Newton Queiroz: Não deixe para amanhã o que deveria ter sido feito antes 857

Newton Queiroz: Não deixe para amanhã o que deveria ter sido feito antes

Colunista do JRS fala sobre transformações e expansão da penetração do seguro no Brasil

Apesar de tudo que estamos vivendo no mundo e, em especial no brasil, é incrível o poder de nossa sociedade em reinventar-se. Acredito que seja resultado das inúmeras crises/desafios que enfrentamos (mesmo nenhum tendo sido próximo ao que vivemos hoje).

O sofrimento é igual ao resto do mundo, mas a força de buscar algo novo e fazer diferente é uma característica da sociedade brasileira há muitos anos. Por isso que muitos compatriotas acabam destacando-se em algumas funções mundialmente.

Quando falamos da indústria de seguros, a reinvenção foi significativa em todos os aspectos da cadeia. A tão sonhada transformação digital teve início e veio aqui para ficar. Quem consegue imaginar um provedor de seguro sem um portal, atendimento online e outros? Em 2019 não era assim, mas nos adaptamos rápido e agora estamos correndo atrás para alcançar outras indústrias.

Contudo, um ponto ainda necessita de maior exposição em nossa indústria: a expansão do mercado. Por qualquer ângulo que desejemos olhar é fato que ainda existe muito a conquistar em termos de penetração de seguros na sociedade.

Este fato deve ser visto como positivo. Ainda mais no cenário atual. Em um momento de crise como o que vivemos, se fizermos um paralelo com outras indústrias mais desenvolvidas, percebemos que é muito mais difícil deixar de possuir um produto de nossa indústria.

Porém, o ponto crucial aqui é começar e dar sequência a um movimento de busca por novos clientes para produtos existentes e/ou que desejem novos produtos a serem desenvolvidos. Devemos lembrar que muitos não contratam seguro pelo simples fato de não receberem ofertas e, quando recebem, elas não são adequadas.

O grande ponto aqui é que o resultado não vem de imediato. Por isso, na maioria das vezes, isso tudo acaba ficando em segundo plano. Justamente por isso sempre defendi estratégias paralelas: uma para entregar os resultados de hoje e outra para entregar os resultados de amanhã. Em ambas deve ser dado foco às oportunidades que o setor nos traz e que deveríamos estar investindo.

Seria errado falar que existe um responsável por não estarmos mais avançados na penetração de seguros em nosso País, mas está claro que um jogador sumamente importante por aqui são os Corretores de Seguro. São eles que podem acessar a grande gama de clientes e buscar as novas vendas.

Para isso sempre defendi a criação de um círculo virtuoso, onde empresas de seguro e resseguro criam treinamentos, conteúdo e escutam as demandas dos clientes (via Corretores). Em contrapartida, os corretores dedicam parte de seu tempo para buscar novos clientes, oferecer novos produtos e traduzir pontos importantes para as seguradoras. Isso geraria um ciclo de melhoria contínua e resultaria em uma maior penetração de nossos produtos.

Se de um lado podemos dizer que deveríamos ter feito isso antes, de outro devemos lembrar que tudo tem um começo. Por que não agora?

Termino este texto com uma frase de Bernard Shaw que sempre me faz refletir e pensar no novo: “Você vê coisas e diz ‘Por quê?’ Mas eu sonho coisas que nunca existiram e digo ‘Por que não?”.

Invista na experiência do cliente 299

Invista na experiência do cliente

Mais de 80% das pessoas gastariam mais por uma boa vivência com a marca

Empresas de sucesso passam por diversas fases até estabelecerem o crescimento contínuo do negócio e alcançarem destaque no mercado. Em uma central de chamadas, a automatização de processos é uma forma de acelerar esse desenvolvimento e melhorar a experiência do cliente.

De nada adianta ter um bom produto se o consumidor não gostar do atendimento. Afinal, qualquer inconveniente na comunicação pode implicar na redução da conversão de vendas. Por isso, o aprimoramento não deve ser visto apenas de maneira mercadológica, mas sim como uma fonte de melhoria dos processos internos.

É preciso se atentar a esse fato, pois as novas gerações estão mudando a maneira de responder ao usuário. Elas não ficam em silêncio quando desapontadas por alguma marca. Diante disso, administradores de corporações já notaram a relevância de proporcionar boas vivências aos compradores.

A popularização da Internet e aplicativos transformaram o relacionamento entre corporações e compradores. O usuário da era digital quer resolver tudo rapidamente por meio da tecnologia. Portanto, para se conectar com ele, é necessário se adaptar.

Um dado me chamou atenção: de acordo com pesquisa do SuperOffice, mais de 80% das pessoas gastariam mais dinheiro por um atendimento, serviço e produto de qualidade. Diante de indicadores como esse, é decisivo ter a plataforma adequada para gerenciar as operações de chamadas e o método de relacionamento com o público.

Para diminuir o período de espera, por exemplo, as companhias de call center podem contar com o Agente Virtual. É um robô com a habilidade de substituir em parte ou por completo o trabalho manual. A ferramenta é uma maneira eficiente de otimizar as horas do funcionário e do interlocutor. De um lado aumenta-se a produtividade e do outro a satisfação. Assim, todos saem ganhando.

A tecnologia facilita a vida das pessoas e das empresas. Contudo, em tempos de pandemia, o valor da inovação se mostrou ainda maior. Nesse cenário, o investimento em sistemas de ponta visando melhorar as experiências de consumo nunca foi tão urgente. Aposte na qualidade!

*Giovane Oliveira é diretor de tecnologia da Total IP - Soluções e Robôs para Contact Centers.

Não é só CPF: CNPJ pode ser titular de dados pessoais à luz da LGPD 278

Não é só CPF: CNPJ pode ser titular de dados pessoais à luz da LGPD

Confira artigo de Luis Fernando Prado, sócio do escritório Prado Vidigal, especializado em Direito Digital, Privacidade e Proteção de Dados

Luis Fernando Prado é sócio do escritório Prado Vidigal, especializado em Direito Digital, Privacidade e Proteção de Dados / Divulgação
Luis Fernando Prado é sócio do escritório Prado Vidigal, especializado em Direito Digital, Privacidade e Proteção de Dados / Divulgação

No Brasil, convencionou-se a seguinte regra: portadores de Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) são titulares de dados nos termos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), enquanto portadores de Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), não. Essa orientação guiou – e ainda guia – muitas iniciativas de adequação à LGPD, fazendo com que as organizações considerem excluídos do escopo de aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados os CNPJs, bem como demais dados e processos que os envolvem.

No entanto, uma pessoa que exerça suas atividades econômicas por meio de um CNPJ pode, em alguns casos, ser uma pessoa natural, e não jurídica, apesar de constar no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. Complexo? Às vezes, é difícil mesmo entender o “juridiquês”. Sendo assim, vamos simplificar a explicação.

A LGPD define “titular de dados”, sujeito de direito tutelado pela legislação, como “pessoa natural a quem se referem os dados pessoais que são objeto de tratamento” (artigo 5º, V). No entanto, nem todo CNPJ é pessoa jurídica. É que o nosso Direito admite alguns arranjos por meio dos quais uma pessoa natural pode exercer sua atividade empresarial de maneira vinculada a um CNPJ, sem que isso lhe confira o caráter de pessoa jurídica.

É o caso do empresário individual (EI) e do microempreendedor individual (MEI), vez que, nessas duas hipóteses, o empresário exerce a atividade econômica de maneira organizada em nome próprio, não possuindo personalidade jurídica – característica conferida exclusivamente às organizações expressamente listadas no rol taxativo do artigo 44 do Código Civil.

De forma resumida, EI e MEI são pessoas naturais, inscritas no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) apenas em razão de questões tributárias, o que, por si só, não lhes confere personalidade jurídica. Os demais tipos de arranjos possíveis, como associações, organizações religiosas, partidos políticos, fundações, sociedades e empresas individuais de responsabilidade são, por sua vez, pessoas jurídicas, as quais não podem ser “titulares de dados”, segundo a LGPD.

Em termos práticos, portanto, fornecedores e parceiros de negócio de determinada empresa ou agente de tratamento de dados que forem empresários individuais (EI) e microempreendedores individuais (MEI), mesmo estando registrados no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), acabam sendo classificados como “titulares de dados pessoais”, a partir da literalidade da LGPD.

Isso quer dizer que, em teoria, o mesmo nível de cautela e conformidade que é buscado em relação aos dados de consumidores, colaboradores e demais pessoas físicas, também deveria ser perseguido para os dados de fornecedores ou parceiros que, embora portadores de CNPJ, sejam classificados como EI ou MEI. Na dura rotina dos profissionais de privacidade, responsáveis por assessorar organizações nos processos de conformidade com a LGPD, nem tudo que reluz é ouro, nem tudo que brilha é prata, nem todo CNPJ escapa.

HDI participa de evento da TIVIT para o mercado de seguros 301

Denise Ciavatta é CIO da HDI / Divulgação

Encontro virtual acontece entre os dias 27 e 28 de abril

A HDI vai participar do Insurance 4.0: o futuro da automação e IA na experiência do cliente, que acontece nos dias 27 e 28 de abril, em formato online. Promovido pela TIVIT, o evento vai trazer discussões a respeito do impacto da Inteligência Artificial na experiência do cliente e dos profissionais do setor.

Na oportunidade, a CIO da HDI, Denise Ciavatta, participará do painel sobre o uso de Inteligência Artificial conversacional na experiência do cliente em seguros, que ocorrerá no dia 27 de abril, às 19 horas.

A inscrição para participar do evento é gratuita e deve ser feita neste endereço.

Grupo Life Brasil inova no mercado de ações ao disponibilizar relatórios 16452

Alberto Júnior é CEO do Grupo Life Brasil / Divulgação

Holding atingiu R$ 9,3 milhões de receita em 2020

O Grupo Life Brasil, mais uma vez, é pioneiro em inovações no mercado de ações. A holding, que atingiu R$ 9,3 milhões de receita em 2020, disponibiliza ao mercado a divulgação de relatórios consistentes das suas 14 empresas listadas na Bolsa de Valores. “Tais relatórios referem-se ao segmento de seguros (Seguradoras e Corretoras de Seguros) e saúde; São empresas listadas no mais alto grau de governança corporativa e normas específicas conforme regem as normas da CVM – Comissão de Valores Mobiliários”, destaca o CEO Alberto Júnior, ao ressaltar que cada organização possui estratégias e segmentos próprios.

O objetivo dessa inovação é a formatação diferenciada de divulgação mercadológica. Os relatórios serão emitidos mensal, que trará um informe mais resumido, e trimestralmente, que entregará informações mais robustas. “De início, serão destinados aos clientes do Grupo Life Brasil que se cadastrarem para tal recebimento. Posteriormente será destinado ao mercado segurador e a quem interessar”, detalha.

Os relatórios serão assinados pelo engenheiro e mestre em economia e consultor econômico na Rating Seguros Consultoria, Francisco Galiza, no que se refere aos dados econômicos, macroeconômicos e ao setor exclusivamente. Alberto Júnior, na qualidade de CEO em atividade, também chancela os documentos no que tange ao campo de atuação, experiências adquiridas pela força de vendas, produtos mais requisitados na ponta de vendas, índices de conversão perante ao ramo de seguros de vida, entre outros. “Nestes relatórios será possível verificar dados econômicos dessas empresas e fatos relevantes que realmente geraram impacto no mercado de seguros e saúde. Juntamente com este viés de transparência total, o Grupo Life Brasil divulgará relatório com outras informações da própria organização. O direcionamento nesse caso, será a busca de um patamar mais elevado em prol dos nossos clientes”, explica.

Fundado em 1998, o Grupo Life Brasil tem segurados em 500 cidades em todos os Estados brasileiros e conta com 205 franquias espalhadas pelo Brasil. “Acreditamos fortemente que os mais de 20 anos de experiência da primeira empresa do Grupo Life Brasil possam contribuir ainda mais com nossos clientes que desejam investir no mercado de capitais do setor, conhecer mais estruturalmente tais empresas e claro, estar por dentro do Grupo Life Brasil de forma mais internalizada”, finaliza.

Confira o primeiro relatório do Grupo Life Brasil neste link.

Presidente da CNseg faz considerações sobre a modernização do setor de seguros 307

Marcio Coriolano, Presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) / Divulgação

Confira “Notas para um jovem advogado amigo”, de Marcio Coriolano, Presidente da Confederação Nacional das Seguradoras

Refletindo sobre debates que cercam o atual ambiente dos seguros, tenho reparado um grande número de artigos e lives jurídicas que tratam a modernização do setor como mera virada de normativos. Para mim, o diagnóstico não me parece completo, o que levaria a conclusões precipitadas. Aqui vão algumas notas que escrevi para um jovem advogado amigo:

Estimo que você esteja bem e protegido! Obrigado por ter me enviado a live jurídica a que você assistiu e por ter pedido a minha opinião. Assisti a quase tudo. Muito longa. Mas entendi os conceitos e argumentos debatidos. A minha questão é que o diagnóstico não me pareceu completo, levando a conclusões precárias. Vou lhe apontar alguns aspectos:

  1. Sobre a suposta falta de maior impacto da pandemia nos seguros aqui, é porque o Brasil não é equivalente ao resto do mundo, pelo menos o desenvolvido;
  2. Na Europa e EUA, há eventos climáticos severos, menor presença do governo e absurda responsabilização da conduta pessoal. Razão pela qual, por exemplo, o Business Interruption (Responsabilidade Civil), entre outros, é tão importante alhures;
  3. Quanto à virada transformadora da atual regulação da Susep, ela é caudatária da agenda ativa da nova política liberal econômica, que abrigou e alinhou os seguros no seu âmbito. Ambas as condições inexistiam antes (Ex: o comando do Ministério da Economia no CNSP e a nova Lei de Liberdade Econômica);
  4. Igualmente, no período pré-alinhamento dos seguros no Ministério da Economia, o resseguro tinha outra reserva de mercado, entre outras reservas que pesavam sobre partes do mercado segurador.

Enfim, a meu ver, as análises empolgadas da live deixaram de levar em conta os particularíssimos contextos históricos brasileiros, sobre os quais os advogados empolgados deveriam se debruçar mais. Tive a impressão de que a onda modernizadora da regulação dos seguros (necessária e elogiável) estaria sendo analisada agora como resultado de voluntarismos institucionais ou pessoais.

Houve avanços? Sem dúvida. Muito positivos e ansiosamente aguardados. Embora, sem o devido diagnóstico das condições particulares brasileiras, alguns poderiam concluir equivocadamente que estaríamos vivenciando o início da libertação dos escravos do conservadorismo, quando o progresso (ou consolidação) das novidades dependem mesmo é das condições estruturais do Brasil, que devem considerar, pelo menos:

  • I) oferta de dinheiro acessível, via mercado de capitais (mormente para financiamento estável de Sandbox, empresas com exigências “proporcionais” e insurtechs);
  • II) falta da persistência de eventos catastróficos (ainda bem!), que desestimulam business interruption e outras coberturas de grandes riscos;
  • III) carência de investimentos e estímulos estruturados para novos entrantes (vide oferta de capital);
  • IV) característica brasileira de um país de população de rendas médias e baixas (70% dos domicílios brasileiros integrados por famílias com rendimento abaixo de dois salários-mínimos);
  • V) insegurança jurídica – por falhas regulatórias ou ativismo judicial;
  • VI) insegurança político/institucional (me abstenho de julgar);
  • VII) custo da tecnologia (carência da autóctone e reservas de mercado);
  • VIII) reserva do estado em seguros como rural, acidentes do trabalho, exportações, previdência;
  • IX) estrutura e custo da intermediação.

Esses são apenas alguns pontos, para a sua reflexão, que colhi da live.

Você, como jovem advogado, não me leve a mal. Tenho reparado a avalanche de análises do ambiente atual dos seguros por inúmeros colegas seus advogados militantes. Para alguns, pareceria que o que se trata, na atualidade modernizadora, apenas de uma virada dos Marcos Legais*, como se fossem soluções bacanas, autônomas e inesperadas, para problemas macroestruturais que nunca tivessem sido antes endereçados.

E então me parece que a live deixou de abordar uma condição crucial: são as dimensões da política econômica, social, setorial e institucional que estariam em transformação – ainda de forma e substância precárias – e seu progresso e resultados dependeriam de consolidações e de mudanças estruturais e microeconômicas, cujas âncoras ainda não estão adequadamente aterradas na sociedade e na economia.

Perdoe-me essas notas muito sintéticas. Ao contrário do que possa parecer, pretendem estimulá-lo a buscar enxergar além das aparências, porque somos cidadãos e profissionais de um país muito complexo. E o mercado de seguros, pela sua sensibilidade social, não escapa. As soluções em perspectiva, infelizmente, não são triviais e estão para além de algumas empolgações do momento.

*Na universidade, você estudou pelos filósofos clássicos: as leis são a superestrutura que traduz e comanda para a sociedade as condições socioeconômicas prevalecentes.