Autoridade e autoritarismo, democracia e demagogia nas organizações 861

Autoridade e autoritarismo, democracia e demagogia nas organizações

Confira artigo de Roberto Rafael Guidugli Filho, professor da Faculdade de Administração Milton Campos, mestre em engenharia de produção e especialista em engenharia econômica

Gerenciar é uma arte, mas também pode ser assimilada como um conjunto de técnicas e métodos que visam buscar resultados. Nessa dicotomia entre a arte e a ciência, o gerente, muitas vezes, se defronta com o tênue limite entre exercer a sua autoridade e ser autoritário. É como se estivesse tentando manter o equilíbrio sobre um fio de arame.

A autoridade é um conjunto explícito de regras que delimita o campo de ação do gerente e que permite que o mesmo atue na busca da eficiência, do fazer mais com menos e da eficácia para obter as respostas esperadas de suas ações gerenciais. Muitas empresas possuem essa autoridade descrita no perfil das funções exercidas por seus colaboradores, propiciando um ambiente equilibrado e produtivo. Outras, no entanto, contam com o bom senso ou deixam correr solto e o caos gerencial se instala. Frases como “não me traga problemas”, “isso não é comigo” ou “cumpro a minha parte e basta” são típicas nessas organizações.

A autoridade depende diretamente do nível de conhecimento do profissional que ocupa o posto de gerência e da clareza de sua posição na pirâmide hierárquica da organização, conforme preconizou sabiamente o escritor e consultor administrativo Peter Drucker. Não há dúvida de que mesmo nas organizações mais descontraídas – hierarquicamente falando –, alguém em algum momento tem que dar a palavra final. Trabalhar com liberdade, autonomia e descontração não exime ninguém de exercer a sua autoridade.

Talvez pela nossa experiência histórica recente, a autoridade é vista como sinônimo de autoritarismo, um equívoco que tem causado muitos prejuízos em todas as áreas. O autoritarismo ao contrário da autoridade está no campo da barbárie, onde não há respeito aos limites do gerenciamento, o que acaba contaminando de modo pernicioso as organizações.

No equilíbrio entre autoridade e autoritarismo, duas personagens participam da contradança: a democracia e a demagogia. A prática de uma gestão democrática nas organizações, não exclui o exercício da autoridade. Em situações democráticas como o trabalho em equipe, são extremamente salutares a troca de ideias e o estímulo à criatividade, mas o gerente precisa e deve decidir, nem que seja pelo voto de minerva. No entanto, quando esse gerente tem a autoridade para decidir e resolve consultar a equipe, temos o exercício danoso da demagogia.

Geralmente, este tipo de profissional é visto como o gerente legal, que busca se dar bem com todos. Entretanto, gerente não é candidato a miss simpatia, ele é responsável por produzir resultados, cumprir metas e isso exige o exercício da autoridade.

Quando o general George S. Patton assumiu o comando do exército americano no norte da África, encontrou uma situação anárquica e no exercício da sua autoridade, restabeleceu a ordem e venceu os nazistas. Na época em que conduzia as tropas na linha de frente das batalhas, o general exercia um nível a mais de sua autoridade, colocando em prática a sua liderança. Esse comportamento contribuiu para que os soldados o admirassem ainda mais.

No entanto, quando um soldado foi esbofeteado na enfermaria, sob a alegação de que estava com medo de ir ao campo de batalha, o general Patton desceu ao lúgubre ambiente do autoritarismo e pagou caro por isso, sendo afastado do comando do exército americano.

A linha entre autoridade, autoritarismo, democracia e demagogia é tênue, mas hoje podemos contar com várias técnicas e métodos para caminharmos de forma equilibrada sobre esse fio de arame. Contudo, esse assunto é para uma outra oportunidade.

Roberto Rafael Guidugli Filho, professor da Faculdade de Administração Milton Campos, mestre em engenharia de produção e especialista em engenharia econômica.

Mercado de seguros tem uma escola que pode chamar de sua 437

Marcio Coriolano é Presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) / Divulgação

Confira artigo de Marcio Coriolano, Presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg)

No Brasil, infelizmente, o processo de formação e qualificação de recursos humanos geralmente não tem sido proporcional aos avanços da sociedade e da economia. São esses descompassos que têm gerado as quedas da produtividade da mão de obra, amplamente reconhecidas por estudiosos de todos os matizes. E parece haver convergência também sobre o remédio para esse estado de coisas: maior dotação orçamentária para escolas públicas, maior investimento privado na educação e prioridade para a revisão de currículos e diversificação de meios de ensino.

Mesmo com todas as dificuldades do compasso da educação, o setor brasileiro de seguros tem contado com uma escola especializada – a Escola de Negócios e Seguros (ENS) – e vários centros de ensino adjacentes que oferecem disciplinas permanentes e cursos temporários de seguros. A ENS (ex-Funenseg) pode até ser considerada um patrimônio do mercado securitário, já que foi fundada há 50 anos pelas suas principais representações institucionais -de seguradores e de corretores – razão pela qual vem despertando hoje, muito recentemente, depois desse formidável investimento, o apetite de entidades convencionais para investir na capacitação de recursos humanos de um setor tão diversificado quanto complexo.

Já há pelo menos vinte anos que os seguros vêm crescendo a uma taxa anual que supera a da maioria dos outros setores de atividades. Tornou-se fonte de riqueza para a Nação, de investimentos para o País e de empregos para os seus cidadãos. E quase que pelos seus exclusivos méritos, já que apenas muito recentemente vem merecendo maior atenção da área econômica do Governo. É um dos setores de atividades que mais investem em tecnologia, e grande parte das empresas consolidadas mantém o seu próprio centro de inovação, aproximando as famosas insurtechs das suas áreas incumbentes que se apropriam de verdadeiras revoluções de processos e rotinas operacionais.

O resultado desse investimento continuado na formação de profissionais especializados em seguros resulta na mão de obra diferenciada. Historicamente, a ENS sempre teve o cuidado de preparar os corretores para serem consultores, capazes de avaliar rapidamente a realidade econômica de cada consumidor, de forma a oferecer o produto mais adequado. Se atualmente o mercado segurador é reconhecido pela solidez financeira e resiliência, grande parte se deve ao corretor de seguros, que, no contato direto com o público, reforça que o compromisso do setor com a sociedade não se resume a uma relação de compra e venda. E isso, os corretores aprendem na nossa escola. Ensinamento esse que é ampliado para outros securitários, sejam eles administradores, atuários, economistas, contadores, advogados, entre outras importantes especialidades que formam a extensa cadeia de valor dos seguros.

Não foi por outra razão senão a de acompanhar a modernização e ativa inovação permanente do mercado de seguros que a ENS reviu recentemente o seu nome e marca, incorporando os negócios ao seu coração de atividades. Veio, portanto, se preparando para a sadia competição que se avizinha no mercado em que atua.

Eu próprio sou testemunha, como ex-conselheiro da administração da ENS, de todo o verdadeiro turbilhão de mudanças que a colocaram no patamar onde está hoje. Foram muitos milhares de cursos de habilitação de corretores, de cursos regulares para profissionais de seguros sobre as várias etapas da cadeia produtiva dos seguros, curso superior, cursos à distância. E, mais importante, tudo com a reconhecida excelência do seu corpo permanente de docentes ao que se somam gabaritados catedráticos e especialistas que prestam serviços à Escola.

Vivemos uma era de popularização do ensino, nos mais diferentes segmentos de atividades. Por isso, é fundamental ter em conta que todos aqueles que buscam oportunidades profissionais no imenso universo dos seguros querem ter confiança nos propósitos e na isenção de quem lhe oferece o conhecimento. E querem conquistar a sabedoria por meio de contato com entidades e profissionais experientes, em ambiente concorrencial cujo principal atributo seja o respeito à trajetória de cada concorrente e à diversidade de paradigmas e opiniões. Sim, porque missão profissional também se aprende na escola.

Newton Queiroz: JRS muito além de um meio de comunicação – um legado 548

Newton Queiroz é Chief Strategy Officer da Kovr Seguradora e articulista do JRS / Arquivo JRS

Confira coluna especial de Newton Queiroz, Chief Strategy Officer da Kovr Seguradora

Final dos anos 1990 e o Jornalista Jota Carvalho decide tomar um passo ousado em sua carreira com a fundação do que seria na época um jornal de notícias da indústria de seguros para Região Sul do País.

Como todo empreendedor, o início não foi fácil, mas com seu foco e dedicação superou os obstáculos até chegar na consolidação do que era um jornal regional, em uma empresa de mídia em nível nacional – Jornal do Seguro (JRS).

Foram anos de dedicação, suor e muito amor pelo JRS, sempre tendo ao seu lado sua filha, Júlia Senna, quem o seguia de perto para se tornar, quem sabe, um dia sua sucessora.

Em uma destas reviravoltas da vida, o grande Jornalista Jota Carvalho nos deixou em 2019 e com isso dúvidas sobre o legado do JRS.

Jota Carvalho, fundador do JRS, e Júlia Senna, editora-chefe do veículo / Arquivo JRS
Jota Carvalho, fundador do JRS, e Júlia Senna, editora-chefe do veículo / Arquivo JRS

Mais uma vez, JRS era colocado à prova e Júlia Senna não decepcionou e sim inovou. Claro, sentiu muito a falta do fundador e pai, mas utilizou tudo que aprendeu e conseguiu não só manter o JRS, mas modernizá-lo, e com isso temos hoje neste meio um dos mais importantes e prestigiados da indústria de seguros nacional.

Hoje, essa história completa 21 anos de muita paixão e dedicação de uma grande família que é o JRS. Nascida de uma visão de um grande Jornalista e tendo seguimento por uma primogênita visionária e que soube aprender com seu mentor.

O JRS presta serviços fundamentais à nossa indústria com informações imparciais e sempre criando eventos e ações disruptivas e por isso gostaria de desejar feliz 21 anos hoje e parabéns pelos muitos que irão cumprir.

JRS rumo aos 50 anos de apoio, inovação e transparência no mercado segurador!

João Marcelo dos Santos e Walter Polido: Um novo mercado de seguros 346

Os advogados João Marcelo dos Santos e Walter Polido / Divulgação

Confira artigo publicado no jornal Folha de São Paulo

Debatemos, na Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP), o processo de flexibilização da regulamentação promovido pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), que dá liberdade para as seguradoras desenvolverem produtos de seguros adequados às demandas de seus clientes.

Já era chegada a hora de mais competição entre as seguradoras no desenvolvimento de melhores produtos. Clausulados rigidamente regulados, diante das rápidas mudanças na economia, no direito, nos interesses seguráveis e na vida das pessoas, condenariam os seguros ao atraso. Prejudicariam os segurados e seriam uma tragédia para a sociedade, que precisa da proteção do seguro e da poupança que ele gera.

Com mais liberdade, o nosso mercado de seguros poderá, sem amarras, avançar mais ainda. Isso, reconhecendo que públicos hipossuficientes demandam maior cuidado por parte da Susep.

Os exemplos dos seguros intermitentes (pelos quais se paga somente na medida em que o bem coberto, como o automóvel, é utilizado), coberturas de diversos ramos em uma só apólice e clausulados mais simples e compreensíveis são somente um vislumbre de como evoluiremos.

Quanto aos seguros de grandes riscos, o momento de flexibilização vem justamente com bons resultados da abertura do setor de resseguros, promovida em 2008.

O resseguro é o seguro das seguradoras, contratado para a cobertura deperdas não suportáveis por seguradoras, como é o caso das usinas hidrelétricas. É atividade essencialmente internacional, um instrumento de transferência de capacidade financeira e técnica especializada.

De fato, passada a pandemia, a urgência do crescimento econômico, associada às mudanças em curso, demandará e será beneficiada por melhores seguros, sejam eles pessoais, de pequenas propriedades, como celulares, ou de grandes riscos, como projetos de infraestrutura. Não há instrumento econômico de garantia melhor do que o seguro.

Esses avanços, inclusive, devem inibir possíveis retrocessos, como novas legislações e projetos de lei que tornem nosso mercado uma realidade ainda mais exótica e apartada do mundo.

Aliás, a inexplicável saudade de alguns do monopólio e da hiperregulação de clausulados só se explica pelo próprio desajuste à modernidade.

Medidas contrárias à modernização do sistema beneficiariam a manutenção do “tudo como está”, protegendo agentes menos eficientes da concorrência. Ademais, deixaríamos de ter um mercado atrativo para investidores e resseguradores.

Processos de desenvolvimento de regulações dão-se com passos à frente e retrocessos. Não custa, de qualquer modo, esperar que os avanços de agora sejam definitivos, por serem urgentes e necessários para os cidadãos e segurados. O Brasil está atrasado nessa trajetória.

*João Marcelo dos Santos é advogado, sócio fundador do Santos Bevilaqua Advogados, presidente da Academia Nacional de Seguros e Previdência e ex-diretor e superintendente substituto da Susep.
*Walter Polido é advogado, coordenador acadêmico da especialização em Direito do Seguro e Resseguro da ESA-OAB-SP, árbitro e parecerista em seguros e resseguro, sócio e professor da Conhecer Seguros.

Open Insurance: entenda a revolução no mercado de seguros 389

Marcelo Feltrin é Head of Business Development da Opus Software / Divulgação

Confira artigo de Marcelo Feltrin, Head of Business Development da Opus Software

O open insurance é uma iniciativa que tem como objetivo tornar o mercado de seguros mais competitivo, com o intuito de tornar os produtos oferecidos pelo setor mais populares e acessíveis com melhoria também na jornada de compra do cliente. A medida faz parte de uma estratégia de inovação aberta, que reúne empresas do segmento e outras que estejam interessadas em criar novos produtos e serviços.

O funcionamento do open insurance é bem similar ao do open banking. A ideia é permitir que os clientes possam autorizar, de forma segura, o compartilhamento de seus dados, para, a partir daí, obter melhores serviços e fomentar a criação de novos modelos de negócio.

Essa semelhança, inclusive, não é nenhuma coincidência, visto que a quarta fase de implementação do open banking, prevista para o dia 15 de dezembro deste ano, previa o compartilhamento de dados de operações de câmbio, investimentos, seguros, previdência complementar aberta e contas-salário.

Tanto o open banking quanto o open insurance fazem parte de um movimento chamado de open finance, que é justamente a iniciativa de criar um ecossistema integrado, que permite o compartilhamento de dados de forma segura e transparente, o que incentiva a inovação.

Como funciona o open insurance

Assim como no open banking, o compartilhamento de dados no open insurance é feito por meio de APIs abertas. Elas funcionam como uma “ponte”, compostas por instruções e padrões de comunicação que conseguem proporcionar a comunicação entre empresas diferentes, de forma padronizada e ordenada. Portanto, uma API de open insurance precisa ser Simples, Segura, Padronizada, Escalável e Moderna.

Na estrutura do open insurance, os produtos, serviços, informações e funcionalidades de uma seguradora ficam disponíveis para consumo por qualquer outra e vice-versa. Isso acontece porque elas obedecem ao princípio da reciprocidade, que diz que só é possível ter acesso aos dados se você também os fornecer e o que possibilita isso é justamente o fato de as APIs serem abertas.

Além disso, a tecnologia das APIs abre portas para uma série de inovações, desenvolvimento de novos negócios, aplicativos e soluções, como, por exemplo:

  • Agregação de serviços, relacionados ao open finance;
  • Facilitar a contratação e cotação de serviços de seguro ou de investimento;
  • Portabilidade;
  • Aviso de sinistro.

O Banco Central, que é o órgão regulador do mercado financeiro e grande promotor do open banking no Brasil, e a Superintendência de Seguros Privados (Susep) atuam em sinergia para estipular as regras de segurança e operação dessas APIs. Isso porque, é necessário garantir que os desenvolvedores tenham acesso às regras de desenvolvimento, assim como aos padrões da gestão de consentimento, como realizado no open banking.

Atualmente, é obrigatória a participação de seguradoras, Entidades Abertas de Previdência Complementar (EAPCs) e as sociedades de capitalização das categorias S1 e S2. As Sociedades Iniciadoras de Serviços e Seguros (SISS), apenas mediante credenciamento, de acordo com o normativo específico.

3 pilares fundamentais do open insurance

O open insurance está fundamentado em três pilares. São eles: open innovation; experiências digitais e novos modelos de negócio.

  • Open Innovation –  A partir do pressuposto de que duas cabeças pensam melhor do que uma, compartilhar dados e informações entre organizações fomenta os processos de inovação, justamente porque permitem uma ampliação da visualização de um cenário, além de ser possível combinar a expertise de uma outsourcing de TI para a criação de um novo produto, por exemplo.
  • Experiências Digitais – A pandemia do novo coronavírus intensificou a necessidade por produtos e experiências digitais que, de alguma forma, pudessem aproximar o público com os serviços necessários. A combinação da melhora das experiências digitais do consumidor, com a tecnologia e análise de dados, também está dentro dos objetivos do open insurance e, consequentemente, do open finance.
  • Novos Modelos de Negócios – O surgimento de novos modelos de negócio é, na realidade, uma consequência dessa iniciativa de open finance. No caso específico do open insurance, tornar os produtos das seguradoras mais acessíveis, agilizar e otimizar processos também fazem parte desse quadro de inovação.
    Segurança de dados

Um ponto importante é a jornada de consentimento. De acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), consentimento é a “manifestação livre, informada e inequívoca pela qual o titular concorda com o tratamento de seus dados pessoais para uma finalidade determinada”.

Assim, na gestão de consentimento, são observados alguns itens essenciais:

  • O que o usuário X consentiu?
  • O que o usuário X não quer mais consentir?
  • Quais consentimentos o usuário X revogou e como isso te afeta?

Dessa forma ficam garantidas as etapas de autenticação entre as instituições receptoras e transmissoras, para que esses dados só possam ser fornecidos pelos titulares.

Outro desafio é a padronização no desenvolvimento das APIs, já que elas impactam diretamente na gestão do consentimento e na transação segura das informações. Portanto, é necessário que essas regras estejam bem definidas pelos órgãos reguladores.

Cronograma de implementação do open insurance

De acordo com a Susep, a implementação do open insurance está dividida em três fases, e deve ocorrer entre 2021 e 2022.

Fase 1 – Open data: dados abertos de seguros – 15 de dezembro de 2021

  • Dados públicos das sociedades supervisionadas;
  • Canais de atendimento;
  • Produtos disponíveis;
  • Marketplace.

Fase 2 – Compartilhamento de dados pessoais – 01 de setembro de 2022

  • Cadastro de clientes e representantes;
  • Movimentações dos clientes relacionadas a produtos;
  • Registro de dispositivos eletrônicos;
  • Dados individuais de clientes; compartilhado apenas mediante consentimento.

Fase 3 – Efetivação de serviços – 01 de dezembro de 2022

  • Contratação;
  • Endosso;
  • Resgate ou portabilidade;
  • Pagamento de sorteio;
  • Aviso de sinistro;
  • Foco na melhoria da experiência do consumidor.

No que diz respeito ao compartilhamento dos dados, o cliente poderá escolher com quais entidades deseja compartilhar determinados dados, assim como revogar este consentimento a qualquer momento.

A ideia por trás do open insurance se conecta com a aceleração da transformação digital que já acontecia, mas acabou intensificada por conta da pandemia do coronavírus, em 2020. Até porque, a necessidade por inovação e agilidade foi ao encontro da aproximação com o cliente e o consequente aprimoramento dos estudos relacionados à jornada de compra.

As estradas necessitam de mais mulheres 480

Ana Luísa Orsolini é Head of ESG da VUXX / Divulgação

Confira artigo de Ana Luísa Orsolini, Head of ESG da VUXX

Há menos de 100 anos no Brasil, nós, mulheres, não podíamos trabalhar sem a autorização do próprio marido, votar, ou até mesmo ingressar no ensino básico. Apesar de muitos avanços, ainda possuímos diversos problemas estruturais para alcançar a igualdade, como disparidade salarial, jornada dupla e ausência de mulheres nos cargos de liderança e nas ditas “carreiras de homens”.

Realizar entregas, trabalhar na estrada, independentemente do tipo de veículo utilizado, é tido, ainda, como um trabalho masculino. De acordo com dados da Confederação do Nacional do Transporte (CNT), apenas 0,5% dos motoristas de caminhão no país são mulheres.

Em 2020, a corretora Minuto Seguros fez um levantamento que mostrou que o seguro de carro para mulheres pode ser até 23% mais barato do que para homens por elas serem mais cuidadosas. O levantamento “Mulheres no Trânsito”, da Seguradora Líder, confirma isso: em 2019, apenas 25% das indenizações pagas pelo seguro DPVAT foram para mulheres, enquanto 75% foram para homens. No caso dos pagamentos por acidentes fatais, 82% das vítimas são do sexo masculino. Mesmo sendo mais cuidadosas, ainda existe muito preconceito contra nós nesse setor.

Ouça também: A importância do ESG para o futuro das empresas

A VUXX é uma startup focada em logística digital, que atua, desde 2015, descomplicando a vida de todos os envolvidos no transporte de cargas através da conexão de empresas que necessitam de transporte a motoristas que possuem seu próprio veículo via aplicativo, de forma simples, rápida e intuitiva. Esse sistema, que seleciona motoristas por critérios puramente de performance, não faz qualquer discriminação sobre gênero.

Portanto, sem nenhuma ação afirmativa até aquele momento, apenas selecionando motoristas de acordo com o seu desempenho, no início de 2021, 4,5% das nossas rotas já eram feitas por mulheres, e o motorista que mais havia realizado rotas conosco era uma mulher.

Percebendo isso, quisemos aumentar esse número inaugurando o Projeto Mulheres, no qual engajamos e valorizamos nossas motoristas todos os dias. Com este projeto, em apenas 5 meses conseguimos aumentar o número de rotas femininas para 10%. Mas não vamos parar por aí, queremos no futuro chegar aos 50%, mostrando ao mercado que as mulheres são completamente capazes, sem que haja qualquer contraindicação ou lado negativo nesta história.