianz fazem uma verificação do que está acontecendo no atual período

Ricos e pobres, jovens e idosos, o coronavírus está afetando a todos nós, independentemente de etnia, nacionalidade ou status social – embora em graus variados.

A economia mundial também pegou a gripe. À medida que governos em todo o mundo entram em lockdown para impedir a expansão do Covid-19, os motores do crescimento econômico estão se encaminhando a uma paralisação. Por algum tempo, de qualquer maneira.

É óbvio que as consequências da pandemia irão além da crise da saúde. O mercado de capitais já caiu. Autoridades governamentais e monetárias da Europa até a Austrália se modificaram para apoiar suas economias nestes tempos difíceis. Vários pacotes de estímulo foram lançados. Mais deles são esperados à medida que o cenário avança.

O que tudo isso significa para a economia global? Não é possível ter certeza, dependendo muito de como o vírus se comporta nas próximas semanas e de quanto tempo ele ainda seguirá. No entanto, com base nas circunstâncias atuais, alguns desafios podem ser esperados – altas perdas de exportação, uma iminente “crise de reclusão” e, no pior caso, uma recessão global, segundo economistas da Allianz.

Nuvens iminentes

Da Itália aos EUA e à Índia, os países reprimiram o movimento de pessoas e a maioria dos bens para impedir a propagação do Covid-19.

Para estudar o possível impacto dos lockdowns, os economistas da Allianz revisaram os dados de janeiro a fevereiro da China, que foram os primeiros a serem afetados pelo patógeno. Os dados mostraram que um mês de confinamento provocou um declínio de 13% nos gastos dos consumidores, uma queda de 20% nos investimentos e baixa de 16% nas exportações.

Isso sugere que cada mês de lockdown poderia causar uma queda de 7 a 10% no Produto Interno Bruto (PIB), que é o produto econômico ajustado pela inflação. Supondo que o lockdown tenha terminado no final de abril e a atividade normal seja retomada no final de junho – metade das perdas mensais são restauradas em maio e 80-90 por cento em junho – a cifra poderia ser alcançada no segundo trimestre.

Se os governos conseguirem controlar o contágio, a atividade econômica poderá se recuperar no segundo semestre. Nesse cenário de recuperação em forma de U, onde os níveis normais são restaurados logo após uma queda, uma recessão grave caracterizaria a primeira metade de 2020. O crescimento global pode ser de 0,8% no ano, com os EUA crescendo 0,5%, mas a Zona Euro estão enxergando uma contração de 1,8% em sua produção econômica.

Lembre-se de que 2020 tem mais agitadores de mercado pela frente – as próximas eleições nos EUA, a sequência do Brexit e uma complexa mistura de altos impostos e alta inflação, à medida que o setor público tenta recuperar sua força financeira após uma série de medidas de estímulo.

Pior cenário

Embora improvável, não é impossível que a saga do Covid-19 se prolongue pelo próximo ano ou mais. As fronteiras permanecem próximas e os países são forçados a entrar e sair dos lockdowns por um longo período.

Se esses medos se tornarem realidade, a recuperação seria em forma de L, o que significa que a economia levará muito tempo para retornar ao seu crescimento pré-coronavírus. Então, o PIB da zona do euro poderá contrair acentuadamente 4% ou mais.

Pessimismo refletido no PMI

O pessimismo prevalecente no mundo dos negócios se reflete no Índice dos Gerentes de Compras (PMI), um indicador que aponta o quanto os gerentes da cadeia de suprimentos esperam que os setores de produção e serviços se expandam, contraiam ou se mantenham inalterados.

Para a zona do euro, o PMI composto – um barômetro da saúde econômica dos setores manufatureiro e de serviços – caiu para uma baixa histórica de 31,4 pontos em março. Uma leitura acima de 50 indica uma expansão econômica, enquanto uma leitura abaixo de 50 indica contração.

O setor de serviços parece especialmente vulnerável, com o PMI de serviços indo de 24 pontos para 28,4. Os declínios recordes em novas encomendas e expectativas de produção futura, bem como o declínio mais acentuado no emprego desde julho de 2009, sugerem que claramente haverá mais sofrimento pela frente.

Mudanças estruturais

Toda crise moldou comportamentos de uma maneira ou de outra. O caos do coronavírus não será uma exceção. Os pesquisadores da Allianz jogam cinco ideias no ringue:

Investimentos no sistema de saúde: Depois de anos em segundo plano, os sistemas de saúde voltarão a ser o centro das atenções, pois o vírus enfatiza a necessidade de sistemas de saúde pública mais fortes.

Importância da China: o gigante asiático foi o primeiro a ser afetado pelo coronavírus. Devastado pelo vírus, o país não está apenas reiniciando, mas também oferecendo suporte e experiência a outros epicentros. O evento reforça a importância da China na economia global.

Localização sobre a globalização: os países se voltaram para dentro quando o vírus se espalhou e o repentino choque na cadeia de suprimentos deixou muitas empresas com problemas. As empresas podem ficar tentadas a olhar mais de perto para suas necessidades enquanto tentam minimizar as chances de tais choques no futuro.

Lidar com outros desafios: a crise pode mudar a maneira como enfrentamos outros desafios, como as mudanças climáticas, outro desafio exponencial, probabilístico e coletivo à nossa frente.

Os padrões de investimento podem mudar: poucos duvidam que o surto mude como trabalhamos, como compramos e como viajamos. O que também pode mudar é como investimos … ou não. Isso poderia até inspirar a criação de novos produtos financeiros.

Para uma análise mais aprofundada do que pode ser esperado da economia global nos próximos meses, leia o relatório Covid-19: Economia em quarentena da Allianz Research.

Coronavírus: a pandemia e os reflexos para os corretores de seguros 573

“Seguro tem de ser útil para quem o contrata. Essa verdade é incontestável e por si só, já desconstrói determinadas argumentações”

A produção de textos expressando opiniões sobre este tema tem se acentuado no mercado internacional de seguros e resseguro, sendo que se apresenta com menor intensidade no Brasil. A reputação da indústria mundial seguradora e resseguradora, inclusive, está em jogo diante dessa pandemia que atingiu todos os mercados. Para um setor que “vende expectativa de proteção em momentos difíceis”, não poderá haver recuo e, tampouco, indefinições.

São observadas no País, manifestações públicas de algumas seguradoras sobre o acolhimento da cobertura para os sinistros que forem reclamados, apesar da exclusão expressa ou indireta do risco de “pandemias” nas apólices, notadamente em relação aos seguros de pessoas: Vida e Assistência Funeral, com destaque. Há, também, algumas poucas manifestações contrárias ao pagamento e sob os mais diversos argumentos, inclusive de natureza jurídica e mesmo regulatória.

O seguro tem de ser útil para quem o contrata. Essa verdade é incontestável e por si só, já desconstrói determinadas argumentações, ainda que aparentemente jurídicas, uma vez que a “principiologia” do direito é muito mais ampla do que a simples letra fria dos contratos, incluindo os de seguro. Entra em jogo, também, aquilo que os doutrinadores ou juristas chamam de “diálogo das fontes”, a outra ferramenta poderosa para o entendimento completo (sistemático) do direito a ser aplicado de fato a uma situação concreta. Com este sentido, a análise deve ser ampla: Código Civil, Código de Defesa do Consumidor, Estatuto do Idoso, Princípios Gerais do Direito e todas essas múltiplas fontes analisadas sob a égide da Constituição Federal da República, a qual consagra, entre os fundamentos erigidos pela sociedade brasileira, o princípio máximo da “dignidade da pessoa”.

O contrato de seguro deve, necessariamente, passar por este filtro analítico. Então, para a interpretação e a aplicação do direito (hermenêutica), não basta apenas a apólice de seguro e os seus termos e condições. Ela é múltipla, necessariamente.

Direto ao ponto no seguro de vida e seus desdobramentos:

a) todos sabem que neste seguro a álea repousa apenas na data da morte do segurado, diferentemente dos seguros de danos, nos quais ela se situa no risco (se ele se efetivará ou não);

b) em razão da certeza absoluta, contida no item anterior, os atuários das seguradoras determinam vários fatores em suas modelagens matemáticas de composição do prêmio, dentre eles a possível antecipação da morte;

c) há também, em direito, a questão do adimplemento substancial, ou seja, se o segurado já pagou parte representativa do prêmio, não haverá como negar a contraprestação representada pelo pagamento da indenização do sinistro ocorrido;

d) não pode ser preterida, ainda, a aplicação financeira de parte das reservas, realizada pelas seguradoras, sendo que nem sempre o resultado obtido reverte a favor da mutualidade, sendo que no exterior este tema já movimentou outros mercados, inclusive em sede judicial, com base no que eles chamaram de “reservas ocultas”;

e) o Código de Defesa do Consumidor, principiológico na sua essência, protege o consumidor em primazia, podendo ser suplementado, no que couber, pelo Estatuto do Idoso.

Ainda, convém informar o volume de prêmios e sinistros recebidos/pagos no ano de 2019 pelo mercado de seguros brasileiro: “o seguro de vida movimentou R$ 43,1 bilhões, um crescimento de 14% em relação a 2018. O volume de indenizações pagas não chegou a R$ 10 bilhões. Neste ano, no entanto, a previsão é de alta significativa. Tanto por mortes, como também por inadimplência no crédito em bancos, operação que geralmente conta com um seguro prestamista que é acionado em caso de não pagamento da dívida. Esse seguro tem um peso considerável nas seguradoras ligadas a bancos, que são as maiores do ranking do setor”.

Com base neste quadro numérico-financeiro, a preocupação já demonstrada por alguns operadores do direito quanto ao dever de as seguradoras “salvaguardarem a solvência do sistema, cuja mais grave ameaça é a quebra da base técnica-atuarial”, não parece corresponder à realidade e o argumento, que seria um pretenso filtro de impedimento, se rompe completamente. A preservação da “mutualidade”, outro argumento utilizado por aqueles que ainda defendem o não pagamento, não pode servir de sucedâneo para a inversão da ordem lógica e factual na atividade seguradora.

Ora, é sabido que grande parte da população que será atingida fatalmente pela pandemia no Brasil não possui seguro de vida e as razões deste quadro são várias, sendo que a principal delas é porque ele ainda é muito caro no País, se comparado a outros países, e sequer é disseminado como poderia ser.

O universo de pessoas que estará sob o abrigo do contrato de seguro, em face do coronavírus, tudo indica que jamais terá o condão de afetar a estabilidade financeira das seguradoras que operam no Brasil e elas possuem, ainda, proteção de resseguro. Se não têm é porque ainda não entenderam a importância desse mecanismo, de natureza internacional e não puramente doméstica, como alguns ainda entendem que deve ser, justamente para pulverizar riscos catastróficos pelo mundo.

É o momento adequado, inclusive, para aprenderem com a pandemia do coronavírus e reverem os seus contratos de resseguro, dos diversos ramos, de modo a buscarem nível adequado de proteção também sob este viés. O coronavírus não é nem será o único fator gerador de riscos catastróficos no Brasil. A abertura do mercado de resseguro se deu em 2007 (Lei Complementar n.º 126) e o processo ainda não foi completamente consolidado no Brasil. É o momento, portanto.

Aqueles que defendem, ainda, o não pagamento em face de possível sanção que poderá ser impetrada pelo Órgão Regulador, a questão não pode servir de escudo para as seguradoras deixarem de cumprir a “função social” que a atividade lhes reserva e num momento de excepcionalidade como este, sem precedentes. Além disso, as próprias normas reguladoras preveem mecanismos que podem exonerar as Seguradoras e por conta de caso fortuito ou força maior e, também, pelo fato de que os atos realizados pelos dirigentes das Companhias não se pautaram na má-fé ou dolo.

As questões contidas neste texto despertam discussões acirradas e não uníssonas. De todo modo, elas não podem ser reduzidas ao padrão binário e simplificado contido no “risco coberto” – ou – “risco excluído”, notadamente nos meios mais especializados em seguros. Há que prevalecer o domínio da “lógica da razoabilidade”, ou seja, as bases contratuais devem ser subsumidas simultaneamente às normas jurídicas e às circunstâncias que envolvem o tema de fato. Somente sob a regência do princípio da razoabilidade a pretensão de eleger a solução mais justa para as questões poderá ser alcançada.

A solução, sob este princípio lógico, deve levar em conta as circunstâncias sociais, econômicas, culturais e políticas que envolvem a questão, sem se afastar dos parâmetros legais. O seguro, repise-se, deve ser útil para quem o contrata e também no momento certo. Os princípios contratuais subjacentes ao negócio do seguro – lealdade, probidade, expectativa da confiança, cooperação, proteção adequada e outros, não podem ser preteridos e tampouco se tornarem apenas narrativas acadêmicas vazias, contidas nas obras doutrinárias e nos discursos inflamados.

Sobre todos os argumentos precedentes, se destaca o princípio geral de direito indicado no artigo 5º da LINDB, o qual consolida toda a discussão sobre o tema: “na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum”.

A importância da atuação dos Corretores de Seguros, neste momento, fica claramente evidenciada, pois eles têm o dever profissional:

– De buscarem o melhor e mais adequado atendimento aos clientes, tendo em vista os argumentos apresentados, sucintamente, neste texto;

– De não aceitarem, em primeiro plano, eventuais negativas de pagamento de sinistros indicadas por Seguradoras;

– De buscarem amparo jurídico especializado, se necessário;

– De estabelecerem como padrão de escolha de Seguradoras para a colocação dos seus negócios os procedimentos observados em momentos de crise como este;

– De observarem, sempre que for possível e com base também no item precedente, a fidelização das parcerias negociais – Corretor-Seguradora-Segurado -, cujo procedimento favorece e muito nos momentos cruciais como este. Os Segurados devem, de alguma forma, ser cientificados desse padrão negocial recomendado.

Este tema, da pandemia do coronavírus e os seguros, apresenta ainda muitos desdobramentos e em relação a outros ramos do setor, os quais serão abordados através de textos isolados, oportunamente.

Por Walter Polido, docente da Unisincor

Não é hora de demitir, é hora de inovar! 528

“Em momentos como esse, a maioria sai perdendo e poucos ganham. Não é hora de apontar culpados e se deixar levar pelo jogo do empurra-empurra”

Estamos vivendo a 3ª Guerra Mundial. Ela é diferente de tudo que imaginávamos. As batalhas dessa guerra não têm armas, bombas ou tecnologia nuclear, nada disso. O inimigo é um só e, praticamente, invisível. Estamos lutando contra a Covid-19, causador da doença conhecida como Coronavírus. Rapidamente, essa luta se tornou global. Governos, empresas e cidadãos estão atordoados, pois sem precedentes desta magnitude, não têm a experiência necessária para embasar suas atitudes. Mesmo em proporções diferentes, eu que tenho 70 anos e já vivi muita coisa, posso me valer da minha vivência para enfrentar essa situação, ainda que seja desconhecida.

Em momentos como esse, a maioria sai perdendo e poucos ganham. Não é hora de apontar culpados e se deixar levar pelo jogo do empurra-empurra. Exatamente quando a instabilidade financeira e emocional atinge em cheio uma empresa é que temos a oportunidade de saber qual é o seu verdadeiro propósito. Fica evidente se realmente o propósito das organizações é “pra valer” ou é mais um discurso vazio, enquadrado na parede.

Diante do isolamento social e da velocidade e eficiência exigidas, primeiramente pelas empresas do setor da saúde, governos e setor produtivo de forma geral, acredito que estamos diante do cenário propício para o surgimento de inovações importantes em todos os campos: processos, serviços e produtos.

Trazendo essa reflexão para o ambiente corporativo, não é hora de demitir! Não é hora de comprometer a cadeia de fornecedores. É hora sim de colocar a inovação em prática, ou seja, de executar novos modelos de forma rápida. Ao mesmo tempo, a falta de resultado de uma organização machuca, porém a falta de caixa mata. Para que tudo isso aconteça é necessário garantir o caixa e, para tanto, praticar o bom senso.

Foco nas pessoas e nos clientes. Que mudanças essa crise provocará no cidadão/consumidor de amanhã? O que podemos fazer para atender suas novas expectativas e/ou necessidades. O que será importante para ele? Haverá, sem dúvida, uma demanda reprimida após o caos instalado. Que demanda será essa?

Antecipar-se ao cliente e entregar valor será sempre o melhor caminho para a retomada. Seja por meio de novos processos, serviços ou produtos. Por exemplo, não restará mais dúvida sobre o crescimento e a importância de processos digitais e de análise de dados, que resultem em avaliação e implementação rápidas.

Nesse cenário, cabe ao líder repactuar a confiança de todos os envolvidos: colaboradores, clientes, franqueados, fornecedores, parceiros e comunidade. Com transparência e crença no propósito de cada marca é que se volta ao equilíbrio e se prepara as empresas para o futuro, seja lá qual for.

Porém, primeiro é preciso encarar as dificuldades e entender como cada um de nós pode contribuir para minimizar o caos. Na emergência é que a cidadania corporativa e a solidariedade se fazem ainda mais necessárias. Mais uma vez, é responsabilidade do líder a visão do futuro. Não apenas de seu negócio, mas da sua comunidade e do planeta. Não é fácil controlar as emoções, mas minha recomendação é afastar a irracionalidade que tomou conta das últimas semanas e buscar sempre a coerência com o propósito individual e da cada corporação. É no propósito que estará o caminho para as respostas mais difíceis.

Por Marlin Kohlrausch

O papel estratégico do mercado segurador em situações de pandemias 804

“Missão do mercado segurador é auxiliar as empresas para que possam conhecer, dimensionar e se proteger de possíveis implicações aos seus negócios”

Na 15ª edição do Relatório de Riscos Globais apresentado no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, as pandemias aparecem entre as maiores preocupações das lideranças políticas, empresariais, pesquisadores e cientistas. No momento em que assistimos aos desdobramentos dos impactos do Covid-19 (Coronavírus), neste relatório, as doenças infecciosas estão entre os dez maiores riscos de impacto global na próxima década, ao lado das questões ambientais e de segurança cibernética, por exemplo.

O alerta sobre as doenças infecciosas não é por acaso. Elas transcendem fronteiras. O vírus causador de infecções respiratórias que teve origem na cidade de Wuhan, na China, se espalhou pelo mundo. Neste contexto, o mercado segurador tem um papel importante de ajudar as empresas a compreenderem a dimensão das ameaças e reduzirem os seus impactos. A engenharia permite definir estratégias adequadas de gerenciamento e mitigação, evitando, assim, possíveis perdas.

A engenharia de risco ainda vai além de trazer um olhar mais amplo do risco e as suas interconexões. Por exemplo: uma pandemia pode comprometer quais ativos das organizações? Imaginamos uma empresa que importa matéria-prima ou produtos da China. Ou uma companhia que iria receber daquele país máquinas e equipamentos para ampliar a produção.

E ainda uma multinacional que tem colaboradores que residem em Wuhan, e que não puderam sair de casa por semanas. São cenários que precisam ser antecipados com planos de emergência, gestão de crise e continuidade dos negócios. A capacidade de uma empresa se recuperar de uma situação de risco e sair à frente dos concorrentes potencialmente impactados dependerá do nível de cada um dos planos.

Importante ressaltar que os planos são diferentes, mas se relacionam no contexto da gestão de continuidade dos negócios e têm o objetivo de mitigar o impacto dos eventos e melhorar a resiliência dos negócios. Mas tudo é possível somente com uma análise do impacto no negócio muito bem estruturada. E a gestão de continuidade dos negócios, em qualquer tipo de ameaça, não deve limitar-se às definições dos planos, e sim ser parte da cultura das empresas.

O Covid-19 está trazendo muitas lições, tanto para as empresas que tinham um nível de preparação baixo, quanto para aquelas que tinham trabalhado esses planos com muita antecedência e que, provavelmente, perceberam que não foram suficientes. Neste momento, é realmente relevante que essas lições se convertam em aprendizados e que as empresas considerem a prática da Gestão da Continuidade dos Negócios amplamente estudada em outros países e desenvolvida de uma forma empírica no Brasil, como uma excelente forma de mitigar riscos e aproveitar oportunidades.

A missão do mercado segurador é auxiliar as empresas para que possam conhecer, dimensionar e se proteger de possíveis implicações aos seus negócios. As experiências nos mostram que a fortaleza de qualquer organização, independentemente das situações adversas, está na capacidade de se adaptar rapidamente aos obstáculos. Uma crise deve também ser percebida com um horizonte de oportunidades. Momento de reflexão e preparação para atravessar esta onda em segurança. E, assim, ser mais competitivo no futuro.

Por Carlos Cortés, Superintendente de Engenharia de Riscos da Zurich