Paradigma da gestão nas instituições do mercado segurador 2233

José Pedro Vianna Zereu é Gestor de Projetos e Inovação do escritório Agrifoglio Vianna Advogados Associados / Reprodução

Confira artigo de José Pedro Vianna, do escritório Agrifoglio Vianna Advogados Associados

Uma das premissas para uma empresa ter sucesso daqui para frente é seu comprometimento com um propósito que vá além do crescimento econômico e do enriquecimento de seus donos e/ou acionistas. As companhias de seguro, assim como todos os prestadores de serviço relacionados a esse mercado, quando imbuídos da intenção primária e compassiva que possibilita a dinâmica desse segmento acontecer, tem muito mais a oferecer e a ganhar do que quando estão focados somente em metas e números frios.

Sabido que a possibilidade de uma seguradora cobrir os sinistros ocorridos depende de uma cooperação entre todos os segurados. A confiança – inerente a contratação de qualquer seguro – estabelecida entre a companhia e o segurado, permite que todos os demais segurados daquela seguradora tenham a garantia que seu sinistro terá cobertura caso venham a ocorrer. Essa relação integrada entre os segurados, essa teia, essa rede, poucas vezes é entendida. Ao meu ver, essa visão invoca a percepção de unidade, de cooperação, de apoio e união que tanto precisamos para sair do paradigma da competição e migrarmos para o da colaboração.

Essa confiança e esse senso de pertencimento a uma causa maior, chamados institucionalmente hoje de ‘Propósito’, somente são percebidos pelas pessoas como verdadeiros quando a mudança ocorre de dentro para fora, ou seja, quando internamente as organizações alinham seus objetivos e seus esforços com a causa mais nobre do trabalho.

Além do alinhamento com o propósito, diversas outras atitudes na gestão de uma empresa contribuem para uma melhor harmonia entre as pessoas, e consequentemente, mas não diretamente, geram melhores resultados financeiros.

A lógica do um sistema que vem sendo aplicado nas últimas décadas, e ainda hoje é replicado pela maior parte das empresas brasileiras, que é focado majoritariamente em resultados financeiros, dificulta um pouco o entendimento de que uma gestão que não está diretamente vinculada com lucros possa gerar mais lucro. Aqui está a maior mudança de paradigma.

No livro Reinventando as Organizações, de 2014, Frederic Laloux pesquisou profundamente várias organizações que institucionalizaram, além do senso claro do propósito de vida da empresa, modelos de autogestão, busca por integralidade (reflexão pessoal sobre a jornada de trabalho ao invés de uma foto do desempenho do passado), espaços reflexivos (salas silenciosas para equilíbrio emocional, práticas de reflexão em grupo, meditação), gestão de conflitos através da Comunicação Empática e mediação de conflitos, entre outras.

Todas as organizações citadas no livro não alteraram suas práticas com o intuito de ganhar mais dinheiro, mas sim de melhorar a qualidade de vida interpessoal e sistêmica, ou seja, das pessoas e do planeta como um todo.

Todas elas tiveram resultados financeiros muito além dos esperados e o crescimento gigantesco de algumas torno-as cases de sucesso e referências desse modelo de gestão.

Portanto, propósito claro, cuidado com o bem-estar das pessoas e o senso de pertencimento a uma ‘causa maior’ devem ser observados por gestores que desejam prosperar nesse novo contexto da humanidade.

Diretora da MAG Seguros: “Temos orgulho da nossa gente” 440

Patrícia Campos é diretora de Gente & Gestão da MAG Seguros / Divulgação

Confira artigo de Patrícia Campos, diretora de Gente & Gestão da MAG Seguros

A MAG Seguros é uma companhia com mais de 185 anos e que tem em seu DNA o cuidado com as pessoas. Fazemos isso no nosso negócio, por meio da proteção dos nossos mais de cinco milhões de clientes em todo o Brasil.

Dentro de casa, não é diferente: cuidamos dos nossos mais de 1.300 colaboradores e temos orgulho de quem eles são. Acreditamos fortemente que as empresas têm um papel fundamental na construção de uma sociedade melhor, mais justa, igual, diversa e inclusiva.

Por isso, entendemos a nossa grande responsabilidade e estruturamos neste ano o Plural, nosso programa de diversidade e inclusão a fim de agrupar diversas ações já existentes, além de estruturar e desenvolver novas iniciativas.

No início deste ano, realizamos nosso diagnóstico de diversidade, por meio de um censo junto aos nossos colaboradores. A pesquisa apontou que 80% dos funcionários da MAG pertencem a, pelo menos um grupo minorizado, sendo que 11% deles fazem parte da comunidade LGBTQIA+.

Desde o ano de 2016, a MAG figura na lista das melhores empresas para trabalhar no Rio de Janeiro e, desde 2018, na nacional, segundo a pesquisa anual realizada pela consultoria Great Place to Work.

Embora seja um grande motivo de orgulho, para nós, a pesquisa de clima realizada pela GPTW vai muito além do que um ranking. As pesquisas nos apontam pontos fortes e oportunidades de melhoria. Uma nota que é um dos nossos grandes destaques está diretamente relacionada à diversidade. A MAG registrou nota 96 na pergunta que questiona se a companhia apresenta um ambiente saudável para o colaborador expressar livremente a sua orientação sexual.

No entanto, sabemos o quanto é importante – assim como em nossa sociedade – avançarmos e aprendermos para promovermos uma cultura que favoreça que as pessoas sejam quem realmente elas são. E isso não é preferir ou preterir ninguém, e, sim, considerar a todos. Por isso, selecionamos a frente LGBTQIA+ como uma das dimensões que serão priorizadas no nosso programa de diversidade ao longo de 2021.

Temos orgulho dos nossos colaboradores e, por isso, não medimos esforços para que possamos construir, com a participação de todos, um ambiente de trabalho melhor a cada dia. Este é o nosso compromisso.

BMG Seguros: a nova era do saneamento 341

BMG Seguros: a nova era do saneamento

ESG, project finance e contratos de performance foram destaques de webinar FGV com apoio BMG Seguros

Webinar que debateu a nova era do saneamento no Brasil discutiu a participação da iniciativa privada no setor de saneamento, cujos investimentos previstos estão calculados entre R$ 700 milhões e R$ 1 trilhão.

Segundo os especialistas Benedito Braga, diretor-presidente da Sabesp, Carlos Brandão, CEO da Iguá Saneamento, e Rogério Tavares, vice-presidente de Relações Institucionais da Aegea, esta projeção vultosa se dá graças à Nova Lei do Saneamento (14.026/2020), prestes a completar um ano, que possibilita o investimento em infraestrutura tão fundamental para a retomada do crescimento da economia brasileiro. Um exemplo de que este é o caminho certo foi o sucesso do leilão da Cedae no fim de abril deste ano, o maior da América Latina no setor.

Para Renata Oliver, vice-presidente de negócios da BMG Seguros, o setor de saneamento é um dos mais importantes e prioritários para o governo: “O marco do saneamento tem um efeito multiplicador em toda a sociedade, com impacto direto principalmente na saúde e no turismo, entre outros segmentos. E o mercado de seguros está acompanhando essa onda de investimento e buscando soluções inovadoras para o setor. O seguro não pode ser coadjuvante nas discussões, pois tem papel fundamental como viabilizador da infraestrutura”.

Apesar dos avanços, Benedito Braga, alertou para o grande desafio de garantir a segurança jurídica nos processos, pois a nova lei já enfrenta questionamentos no Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, ele ressaltou a importância de se ter uma situação política sólida, para que o setor privado possa confiar nesse processo: “O governo federal precisa arredondar questões de natureza legal e não pode se eximir de por dinheiro no saneamento, achando que o setor privado é o salvador da pátria. Temos 5.400 municípios no país e o setor privado pode não ter interesse em todos eles”.

Para Carlos Brandão, a aprovação do marco do saneamento trouxe pilares importantes para a iniciativa privada atuar no setor com clareza de metas e possibilidade de investir com segurança jurídica. Ele prevê que nos próximos dois anos mais players devem participar dos projetos de licitação, a exemplo do que ocorreu com a Cedae, que atraiu grande interesse do setor privado: “Acredito que o tema ESG (ambiental, social e governança) é uma das chaves nesse processo, pois cria valor, traz capital novo e abre uma perspectiva positiva para a população, ou seja, traz um circulo virtuoso de atração para esse novo cenário”.

Para Rogério Tavares, os bons resultados alcançados nos últimos processos abre maior possibilidade de trazer capital privado para a universalização de serviços, seja em parceria público-privado (PPP), seja via privatização. “A lei trouxe um processo de abertura que tornou o setor muito atrativo e no qual apostamos bastante. Portanto, é natural atrair novos entrantes, até porque o volume de investimentos é muito grande”.

Segundo Tavares, isto deve ocorrer ao longo do tempo, depois de eliminar as últimas arestas do marco legal e consolidar a lei, que é fundamental tanto para o desenvolvimento do país quanto para a população que mora nas periferias das grandes cidades e regiões longínquas: “Para tanto, é preciso avançar no desenvolvimento de Project Finance, modalidade na qual sempre tivemos dificuldade no Brasil, pois se tiver que oferecer garantia dos acionistas para grandes investimentos, não dará certo”.

Novos Projetos

Os especialistas concordam que a questão de escalabilidade é um item fundamental em todo e qualquer novo projeto, a fim de garantir seu equilíbrio financeiro. Além disso, é preciso considerar a regionalização da lei, que não constava no projeto original, que dá aos municípios o poder de decisão de participar ou não de um projeto que engloba outras cidades, em uma região metropolitana, por exemplo, que tenha interesses comuns. Segundo Benedito Braga, “a ideia é boa, mas é preciso cuidar da operacionalização para que não haja problemas”.

De acordo com a Renata Oliver, outro ponto a ser observado nos novos contratos diz respeito à obrigatoriedade de as empresas atestarem sua capacidade financeira. Nesse sentido, os seguradores terão o importante papel de fazer um filtro, pois sem garantias não será permitido participar dos processos de licitação: “Como muitas companhias públicas não atendem essa exigência, resta saber se as empresas privadas terão capacidade de absorver todos os projetos.”

Gesner Oliveira, coordenador do Centro de Estudos de Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV EAESP, finalizou o evento destacando o avanço nas discussões ao longo de quase um ano da Nova Lei de Saneamento, que passaram a englobar temas fundamentais para se criar um ambiente propício para investimentos no setor de saneamento, como ESG, project finance e contratos de performance, o que estava longe da realidade brasileira pouco tempo atrás.

Lúcio Roca Bragança: Seguro e recuperação econômica 334

Lúcio Bragança é advogado do escritório Agrifoglio Vianna / Arquivo JRS

Confira artigo do sócio do escritório Agrifoglio Vianna – Advogados Associados

Em um cenário de pandemia, com a consequente recessão econômica, é natural um aumento na precaução, com a adoção de estratégias econômicas mais conservadoras e redução de investimentos. Por conseguinte, o contrato de seguro, enquanto instituição econômico-social de suma relevância, desempenha papel para a recuperação da economia, por seu papel institucional de redutor de incertezas e expansão da livre iniciativa: “O que o seguro tem em vista, o bem que ele oferece, como instituição, a instituição que ele se dedica, é justamente produzir este bem, este valor almejado – essencialmente almejado por todo mundo, seja qual for a sua categoria social, sua riqueza, sua natureza – que é a confiança¹”.

O aumento da confiança proporcionado pelo sistema de garantias ofertado pelo seguro favorece a retomada dos negócios e dos investimentos necessários para a superação da crise. Nesta toada, presta serviço também à Democracia, já que, como visto, uma sociedade com medo constitui ambiente fértil para o surgimento de autocracias.

Esse papel do seguro é especialmente importante no Brasil, onde ainda remanescem as características do “homem cordial” apontado Sérgio Buarque de Holanda², com a cultura do apadrinhamento, pessoalização do poder e relações sociais afiançadas por laços pessoais. Por conseguinte, pessoas e empresas menos favorecidas, destituídas de contatos que lhe emprestem confiança, deixam de depender deste critério subjetivo para prosperar, podendo se valer da impessoalidade e da objetividade apresentadas pelo seguro – sendo o exemplo mais emblemático o do seguro-fiança.

Também ganham relevância, em época de crise, todas as características do seguro que favorecem o desenvolvimento econômico e social que, segundo Steven Weisbart, podem ser sintetizados em 10 pontos, divididos em 3 segmentos: segurança, estabilidade econômico-financeira e desenvolvimento³. Na promoção da segurança, o autor aponta: 

1. Seguradores são agentes de resposta financeira imediata (enquanto ajuda governamental, ou políticas públicas, podem demorar meses ou anos, a cobertura de risco coberto ocorre em até 30 dias); 

2. A cultura do seguro mitiga o risco (seja através exigências contratuais de ajuste, seja por incentivos educacionais de comportamento).

Na promoção da estabilidade econômica/financeira, tem-se os seguintes: 

3. Seguradores protegem o capital (através do imenso volume de recursos imobilizados em reservas, os seguradores apresentam grande resistência às crises financeiras e possuem uma capacidade muito maior do que os bancos de contribuir para o PIB em meio à recessão); 

4.O Seguro complementa ou supre políticas públicas (como ocorre mais visivelmente nos seguros de saúde, renda temporária, acidentes de trabalho, previdência, etc.); 

5. Auxilia a manutenção da cadeia produtiva (mediante coberturas específicas de interrupção de fornecimento ou amplas de ressarcimentos de prejuízos);

6. Injeção de capital (ao mitigar o risco dos particulares, incentiva o investimento e reduz a necessidade de precaução e poupança).

Quanto ao desenvolvimento, vêm os 4 últimos pontos:

7. Financiamento da dívida pública (ao imobilizar grande parte de suas provisões em títulos públicos, o seguro aumenta a capacidade de investimento dos governos).

8. Promoção de obras de infraestrutura (o seguro auxilia sobremaneira a viabilizar as grandes obras – papel ainda majorado pela nova lei Lei 14.133/21 – que muitos economistas defendem ser primordial para a retomada do crescimento);

9. Favorecimento de novas tecnologias (as pesquisas de última geração, por sua novidade e imprevisibilidade de resultados, demandam especial segurança financeira);

10. Facilitação de crédito (através dos seguros-prestamistas e demais ramos de seguro-garantia).

Atualmente, o cenário regulatório nacional está especialmente favorável ao cumprimento dessas promessas, visto que o regulador promoveu uma mudança paradigmática no mercado brasileiro, com a superação do que Walter Polido chama de “supremacia dos produtos de seguros padronizados, com diferença apenas no preço”⁴. Com os seguradores livres para redigirem seus clausulados, abre-se o caminho para produtos novos e inovadores, criativos e mais arrojados – qualidades essenciais para superação de qualquer crise. Ademais, aumenta a competitividade entre as empresas, com a tendência à diversificação dos produtos e maior possibilidade de escolha pelo consumidor.⁵ Por mais desalentador que sejam os efeitos da pandemia, é reconfortador perceber que, ao menos no que  tange à seara do Seguro, o Brasil trilha um caminho inédito, de vanguarda, na direção do desenvolvimento.

Referências:

¹EWALD, François. Risco, Sociedade e Justiça. In: AAVV. VI Fórum de Direito do Seguro ‘José Sollero Filho’ – IBDS.  São Paulo: Rocarati/IBDS, 2015, p. 29.

²HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 139 e ss.

³WEISBART, Steven. How Insurance Drives Economic Growth. Disponível neste endereço. Acesso em 18 de maio de 2021.

⁴POLIDO, Walter. O “day after” à liberação dos clausulados de seguros pela Susep. Disponível neste endereço. Acesso em 18 de maio de 2021.

⁵Id., ibid.

Oportunidade final para ingresso no MBA Gestão Jurídica da ENS 420

Oportunidade final para ingresso no MBA Gestão Jurídica da ENS

Turma tem aulas programadas para começar na próxima segunda-feira (21)

“Vamos poder construir e pensar de modo prático as mudanças na indústria do seguro na atualidade, uma vez que somos atores deste novo período, especialmente em razão dos impactos das tecnologias disruptivas”. A afirmação, da coordenadora do MBA Gestão Jurídica em Contratos de Seguro e Inovação, Angélica Carlini, ressalta um dos eixos centrais que compõem o conteúdo do curso.

Com turma confirmada para iniciar no próximo dia 21 e inscrições abertas para as últimas vagas, o programa aprofunda os conhecimentos em Direito Securitário, Inovação e nas atividades relacionadas a contratos de seguro, governança corporativa, compliance e controles internos, seguros de pessoas, de automóveis, de responsabilidade civil, de riscos cibernéticos, entre outros temas.

A pós-graduação é voltada para graduados em Direito, Administração, Economia, Engenharia, Ciências Atuariais, Contabilidade, Tecnologia da Informação e Gestão. Por ser ministrado totalmente na modalidade online com aulas ao vivo, o curso possibilita a participação de profissionais de qualquer lugar do País.

Além disso, as aulas ao vivo são gravadas para permitir que os alunos possam assisti-las em outros momentos. A plataforma digital educacional da ENS permite a efetiva interação entre alunos e professores, e realização de atividades em grupo ou duplas, o que torna a relação ensino-aprendizagem mais dinâmica.

Corpo docente com alta titulação

O MBA Gestão Jurídica em Contratos de Seguro e Inovação conta com corpo docente formado por advogados, com titulação de especialistas, mestres e doutores, atuação no setor de seguros e experiência prática para contribuir com valiosos aportes teóricos.

O curso está dividido em três módulos independentes, cada um com cinco disciplinas de 24 horas, totalizando 366 horas de estudo e três semestres de duração. Alunos que fizerem o programa completo recebem certificado de especialista e aqueles que optarem por módulos independentes obterão certificações parciais. Não há necessidade de realização de monografia final.

Os interessados podem efetuar inscrição no site da ENS. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail posgraduacao@ens.edu.br ou pelos telefones (11) 2739-1049 e (21) 3380-1053.

Digitalização do mercado de seguros: caminhos e o cenário pós-pandemia 366

Digitalização do mercado de seguros: caminhos e o cenário pós-pandemia

Confira artigo de Wlamir Marques Sobrinho, Diretor comercial na Globant

Quando uma tendência, tecnologia ou moda transforma um hábito da população, o que os provedores de serviço precisam fazer? Adaptar. Foi assim com a transição da locadora para o streaming e será (provavelmente) também com adoção crescente de energia verde, por exemplo. Mas, agora, e quando não um hábito, mas toda rotina de trabalho e vida pessoal da população muda? Quando esses detalhes do dia a dia de alguém – mobilidade, atividade física, moradia – embasam todo o seu modelo de negócios, esse processo de adaptação, já complicado, ganha novas camadas. Um mundo novo de adaptação é o trabalho de casa do mercado de seguros, desde 2020, quando a Covid-19 colocou a vida de todos de cabeça para baixo. O primeiro passo para passar por isso: abrir um chamado no TI.

Antes de falar sobre como todos os caminhos de adaptação do setor passam pela tecnologia, vejamos como ficou o mercado com a chegada do novo coronavírus. As condições impostas pela pandemia provocaram uma série de transformações no comportamento das pessoas. Trabalho remoto, menor mobilidade (muitas vezes sequer utilizando o próprio automóvel), mais atenção/cuidado com o ambiente domiciliar e crescimento no sedentarismo.

Ação e reação. A partir dessa nova realidade, produtos passaram a ser menos e mais demandados. É o caso, por exemplo, do seguro de automóveis. Pelo fato de as pessoas estarem saindo menos de casa e usando mais aplicativos de carona, o setor registrou aumento de 45% na procura por planos mais enxutos, segundo levantamento de uma empresa de multicálculo. Outro efeito, esse decorrente da crise econômica provocada pela pandemia, é o menor acesso a seguros de saúde e vida, descontinuados graças à redução (ou extinção) de salários e menores benefícios trabalhistas em empresas que ainda tentam se manter de pé.

Mas o que cresceu ou deve ser mais procurado, no cenário durante e pós-pandemia? Uma pesquisa da Salesforce mostrou que mais de 50% dos brasileiros trocariam de emprego, se pudesse trabalhar em modelo de home office. Uma imposição de agora, mas que demonstra ser tendência para o futuro, o trabalho remoto deve influenciar em duas linhas de produto: domiciliar e, com o tempo, adoção mais ampla de planos de saúde. Isso porque, com as pessoas passando mais tempo dentro de casa, é mais provável que seguradoras tenham mais oportunidades de venda de soluções focadas no lar. Já o outro, por conta de medidas restritivas e aumento no sedentarismo, é tendência de alta na procura por planos de saúde.

Os caminhos – e benefícios – da digitalização

Mas o que a tecnologia tem a ver com o momento do mercado de seguros e com o cenário que estaremos no pós-covid? Tudo. Soluções tecnológicas, de Inteligência Artificial a Cloud Computing, por exemplo, já resolveram problemas do consumidor e de empresas do setor bancário, entretenimento, farmacêutico e muitos outros. No setor segurador, a aplicação de tecnologia é essencial em um cenário normal de temperatura e pressão. Agora, em uma pandemia, com diversas restrições e isolamento, é ainda mais imprescindível. Isso porque é por meio da transformação digital que as seguradoras poderão, além de se adaptar ao novo cenário ganhando competitividade e eficiência, resolver alguns dos grandes desafios do setor nos últimos anos.

Entre eles estão a necessidade de se estreitar o relacionamento com os corretores e suas plataformas; a busca por canais alternativos de distribuição de seguros via bancos, varejistas, agências de viagens, cartões de crédito etc; e otimizar processos internos, como portais de autoatendimento, automação do pagamento de sinistros e despesas, melhoria de sistemas para permitir um melhor “product to market”, processos automatizados e integrados com parceiros de negócios.

Esses desafios, relacionados principalmente ao direcionamento correto de soluções, conexão, transparência e uso correto de dados, são gerenciáveis por meio de soluções tecnológicas que a Globant já aplica. Um exemplo é o uso do Smart Watch associado aos seguros de Saúde e Vida, funcionando como um coletor de dados valiosos sobre o estilo de vida do cliente. Já a Telemetria Inteligente, solução normalmente usada por gestores de frotas, é um tipo de tecnologia que deve beneficiar principalmente a venda de seguros de automóveis, com aplicações de cobertura extra para o uso de transporte particular, seja por aplicativo ou táxi, por exemplo. Já os produtos residenciais podem contar com melhores insights graças à Internet das Coisas (IoT), uma das tecnologias que torna possível, hoje, as Smart Houses.

O que todas essas aplicações tecnológicas têm em comum? A coleta de informação valiosa — que deve ser protegida e usada com ética e responsabilidade — sobre os hábitos e necessidades do cliente, seja sobre ele mesmo, sua locomoção (seja por seu carro ou por um serviço de transporte) ou sua casa.. Com uma cultura guiada por dados, é possível usar esse conteúdo para oferecer personalizado ao consumidor, como cobertura e/ou serviços que de fato resolvam os seus problemas. Isso está no DNA da Globant: o cliente no centro. Soluções criadas para demandas reais e focadas nas pessoas.

Sabendo que, antes ou durante a pandemia, quem correu atrás da transformação digital saiu na frente, fica a pergunta: com novas tecnologias e novos hábitos adotados pela população, para onde vai o setor de seguros?

Com a coleta mais refinada de dados e melhores insights, uma das principais tendências é o modelos de negócio As a Service, que vai oferecer soluções/pacotes de acordo com as demandas do consumidor — seja por necessidade financeira, como vimos no início do artigo, ou por melhor customização. O atendimento ágil, efetivo e transparente passa a ser cada vez mais importante na decisão de compra e fidelidade do consumidor. Por isso, as seguradoras precisam se manter conectadas para prover esse serviço de excelência, de forma que se gere um ciclo virtuoso. Experiência bem sucedida, que faz o cliente ficar mais satisfeito e fiel à empresa, que, por consequência, se sente mais inclinado a compartilhar mais dados com a seguradora.

Em resumo: é preciso se digitalizar ou se digitalizar.