Os desafios das empresas familiares no Brasil 311

Os desafios das empresas familiares no Brasil

Responsáveis por ocupar 90% das quase oito milhões de empresas no país, negócios familiares são ameaçados por falta de profissionalismo e dificuldades na sucessão

Segundo uma pesquisa do Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE) de 2018, mais de 90% das empresas brasileiras são familiares e cerca de 65% do Produto Interno Bruto (PIB) do país é gerado por meio desses negócios. Porém, um estudo da network de empresas independentes PwC, realizado em 2014 com mais de 2 mil organizações de 42 países diferentes, apontou que apenas 12% das empresas familiares chegam à terceira geração e 1% à quinta.

Para a empresária e diretora da Ouro Negro Transportes, Priscila Zanette, isso acontece muito pelos conflitos e falta de profissionalismo na gestão dessas empresas. “Quando os papéis não estão bem definidos, de forma clara e de acordo com o ambiente, seja ele familiar, pessoal e profissional, problemas podem surgir, como o conflito entre os interesses da família e os da empresa, falta de disciplina com relação à destinação dos lucros, tempo maior de resposta às mudanças de mercado, a falta de procedimentos claros de avaliação de desempenho, conflito do fundador, rivalidade entre pai e filho, ou entre irmãos, estes são alguns desafios que podem gerar a ruínas destas duas instituições”.

Priscila é a segunda geração da empresa. Após seu pai falecer em 2012, a jovem empresária assumiu a transportadora e, em um setor masculinizado como o transporte de cargas, está à frente da Ouro Negro há 8 anos. “Aqui na empresa, entendemos que em alguns momentos somos herdeiras, outros momentos, executivas no cargo que estamos e em outros momentos somos família. Dizer que estes papeis nunca se misturam é utopia, mas sempre estamos focadas em nos adaptar e estar no papel de acordo com a instituição que estamos”.

Ainda de acordo com a Pesquisa Global da PwC, 44% das empresas familiares não têm um plano de sucessão e 72,4% não apresentam uma sucessão definida para cargos-chave como os ligados a diretoria, presidência, gerência e gestão. Para a empresária, o plano de sucessão deve ser customizado de acordo com o perfil de cada profissional, e não existe uma receita pronta para o sucesso. “Acredito que é fundamental ter apoio de um profissional especializado que possa intermediar esta passagem de bastão. Outro fator fundamental é ter profissionalismo no início, no meio e no fim do processo. Gerir uma empresa não é algo fácil, e acredito que em muitos casos falta profissionalismo na gestão das organizações familiares”.

O CEO da Flash Courier, Guilherme Juliani, também é um dos casos da segunda geração que segue o legado da família. Depois de assumir a organização fundada por seu pai, Guilherme foi responsável por uma profunda estratégia de expansão, inovação e automação da empresa. Em um curto espaço de tempo a operadora agregou novas unidades de negócios, que atraíram uma vasta rede de clientes, como bancos, redes financeiras, empresas de alimentação e e-commerce. Mas ele conta que, antes disso, um grande trabalho profissional foi feito para organizar a primeira e as próximas gerações. “Para que a sucessão acontecesse, tivemos uma consultoria que nos ajudou a desenhar e a esclarecer os caminhos. Quase oito anos atrás também formalizamos todos os contratos sociais, os acordos acionistas e outros fatores para reger até mesmo o futuro ingresso das minhas filhas (que hoje têm 10 anos) na empresa. Ou seja, tem sido um processo totalmente profissional, visando sempre à melhoria de desempenho da organização”.

Por fim, Priscila acredita que, quando bem organizadas, as empresas familiares têm características e benefícios únicos. “O ambiente agradável, o espírito de equipe, a rapidez na tomada de decisão e a simplicidade nas tratativas criam um ambiente único e saudável tanto para a empresa quanto para a família”.

Interesse de empresas por compliance quase triplica no primeiro semestre 491

Interesse de empresas por compliance quase triplica no primeiro semestre

Maior conscientização dos empreendedores fez as buscas por informações sobre melhores práticas subir 275% entre janeiro e julho

Preocupados cada vez mais em atuar em conformidade com a legislação e com as melhores práticas de seus respectivos setores, os empreendedores de pequenas e micro empresas aplicaram em 2020 um ritmo de busca por informações numa intensidade inédita para o segmento.

A constatação é do hub de serviços e conteúdo CompliancePME. A iniciativa, que se dedica à disseminação e aplicação prática da ética e integridade nas pequenas e médias empresas brasileiras, detectou um crescimento de 275 % nos acessos ao seu site durante o primeiro semestre. Em janeiro, a média de procura pelas informações e serviços disponíveis era de 800 empresários por mês. Já em julho, este volume saltou para 2200 visitas.

Para atender a esta maior demanda e aprofundar os serviços prestados aos empreendedores a CompliancePME acaba de anunciar uma parceria com a legaltech Kronoos, startup que oferece uma plataforma de compliance capaz de garantir a segurança necessária em qualquer tipo de aplicação. Por meio de pesquisas a partir do CPF ou CNPJ, por exemplo, a solução busca informações em mais de 1.300 fontes para conferir a idoneidade das pessoas e empresas. O acordo estabelece descontos de 20% para os parceiros da CompliancePME na aquisição das soluções oferecidas pela Kronoos.

Para a head de sucesso do cliente da CompliancePME, Nathália Göpfert, a maior intensidade da busca por informações sobre compliance, integridade e ética já havia sido detectada desde o ano passado como a necessidade crescente de contratar melhor e sem risco e foi reforçada neste ano com a pandemia, o home office e também pelas discussões em torno da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Segundo ela, o fato desta nova lei ter prosperado e entrado em vigor acabou contribuindo para aumentar a relevância e a prioridade do tema junto aos empresários. “Apesar do desejo de estar em conformidade com as normas e trabalhar de acordo com todos os conceitos de ética e transparência, os empreendedores de PMEs não dispõem de recursos suficientes em termos de ferramentas tecnológicas e capital humano para isso. Desta forma, parcerias como essa entre CompliancePME e Kronoos podem oferecer soluções que atendam às necessidades com uma relação custo/benefício adequada”, diz.

O CEO da Kronoos, Alexandre Pegoraro, explica que a ideia é colocar o know how da companhia de forma acessível para orientar as PMEs em suas jornadas. O executivo comenta que não só por causa da LGPD, mas pela própria imposição do ambiente de negócios, a busca por compliance será uma exigência cada vez maior e os empreendedores precisarão se adaptar a ela.

“Temos registrado um crescimento constante da procura por nossos serviços desde o ano passado, mas nos últimos meses a demanda se intensificou e podemos afirmar que houve um aumento de 300% nas nossas pesquisas nos últimos três meses. As empresas estão com muita pressa de resolver suas situações para iniciar um novo tempo e não estão dispostas a esperar pelos processos manuais”, afirma Pegoraro.

A Kronoos foi finalista do Prêmio Idei@ABBC, promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC) no ano passado. A empresa tem como clientes alguns dos principais escritórios de advocacia do país além de empresas líderes em vários setores.

De acordo com o Gartner, até 2023, os gastos organizacionais com tecnologias de gerenciamento de riscos para apoiar a devida diligência e monitoramento aumentarão em 50%.

Como fazer para que uma ideia se transforme em um negócio de sucesso 730

Lucas Atanazio Vetorasso é CEO do Grupo ATNZO e Imortal da Academia Brasileira de Escritores / Reprodução

Confira artigo de Lucas Atanazio Vetorasso, CEO do Grupo ATNZO e Imortal da Academia Brasileira de Escritores

Sem me preocupar em cair no clichê, a palavra de ordem para que uma boa ideia se transforme em um bom negócio é planejamento. Separei cinco pontos para ajudar o empreendedor a expandir sua ideia ou, pelo menos, analisar os riscos de investimento antes de lançá-la ao mercado.

Pesquisa

Boas ideias nem sempre são únicas. Algumas vezes já há no mercado ideias similares em outras versões. Um pouco de pesquisa competitiva protege o empreendedor de investimentos em formatos e locais errados.

Timing

Há muitos fatores responsáveis ​​pelo sucesso de um negócio, mas o maior deles parece ser o timing. Uma boa ideia que aparece antes que o mercado esteja pronto pode fracassar apesar de seu enorme potencial. Imagine uma peça de tecnologia para a qual os consumidores não estão prontos ou até mesmo uma série de TV cujo humor está à frente de seu tempo. Ambas as ideias, embora fortes e com grande potencial, são esmagadas. Da mesma forma, uma ideia que chegue tarde demais – uma vez que os consumidores já estejam satisfeitos ou entraram em outra tendência – não terá o mesmo impacto. Acertar o lançamento do seu negócio nesse “ponto ideal” é crucial para o sucesso.

Papel aceita tudo

Espero que, se você tiver uma boa ideia de negócio, também tenha um bom plano de negócios, com detalhamentos de sua empresa, de seu público, de como fará as campanhas iniciais, continuadas, etc. Só um detalhe: se prepare para o mercado. Não imagine que o mercado é um lago calmo, porque, na verdade, ele é um mar tempestuoso. Portanto, faça sempre três cenários de venda e expansão. Pessimista, Conservador e Meta de Venda. Desta maneira, os imprevistos – com certeza, haverão, serão mais facilmente controlados.

Resiliência

É a palavra da moda, mas é como eu disse no último item: o mercado é um mar tempestuoso, sendo assim, ele não permanece estático. Novas tecnologias são constantemente desenvolvidas, as tendências vêm e vão e as economias flutuam entre períodos de gastos do consumidor e períodos de frugalidade e medo. As circunstâncias em que seu negócio emerge serão certamente diferentes das circunstâncias que você enfrenta apenas meses na existência de sua empresa.

As empresas de sucesso não são aquelas que adotaram uma ideia e a mantiveram estática por anos. São aquelas que se adaptaram ao mercado.

Não ouça os Parentes Especialistas.

Todo mundo tem um tio, cunhado ou primo que está sempre jogando areia nos seus negócios. “Ah, mas se fosse fácil assim”, “Isso não vai dar em nada”. Tape seus ouvidos. Faça pesquisas, mas as faça juntamente ao seu público-alvo. E, acima de tudo, aja! Conheço pessoas que planejam um novo negócio por anos e não tiram ele do papel. Não só negócios. Pequenas ações. Muita teoria e pouca prática. Lembre-se de que uma boa ideia de negócio é tão boa quanto às pessoas por trás dela. Construa uma equipe compacta e eficiente. Equipe que aposte em sua ideia e inicie hoje.

Esses foram apenas alguns de outros itens tão importantes que devem ser levados em consideração na colocação de um novo negócio no mercado. Espero que possa ter ajudado um pouco neste caminho e que você tenha todo sucesso que almeja. Bons negócios!

44% das empresas não estavam preparadas para a crise gerada pela Covid-19 527

MBA em Gestão Estratégica qualifica profissionais nas áreas técnicas e de gestão

Micro e pequenas empresas do setor de serviços são as que mais vêm sofrendo impacto da pandemia

Uma pesquisa realizada pela Grant Thornton Brasil, empresa especializada em consultoria e auditoria, com 402 empresas, sobre os impactos da pandemia nas organizações, apontou que 43,78% das empresas pesquisadas não estavam preparadas para a crise gerada pela Covid-19. Deste universo, 62% são micro e pequenas empresas, 41% de médias empresas e 31% de grandes empresas.

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Segundo os analistas, tal desproporção está associada ao acesso ao crédito e ao nível de organização das empresas, ou seja, as que dispunham de ferramentas de gestão capazes de se adaptar com relativa rapidez a cenários adversos, sofreram menos.

Com relação aos setores da economia, o mais atingido foi o de serviços, no qual 47% das empresas não estavam preparas. “O resultado não surpreende, pois nesta categoria encontram-se as empresas mais atingidas pelas restrições impostas pela pandemia, que deverão enfrentar o desafio de adaptar-se à nova cultura organizacional, juntamente com a necessidade de se investir na pós-retomada”, afirma Hugo Luna, Líder de Transações da Grant Thornton Brasil.

“As empresas mais impactadas, que tiveram uma redução de mais de 50% no volume de negócios, corresponderam a 17% da população pesquisada. Por outro lado, 41% das empresas indicaram um baixo impacto (até 5%), possivelmente beneficiadas pelas medidas governamentais em função da pandemia, como postergação de impostos, redução de folha, suspensão de pagamento de dívidas etc.”, avalia João Rafael, sócio líder da área de Capital Markets da Grant Thornton Brasil.

Micro e pequenas empresas do setor de serviços registraram as maiores quedas nos negócios:

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Com relação à perspectiva de investimentos, 50% das empresas esperam uma redução de pelo menos 20% em seu ritmo. A pesquisa revela também certa cautela nos investimentos em fusões e aquisições (M&As), já que 35% das empresas demonstraram interesse em buscar um crescimento inorgânico neste momento.

Retomada da Economia

Há uma tendência a acreditar que o período de recuperação dos impactos da Covid-19 deve ocorrer em pelo menos um ano, previsão feita por 66% das respondentes. E essa expectativa é relativamente compartilhada por empresas de todos os portes e de todos os setores.

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Entre os principais desafios observados e lições aprendidas durante essa crise, a grande maioria dos respondentes indicou a elaboração de um cenário pós-crise como o principal desafio a ser enfrentado. A afirmação foi feita por 164 de um total de 402 empresas pesquisadas. E a maior dificuldade em elaborar esse cenário foi detectada, sobretudo, nas micro e pequenas empresas do setor de serviços.

GPTW reconhece Icatu como uma das melhores empresas para se trabalhar no RJ pela 6ª vez 658

Icatu Seguros: entre as melhores empresas em Satisfação dos Clientes do Brasil

94% dos colaboradores recomendariam a companhia para amigos e familiares

Com quase 30 anos de existência, a Icatu Seguros conquistou mais um ano o ranking Melhores Empresas para Trabalhar no Rio de Janeiro do Great Place to Work (GPTW). A empresa, que tem como propósito contribuir para proteger e assistir às pessoas em todas as fases da sua vida, teve o reconhecimento interno, entre aqueles que ajudam a construir e fortalecer seu desenvolvimento, e foi eleita pelo sexto ano seguido como uma das melhores empresas para se trabalhar no Rio.

Cerca de 94% dos colaboradores que responderam a pesquisa recomendariam a seguradora aos amigos e familiares como um excelente lugar para se trabalhar. Os times disseram ainda que a Icatu é uma empresa que desenvolve as pessoas e oferece oportunidades de crescimento, inclusive com reuniões de feedback mais de três vezes ao ano, o que aumenta o índice de confiança entre funcionários e empresa. Entre as percepções sobre a Icatu, os colaboradores afirmam ser uma empresa acolhedora, amistosa, descontraída e de fácil adaptação, mesmo nos casos de mudança de área. As equipes também relataram se tratar de uma empresa que valoriza a diversidade independentemente da idade, gênero, cor, etnia ou orientação sexual. Entre os entrevistados, 90% acreditam que a companhia continuará crescendo nos próximos dois anos.

“Nossos colaboradores dizem ter orgulho de trabalhar aqui e isso nos deixa ainda mais orgulhosos. Nossa companhia vem crescendo significativamente na sua área de atuação nos últimos anos e acreditamos que o investimento em tecnologia e inovação têm impulsionado o resultado e o envolvimento de todos para melhorar o atendimento aos clientes e parceiros e para o nosso desenvolvimento como grupo. Nossa intenção é continuar entregando melhores oportunidades de trabalho, mantendo a união e o propósito que nos move internamente”, diz Camila Asenjo, diretora de Pessoas da Icatu Seguros.

Com a missão de democratizar o acesso à proteção, contribuindo para a educação e o planejamento financeiro das pessoas, a Icatu Seguros também cuida do bem-estar e da qualidade de vida dos seus 1.900 colaboradores. A empresa busca valorizar o time para que todos se sintam parte fundamental de uma engrenagem.

“Temos feito diversas iniciativas para fomentar o sentimento de pertencimento, sobretudo neste ano, em virtude do isolamento social. Oferecemos um programa interno de saúde mental e física visando justamente o bem-estar no dia a dia do trabalho e só temos a agradecer o engajamento dos nossos colaboradores que vêm mantendo ou melhorando a produtividade”, finaliza Camila.

O risco de falhas profissionais com a retomada das obras de infraestrutura 558

O risco de falhas profissionais com a retomada das obras de infraestrutura

Confira artigo de Breno Nardy, head de Financial Lines da Austral Seguradora

O cenário de pandemia freou a expectativa de melhora econômica do país em 2020, mas os próximos anos devem trazer investimentos em diversos setores de infraestrutura. Seja em portos, aeroportos, rodovias ou ferrovias, seja em energia, saneamento ou telecomunicações, muitas obras são necessárias para o avanço nacional. Quando se fala em obra, alguns produtos de seguros vêm à mente de corretores e segurados: Riscos de Engenharia e Responsabilidade Civil em Obras. Contudo, tão importante quanto os dois produtos citados é o seguro de Responsabilidade Civil Profissional de Engenheiros, especialmente em um momento em que o país aguarda ansiosamente a retomada de sua economia e a alavancagem de projetos de infraestrutura.

Com os avanços em marcos regulatórios, como o do saneamento, de energia elétrica e de telecomunicações, que vão ampliar a demanda por obras de engenharia, a expectativa do governo federal é de que a infraestrutura seja a protagonista dessa retomada. A União calcula algo em torno de R﹩ 250 bilhões em contratos até o final de 2022 e pelo menos cem leilões de concessões. Com isso, o tema da proteção ganha corpo outra vez e o mercado de seguros encontra oportunidades a serem aproveitadas.

O seguro de Riscos de Engenharia tem função semelhante à do seguro Patrimonial no canteiro de obras. Seu objetivo principal é garantir que o proprietário da obra mantenha seu patrimônio protegido contra imprevistos, desde os equipamentos até a construção em si. Já o seguro de Responsabilidade Civil Geral (RCG) em Obras tem como objetivo indenizar terceiros em função de acidentes que possam ser causados durante a obra. Já com o seguro de Responsabilidade Civil Profissional (RCP), também conhecido como seguro de Erros e Omissões (E&O), o segurado, seja ele engenheiro profissional liberal ou um escritório de engenharia em personalidade jurídica, estará protegido contra os danos que possa vir a causar a terceiros, em função de eventuais falhas profissionais.

Não importa o quão capacitado seja o engenheiro ou quão sofisticados sejam seus equipamentos, todo ser humano está sujeito a erros. Ou pior, todo profissional está sujeito a ser processado por supostos erros sob sua responsabilidade. E cada engenheiro sabe a culpabilidade que sua assinatura em uma ART pode trazer. Podem-se usar tantos coeficientes de segurança quanto forem necessários, que sempre existirá a possibilidade de uma execução incorreta, de uma supervisão negligente, de um material inadequado, entre outros.

O seguro de Engenharia se encerra com a entrega da obra. Qualquer dano que não tenha sido constatado durante a vigência da apólice ficará sem cobertura. Já o seguro de RCP para Engenheiros poderá oferecer cobertura para o dano identificado em período posterior, uma vez que seu gatilho é a falha profissional, não um acidente durante as obras. Muitos dos problemas somente serão descobertos algum tempo após a entrega do empreendimento, como por exemplo o desabamento da ciclovia Tim Maia ou o recente vazamento em barragem do Eixo Norte da transposição do Rio São Francisco. Nesse momento, a apólice de Engenharia não estará mais vigente, enquanto a de E&O poderá estar.

Apesar de erros de projeto serem a cobertura mais disseminada do RCP para Engenheiros e Arquitetos, há apólices que oferecem cobertura também para erro de execução. Nesse sentido, é importante comentar sobre a existência da extensão de cobertura para subcontratados, de forma que o erro sob responsabilidade do segurado poderá ser coberto mesmo que não tenha sido diretamente cometido por ele. Cobertura para a responsabilidade do segurado em Joint Ventures também permite que a seguradora cubra prejuízos sob responsabilidade do segurado, mesmo que indiretamente causados.

Um dos pontos mais importantes da apólice de E&O é o adiantamento dos custos de defesa. O seguro permite que o segurado contrate advogados para sua defesa e, não havendo algum impeditivo para a cobertura, a seguradora paga antecipadamente os honorários advocatícios. Tais custos costumam ser elevados, muitas vezes sendo a principal preocupação dos contratantes do RCP.

As contratações do seguro podem ser feitas em apólices anuais e renováveis abrangendo todos os projetos sob responsabilidade do segurado ou de maneira pontual, com uma apólice por projeto específico. É possível que o proprietário da obra exija uma apólice de RCP para seu projeto especificamente, mesmo que já exista uma apólice abrangendo todos os projetos elaborados e executados pelo segurado. Isso acontece porque o limite de responsabilidade da apólice específica apenas poderá ser utilizado por aquela obra, não sendo, portanto, consumido por eventualidades em outras localidades.

Caso a perspectiva de crescimento no número de obras necessárias para o desenvolvimento nacional se concretize, surgirão oportunidades para a contratação do seguro de Responsabilidade Civil Profissional de Engenheiros. Dessa forma, não apenas os acidentes costumeiramente cobertos nas apólices de RCG e Engenharia poderão encontrar amparo no mercado segurador, mas também as chamadas falhas profissionais poderão ter a devida cobertura.