Coronavírus: pandemia tem seguro? 9299

Especialistas esclarecem sobre os impactos da Covid-19 no mercado

Em 29 de janeiro, o corretor de seguros Edson Rodrigues perguntava aos seus colegas de profissão via rede social a opinião deles sobre como seria para as seguradoras caso houvesse um surto de coronavírus. Naquele mês, o Brasil ainda não tinha nenhum caso

Lúcio Bragança é advogado do escritório Agrifoglio Vianna / Arquivo JRS
Lúcio Bragança é advogado do escritório Agrifoglio Vianna / Arquivo JRS

confirmado de Covid-19 e a discussão ainda estava no campo das ideias. Em questão de dias, a situação mudou completamente e muitos são os questionamentos que se tem a respeito da pandemia que acomete não só o país, mas o mundo inteiro, no que diz respeito as suas características, estatísticas, sistema de saúde e, também, às coberturas de seguro.

O advogado Lúcio Roca Bragança, do escritório Agrifoglio Vianna, esclarece que a maioria dos contratos de seguros de vida contam com uma cláusula específica de exclusão em casos de pandemia. “Em um grupo com um grande números de pessoas, nós não sabemos quais delas vão falecer, mas nós podemos estimar, estatisticamente, com razoável precisão, quantas irão. A partir deste número, pode-se mensurar em reais qual será o montante necessário para indenizar os beneficiários dos segurados que provavelmente morrerão em um determinado ano. Esse montante é dividido entre todos os segurados do grupo, que pagarão um valor mensal à seguradora, que o provisionará para fazer jus às futuras indenizações”, explica sobre a necessidade de existência dessa cláusula, uma vez que em casos de enfermidades amplamente disseminadas, se torna impossível mensurar a taxa de sinistralidade.

“Se um grande número de segurados fosse sofrer sinistro, a conta não iria fechar”, comenta o advogado Lúcio Roca Bragança.

A seguradora apenas administra o fundo comum, resultante da contribuição de todos os segurados, e acrescenta o necessário à sua manutenção. “Para esse sistema de contribuição baixa e indenização alta funcionar, é preciso que todos estejam expostos ao risco, mas que apenas alguns sejam acometidos pelo risco – essa é a condição essencial para o seguro de riscos ordinários dar certo. Se um grande número de segurados fosse sofrer sinistro, a conta não iria fechar: seria necessário que a contribuição mensal deles se aproximasse do valor do capital segurado”, afirma.

No entanto, a Fenacor, entidade representativa dos corretores de seguros no Brasil, solicitou às seguradoras que não apliquem nos contratos de seguros, nenhuma cláusula de exclusão relacionadas às epidemias ou pandemias, permitindo, assim, a ampla cobertura

Renato Pedroso é presidente da Previsul Seguradora / Arquivo JRS
Renato Pedroso é presidente da Previsul Seguradora

para eventuais casos de sinistros. A Previsul Seguradora foi a primeira companhia a se posicionar e informar que indenizará segurados que tiverem perdas ocasionadas pela Covid-19, pagando as coberturas de seguro decorrentes de morte de qualquer causa, internações e rendas por incapacidade que contenham cobertura de doença, ocasionadas pelo novo vírus, respeitando as condições dos seguros, os prazos de carência e franquia (se houver), ainda que de acordo com as normas regulatórias o risco de pandemias seja excluído.

Conforme o presidente da Previsul, Renato Pedroso, o que mais influenciou na decisão foi o compromisso da companhia com os mais de um milhão e meio de segurados e mais de cinco mil corretores de seguros. “Clientes e parceiros de negócios que nesses mais de cento e dez anos de existência, escolheram a Previsul para ser a sua seguradora”, acrescenta.

A Previsul tem uma carteira de clientes com idade média relativamente baixa, mas nosso compromisso neste momento é com a sociedade brasileira”, destaca Renato Pedroso, presidente da seguradora.

Embora a taxa de mortalidade em decorrência do coronavírus seja baixa, o que depende de uma série de fatores, como idade, gênero, condições de saúde e o sistema de saúde no qual a pessoa está inserida, ainda é complicado mensurar exatamente os efeitos da pandemia. Na estimativa da Previsul, é muito cedo para se ter alguma previsão da proporção de segurados que possam ser indenizados neste processo. “A companhia tem uma carteira de clientes com idade média relativamente baixa, mas nosso compromisso neste momento é com a sociedade brasileira”, comenta. Além disso, com uma gestão preocupada com o bem-estar das pessoas, o time da Previsul está trabalhando em regime diferenciado para continuar atendendo e ainda sim preservando vidas: “Nossa matriz está em home office desde segunda-feira para preservar a saúde de todos e dar continuidade do atendimento à sociedade”.

Do ponto de vista jurídico, o advogado Lúcio Roca Bragança salienta que como trata-se de um risco que não foi precificado, ou, em palavras mais simples, uma seguradora cobrir um sinistro decorrente de pandemia significa dar cobertura por algo que o segurado não pagou, “somente se pode concluir que o dinheiro com que a Previsul cobrirá estes sinistros sairá do seu próprio patrimônio”. “Trata-se de um ato de generosidade, ou mesmo de auxílio prestado pela companhia aos seus segurados nestes tempos sombrios. Ou seja: todos os contratos da seguradora têm exclusão de pandemia e ela está fazendo isso por um senso de solidariedade”, acrescentou.

Para as outras seguradoras que não se manifestaram, isso não abre precedentes futuros, ainda de acordo com o especialista. “A cobertura de pandemia em seguros comuns é como que um ato de caridade e não se pode, juridicamente, exigir que as pessoas pratiquem a caridade. Por isso, acredito que se trata de um ato isolado de uma seguradora, mas mesmo que venha a se tornar uma prática predominante, não se pode esperar daquela que não o fez, que o faça. Não se pode nem mesmo moralmente condená-la, pois, eventualmente, ela pode não ter lastro econômico para tanto”, destaca.

“Quanto mais adversidades na sociedade, maior a compra de seguro; quanto mais crise, mais necessário se faz e quanto mais dinheiro se possui, mais prevenidos queremos estar”, comenta Alberto Júnior, corretor de seguros e CEO do Grupo Life Brasil.

Alberto Júnior é corretor de seguros e CEO do Grupo Life Brasil

Não há uma regra, mas crises em geral fazem com que os consumidores tenham mais consciência da importância do produto seguro. O corretor de seguros Alberto Júnior salienta que, na sua visão, o mercado terá, sim, um aumento de compra do produto seguro se souber entender o momento do cliente. “Qualquer pessoa só compra por seis motivos, que são baseados em dúvidas, inseguranças e medos ou desejos, interesses e necessidades. Tendo mais de três pontos destes relevantes aos clientes, é natural que consigamos fazer isso com o produto seguro e que tenhamos mais assertividade de compra”, afirma, baseado em método próprio que desenvolveu ao longo de seus 27 anos de experiência na venda porta a porta pelo Grupo Life Brasil. “Quanto mais adversidades na sociedade, maior a compra de seguro; quanto mais crise, mais necessário se faz e quanto mais dinheiro se possui, mais prevenidos queremos estar”, acrescenta.

Jean Figueiró, da KSA Corretora de Seguros

Por outro lado, Jean Figueiró, da KSA Corretora de Seguros, não vê o momento com tanto otimismo num curto prazo: com a economia girando menos, a demanda por seguro será afetada também. “Vai circular menos dinheiro, as pessoas vão ter que se desfazer dos seus bens e, no Brasil, o seguro não é visto como um investimento, ele é visto como uma despesa. É uma das primeiras coisas que as pessoas acabam cortando”, opina. Mas ele concorda com o colega de que num período maior e com um Brasil recuperado, o cenário será bem proveitoso aos corretores: “As crises nos geram oportunidades porque elas geram conhecimento para lidar com elas, com dificuldades”.

É o corretor de seguros sempre o profissional ideal para esclarecer todos detalhes do produto seguro e tirar as dúvidas dos consumidores. E você, seja corretor, segurador ou cliente, qual a sua opinião?

Fintechs precisarão pensar em novas soluções para enfrentar a crise e enxergar oportunidades após o período 829

Para as fintechs, o grande objetivo neste momento de crise global é facilitar a vida do consumidor e amenizar seu próprio prejuízo financeiro

O mundo todo está em alerta desde que o Coronavírus (Covid-19) virou uma ameaça para a sociedade, contaminando milhares de pessoas em um curto período de tempo. E no Brasil não é diferente. Os governantes têm tomado várias medidas de proteção à saúde pública e prevenção ao contágio. Parte da população aderiu ao cenário de quarentena voluntária. Mesmo não sendo ainda uma medida obrigatória em todo país, é uma forma de resguardar a saúde e diminuir a proliferação do vírus.

Para as fintechs, startups que trabalham para inovar e otimizar serviços do sistema financeiro de forma online, o grande objetivo neste momento de crise global é facilitar a vida do consumidor e, também, tentar amenizar seu próprio prejuízo financeiro. É importante pontuar que todo o sistema financeiro nacional continua operando normalmente – pagamentos de boletos bancários, transações de crédito e compensações de cheque.

“O Banco Central (BC) tem se mostrado extremamente ativo e bastante parceiro das empresas financeiras. Mas vale lembrar que o Banco Central também está remoto. É impressionante ver as instituições brasileiras funcionando tão bem remotamente e deixando esse sistema sem atritos”, destaca o Product Owner da fintech Juno, Gabriel Falk.

Para o especialista, as fintechs que vão sobreviver ao período conturbado são aquelas que conseguirão entender as adversidades do mercado, além de remodelar seu próprio formato de trabalho, cooperando de uma maneira colaborativa com o cliente. Além do papel de prestadoras de serviços pelos quais foram contratadas, as empresas de tecnologia terão que trazer soluções para clientes que não são financeiramente educados, e que provavelmente não aguentariam a crise sozinhos.

“Vamos ter muita rolagem de dívida, com o governo disponibilizando liquidez a pequenos empresários, então as empresas também têm que estar cientes desses movimentos macroeconômicos e das mudanças no mercado. Será fundamental se adequar e informar os clientes sobre o novo cenário, tentando deixar tudo muito mais claro”, afirma Falk.

As dificuldades irão fortalecer as fintechs

De acordo com especialistas, o maior desafio dos brasileiros nos próximos meses será honrar compromissos financeiros. “O empreendedor brasileiro está tendo uma tomada de risco muita alta. O perfil do consumo no país tem mais da metade das cobranças do varejo feitas de forma parcelada. Analisando isso, é possível perceber que o cenário das pessoas sendo demitidas, perdendo suas fontes de renda, será muito perigoso, refletindo em todo mercado a curto e médio prazo”, detalha Falk.

A falta de pagamento vai resultar na diminuição de caixa das empresas, que também têm seus compromissos financeiros. Ou seja, um ciclo virtuoso de perdas tomará conta do país. “Nós, como empresa de tecnologia, temos que pensar em como trazer recursos para os nossos clientes, tudo para garantir um nível interessante de receita com a menor interferência possível nos serviços e sem criar muitos atritos com os pagadores. Esses serão os grandes desafios das empresas: honrar seus compromissos e fazer seu negócio continuar rodando de uma maneira clara e transparente, sem chiados do lado do cliente final”, explica Falk.

Sendo assim, o empreendedor precisa olhar para o cliente final e se colocar na posição dele. “A verdade é: o consumidor final de todo mundo mudou. O consumidor final do mês passado já não é mais o mesmo, o perfil mudou. Deixou de ser agressivo, gastador, e se tornou um cara mais precavido, mais temeroso, e de certa forma com razão”, comenta. “Então, como que você, olhando para um viés de educação financeira, consegue estar do lado do seu cliente afinal? Sua persona não é mais a mesma, nem o seu cliente ideal. Precisamos nos adequar a isso também”, complementa o especialista.

Perspectivas pós-pandemia

O cenário vai ser complexo. Haverá um grande aumento de desempregados no Brasil. No que isso vai refletir? O aumento do desemprego vai acabar resultando em um nível menor de renda, o que vai afetar também o nível de consumo. Pessoas que vão ganhar menos, vão consumir menos. Automaticamente, o Governo vai ter que criar medidas para incentivar e alavancar o consumo. As coisas vão se recuperar, assim como em todas as crises, tomando-se os passos corretos.

“A grande dica é não deixar de ganhar receita para seus serviços. As fintechs vão caminhar lado a lado com essa digitalização e separação com o meio físico que muitos clientes têm hoje em dia. Esse é o principal desafio. Estávamos acostumados com um cenário, mas a gente também depende do sucesso do nosso cliente. Agora, não podemos perder tempo procurando culpados. As fintechs precisam andar e amparar seus usuários”, enfatiza o especialista da Juno.

Para Falk, é importante ver o ecossistema como um todo, para organizar o futuro e entender como traçar o cenário mais positivo possível. “O governo vai criar medidas para incentivo ao consumo em breve, mas isso precisa ser feito com muita consciência em questão da insalubridade de crédito do brasileiro. As fintechs têm uma responsabilidade muito alta, porque vão estar do lado do empreendedor que vai ter um fluxo mínimo de caixa ou vai ter tomado algum tipo de dívida, contraído algum empréstimo para poder honrar recebidos passados. Ele vai querer entender como recuperar aquele cliente que ele perdeu por causa da crise. Ele vai precisar entender como renegociar suas próprias dívidas, caso ele necessite fazer isso. Ou seja, assim como o banco, a saúde das fintechs depende da saúde dos seus clientes. A grande diferença entre a fintech e o banco é que o banco está autorizado pelo BC a cobrar taxas de juros extremamente abusivas e as fintechs não – além de não ser interesse a elas se utilizar dessa prática para sobreviver”, completa o especialista.

“Pensar bem, nos faz bem”, ressalta presidente do SindSeg SC 1560

Waldecyr Schilling reforça que seguradoras estão preparadas para atender

O mercado de seguros há muito tempo vem investindo em inovação, para atender as mudanças de comportamento dos consumidores, que sabemos que são cada vez mais exigentes e conectados com as facilidades proporcionadas pela tecnologia. “Este é, sem dúvida, um momento muito especial”, confere Waldecyr Schilling, presidente do Sindicato das Seguradoras de Santa Catarina (SindSeg SC). “O momento é de união, levantar esforços, valorizar cada parceiro e negócio e, por isso, pensar bem, nos faz bem”, complementa.

De acordo com nota enviada pela entidade, seguindo nesse caminho, as seguradoras associadas ao SindsegSC, estão preparadas para atender às novas demandas e se manter atualizadas em um mercado competitivo como o nosso. E devido aos investimentos em soluções digitais e de relacionamentos, praticados pelas seguradoras, hoje, 100% delas estão atuando de forma remota, home office, todos os setores, atuando de forma ininterrupta. “Estamos numa nova realidade, um novo jeito de viver, cheio de ‘medos e incertezas’, pois quando envolve saúde (pandemia) o respeito e a conscientização devem ser prioritários”, diz o texto.

Assinada pelo presidente Waldecyr Schilling, o artigo continua:

Se cada brasileiro, conseguir se concentrar na prevenção e eliminar o que não acrescenta, por mais difícil, poderemos mudar esse quadro da saúde, não só no Brasil, como também no mundo. Precisamos juntos conter a evolução da doença e, consequentemente, reduzir o número de mortes que podem acometer não só os idosos, mas todas as faixas etárias.

Como representante das seguradoras no estado catarinense, ressalto que o desempenho do seguro nos últimos anos demonstra que o setor, é sim considerado um produto de grande importância para os consumidores, pois garante tranquilidade quando falamos de patrimônio, e segurança para os que ficam, quando falamos de um bem maior, que é a Vida.

Nessa nova história que estamos vivenciando, a comunicação será o combustível para o momento, pois a economia como um todo, vai ficar fragilizada, mas precisamos unidos, seguradoras e corretores de seguros, impulsionar o mercado segurador, criar oportunidades, para superar os desafios que ainda vivenciaremos.

Vídeo: SindSeg PR/MS e Sincor-PR se unem na luta contra o coronavírus 3475

Sindicatos divulgaram conteúdo em conjunto com instruções de prevenção ao novo coronavírus para o mercado segurador

O presidente do Sindicato das Seguradoras do Paraná e do Mato Grosso do Sul (SindSeg PR/MS), Altevir Dias do Prado, e Wilson Pereira, presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros do Paraná (Sincor-PR), divulgaram um vídeo com orientações para todos os integrantes do mercado segurador.

O presidente do Sincor-PR se dirigiu aos corretores de seguros, lembrando que para prevenir a propagação do vírus é preciso evitar contato, e pediu para que os corretores evitem o contato direto com as seguradoras. “Façam tudo que for possível remotamente, para evitar contato. Este é um esforço em conjunto e eu acredito que nós do mercado de seguros devemos colaborar com isso”, afirmou Pereira.

Da mesma forma, o presidente do SindSeg PR/MS, Altevir Dias do Prado, se dirigiu aos seguradores para pedir que não se dirijam fisicamente às corretoras. “Depois que a crise passar, voltaremos com a vida normal, mas por favor, não façam visitas e façam tudo de forma remotamente em home office. Assim, nós do mercado segurador estaremos contribuindo para evitar a propagação do coronavírus”, destacou.

Os presidentes dos seus respectivos sindicatos também alertaram para que todos do mercado segurador sigam as orientações recomendadas para evitar a propagação da Covid-19. “A luta continua, mas o mais importante agora é com a vida”, finalizou Wilsinho Pereira.

Confira o vídeo:

G20 injeta US$ 5 tri na economia global para conter estragos do coronavírus 847

Na área de saúde, os líderes se comprometeram a expandir capacidade de produção para garantir o abastecimento de equipamentos médicos


Os lideres das maiores economias mundiais, que formam o G20, dizem estar injetando US$ 5 trilhões na economia global, como parte de medidas fiscais, alem de esquemas de garantias para neutralizar os impactos social, econômico e financeiro da pandemia de Covid-19.

Em reunião virtual, hoje, os lideres se comprometeram com a política do “whatever it takes”, ou seja, que farão o que for preciso para superar a pandemia.

“Vamos continuar a conduzir apoio fiscal arrojado e em larga escala”, diz o comunicado dos líderes. A magnitude e amplitude das respostas é para colocar a economia global na boa direção e servir como base para proteção de empregos e retomada da atividade.

Os líderes disseram apoiar medidas extraordinárias tomadas pelos bancos centrais, para apoiar o fluxo de credito para famílias e firmas, promover estabilidade financeira e reforçar a liquidez nos mercados globalmente. Afirmaram estar determinados a atuar tanto individualmente como coletivamente para: proteger vidas; salvaguardar empregos e renda; restaurar confiança, preservar estabilidade financeira, reviver o crescimento ; minimizar disrupções no comercio e nas cadeias globais de valor; fornecer ajuda a todos os países que precisam de assistência, e coordenar saúde publica e medidas financeiras.

Na área de saúde, os líderes do G20 se comprometeram a expandir capacidade de produção para garantir o abastecimento de equipamentos médicos.

Um mês do primeiro caso de coronavírus no Brasil: o que mudou para o mercado desde então? 860

Queda de mais de 30% da bolsa, corte de projeções para PIB e Ibovespa: o cenário mudou completamente em decorrência da Covid-19

Um mês apenas – e o cenário para a economia, bolsas e investimentos mudou completamente para o Brasil (e para o mundo) em decorrência de um verdadeiro “cisne negro” para o mercado.

No último dia 26 de fevereiro, foi confirmado o primeiro caso de uma pessoa infectada pelo coronavírus no país, fazendo com que uma ameaça antes longínqua se transformasse em um problema gigantesco para a economia real. Até às 12h desta quinta-feira (26), eram 2.598 casos confirmados do novo coronavírus (Sars-Cov-2) no Brasil com 63 mortos, 48 deles em São Paulo.

A doença se espalhou pelo mundo, trazendo sérias indicações de uma recessão global e, consequentemente, levando a revisões para a economia brasileira.

Desde então, considerando o fechamento do Ibovespa de 21 de fevereiro (sexta-feira antes do primeiro caso confirmado e anterior ao feriado de Carnaval, que levou a B3 a abrir somente na quarta-feira) e o fechamento do último dia 25 de março, o índice já registrou uma queda de 34,07%, passando de 113.681 pontos para 74.956 pontos, enquanto o dólar passou dos R$ 5.

O índice passou a entrar em um forte movimento de queda a partir daquela sessão, mas principalmente por conta da preocupação com o avanço do coronavírus para outros países além da China, especialmente com o aumento de casos na Itália, Coreia do Sul e Irã, que já tinha repercutido nos dias anteriores que a bolsa brasileira estava fechada.

Como é uma doença altamente contagiosa, para conter o avanço e o esgotamento do sistema de saúde, muitos países passaram a adotar medidas de isolamento social, fecharam as fronteiras e o turismo global foi extremamente limitado, afetando uma economia global já frágil.

Naquele dia 26 de fevereiro, o Ibovespa caiu 7%, o que era até então o pior fechamento desde 18 de maio de 2017, o fatídico “Joesley Day”. Porém, era apenas o começo. Desde então, a B3 teve que paralisar as negociações na bolsa e acionar o “circuit breaker” por seis vezes, sendo que duas vezes em apenas um pregão.

O mecanismo é acionado pela primeira vez num pregão quando o Ibovespa cai mais de 10%, interrompendo a negociação por meia hora, e acionado pela segunda vez quando o benchmark da bolsa despenca mais de 15%, fazendo com que as negociações fiquem paralisadas por uma hora. O circuit breaker foi acionado uma vez no pregão durante a atual crise nos dias 9 (quando caiu 12,17%), 11 (queda de 7,64%), 16 (baixa de 13,92%) e 18 (queda de 10,35%) de março; o mecanismo foi acionado duas vezes no pregão do dia 12, sessão esta em que o Ibovespa fechou em baixa de 13,91%.

Durante esse mês de forte queda para a bolsa brasileira, curiosamente, a maior baixa do Ibovespa não foi de uma ação seriamente impactada pelos efeitos do Covid-19, mas ela acabou sofrendo com o sell-off do mercado já que enfrentava problemas internos. Trata-se do IRB, que viu suas ações caírem 72,32% no acumulado do período: mudanças nos cargos de liderança por alegações de manipulação de mercado, questionamentos sobre o balanço e até mesmo uma ação da Polícia Federal vêm abalando a empresa de resseguros desde o início de fevereiro, quando a bolsa ainda não refletia tanto os temores com o coronavírus.

Já as quedas seguintes refletem bem o cenário da crise atual: CVC, Gol e Azul registram baixas respectivas de 69,72%, 67,65% e 65,55%. Por conta da queda da demanda por voos e das restrições de viagens, as companhias tiveram um forte corte da capacidade de operação (confira clicando aqui). A Gol reduziu em cerca de 92% a oferta nos mercados domésticos e 100% nos internacionais, enquanto a Azul cortou sua capacidade em 90% entre 25 de março e 30 de abril. Smiles também teve queda forte no período, de 63,11%.

E, se a maior parte das varejistas sofreu, a Via Varejo foi a mais impactada do setor no período, com queda de 65,69%. “A empresa está passando por um turnaround, tem um negócio muito cíclico e subiu muito nos últimos meses, quando o mercado estava otimista. É razoável que caia tudo isso em meio ao desespero do mercado”, afirma Carlos Herrera, estrategista-chefe da casa de análise Condor Insider, ao InfoMoney.

A Petrobras antes com boas perspectivas em meio aos desinvestimentos e foco em exploração e produção, viu suas ações caírem 52% no mesmo período por uma combinação da forte redução da demanda por conta do impacto do coronavírus nas economias globais e de uma guerra de preços entre a Arábia Saudita e a Rússia, que levou a um aumento da produção do primeiro país. Porém, segundo aponta o Goldman Sachs, nem mesmo um eventual fim da disputa entre os dois países pode evitar excesso de petróleo (veja mais clicando aqui).

Já entre as menores baixas (afinal, nenhuma ação do Ibovespa subiu nesse período), os destaques ficaram com empresas varejistas de consumo básico, como o Carrefour e a RD, que viram a demanda por seus produtos aumentar nesse período, mas podem sofrer no médio prazo por conta do impacto do coronavírus na economia. Elas caíram, respectivamente, 3,02% e 7,97%.

Revisões de cenário

A preocupação com os impactos na economia brasileira passou a ganhar força nas duas últimas semanas, quando os casos da doença começaram a crescer e as expectativas pelas medidas para tentar conter uma aceleração extrema no número de infectados levaram a revisões drásticas para baixo na atividade.

Com isso, várias instituições passaram a revisar suas projeções para baixo, começando a prever inclusive uma recessão no Brasil por conta do coronavírus. Segundo estudo do Centro de Macroeconomia Aplicada da FGV (Fundação Getulio Vargas), a pandemia pode provocar uma perda de até 4,4% no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2020, o que seria a maior queda nominal (sem considerar efeitos da inflação) da economia desde 1962, quando começa a série histórica disponível no site do Banco Central.

Entre os motivos para as drásticas revisões, está o espaço relativamente limitado para o governo atuar do lado fiscal e os efeitos do lockdown para a economia, que vem inclusive gerando debates entre empresários, economistas e políticos sobre se a quarentena de todas as faixas etárias da população pode levar a uma quebra generalizada de empresas.

Para conter os efeitos do coronavírus na economia, o Banco Central anunciou um programa no valor de R$ 1,2 trilhão (US$ 233,8 bilhões), para injetar liquidez por meio da compra de pacotes de carteiras de empréstimos bancários; novas regras que permitem aos bancos oferecerem a empresas e famílias empréstimos maiores e melhores condições, entre outros.

Já o estímulo fiscal veio através de um programa de R$ 150 bilhões para auxiliar a população mais vulnerável e proteger empregos. Além disso, houve a aprovação, pelo Congresso, de decreto presidencial que declara emergência nacional em torno do coronavírus, permitindo ao governo renunciar às metas fiscais e liberar recursos orçamentários. Porém diante da atual incerteza do cenário, muito se questiona se esses estímulos vão ser suficientes.

Nesse cenário, muitas casas já cortaram as suas previsões para o Ibovespa, mas ainda veem espaço para o índice subir. O Morgan Stanley cortou a projeção de 125 mil pontos para 85 mil pontos (veja aqui), o Itaú BBA passou de 132 mil pontos para 94 mil pontos (veja aqui), enquanto o corte mais drástico ficou com o JPMorgan, que cortou de 126 mil para 80.500 pontos (confira aqui).

“Os lucros locais devem ter uma queda de 20% em 2020 e uma alta de 12% em 2021”, afirmam os analistas do Morgan. Porém, apontam: o país enfrentará uma desaceleração econômica acentuada, mas temporária e com uma rápida recuperação (“recuperação em forma de V”).

Nesse novo cenário de maior aversão ao risco do mercado, muitos analistas acabam apontando preferência por ações de setores reconhecidamente mais defensivos, como elétricas. Mas atenção, é preciso também diferenciá-las, já que algumas estão sendo impactadas pelo atual cenário (veja mais aqui). Ações de grandes bancos privados também são destacadas por analistas (confira aqui).

Porém, o cenário de forte incerteza é o que acaba predominando, gerando muita volatilidade no mercado, uma vez que não se sabe qual será a duração da pandemia e a quantidade de recursos que será necessária para salvar as economias. A expectativa é de que as fortes emoções para o mercado e possíveis revisões para a economia perdurem nas próximas semanas.