LGPD – um desafio para o mercado de seguros 747

Saiba mais sobre LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados)

O mundo mudou amplamente nas últimas três décadas e hoje, as relações são eminentemente virtuais e intermediadas por aplicativos em computadores e smartphones. Serviços bancários, públicos, comerciais e de saúde passaram a ser contratados on-line.

Com o crescimento de redes sociais e publicações dos próprios titulares dos dados, as informações pessoais viraram commodities para o uso de consultorias de análise de tendências (data analytics) capazes de prever comportamentos de compra, tendências de alinhamento político e, por que não, a probabilidade de um sinistro de acordo com o perfil pessoal de cada indivíduo.

Neste cenário, aumentou a capacidade preditiva de seguradoras operando em riscos massificados. Atuando em conjunto com consultorias de data analytics e de posse dos hábitos de utilização de aplicativos por indivíduos buscando a contratação de seguro, ficou muito mais precisa a qualificação e classificação de riscos dos titulares dos dados quanto a seus bens e sua vida, objetos da garantia securitária.

Desta maneira, se estabeleceu uma relação de troca entre as consultorias de análise de dados e as seguradoras. Quanto mais dados acumulados sobre um indivíduo, melhor a predição sobre a qualidade de seu risco. A precificação de seguros massificados vinha se tornando muito mais rápida e eficaz em um ambiente sem regramentos sobre o tratamento dos dados pessoais, salvo pela Superintendência de Seguros Privados que, pontualmente, tocava no assunto.

Agora, com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que criou um novo patamar para o tratamento de dados pessoais com o objetivo de proteger, dentre outros aspectos, os direitos fundamentais da liberdade, privacidade e o livre desenvolvimento da personalidade da pessoa natural, é indispensável se aprimorar o cuidado com o tratamento desses dados.

A norma prevê as hipóteses em que é possível o seu tratamento no meio corporativo, dentre elas destacadas o cumprimento de contrato e/ou de regulamentação ou lei. Está claro que a lei veio para regrar os casos em que, afora o cumprimento de finalidades estabelecidas contratualmente, por lei ou regulação (como, por exemplo, a prestação de garantia securitária), o uso dos dados pessoais se dê para finalidade distinta daquela que está no núcleo da prestação contratual (sobretudo atividades de venda de dados para fins de marketing direcionado).

As perguntas postas às seguradoras são diversas, como por exemplo, se há regulamentação prevendo o tratamento dos dados pessoais, se a quantidade de dados pessoais está adequada ao necessário à subscrição do risco, se o compartilhamento destes dados segue o rito legal e está protegido em caso de vazamentos por terceiros, ou se é possível o rastreamento dos dados para prevenção de sabotagens ou ataques externos, além de responsabilização de agentes de tratamento, incluindo intermediários envolvidos na distribuição do seguro.

Almeja-se elevar o nível de conscientização, pelos titulares dos dados, quanto aos usos e finalidades sobre sua utilização. Isto é, caso o uso de seus dados não esteja estritamente ligado ao cumprimento daquele objetivo informado e não haja outra base legal para justificar o tratamento, será necessária a obtenção do consentimento do titular, inspirando a transparência.

Como grandes detentores de dados, as seguradoras e seus parceiros devem se preparar para essa nova realidade. Dentro deste desafio, será necessário o desenvolvimento de novas regras de compliance de dados e governança corporativa ao lado dos esforços de mapeamento e adequação às novas exigências legais e regulatórias. Assim teremos um novo patamar de transparência na entrega de um produto que é essencial para o necessário desenvolvimento da economia brasileira.

*Por Camila Leal Calais e Paulo Brancher, sócios do escritório Mattos Filho e Thales Dominguez Barbosa da Costa, advogado do escritório Mattos Filho

Cinco maneiras de modernizar risco de crédito na pandemia 701

Decisões precisam ser sustentáveis para garantir que o negócio possa sobreviver à tempestade e prosperar no longo prazo

Gestão de risco de crédito tem passado por uma transformação maciça como resultado do surto de Covid-19. Isso é verdade não apenas para organizações que fornecem crédito, mas também para os consumidores, muitos dos quais terão enormes prejuízos à sua qualidade de vida como resultado da crise.

Duas coisas precisam ter prioridade para os gestores durante esses tempos difíceis: decisões precisam ser sustentáveis para garantir que seu negócio possa sobreviver à tempestade e prosperar no longo prazo, mas você também precisa considerar que os clientes que você apoia durante tempos difíceis serão mais propensos a ficar com você durante e após a recuperação.

Quando se trata de sustentabilidade de negócios, há muitos benefícios em ter uma abordagem para pontuação de cobrança em funcionamento. Com uma capacidade analítica melhor, focada em cobranças, sua organização estará melhor equipada para entender o impacto das mudanças econômicas e decisões de negócios sobre capital de giro e P&L.

Você será capaz de planejar o investimento de capital e produtos de empréstimos de modo mais eficaz, baseado em cálculos confiáveis de perdas esperadas. Com mais recursos para planejar aquisição de clientes, campanhas de cross-sell ou up-sell, seu departamento de marketing também terá recursos adicionais para criar campanhas mais efetivas.

Para trazer esses benefícios à tona, segue uma lista de possibilidades acerca de melhorias potenciais que podem ser atingidas a partir de uma melhor gestão de risco de crédito:

• Aumentar a fidelidade de cliente com adaptação de limite de crédito

Insights de crédito gerados por inteligência analítica permitem que sua empresa defina bases de limite de crédito apropriadas para novos clientes com mais confiança, para então ajustar esse limite ao longo do tempo baseado em uso e padrões de pagamento para gerar mais utilização da capacidade restante do cartão de crédito.

Um exemplo de onde você pode inserir isso de modo mais criativo: considere um cliente que optou por permitir acesso à sua localização e normalmente usa 90% do seu limite do cartão de crédito. Você vê que ele vai comprar algo em uma empresa em que ele normalmente gasta entre R$ 150 a R$ 300, mas ele tem apenas R$ 120 de crédito restante no seu cartão.

Se você sabe que esse cliente tem um bom histórico de pagamento e um fluxo de receita em suas outras contas, o sistema automaticamente envia para ele um SMS com uma oferta por tempo limitado para aumentar seu limite em R﹩ 500 por um mês. Ao fazer isso, é possível ganhar ou reforçar a fidelidade do seu cliente – todo mundo gosta de ser recompensado por fazer a coisa certa.

• Ganhar negócios com precificação baseada em risco

Pesquisa e observação de mercado podem ser usadas como método básico para definir as taxas de juros para produtos como empréstimos para automóveis. Mas uma abordagem de pontuação de crédito refinada e eficiente pode te levar mais longe e permitir decisões que adicionam valor real aos negócios.

Veja como você pode ir além da abordagem tradicional: para bons clientes, você pode oferecer 2 pontos percentuais abaixo de uma taxa de juros média, por exemplo, de 14%. Você pode oferecer ainda outra redução de outro ponto percentual para pagamento em dia.

Para clientes que representem um risco um pouco maior, ofereça a aprovação de empréstimo a 15%. A taxa é um pouco maior, mas o cliente garante o empréstimo que realmente precisa para manter as coisas em casa em um cenário de desemprego, por exemplo.

• Faça vendas up-sell e cross-sell de produtos de risco de crédito de modo mais eficaz

Alavancar um cartão de crédito quando se vende um financiamento imobiliário ou automotivo é uma tática muito padrão para expandir sua marca na carteira do cliente. Entretanto, insights analíticos te permitem fazer uma melhor oferta.

Usar inteligência analítica para entender quais cartões de crédito vender para clientes específicos baseados em suas características únicas e o que isso pode te dizer sobre suas preferências de recompensas é um bom exemplo.

Uma passageiro frequente pode ser mais receptivo a um cartão com milhas aéreas, enquanto um comprador compulsivo pode ser mais inclinado a escolher um cartão que ofereça descontos com lojas parceiras e, ainda, clientes do tipo que economizam e investem podem preferir recompensas de cashback – os últimos dois casos podem ser especialmente frequentes nos tempos atuais. Inteligência analítica efetiva vai te ajudar a escolher o que oferecer e a quais clientes você deve oferecer diferentes produtos.

• Gerenciar empréstimos comerciais com notícias e informações sociais em tempo real

As carteiras de empréstimos comerciais são normalmente avaliadas com base nos extratos financeiros anuais dos clientes, para em seguida reavaliarem os clientes com base em relatórios financeiros médios.

Você pode inserir uma abordagem mais eficaz ao integrar dados das páginas de notícias e redes sociais dos seus clientes e, então, aplicar inteligência analítica de texto para entender o que está acontecendo no mercado, notícias sobre o cliente e o clima em torno do cliente.

Por exemplo, você pode obter informações sobre as atividades de mineração do seu cliente e se ela está gerando prejuízo ambiental. Você pode avaliar o impacto do CEO de tal empresa que acaba de fazer comentários controversos. Você sabe quando uma empresa acaba de passar por um grande vazamento químico ou uma calamidade em uma fábrica. Você pode avaliar se os comentários e avaliações são favoráveis, indicando boa saúde e potencial de negócios.

Todas essas informações que são relevantes para tomadas de decisões sobre crédito podem fazer parte do modelo de classificação como atributos suplementares para reavaliar o cliente em tempo real ou diariamente.

• Aproveite o poder de machine learning em decisões de crédito

Bancos e entidades financeiras não tradicionais estão se voltando para machine learning (ML) para tomar decisões mais precisas sobre cobranças, aprovação de empréstimos e afins. O que é útil em ML é que ela pode revelar correlações entre diferentes atributos, coisa que modelos lineares tradicionais não veriam. Ela está se provando particularmente valiosa quando usamos dados alternativos, onde os atributos podem ser indiretamente correlacionados.

É possível ir além, usando ML para identificar quais variáveis tem boas previsões (pode não ser o que você pensa) e, então, colocar esses insights em modelos tradicionais. Ou projetar um modelo primário com técnicas ou regras de modelagem tradicional e um modelo paralelo com machine learning. Onde o modelo de machine learning pode ser difícil de interpretar, o modelo tradicional acompanhante pode explicar o resultado.

Todas as cinco dicas acima podem ajudar a sua organização a navegar o território desconhecido durante e pós pandemia, com dados que vão dar suporte a decisões mais sustentáveis a longo prazo e gerar níveis mais altos de retenção. Isso porque você vai tomar decisões que não apenas os encorajam a ficar com você, mas te permitirá estar presente quando seu cliente mais precisa de você.

*Por Ednalva Vasconcelos é vice-presidente de Finanças para América Latina do SAS, empresa líder global em soluções de analytics.

Idecorr questiona corretores de seguros 577

Em artigo, Diretor de Relações Institucionais afirma que informações falsas atrapalham o setor

O Instituto de Defesa dos Corretores de Seguros (Idecorr), publicou um artigo manhã desta segunda-feira (25), onde questiona os corretores de seguros sobre os ocorridos desde a publicação da Medida Provisória 905/19. O texto é de autoria de José Carlos N. de Souza Diretor de Relações Institucionais do Instituto.

No artigo, José Carlos de Souza faz um alerta e argumenta com os corretores sobre a categoria ter absorvido muitas informações falsas, fazendo com que os profissionais do setor fiquem divididos. Segundo o Diretor, “isso interessa à alguns conhecidos protagonistas neste ensandecido jogo de poder político-sindical que a categoria enfrenta desde então”.

Souza afirmou também que os corretores de seguros estão sendo manipulados por interesses diversos, de pessoas que tentam silenciar, amedorentar, ou manter o setor imobilizado. Para ele, tal atitudes pode levar a ilegalidade funcional que prejudicará os profissionais de corretagem de seguros.

O Diretor de Relações Institucionais do Instituto detalhou ainda, as consequências que podem acontecer com os corretores e a categoria em geral, se a disseminação de fake news continuar. “Basta uma fake news sobre um assunto sensível a todos nós – de origem conhecida, mas não necessariamente fidedigna, para que uma nuvem de dúvidas paire por sobre nossas mentes e nos desvirtuem de assuntos mais importantes, os quais, efetivamente, nos interessam. É o que estamos experimentando desde quando passou a ser ventilado que nossas comissões seriam publicadas nas emissões das apólices a partir de 1º de julho. Nunca foi uma realidade. Jamais houve base legal para tal inverdade”, reforçou Souza.

Confira na íntegra o artigo publicado pelo Idecorr:

Afinal, Corretores de Seguros : Sabemos o que queremos?

Desde a publicação da MP 905/2019, nossa categoria tem absorvido um sem número de desinformações que hora nos levam para “um lado” ou nos carregam para “outro lado”. E seja qual for a definição que “lado” tenha nesse redemoinho de emoções, a verdade é que nos encontramos divididos: e isso muito tem interessado à alguns conhecidos protagonistas neste ensandecido jogo de poder político-sindical que vimos enfrentando desde então!

E a omissão que antes nos era imposta (tática aplicada há anos para nos deixar na “escuridão do sistema”) agora virou desinformação: descaminho este que nos faz prosseguir em círculos, sem foco ou mesmo sem um objetivo macro a ser alcançado. E em assim sendo, natural que surjam os seguintes questionamentos: Para onde caminhamos, afinal? Queremos liberdade sem responsabilidades? Servimos a um “senhor” ou temos obrigações legais a serem cumpridas? Queremos leis que nos protejam, mas não queremos que estas mesmas leis nos vigiem os passos – o que praticamos no nosso labor diário? Onde escondemos nossa Boa-Fé neste jogo de esconde-esconde?

E nesse louco desatino institucional, seguimos sendo manipulados por interesses diversos e poderosos que, não sem motivação, aplicam suas táticas para ou nos silenciar, ou nos amedrontar, ou simplesmente nos manter inertes – mesmo que isso nos leve a uma ilegalidade funcional que somente nos prejudicará como profissionais da corretagem de seguros que somos.

E neste ir e vir, basta uma Fake News sobre assunto sensível a todos nós – de origem conhecida, mas não necessariamente fidedigna – para que uma nuvem de dúvidas paire por sobre nossas mentes e nos desvirtuem de assuntos mais importantes, os quais, efetivamente, nos interessam: é o que vimos experimentando desde quando passou a ser ventilado que nossas comissões seriam publicadas nas emissões das apólices a partir de 1º de julho, próximo. Nunca foi uma realidade. Jamais houve base legal para tal inverdade.

E por mais que se afirme e se comprove que tudo não passa de uma Mentira, não adianta: tal qual São Tomé, os incautos só acreditarão que tudo não passou de um grande embuste, de uma enorme distração quando, a partir do dia 02/07, as apólices que receberem nos seus escritórios, não vierem com suas comissões espelhadas na apólice. E aí, incrédulos e estupefatos, olharão para seus negócios, para si mesmos e chegarão à seguinte conclusão: Quanto tempo perdido! Quanta energia desperdiçada! Como pude ser tão ingênuo?

E até que lhes cheguem outra narrativa errônea, cambaleantes que estão, irão em direção ao “herói de sempre” a lhes socorrer que, sorridente, lhes dirá:

O Inimigo agora é outro!

José Carlos N. de Souza
Diretor de Relações Institucionais
IDECORR – Instituto de Defesa dos Corretores de Seguros
(11) 3628-4902 – WhatsApp Business

Artigo: O aumento da violência 1383

“Sem dúvida, o setor de seguros será diretamente atingido e o preço será caro”

A violência nas ruas de São Paulo está tomando vulto e se tornando perigosa. No Centro, Santa Cecília, Higienópolis, Avenida São João e grande área em volta, os assaltos, ataques a veículos e a pedestres, ameaças e pedradas se tornaram rotina, ao ponto da administração da Santa Casa de São Paulo solicitar à Polícia Militar e à Guarda Municipal que aumentem as rondas em volta do hospital para proteger os colaboradores, principalmente nas horas de entrada e saída, de manhã cedo e no final da tarde.

Recentemente, ao sair da Santa Casa e parar num semáforo da Rua Alagoas, fui abordado por um cidadão com um cartaz que, na sequência, atirou uma pedra no meu carro. O estrago só não foi mais sério porque vi o que ele iria fazer e emparelhei com o veículo ao lado, diminuindo a exposição do meu carro. Mesmo com menos força, a pedra atingiu o vidro da porta de trás.

Ao comentar o fato com outras pessoas descobri que ações como essa têm acontecido regularmente e que principalmente mulheres têm sido assaltadas por marginais que abordam seus carros e, armados com pedras, as intimidam e levam seus celulares.

Também tem sido comum a abordagem de pedestres. Muitas vezes ela acontece em duplas, o que inibe qualquer possibilidade de reação por parte vítima, que, diante da ameaça representada pelos agressores armados com pedras, não reagem e entregam o celular e a carteira. Em bom português, caminhar pelas calçadas desses bairros pode ser uma aventura perigosa, na qual o pedestre, além de correr o risco de ser assaltado, tem que desviar de pessoas que o ameaçam e que são, efetivamente, um perigo para quem caminha pelo pedaço.

É comum dentro da Santa Casa se ouvir relatos de colaboradores e pacientes que foram assaltados ou acuados, a pé e de carro. A situação se deteriorou de tal forma que até semáforos foram furtados no bairro de Higienópolis, não faz muito tempo.

Este quadro triste não é exclusividade dos bairros acima. Ao contrário, ele pode ser visto nas mais variadas regiões da cidade, da Avenida Paulista a Santana, dos Jardins a Santo Amaro e por boa parte da Zona Oeste, próximo ao Ceasa e na Lapa.

Não é um problema de falta de polícia. A polícia estás nas ruas e trabalhando. A origem do fenômeno está na grave crise que maltrata o Brasil desde 2014. Quando nós achávamos que iríamos colocar a cabeça fora d’água, a pandemia do coronavírus caiu feito uma bomba em cima da nação, que, ainda por cima, ficou sem saber muito bem para que lado ir, em função dos sinais equivocados ou embaralhados do Governo Federal, caminhando na contramão de tudo que o mundo tem feito para combater o vírus.

Não há no horizonte sinal de que possa haver qualquer tipo de melhora nos próximos meses. Ao contrário, os prognósticos, com base na interrupção de grande parte da atividade econômica decorrente da epidemia, apontam uma enorme recessão e o agravamento brutal do desemprego, que pode, de acordo com especialistas, atingir um total de mais de vinte milhões de pessoas.

Estes dados são dramáticos e indicam um futuro duríssimo para a população brasileira. O que vem pela frente tem tudo para ser, senão o pior, um dos piores momentos da história do Brasil. E, num cenário de terra arrasada, o aumento da violência é uma consequência lógica, porque a sobrevivência a qualquer custo vem em primeiro lugar, trazendo com ela os piores defeitos do ser humano.

É ruim para todos. E conseguir evitar que ele tome proporções que escapem ao controle é indispensável para o futuro do país. O problema é como fazer isso. Não sei se alguém tem a resposta. Mas ela passa pela adoção de medidas socioeconômicas indispensáveis para garantir um mínimo de capacidade operacional para os empresários e qualidade de vida para grande parte da população. Além disso, não fazer nada vai expor a sociedade ao aumento ainda maior da violência.

Sem dúvida, o setor de seguros será diretamente atingido e o preço será caro, onerando todas as carteiras de empresas que já estão sob pressão. Mas a conta final, essa, será muito mais cara e cairá nas costas de toda a sociedade.

Prós e contras da prorrogação da LGPD em meio ao cenário de pandemia 5767

Artigo é do advogado Sahil Bhambhani, da Agrifoglio Vianna Advogados Associados

Em abril do presente ano, o Senado Federal aprovou a prorrogação do início da vigência da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para janeiro de 2021, sendo que a eficácia das disposições que versam sobre as penalidades foi postergada para agosto de 2021.

É de se entender e apoiar que todos os esforços do país, no momento, sejam destinados a mitigar os efeitos nefastos da pandemia, mas a justificativa dada não possui correlação com elemento essencial à vigência efetiva da LGPD: a implementação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que ainda não ocorreu. Trata-se do órgão regulamentador da Lei, responsável pela elaboração de estudos e diretrizes da proteção de dados, que funcionará como um elo entre a sociedade e o governo.

A instabilidade regulatória constitui grande óbice ao avanço do país no tema, pois pode implicar em tutela difusa por outros órgãos fiscalizadores, causando insegurança jurídica. Importante denotar, também, que diante da necessidade de isolamento domiciliar de grande parte da população, houve crescimento da utilização das plataformas de teletrabalho e vídeo-chamadas, entre outros, o que ensejou no aumento da circulação de dados pessoais nas plataformas digitais. São informações que continuam a circular sem o tratamento necessário, com possíveis consequências nebulosas para seus titulares.

Sob o prisma econômico, acredita-se que a prorrogação ajudará as empresas, inegavelmente afetadas pela crise, a ganharem tempo para se adequar às diretrizes da Lei. Entretanto, analisando-se a questão sob outro ângulo, o atendimento às disposições legais da LGPD pode constituir um diferencial competitivo para as empresas. Outro ponto importante é a necessidade do Brasil possuir legislação vigente acerca do tema para as empresas locais estarem de acordo com as disposições de outros países – a União Europeia, importante parceira econômica do país, através do General Data Protection Regulation (GDPR), exige que para a troca de dados internacionais entre empresas, o parceiro deve possuir legislação de proteção de dados igual ou superior ao seu nível de proteção. Há o temor, portanto, que as empresas locais sejam prejudicadas no cenário internacional, o que dificultaria ainda mais a retomada do crescimento econômico.

Como se sabe, países como Itália e Espanha, entre outros, sofreram gravemente com o Coronavírus nos meses de março e abril – e foi reforçada a necessidade pela União Europeia (UE) de utilização de dados pessoais anonimizados em meio digital para prever o avanço da doença, avaliar a efetividade das políticas de saúde e ajudar os serviços mais importantes naquele momento. Tudo isto com a atuação do órgão fiscalizador, para que os procedimentos estivessem de pleno acordo com a regulamentação da UE acerca do tratamento destes dados.

A partir do momento em que fosse implementada a ANPD, o Brasil poderia trabalhar da mesma forma, aliando as benesses da tecnologia com o tratamento correto de dados pessoais de seus cidadãos, especialmente os relacionados à saúde, ao passo que são considerados dados sensíveis. Este é o ponto central da questão – a vigência plena da LGPD, com órgão fiscalizador atuante, poderia auxiliar, primordialmente, no combate à pandemia, ao mesmo tempo em que, indiretamente, traria um diferencial para as empresas brasileiras no mercado global.

Não se pretende ingressar em uma dicotomia, com a necessidade de escolha entre a proteção dos dados ou a saúde, mas sim garantir que ambos sejam priorizados e se complementem, afim de mitigar todos os danos causados pela pandemia.

Artigo: Crise na saúde mostra que prevenção é fundamental 527

“Kit básico de precaução é composto pelos seguros de vida e de saúde e os planos de previdência”

Seguro de vida. Seguro saúde. Seguro-fiança. Previdência privada. Indenização por morte pela Covid-19; despesas médicas dos infectados; cobertura de aluguel para quem está em dificuldade financeira; renda complementar ou dinheiro para emergência em situações-limite. Exemplos não faltam de indivíduos e empresas que, por terem investido previamente em determinadas proteções, agora conseguem minimizar, ao menos financeiramente, prejuízos causados pela violenta pandemia do novo coronavírus. Neste momento, há os que encontram algum conforto por saber que estão “cobertos” e outros que pretendem (ou ao menos consideram a possibilidade de) adquirir seguros. Por precaução.

Três das coberturas mais importantes agora são as de morte, invalidez e sobrevivência. O seguro de vida cobre o risco de morte – quando há uma indenização para os dependentes daquele que morreu – e o risco de invalidez, que se concretiza em uma renda, caso a pessoa não possa mais trabalhar. O risco de sobrevivência é suprido pela previdência, que servirá para complementar a renda do titular da apólice.

Seguro de vida

Cobertura financeira caso ocorram imprevistos com o titular da apólice. O seguro de vida cobre assistência funerária, doenças graves, invalidez, morte natural ou acidental e incapacidade temporária. Ao contratar o seguro, é preciso escolher o valor, as condições de indenização e as pessoas que irão recebê-la em caso de morte do segurado.

Previdência

Por meio de contribuições periódicas, o titular acumula recursos para que, ao se aposentar, ele tenha uma renda extra. Ao fim do período, é possível resgatar o valor integral (se o plano for estruturado no regime financeiro de capitalização) ou receber a renda mensal equivalente ao que contribuiu. No benefício de sobrevivência, se o segurado desistir do plano, ele também pode fazer o resgate.

Seguro-Saúde

A função desse plano é oferecer assistência médica e hospitalar em um momento de necessidade. Alternativa à rede pública de saúde, permite que o titular faça exames laboratoriais e consultas médicas onde e com quem escolher – ou seja, não é preciso recorrer a uma rede credenciada. A condição é que o cliente pague pelo atendimento na hora, para ser reembolsado depois pela seguradora. O valor a restituir depende do prêmio contratado pelo segurado – ele é fixo e as condições estão estabelecidas na apólice.

Plano de saúde é o mesmo que seguro-saúde?

Não. As duas modalidades de proteção oferecem assistência médica e hospitalar. A diferença é que o plano de saúde determina que o atendimento seja realizado em uma rede de estabelecimentos credenciados à operadora – ou seja, ao usar o plano, o titular não é livre para escolher médico, hospital ou laboratório. Na consulta ou no exame, não é necessário desembolsar nenhum valor. A tempo: atualmente, muitos planos autorizam o cliente a usar serviços fora da rede credenciada, mediante reembolso. Mas isso é caso a caso. Consulte o corretor.

Cuidados ao contratar

As questões devem ser cuidadosamente analisadas no momento da contratação de um seguro de qualquer modalidade

1. Preencha o questionário de perfil e a declaração de saúde de forma correta, sem omitir nenhuma informação.

2. Confira se as coberturas, franquias e assistências estão de acordo com sua necessidade. Antes de assinar, leia atentamente até as letras mais miúdas.

3. Ao contratar, procure por valor e não somente o menor preço – ainda que seja fundamental lidar com a realidade de seu orçamento.

4. É importante que o corretor conheça no detalhe os produtos que oferece. Ele precisa explicar todas as condições da apólice com máxima clareza. A contratação de um produto deve ser proveitosa para os dois lados, e uma relação de confiança entre cliente e corretor ajuda a obter produtos mais adequados.

Por Adriana Peranovich, corretora de seguros franqueada da rede Seguralta