O fator idade nos custos em saúde 557

Cesar Lopes é diretor Atuarial da Lockton no Brasil / Divulgação

Confira artigo de Cesar Lopes, diretor Atuarial da Lockton no Brasil

Oferecer benefícios para empregados é uma prática bastante comum no mercado brasileiro. Em alguns benefícios, como, por exemplo, o Plano de Assistência Médica, também são extensivos aos dependentes legais.

De acordo com a última Pesquisa de Benefícios da Lockton, publicada em novembro/20, que contou com a participação de 469 empresas de variados tamanhos e setores da economia, os benefícios mais prevalentes são a Assistência Médica, oferecida por 100% das consultadas, e Assistência Odontológica, concedida por 96%, conforme o gráfico abaixo.

De acordo com informações apuradas junto às áreas de Recursos Humanos, entre os principais fatores que motivam as organizações a investirem recursos para Assistência Médica, apesar do acesso universal ao Sistema Único de Saúde (SUS), estão o empenho de engajar e atrair colaboradores; a busca de uma força de trabalho com boa saúde, que contribui para a produtividade do negócio; a possibilidade de redução do custo da folha de pagamento e vantagens tributárias, já que os valores investidos pela empresa e/ou pelo colaborador não são tributados para fins de IR e Contribuição Previdenciária.

No entanto, sabe-se que os custos gerados pela população coberta por um plano de saúde são diferentes em função da idade, calcados no mutualismo.

O custo mais agressivo é registrado nos beneficiários com idades mais avançadas e está diretamente ligado à frequência com que utilizam o plano, a severidade dos eventos médicos e ao aparecimento de doenças crônicas, conforme demonstra o gráfico, extraído da base de dados da Lockton:

A equação gerada aponta que, a cada mudança de idade, há um crescimento de 3,5% nas despesas assistenciais, um indicador conhecido no mercado como aging factor – ou fator idade. Portanto, definir valores de mensalidades “por faixa etária” é tecnicamente o mais recomendável para contribuir com o equilíbrio financeiro dos planos de saúde.

E então, como ficam os aposentados? Bom, antes da publicação da Lei nº 9.656/98, poucas empresas no Brasil ofereciam a opção de manter o plano de assistência médica após o encerramento do vínculo empregatício.

Apesar de entenderem que era um benefício importante, havia receios relacionados a imprevisibilidade dos custos, a inflação galopante, a maior expectativa de vida da população, a insegurança jurídica e até mesmo a capacidade financeira dos aposentados assumirem parte ou a totalidade dos custos.

No final da década de 80 e início da década de 90, outro componente foi fundamental para que as empresas revisassem sua estratégia com programas de benefícios para aposentados, principalmente o programa de assistência médica: empresas multinacionais, com reporte para a matriz nos EUA ou na Europa, passaram a contabilizar passivos com benefícios pós-emprego, em atendimento às normas contábeis internacionais.

Para conferir transparência ao mercado, sempre que houvesse um benefício pós-emprego e a empresa o subsidiasse, os valores deviam ser projetados por meio de um cálculo atuarial, considerando a expectativa de vida do aposentado, trazidos a valor presente e reconhecidos como um passivo (ou obrigação) no balanço patrimonial. Estes números afetam os resultados financeiros da organização, podendo impactar no valor da ação da empresa, inviabilizar sua operação ou dificultar a estratégia de crescimento.

A necessidade de registrar os passivos em seus balanços fez com que muitas empresas decidissem alterar a regra de concessão do benefício, eliminando-o, transferindo os custos aos aposentados; congelando a entrada de novas pessoas ou mantendo o programa, mas definindo que os empregados ainda em atividade e elegíveis ao programa no futuro seriam aqueles admitidos até uma determinada data.

Tantos fatores contrários, como a imprevisibilidade dos custos futuros, a obrigatoriedade de assumir custos não planejados, os impactos nos resultados da empresa e a insegurança jurídica, são os principais motivos que definem ou não o interesse dos empregadores em ofertar benefícios para ex-empregados, principalmente para aposentados.

Atuário: os pulmões das empresas seguradoras, de previdência e planos de saúde 4128

Profissionais são responsáveis por transformar números em proteção; Confira vídeo

O mês de abril é especial para a categoria dos profissionais atuários. Reconhecida por alguns anos como a melhor profissão nos Estados Unidos, a carreira ainda pode ser um tema novo para muitos brasileiros. No país, existem 18 cursos de graduação em Ciências Atuariais reconhecidos pelo Ministério da Educação. O que não diminui em nada a importância da atuação. Pelo contrário: os atuários são os pulmões das empresas seguradoras, de previdência e planos de saúde. São eles que tornam possível a comercialização de diversos produtos que protegem pessoas, famílias e seus bens.

“Profissão tão importante no Brasil, que já tomou rumos maravilhosos no mercado brasileiro, é a área em que se localiza o momento para mensurar riscos, quantificar o que será cobrado, verificar valores de benefícios, calcular as reservas, etc”, explica Eder Oliveira, diretor do Instituto Brasileiro de Atuária (IBA) e sócio da Atuária Brasil, empresa que reúne grandes profissionais do setor e clientes há mais de 17 anos.

Movidos pela paixão e pelos cálculos matemáticos, a presidente do IBA, Leticia Doherty, destaca que estes profissionais podem ser definidos como arquitetos financeiros ou matemáticos sociais. “Quando você entende o que o atuário faz, a explicação cai como uma luva, pois ela traz um mix de palavras, como mensurar, riscos, probabilidade, entre outras. Quando se pensa numa segunda definição, é preciso deixar a razão um pouco de lado, e entender a emoção que está por trás dos números, pois no momento em que um atuário desenvolve um produto, ele está protegendo pessoas ou bens. Ele transforma matemática em proteção”, comenta.

Além de atender empresas seguradoras, de previdência e planos de saúde, os atuários também são essenciais a todas as áreas que mensuram riscos. “A nossa formação pode ser pouco conhecida, mas é essencial aos setores de seguros, previdência e planos de saúde; além de ser importantíssima para demais setores que mensuram riscos. Precisamos continuar divulgando a nossa profissão, pois somos poucos, mas podemos fazer muito”, pontua a representante regional do IBA, Priscila Portal.

Em alusão ao mês do atuário, o Instituto Brasileiro de Atuária está com uma programação especial aberta ao público. Confira neste link.

Em alta temporada de ataques, vamos cuidar dos backups? 769

Em alta temporada de ataques, vamos cuidar dos backups?

Confira dicas de Leandro Lopes, diretor de engenharia de sistemas da Nutanix para a América Latina

Leandro Lopes é diretor de engenharia de sistemas da Nutanix para a América Latina / Divulgação
Leandro Lopes é diretor de engenharia de sistemas da Nutanix para a América Latina / Divulgação

Organizações em todo o mundo estão sujeitas a essa onda crescente de ameaças à segurança, que foi bastante intensificada pela pandemia. As empresas distribuídas e o trabalho remoto – muitas vezes com redes e conexões domésticas – mostraram-se pontos vulneráveis e suscetíveis a ataques e a vazamento de dados. Diferentes setores da economia e empresas de todos os tamanhos foram alvos em 2020 desses ataques, com destaque para a área da Saúde com hospitais, laboratórios, empresas de pesquisa de vacinas e tantas outras que sofreram as consequências desse novo cenário de riscos.

Então, quais são as implicações? Imagine ser o CIO de um hospital atingido por um ataque de ransomware durante uma pandemia. O impacto imediato é uma grande interrupção na capacidade de atender pacientes, agendar consultas, recuperar registros de pacientes e ter toda a comunicação prejudicada. O impacto potencial a longo prazo é a perda de dados confidenciais do paciente, perda de credibilidade e reputação e, claro, perda de receita.

Defesa em profundidade

Não existe uma solução única e mágica que possa garantir proteção contra todas as ameaças de ransomware. Nesse sentido, é importante praticar a defesa em profundidade que implica em contar com várias camadas para proteger seus dados. Alguns dos mecanismos de defesa que você pode considerar incluem educar os usuários finais, realizar varreduras regulares de vulnerabilidade, listas de permissões de aplicativos, controle de acesso baseado em funções e criar backups regulares de seus dados.

Por mais importantes que sejam essas técnicas de defesa em profundidade, os backups são sua última linha de defesa e podem restaurar seus dados após a ocorrência de um ataque cibernético. Combinar as melhores práticas de segurança com um planejamento sólido de backup e recuperação pode impedir prejuízos caros.

A proteção contra ransomware tem três aspectos: prevenção, detecção e recuperação. Obviamente, prevenir um ataque de ransomware é ideal, mas à medida que os invasores e as ferramentas se tornam mais sofisticados, isso nem sempre é possível. Em algumas formas de ataque, pode haver um longo intervalo entre a infecção real e a ativação do malware.

Os algoritmos de detecção são continuamente aprimorados e podem sinalizar o malware antes que ele seja ativado. Numa suposição (infeliz) em que ocorra uma execução real de malware, sua empresa precisa ser capaz de se recuperar rapidamente para evitar paralisações da operação e danos aos negócios.

Vejamos algumas das ferramentas e práticas recomendadas que você pode aproveitar para proteger seus dados:

1. Prevenir

  • Separação física, segmentação de redes de produção e rede de infraestrutura de backup.
  • Aplique a metodologia de backup 3: 2: 1: três cópias de seus dados em duas mídias separadas e uma cópia externa.
  • Use armazenamento imutável, habilitando os recursos para “bloquear” cópias de backup pelo período especificado para evitar a exclusão ou criptografia. Nem mesmo o acesso de administrador pode excluir ou modificar essas cópias de backup.
  • No dia a dia: Não use senhas padrão, aplique a políticas de senha fortes com autenticação multifator quando possível.
  • Use a segmentação de rede para separar o tráfego de gerenciamento de backup do tráfego de produção.
  • Restrinja o acesso com base em funções e identidades de usuário com RBAC (controle de acesso baseado em função).
  • Não use a integração do Active Directory (AD), mas use credenciais locais para backup, para que os ataques AD não afetem seu ambiente de proteção de dados.
  • Estabeleça agendamentos regulares de backup e realize revisões periódicas das políticas de backup.
  • Teste suas restaurações periodicamente para garantir que suas estratégias de backup e recuperação estejam funcionando corretamente a fim de atender aos SLAs pretendidos e que seus dados estejam seguros.
  • Mantenha backups de conjuntos de dados infectados para análise e detecção futuras.

2. Detectar:

  • Aproveite as ferramentas de proteção de dados para realizar a detecção de anomalias em tamanhos de backup e padrões de tráfego.
  • Restauração periódica (idealmente automatizada) de cargas de trabalho em um ambiente seguro para executar antivírus e verificação de segurança.
  • Use ferramentas de segurança atualizadas.
  • Verificação de log para tentativas de acesso não autorizado.

3. Recuperar:

  • Faça a recuperação rápida das máquinas com ferramentas de snapshot (cópia de dados). Como o nome aponta, estas ferramentas criam “fotos instantâneas” do ambiente e permitem um reestabelecimento rápido.
  • Tenha em mãos ferramentas para acelerar a restauração de cargas de trabalho com backup. Neste ponto, investir em soluções e conceitos de próxima geração como a hiperconvergência pode ser o ponto-chave para reduzir prejuízos de tempo de parada do sistema.
  • Essas práticas ajudarão sua organização a se recuperar rapidamente de um ataque ransomware e a proteger cópias limpas de backups com o mínimo de tempo de inatividade e elimina a interrupção dos negócios.

Novas coberturas ampliam atendimento dos planos de saúde, mas impacto sobre os custos preocupa 500

Novas coberturas ampliam atendimento dos planos de saúde, mas impacto sobre os custos preocupa

69 procedimentos aprovados incluem 19 medicamentos de combate ao câncer; inclusões no rol terão efeito bilionário sobre os gastos do sistema

As operadoras de planos de saúde ampliarão a cobertura oferecida a seus beneficiários. A partir de 1° de abril, 69 novos procedimentos – entre exames, terapias, cirurgias e novos medicamentos – serão incorporados ao rol obrigatório definido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). As associadas à Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) estão preparadas para garantir a cobertura desses novos procedimentos e eventos, que vão aumentar o acesso dos brasileiros à saúde de qualidade.

Entre os novos itens incorporados estão 19 medicamentos de combate ao câncer. Isso amplia a lista de remédios oncológicos cobertos pelos planos de saúde para 58. As novidades beneficiam mulheres com tumor na mama em estágio avançado, pacientes com câncer de pulmão com metástase, leucemias, tumores de fígado, próstata e rim, melanomas e mielomas.

Outros 17 medicamentos imunobiológicos entraram para o rol, com aplicações para asma, esclerose múltipla, hidradenite supurativa, psoríase, retocolite ulcerativa, urticária crônica e uveíte.

Também passam a ser cobertos quatro novos tipos de cirurgia, para hérnia de disco lombar, coração, mandíbula e coluna cervical. Os exames e terapias incluídos permitirão diagnósticos e tratamentos de pré-eclâmpsia, câncer de pulmão e de mama, tuberculose e inflamação intestinal, entre outros.

Pela primeira vez, a ANS estimou o impacto orçamentário gerado pelos novos itens, uma medida fundamental para medir o efeito sobre os custos e sobre a formação de preços e mensalidades. A estimativa do órgão regulador vai de R$ 1,52 bilhão a R$ 2,41 bilhões, o que equivale a até 1,5% da despesa assistencial registrada nos últimos 12 meses até setembro de 2020 (dado mais recente disponível).

No entanto, o impacto pode ser ainda maior, de acordo com a utilização dos novos tratamentos. Isso porque os planos de saúde não geram custos; eles os gerenciam e os distribuem entre seus beneficiários, modelo adotado na saúde suplementar em qualquer lugar do mundo. Portanto, a elevação dos gastos na prestação dos serviços é repartida entre todos os participantes do sistema.

“O processo de atualização do rol é uma oportunidade para dar transparência à incorporação de novas tecnologias e seu consequente impacto nos custos da prestação de serviços de saúde, preocupação cada vez maior de quem lida com o setor no mundo todo”, avalia Vera Valente, diretora executiva da FenaSaúde. “No entanto, nossa avaliação é que o impacto financeiro da atualização pode ser muito maior do que o comunicado pela ANS.”

Os custos de saúde crescem muito acima dos índices gerais de preços por causa de fatores como inovação tecnológica, mudanças demográficas e maior uso do sistema. Por isso, as associadas da FenaSaúde têm buscado atuar em iniciativas que garantam maior resolutividade, com melhores resultados para os beneficiários a custos compatíveis. Um sistema equilibrado permite mais possibilidades de tratamento e cura, com custos mais racionais – portanto, com menor impacto financeiro sobre o bolso dos clientes.

A diretoria da ANS também voltou a reforçar que o Rol de Procedimentos traz a cobertura máxima obrigatória para os planos de saúde. A agência detalhou em um dos artigos da norma que o rol é taxativo. Com isso, a ANS incorporou à norma o entendimento que ela tem conferido aos limites de cobertura desde 1998, quando foi publicada a Lei 9.656, assim como em ações judiciais e documentos públicos posteriores.

Prazo de atualização

Outra decisão anunciada pela ANS foi propor prazos menores para a atualização do rol. Atualmente, a lista é revisada a cada dois anos. A agência abriu consulta pública para que essa avaliação seja permanente, garantindo a inclusão mais rápida de novas terapias, mas mantendo a avaliação sobre a segurança de cada tratamento novo. Chamado de ATS (Avaliação de Tecnologias em Saúde), esse processo é fundamental para garantir a segurança do paciente e a efetividade dos tratamentos.

A incorporação automática, sem avaliação de eficácia, efetividade, acurácia e segurança por meio de ATS, é um risco à saúde e à vida dos pacientes. A obtenção do registro de um medicamento na Anvisa garante apenas o direito para sua comercialização. Não analisa se a tecnologia é superior às existentes ou se deve ou não ser adotada na assistência médica. “Essa é uma etapa obrigatória e necessária à regulação, pois analisa a eficácia, a segurança e os impactos de custo das novas tecnologias”, detalha a diretora executiva da FenaSaúde.

Busca por saúde e bem-estar impulsiona o turismo em áreas naturais 473

Busca por saúde e bem-estar impulsiona o turismo em áreas naturais

Contato com a natureza favorece hábitos saudáveis, reduz angústia e estresse e alia descanso e entretenimento. Turismo de bem-estar deve representar 18% do turismo global até 2022

A relação entre saúde, bem-estar e natureza é objeto de estudo em diferentes áreas do conhecimento. De maneira geral, há evidências científicas de que a maior conexão com a natureza pode oferecer inúmeros benefícios tanto para a dimensão física quanto para a saúde mental dos indivíduos. Tais experiências favorecem hábitos e alimentação saudáveis; realização de atividades físicas que ajudam a reduzir a pressão, a angústia e o estresse; além de trazer tranquilidade, elevar as emoções positivas e aliar descanso e entretenimento.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. Em 1948, criou o Dia Internacional da Saúde, comemorado neste 7 de abril, justamente para promover a consciência sobre a importância destes diversos aspectos.

No Brasil, a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein conduz uma iniciativa que investiga os efeitos positivos da natureza nos seres humanos. O projeto e-Natureza já demonstrou efetivo potencial para a promoção de emoções positivas entre pacientes internados em hospitais. Por meio de um banco de imagens submetido a mais de 27 mil avaliações, a pesquisa comprovou que os elementos que compõem uma paisagem natural evocam emoções como alegria, paz e tranquilidade, assim como melhora da autoestima. “Essas imagens têm influenciado a experiência de pacientes em quimioterapia, tanto em nível físico quanto emocional. São estudos pioneiros no país que sinalizam o potencial de pesquisas nessa área, tendo em vista nossa biodiversidade, diferentes biomas, possibilidades de intervenções baseadas na natureza em nosso meio”, explica a coordenadora do projeto, Eliseth Leão.

O e-Natureza entra agora em uma segunda fase, que visa ampliar a conexão e o engajamento dos profissionais da saúde e da população com a natureza, com foco na promoção da saúde e bem-estar. Esta etapa, que conta com o apoio da Fundação Grupo Boticário, desenvolverá um manual de boas práticas para o turismo de bem-estar em ambientes naturais, que inclua ações como cursos de formação on-line para gestores de unidades de conservação e profissionais de saúde, além de atividades contemplativas, observação de aves e natureza, banhos de floresta e interpretação ambiental. Com isso, espera-se qualificar, com fundamentação científica, o setor em expansão de turismo de bem-estar na natureza.

A pesquisadora aponta que o interesse pelo turismo de bem-estar tende a aumentar no pós-pandemia. “Estar com a natureza é uma forma de autocuidado. Pela situação de isolamento social, as pessoas parecem estar com um novo olhar, mesmo aquelas que não tinham essa prática antes. Observamos esse interesse mesmo a partir das próprias casas, por meio da jardinagem, da observação do céu, dos pássaros, do pôr-do-sol. Muita gente percebe que existe aí um mecanismo de respiro, de restauração”, salienta.

Turismo de bem-estar

Pesquisa realizada pela Wellness Tourism Association (WTA) no segundo semestre de 2020 apontou que o desejo de estar na natureza e a melhoria da saúde mental serão os dois maiores impulsionadores do turismo de bem-estar no pós-quarentena.

“A natureza faz parte da nossa essência e, portanto, o contato com áreas verdes é fundamental para nossa saúde e bem-estar. É comprovado que esse tipo de experiência reduz níveis de estresse e depressão, melhora a imunidade, a qualidade do sono e estimula a criatividade”, afirma a gerente de Conservação da Natureza da Fundação Grupo Boticário e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), Leide Takahashi.

O turismo de bem-estar é definido pelo Global Wellness Institute (GWI) como “viagens associadas à busca por manter ou melhorar o bem-estar pessoal”. Segundo dados da entidade, de 2015 a 2017, o mercado global de turismo de bem-estar cresceu de US$ 563 bilhões para US$ 639 bilhões, cerca de 6,5% ao ano (mais que o dobro do resultado do turismo em geral). A previsão é de que até 2022 o faturamento desse mercado chegue a US$ 919 bilhões, o que significa 18% de todo o turismo global. Serão mais de um bilhão de viagens individuais em todo o mundo.

Segundo o sócio-fundador da agência Vivalá, Daniel Cabrera, o interesse por expedições na natureza é cada vez maior entre os viajantes brasileiros. “As pessoas buscam experiências mais profundas e mais autênticas de viagem. Por incrível que pareça, boa parte dos brasileiros ainda não conhece o Brasil, apesar de toda a beleza e diversidade do nosso território. Pouco a pouco, estão ficando mais atentas à riqueza de vivências que o turismo de bem-estar pode proporcionar”, ressalta.

A Vivalá promove expedições de turismo responsável para unidades de conservação, com foco na interação com a natureza e com as comunidades locais. Ao proporcionar o contato intenso com a natureza e a troca de experiências com pessoas que vivem em realidades muito diferentes, as expedições também contribuem para a melhoria da qualidade de vida e da saúde mental. “Existem muitos estudos que associam viagens à felicidade. Acredito muito no poder transformador que as experiências em áreas naturais e o contato com as comunidades podem gerar nos viajantes”, aponta.

Seguros de Responsabilidade Civil mais próximos das empresas 444

Robert Hufnagel é especialista em seguros de Responsabilidade Civil, diretor da Casualty Assessoria e Consultoria de Seguros e associado da Alper Consultoria em Seguros / Divulgação

Confira artigo de Robert Hufnagel, especialista em seguros de Responsabilidade Civil, diretor da Casualty Assessoria e Consultoria de Seguros e associado da Alper Consultoria em Seguros

A Susep colocou em consulta pública para revisão e sugestões do mercado até o dia 14 de abril uma proposta de circular que revisa e consolida as regras aplicáveis aos seguros de Responsabilidade Civil. A minuta da circular em consulta pública adequa os seguros de RC aos avanços da norma geral de seguros de danos (Circular nº 621), simplificando as regras do segmento. Seguindo a proposta da autarquia de simplificação e flexibilização de contratos de seguros de diversos ramos, o normativo estabelece o fim dos planos padronizados de seguros de RC, o que favorece a competição e viabiliza a oferta de produtos mais adequados às necessidades dos segurados.

Outra inovação proposta pela circular é a possibilidade de produtos sem limites predefinidos por cobertura, permitindo-se a utilização de todo o valor contratado para diferentes coberturas ou garantias conforme a necessidade do segurado. Além disso, a norma autoriza que as seguradoras paguem indenizações impostas por decisões administrativas do Poder Público.

A mudança consolida cinco normativos, simplifica definições, acaba com o plano padronizado de RC Geral e dá liberdade ao mercado para estruturação de produtos. Também garante o fim da exigência do “trânsito em julgado”, torna possível cobertura para decisões administrativas, amplia contratação para a base ocorrência, possibilita pagamento direto pela seguradora, oferece possibilidade de livre escolha ou de profissionais referenciados, acaba com a obrigação de vigência mínima, prevê prazo adicional sem as especificidades dos prazos complementar e suplementar, e dá liberdade de definição de data de retroatividade.

Também define a abrangência de cada ramo do grupo:

  • RC D&O – cargos de direção ou administração em empresas
  • RC Profissional – profissionais liberais, não cobertos pelo seguro de RC D&O
  • RC Riscos Ambientais – danos ambientais
  • RC Riscos Cibernéticos – atividades digitais, de tecnologia da informação
  • RC Geral – que não se enquadrem nos demais ramos

A circular em análise deve ser aprovada, pois esta modernização está sendo vista com bons olhos por todo o mercado, já que facilita o trabalho de seguradores, resseguradores, corretores e consultores, e abre mais possibilidades de negócios, tornando os seguros de RC mais próximos das pessoas e empresas.

Há muito se falava que o órgão regulador atravancava o desenvolvimento e os processos do mercado, mas agora esse movimento de simplificação vem para facilitar o nosso fluxo de negócio e de comercialização, nos dando até a possibilidade de trabalharmos com mais coberturas.

Quem quiser contribuir com sugestões e revisões, a consulta pública ficará aberta até o dia 14 de abril e pode ser acessada neste endereço.