Cinco maneiras de modernizar risco de crédito na pandemia 915

Decisões precisam ser sustentáveis para garantir que o negócio possa sobreviver à tempestade e prosperar no longo prazo

Gestão de risco de crédito tem passado por uma transformação maciça como resultado do surto de Covid-19. Isso é verdade não apenas para organizações que fornecem crédito, mas também para os consumidores, muitos dos quais terão enormes prejuízos à sua qualidade de vida como resultado da crise.

Duas coisas precisam ter prioridade para os gestores durante esses tempos difíceis: decisões precisam ser sustentáveis para garantir que seu negócio possa sobreviver à tempestade e prosperar no longo prazo, mas você também precisa considerar que os clientes que você apoia durante tempos difíceis serão mais propensos a ficar com você durante e após a recuperação.

Quando se trata de sustentabilidade de negócios, há muitos benefícios em ter uma abordagem para pontuação de cobrança em funcionamento. Com uma capacidade analítica melhor, focada em cobranças, sua organização estará melhor equipada para entender o impacto das mudanças econômicas e decisões de negócios sobre capital de giro e P&L.

Você será capaz de planejar o investimento de capital e produtos de empréstimos de modo mais eficaz, baseado em cálculos confiáveis de perdas esperadas. Com mais recursos para planejar aquisição de clientes, campanhas de cross-sell ou up-sell, seu departamento de marketing também terá recursos adicionais para criar campanhas mais efetivas.

Para trazer esses benefícios à tona, segue uma lista de possibilidades acerca de melhorias potenciais que podem ser atingidas a partir de uma melhor gestão de risco de crédito:

• Aumentar a fidelidade de cliente com adaptação de limite de crédito

Insights de crédito gerados por inteligência analítica permitem que sua empresa defina bases de limite de crédito apropriadas para novos clientes com mais confiança, para então ajustar esse limite ao longo do tempo baseado em uso e padrões de pagamento para gerar mais utilização da capacidade restante do cartão de crédito.

Um exemplo de onde você pode inserir isso de modo mais criativo: considere um cliente que optou por permitir acesso à sua localização e normalmente usa 90% do seu limite do cartão de crédito. Você vê que ele vai comprar algo em uma empresa em que ele normalmente gasta entre R$ 150 a R$ 300, mas ele tem apenas R$ 120 de crédito restante no seu cartão.

Se você sabe que esse cliente tem um bom histórico de pagamento e um fluxo de receita em suas outras contas, o sistema automaticamente envia para ele um SMS com uma oferta por tempo limitado para aumentar seu limite em R﹩ 500 por um mês. Ao fazer isso, é possível ganhar ou reforçar a fidelidade do seu cliente – todo mundo gosta de ser recompensado por fazer a coisa certa.

• Ganhar negócios com precificação baseada em risco

Pesquisa e observação de mercado podem ser usadas como método básico para definir as taxas de juros para produtos como empréstimos para automóveis. Mas uma abordagem de pontuação de crédito refinada e eficiente pode te levar mais longe e permitir decisões que adicionam valor real aos negócios.

Veja como você pode ir além da abordagem tradicional: para bons clientes, você pode oferecer 2 pontos percentuais abaixo de uma taxa de juros média, por exemplo, de 14%. Você pode oferecer ainda outra redução de outro ponto percentual para pagamento em dia.

Para clientes que representem um risco um pouco maior, ofereça a aprovação de empréstimo a 15%. A taxa é um pouco maior, mas o cliente garante o empréstimo que realmente precisa para manter as coisas em casa em um cenário de desemprego, por exemplo.

• Faça vendas up-sell e cross-sell de produtos de risco de crédito de modo mais eficaz

Alavancar um cartão de crédito quando se vende um financiamento imobiliário ou automotivo é uma tática muito padrão para expandir sua marca na carteira do cliente. Entretanto, insights analíticos te permitem fazer uma melhor oferta.

Usar inteligência analítica para entender quais cartões de crédito vender para clientes específicos baseados em suas características únicas e o que isso pode te dizer sobre suas preferências de recompensas é um bom exemplo.

Uma passageiro frequente pode ser mais receptivo a um cartão com milhas aéreas, enquanto um comprador compulsivo pode ser mais inclinado a escolher um cartão que ofereça descontos com lojas parceiras e, ainda, clientes do tipo que economizam e investem podem preferir recompensas de cashback – os últimos dois casos podem ser especialmente frequentes nos tempos atuais. Inteligência analítica efetiva vai te ajudar a escolher o que oferecer e a quais clientes você deve oferecer diferentes produtos.

• Gerenciar empréstimos comerciais com notícias e informações sociais em tempo real

As carteiras de empréstimos comerciais são normalmente avaliadas com base nos extratos financeiros anuais dos clientes, para em seguida reavaliarem os clientes com base em relatórios financeiros médios.

Você pode inserir uma abordagem mais eficaz ao integrar dados das páginas de notícias e redes sociais dos seus clientes e, então, aplicar inteligência analítica de texto para entender o que está acontecendo no mercado, notícias sobre o cliente e o clima em torno do cliente.

Por exemplo, você pode obter informações sobre as atividades de mineração do seu cliente e se ela está gerando prejuízo ambiental. Você pode avaliar o impacto do CEO de tal empresa que acaba de fazer comentários controversos. Você sabe quando uma empresa acaba de passar por um grande vazamento químico ou uma calamidade em uma fábrica. Você pode avaliar se os comentários e avaliações são favoráveis, indicando boa saúde e potencial de negócios.

Todas essas informações que são relevantes para tomadas de decisões sobre crédito podem fazer parte do modelo de classificação como atributos suplementares para reavaliar o cliente em tempo real ou diariamente.

• Aproveite o poder de machine learning em decisões de crédito

Bancos e entidades financeiras não tradicionais estão se voltando para machine learning (ML) para tomar decisões mais precisas sobre cobranças, aprovação de empréstimos e afins. O que é útil em ML é que ela pode revelar correlações entre diferentes atributos, coisa que modelos lineares tradicionais não veriam. Ela está se provando particularmente valiosa quando usamos dados alternativos, onde os atributos podem ser indiretamente correlacionados.

É possível ir além, usando ML para identificar quais variáveis tem boas previsões (pode não ser o que você pensa) e, então, colocar esses insights em modelos tradicionais. Ou projetar um modelo primário com técnicas ou regras de modelagem tradicional e um modelo paralelo com machine learning. Onde o modelo de machine learning pode ser difícil de interpretar, o modelo tradicional acompanhante pode explicar o resultado.

Todas as cinco dicas acima podem ajudar a sua organização a navegar o território desconhecido durante e pós pandemia, com dados que vão dar suporte a decisões mais sustentáveis a longo prazo e gerar níveis mais altos de retenção. Isso porque você vai tomar decisões que não apenas os encorajam a ficar com você, mas te permitirá estar presente quando seu cliente mais precisa de você.

*Por Ednalva Vasconcelos é vice-presidente de Finanças para América Latina do SAS, empresa líder global em soluções de analytics.

Pesquisa inédita revela impacto da pandemia em pessoas com diabetes 1048

O estudo identificou que 59,5% dos entrevistados apresentaram redução nas atividades físicas e 59,4% observaram variação na glicemia

Pesquisa inédita, realizada com 1701 brasileiros com diabetes, revelou como a pandemia por Covid-19 alterou o cotidiano das pessoas, os procedimentos de controle da doença, padrão de alimentação, atividade física, acesso a medicamentos e serviços de saúde. Realizada entre 22 de abril e 04 de maio, em ambiente online, o estudo identificou que 59,5% dos entrevistados apresentaram redução nas atividades físicas, 59,4% observaram variação na glicemia e 38,4% adiaram suas consultas médicas. A pesquisa foi coordenada pelo médico Mark Ugliara Barone, vice-presidente da International Diabetes Fedaration (IDF) e membro do Departamento de Educação da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Realizada por meio de questionário de múltipla escolha, a pesquisa contou com público majoritariamente feminino (75,5%), de 18 a 50 anos (70,7%). Entre as respostas, 60,7% afirmaram apresentar Diabetes Mellitus Tipo 1 e 30,7% Diabetes Mellitus Tipo 2. O grupo com mais jovens, com DM1, mostrou-se mais suscetível a apresentar sintomas de Covid-19. O grupo com DM2, por sua vez, demonstrou maior propensão a relatar comorbidades – fatores de risco que elevam as chances de agravamento da doença causada pelo coronavírus, como hipertensão arterial e obesidade. Constatou-se que 95% dos entrevistados realizaram isolamento social e 27% não saíram de casa após o início da pandemia.

Hábitos de Saúde

De acordo com o estudo, 91,5% das pessoas mantiveram a rotina de monitorização da glicemia em casa. A partir desse acompanhamento, constatou-se que 59,4% apresentaram variações (8% observou hipoglicemia, 20% hiperglicemia e 31,2% grande variabilidade, em comparação a período anterior à pandemia). Segundo os dados, pessoas que utilizam serviços públicos de saúde relataram mais episódios de hiperglicemia. Usuários do sistema privado apontaram maior estabilidade nos índices de glicemia.

Paralelamente, investigaram-se comportamentos alimentares e relacionados à prática de atividades físicas. Dentre os entrevistados, 29,8% revelaram aumento na ingestão de alimentos. Ao mesmo tempo, 59,5% diminuíram a frequência de atividades física (44,8% correspondente a um declínio elevado). Perguntados sobre o tempo dedicado à TV e internet, 48,8% apresentaram aumento junto ao primeiro equipamento. Quanto ao segundo dispositivo, o tempo despendido cresceu 53,5%.

“Um alerta que traduz a importância dessa pesquisa é que as pessoas com doenças crônicas, como Diabetes, não podem ser deixadas para trás. Tem havido impacto importante no controle da glicose, seja por alteração dos hábitos, seja pelo estresse causado pela pandemia”, comenta a endocrinologista Hermelinda Pedrosa, assessora de Relações Governamentais da Sociedade Brasileira de Diabetes e coautora do trabalho. “O sistema de saúde enfrentará a “terceira onda” da pandemia, que envolverá demanda reprimida diante de consultas desmarcadas ou por faltas dos pacientes ao agendamento com receio de ir ao hospital, centros de saúde ou consultórios”, alerta.

Assistência Médica

Dos entrevistados, 61,2% afirmaram serem usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) – de modo exclusivo ou parcial. No período aferido, 78,6% das pessoas deixaram de fazer suas consultas regulares – 38,4% adiaram suas consultas médicas. E 40,2% não efetuaram agendamentos desde o início da pandemia. A Dra. Hermelinda aponta que as faltas às consultas podem estar diretamente relacionadas ao receio de sair de casa para buscar atendimento médico. “Opções em telemedicina e tele orientação têm crescido, mas ainda não alcançam as pessoas idosas, que não se sentem à vontade a usarem esses meios, nem aquelas com menor poder aquisitivo”, complementa.

O estudo investigou ainda o acesso à medicação para continuidade de tratamentos. Os dados mostraram que 64,5% receberam remédios e suprimentos por meio do SUS; 49,9% precisaram sair de casa para pegar a medicação. Outros 44,3% apontaram ter amigos ou familiares que se disponibilizaram a buscar os remédios. Usuários do sistema privado de saúde revelaram efetuar compras de medicamentos por meio de delivery (entrega) ou terem estoques de remédios e suprimentos médicos para aplicação ou para aferição glicêmica.

A pesquisa foi publicada no periódico científico Diabetes Research and Clinical Practice (https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0168822720305568), que produziu uma edição especial com trabalhos realizados sobre Covid-19 em vários países, inclusive esta, do Brasil.

Em sintonia com o novo consumidor 3214

Artigo é da Diretora de Planejamento Estratégico e Compliance da Sabemi, Eliana Diederichsen

O contexto de pandemia acelerou a mudança nos negócios, transformados com uma rapidez impressionante. Um exemplo está dentro da própria Sabemi, em que a venda digital, um projeto que já vinha sendo implantado nos últimos anos, ganhou impulso nas primeiras semanas de distanciamento presencial e passou de 5% para 90% em proporção de transações.

Por trás desse salto, está um protagonista que o mercado tem de decifrar. As empresas mudaram, mas o cliente mudou mais ainda. Os três primeiros meses sob pandemia foram suficientes para moldar um personagem chave para o futuro dos negócios: o novo consumidor. Sintonizar-se com ele é a agenda desafiadora do momento. É uma demanda mais estratégica e complexa do que adaptar-se ao home offce.

Até março, o consumidor era uma pessoa. Hoje, ele é outra. Passado o pânico inicial em relação à Covid-19, o cliente retomou o desejo de consumir, mas de outras formas, com novas exigências e cuidados. Mais frequentemente, esse consumidor está em casa, sentado em um sofá, ao lado do celular, cobrando praticidade, desejando fazer tudo sem sair de casa.

Os seus hábitos mudaram. Suas prioridades também. O seguro de vida deu um passo adiante para se incorporar na cultura da população, pelo contexto de emergência na saúde. Meios de reduzir os gastos domésticos também ganharam prioridade. Usar bem o dinheiro e ter acesso fácil e rápido aos bens e serviços é, mais do que nunca, uma imposição do consumidor. Simplicidade resume bem este contexto.

Mas entregar simplicidade é complexo. Temos de oferecer soluções simples mas sem descuidar dos marcos regulatórios exigidos pelas novas formas de relação, pois são uma referência fundamental para toda a cadeia econômica.

O cliente aumentou o seu nível de exigência e os negócios tiveram de acelerar a transformação – não apenas digital – para atendê-lo. Em paralelo, os órgãos reguladores também avançaram em suas atuações focadas em proteger o cliente e garantir atendimento de excelência.

Cabe às empresas compreender a contribuição que os órgãos reguladores têm a dar para o próprio desenvolvimento do mercado, com a valorização das boas práticas, em um momento de redesenho das relações entre empresa e consumidor, por isso não os vemos como ameaça. Com certeza as empresas líderes têm muito a ajudar, ao viabilizar com sua estrutura e capacidade de investimento novas formas de interação, alinhadas com a nova cultura digital e em conformidade com os princípios para preservação do mercado, em benefício de todos os seus participantes.

Toda mudança implica riscos, o que valoriza a presença da Compliance como um dos guias da transformação, para identificar e mitigar possíveis ruídos, de forma a manter a empresa saudável.

É um momento de desafios, mas também de grandes aprendizados para as empresas. Aquelas que demorarem a absorver as lições tendem a ser descartadas pelo novo consumidor.

Pandemia: 35% das empresas estão preparadas para a retomada 1332

Levantamento em nove mil negócios identifica que 65% das empresas não estão seguindo portaria que visa à prevenção contra Covid-19

A Vendrame Consultores realizou, entre 29 de junho e 3 de julho, estudo em nove mil empreendimentos, nos quais identificou que somente 35% das empresas no Brasil buscaram produtos e serviços voltados para a biossegurança dos colaboradores em meio a pandemia. Segundo o levantamento, 65% das empresas em operação no país não estão seguindo a Portaria nº 20, publicada no Diário Oficial da União de 18 de junho de 2020, que estabelece as medidas a serem seguidas visando à prevenção, controle e mitigação dos riscos de transmissão da Covid-19 nos ambientes de trabalho.

Em comparação com o segundo trimestre de 2019, abril, maio e junho deste ano representaram um crescimento de 15% na comercialização de serviços voltados para a segurança dos colaboradores. Entre essas novidades, estão o Telemonitoramento (telemedicina de saúde ocupacional), planos de contingência, testes covid-19 e aparelhos para sanitização de ambientes, que utilizam ultravioleta para limpar todo o ar do ambiente e deixa-lo livre de microrganismos. Desde o início da pandemia, maio foi o mês que mais se destacou em relação à alta nas vendas, pois, segundo o fundador da Vendrame Consultores, Antonio Carlos Vendrame “havia uma grande expectativa de reabertura do comércio já em junho”.

Ainda de acordo com o levantamento, dentro do cenário atual o investimento em medidas de biossegurança ainda deve crescer cerca de 25%, devido à abertura gradual de todas as atividades, chegando a 40% no total. São Paulo, o estado com o maior número de infectados no Brasil, lidera o ranking de busca pelos serviços, seguido por Goiás e Mato Grosso.​

A necessidade é a mãe da criatividade 1451

Artigo é do Diretor Executivo Comercial da Sabemi, Leandro de Carvalho Nunes

Crise não significa paralisia, e sim desafio. Por isso, com todos os cuidados exigidos pelo momento, começamos a preparar a retomada já nas primeiras semanas de distanciamento social. Mais do que uma fase de reinício, encaramos o contexto como um período de transformação.

Por isso, qualificamos nossos representantes para fazerem negócios não depois da esperada retomada, e sim durante um contexto de distanciamento, para nós apenas presencial. Para isso, investimos recursos, tecnologia e treinamento constante, que compartilham novas habilidades e oportunidades.

Mesmo quando as interrogações sobre a Covid-19 eram ainda muito mais numerosas do que as respostas, logo compreendemos que era preciso ajudar os nossos parceiros de negócios a manterem as operações em casa. Mobilizamos diferentes áreas da empresa para possibilitar um produtivo home office. Até o departamento de marketing contribuiu, com a elaboração de scripts. Por meio de lives, conseguimos com agilidade fazer a (re)qualificação da equipe. Esse recurso de interação se tornou uma rotina, bem-vinda para conservar o time atualizado e engajado.

A crise ensina que somos capazes de descobrir formas diferentes de produzir, satisfazer os clientes e gerar resultados positivos. É nesse contexto, por exemplo, que aceleramos a venda de seguro via plataforma digital. A necessidade é a mãe da criatividade. Essa lição é reforçada em um momento em que o senso de coletividade também se expressa nas relações de negócio.

Além de fortalecer a nossa conexão com as nossas pessoas, a transformação em curso sob o desafiador cenário global já mostrou resultados revigorantes. Reorganizados em novas rotinas, tecnologias e formas de interação, cumprimos o nosso papel e ainda aprendemos a fazer mais e melhor de outras formas. Isso é uma forma de crescimento, em benefício de todos: empresa, parceiros e, principalmente, clientes.

É hora de solidificar as parcerias, de oferecer novos recursos a nossos correspondentes e de mostrar como a tecnologia, que sairá ainda mais relevante do cenário de pandemia, é uma aliada, e não uma concorrente. Abrimos os braços e preparamos nossos parceiros para este novo mundo.

Artigo 126 do Código de Trânsito Nacional: Expectativa x realidade 2994

Análise é de Maria Izabel Indrusiak Pereira, sócia do C. Josias & Ferrer 

De acordo com a regra do artigo 126 do Código de Trânsito Nacional: “O proprietário de veículo irrecuperável, ou destinado à desmontagem, deverá requerer a baixa do registro, no prazo e forma estabelecidos pelo Contran, vedada a remontagem do veículo sobre o mesmo chassi de forma a manter o registro anterior”.

Ainda, em seu parágrafo único: “A obrigação de que trata este artigo é da companhia seguradora ou do adquirente do veículo destinado à desmontagem, quando estes sucederem ao proprietário”.

Em casos envolvendo salvados, as decisões judiciais limitam-se somente a proceder a aplicação literal da regra do artigo 126 do Código de Trânsito Brasileiro, especialmente o seu parágrafo único, sem haver um bom senso ou boa vontade na análise de cada caso pontual, ou até desconhecimento de certas nuances.

Ok, existe uma regra legal a ser cumprida, contudo, é fato de que para a aplicação de tal regra necessária a atenção para alguns detalhes.

Primeiramente, nem todo salvado é suscetível de baixa de registro, mas apenas a sucata (perda total irrecuperável). Consequentemente existem salvados que podem ser recuperáveis com segurança necessária que a lei determina, podendo voltar a circular conforme inspeção em órgão autorizado pelo INMETRO, que atestará a sua capacidade técnica de circulação e emitirá o competente Certificado de Segurança Veicular.

De acordo com a Resolução CONTRAN 544/2015, em seu artigo 13, para a realização da transferência da propriedade do salvado para a seguradora torna-se necessária a apresentação da documentação referente ao processo de indenização, BOAT, se houver, relatório de avarias e fotografias do veículo acidentado, além da realização da vistoria para identificação veicular e emissão do CRV/CRLV.

Ainda, conforme Resolução CONTRAN n.º 11/98 a baixa no registro do veículo como irrecuperável somente pode ocorrer nos casos em que este estiver desmontado, sinistrado com laudo de perda total e vendidos ou leiloados como sucata, bem como sejam devidamente identificáveis mediante as partes do chassi do registro.

Pois bem, não raras às vezes, estamos falando de sucatas avariadas de tal maneira que não se faz possível à visualização e decalcagem da numeração do chassi e motor, que não contenham a placa ou que a recuperação seja tão somente de determinadas peças que não apresentem condições seguras de identificação do bem.

Os “pátios” das seguradoras ficam repletos de salvados nestas condições e com entraves impostos por parte dos órgãos de trânsito na realização da transferência ante a dificuldade na identificação veicular ou frente à impossibilidade de realização das vistorias.

Há uma lacuna nas normas legais e infralegais a abarcarem tais casos.

Desta feita, estes casos geralmente acabam sendo submetidos ao crivo do judiciário mediante propositura de ações indenizatórias, vez que seus registros permanecem em nome dos segurados gerando débitos, e os julgadores não buscam compreender o que efetivamente impossibilitou a transferência da propriedade e consequente baixa pelas seguradoras e no afã de julgar, simplesmente aplicam o mencionado artigo 126 e parágrafo único na sua literalidade, com imposição de pesadas e onerosas penas pecuniárias, escusando-se, na maioria das vezes, de oficiar os órgãos de trânsito com comando judicial expresso para transferência da propriedade para a Cia sub-rogada.

O tão preconizado dever de cooperação entre as partes e Judiciário, princípio da celeridade e economia processual ficam esquecidos.

Como exceção, temos os julgados prolatados de relatoria do D. Desembargador Jorge Luiz Lopes do Canto do Egrégio Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, o qual, em casos do tipo, determina a expedição de ofício ao DETRAN com determinação para a transferência da propriedade para o nome das seguradoras, sob pena de responsabilidade funcional e criminal do Diretor-Geral daquela autarquia (nº 70074094236, 70073754897, dentre outros).

Se o Poder Judiciário, como um todo, tivesse tal visão, muitas ações não teriam seus trâmites tão prolongados como muitas vezes nos deparamos e sem encontrar a solução que se almeja para a resolução da dita transferência do salvado para o nome das seguradoras e consequente cumprimento do já mencionado regramento do artigo 126 do Código de Trânsito.

Acaba se estabelecendo um impasse entre segurados x órgãos de trânsito x seguradoras x Poder Judiciário que não chegam a lugar algum e esbarram na mencionada regra legal do artigo 126 do CTN que não abarca casos como os que ora se destaca.

Em contrapartida, as seguradoras, ante os entraves impostos pelos órgãos de trânsito, devem se valer de registro em ata notarial, produzindo prova da impossibilidade de atender o exigido pelas autoridades. Isso evitaria condenação em verbas indenitárias e multas, pois venceriam a presunção de ocorrência de desídia por parte das mesmas em adotar as providências cabíveis para a regularização junto aos DETRANS.

Ainda, poderiam se utilizar de ações de obrigação de fazer contra os órgãos de trânsito – após uma avaliação severa em seus depósitos, apurando todos os salvados passíveis de lhes gerar futuras ações ante a impossibilidade de regularização junto aos DETRANS – com o objetivo de dar solução aos casos.

Ao que se conclui, enquanto não houver uma norma reguladora a abarcar estes casos – nos quais o veículo segurado não se enquadra em nenhuma das situações precitadas – podem ser sim adotadas soluções de forma a evitar dissabores patrimoniais aos segurados e seguradoras, assim como o abarrotamento do judiciário com ações prolongadas do tipo. Basta a cooperação entre os envolvidos: segurado, seguradora e judiciário.