Em alta temporada de ataques, vamos cuidar dos backups? 770

Em alta temporada de ataques, vamos cuidar dos backups?

Confira dicas de Leandro Lopes, diretor de engenharia de sistemas da Nutanix para a América Latina

Leandro Lopes é diretor de engenharia de sistemas da Nutanix para a América Latina / Divulgação
Leandro Lopes é diretor de engenharia de sistemas da Nutanix para a América Latina / Divulgação

Organizações em todo o mundo estão sujeitas a essa onda crescente de ameaças à segurança, que foi bastante intensificada pela pandemia. As empresas distribuídas e o trabalho remoto – muitas vezes com redes e conexões domésticas – mostraram-se pontos vulneráveis e suscetíveis a ataques e a vazamento de dados. Diferentes setores da economia e empresas de todos os tamanhos foram alvos em 2020 desses ataques, com destaque para a área da Saúde com hospitais, laboratórios, empresas de pesquisa de vacinas e tantas outras que sofreram as consequências desse novo cenário de riscos.

Então, quais são as implicações? Imagine ser o CIO de um hospital atingido por um ataque de ransomware durante uma pandemia. O impacto imediato é uma grande interrupção na capacidade de atender pacientes, agendar consultas, recuperar registros de pacientes e ter toda a comunicação prejudicada. O impacto potencial a longo prazo é a perda de dados confidenciais do paciente, perda de credibilidade e reputação e, claro, perda de receita.

Defesa em profundidade

Não existe uma solução única e mágica que possa garantir proteção contra todas as ameaças de ransomware. Nesse sentido, é importante praticar a defesa em profundidade que implica em contar com várias camadas para proteger seus dados. Alguns dos mecanismos de defesa que você pode considerar incluem educar os usuários finais, realizar varreduras regulares de vulnerabilidade, listas de permissões de aplicativos, controle de acesso baseado em funções e criar backups regulares de seus dados.

Por mais importantes que sejam essas técnicas de defesa em profundidade, os backups são sua última linha de defesa e podem restaurar seus dados após a ocorrência de um ataque cibernético. Combinar as melhores práticas de segurança com um planejamento sólido de backup e recuperação pode impedir prejuízos caros.

A proteção contra ransomware tem três aspectos: prevenção, detecção e recuperação. Obviamente, prevenir um ataque de ransomware é ideal, mas à medida que os invasores e as ferramentas se tornam mais sofisticados, isso nem sempre é possível. Em algumas formas de ataque, pode haver um longo intervalo entre a infecção real e a ativação do malware.

Os algoritmos de detecção são continuamente aprimorados e podem sinalizar o malware antes que ele seja ativado. Numa suposição (infeliz) em que ocorra uma execução real de malware, sua empresa precisa ser capaz de se recuperar rapidamente para evitar paralisações da operação e danos aos negócios.

Vejamos algumas das ferramentas e práticas recomendadas que você pode aproveitar para proteger seus dados:

1. Prevenir

  • Separação física, segmentação de redes de produção e rede de infraestrutura de backup.
  • Aplique a metodologia de backup 3: 2: 1: três cópias de seus dados em duas mídias separadas e uma cópia externa.
  • Use armazenamento imutável, habilitando os recursos para “bloquear” cópias de backup pelo período especificado para evitar a exclusão ou criptografia. Nem mesmo o acesso de administrador pode excluir ou modificar essas cópias de backup.
  • No dia a dia: Não use senhas padrão, aplique a políticas de senha fortes com autenticação multifator quando possível.
  • Use a segmentação de rede para separar o tráfego de gerenciamento de backup do tráfego de produção.
  • Restrinja o acesso com base em funções e identidades de usuário com RBAC (controle de acesso baseado em função).
  • Não use a integração do Active Directory (AD), mas use credenciais locais para backup, para que os ataques AD não afetem seu ambiente de proteção de dados.
  • Estabeleça agendamentos regulares de backup e realize revisões periódicas das políticas de backup.
  • Teste suas restaurações periodicamente para garantir que suas estratégias de backup e recuperação estejam funcionando corretamente a fim de atender aos SLAs pretendidos e que seus dados estejam seguros.
  • Mantenha backups de conjuntos de dados infectados para análise e detecção futuras.

2. Detectar:

  • Aproveite as ferramentas de proteção de dados para realizar a detecção de anomalias em tamanhos de backup e padrões de tráfego.
  • Restauração periódica (idealmente automatizada) de cargas de trabalho em um ambiente seguro para executar antivírus e verificação de segurança.
  • Use ferramentas de segurança atualizadas.
  • Verificação de log para tentativas de acesso não autorizado.

3. Recuperar:

  • Faça a recuperação rápida das máquinas com ferramentas de snapshot (cópia de dados). Como o nome aponta, estas ferramentas criam “fotos instantâneas” do ambiente e permitem um reestabelecimento rápido.
  • Tenha em mãos ferramentas para acelerar a restauração de cargas de trabalho com backup. Neste ponto, investir em soluções e conceitos de próxima geração como a hiperconvergência pode ser o ponto-chave para reduzir prejuízos de tempo de parada do sistema.
  • Essas práticas ajudarão sua organização a se recuperar rapidamente de um ataque ransomware e a proteger cópias limpas de backups com o mínimo de tempo de inatividade e elimina a interrupção dos negócios.

Altevir Dias do Prado: Descomplicando a economia 500

Altevir do Prado é presidente do Sindseg PR/MS / Divulgação

Confira artigo de Altevir Dias do Prado, Doutor em Economia e Presidente do Sindseg PR/MS

A lei de Murphy diz que o que pode acontecer errado, vai acontecer. Desde o início da pandemia dois grandes temores têm nos assombrados. O colapso no serviço de saúde e o colapso econômico. Ao que parece o primeiro está acontecendo, resta-nos saber se o segundo temor vai se materializar.

Dadas as polêmicas em um país dividido por distintas interpretações dos fatos, o propósito aqui é contribuir com conhecimento teórico para que o leitor tenha sua própria interpretação, independente do que assiste e ouve.

Este é o propósito das teorias ou da ciência. A ciência não cria juízo de valor. A ciência observa o fato, avalia causas e consequências, teoriza e demonstra possibilidades. A interpretação e o juízo de valor ficam reservados à subjetividade individual. Dessa forma vou tentar aqui demostrar despretensiosamente um pouco de teoria econômica permitindo que as avaliações individuais possam partir de bases mais consistentes.

Face ao tombo histórico divulgado recentemente sobre a economia brasileira, que retirou o Brasil do clube das 10 maiores economias do mundo e, considerando que já fazia décadas que estávamos neste seleto grupo, chegando a ocupar a posição de 6ª maior economia do planeta no final de 2010, há que se avaliar com profundeza e isenção os porquês.

Na grande mídia, fomos acostumados a olhar o crescimento econômico pelo PIB. Conhecimento de domínio público que se refere a soma de todas as riquezas produzidas. Contudo, na academia, em especial quando fui doutorando de economia, sempre fazíamos as análises pelo lado da Demanda Agregada, que é a soma de todas as demandas de todos os entes econômicos de um país. Creio que a interpretação da economia a partir da DA fica mais fácil de entender, explico-me:

A Demanda Agregada é soma de tudo que as famílias ou consumidores finais, o governo, as empresas e setor externo está disposto a comprar num determinado ano. Ela representa o gasto total de uma economia, que de forma simplificada também podemos chamar de PIB. De tal sorte que quando falamos que o PIB cresceu ou diminuiu equivale a dizer que a demanda agregada subiu ou diminuiu e, como a demanda é poder de compra, quando PIB cresce podemos dizer que ficamos mais ricos, quando o PIB decresce ficamos mais pobres, pois a demanda diminuiu em função de nosso poder de compra ter ficado menor.

Em termos matemáticos e de forma bem simplificada, a Demanda Agregada é representada da seguinte forma:

DA = CF + GG + I + (NX)

Onde:

DA = Demanda agregada ou (PIB)
CF = Gastos das famílias
GG = Gastos do Governo
I = Investimento
NX = Saldo da Balança comercial (Exportações – importações)

Diferente de economias pujantes como Japão e Coréia do Sul que são voltadas para o mercado externo, a economia Brasileira se assemelha um pouco mais com a americana com vocação voltada para o mercado interno.

Prova disso é que após o tombo histórico, nosso PIB fechou em 2020 em torno de 1,3 trilhões de dólares e o saldo na Balança comercial foi aproximadamente de 50 Bilhões, ou seja, o comércio exterior em termos de DA líquida foi responsável por apenas 3,8%. Isto nos permite afirmar que para a economia brasileira o que importa é a demanda agregada interna.

Para facilitar a análise, vamos deixar de fora da equação o (NX) face sua pouca representatividade no todo da demanda agregada líquida e avaliarmos o que realmente importa na composição da Demanda Agregada ou PIB, (Consumo das Famílias, Gastos do governo e investimentos).

DA = CF + GG + I

Agora ficou fácil para o leitor fazer sua própria análise em termos de perspectivas econômicas respondendo algumas questões a partir da percepção individual empírica. Na composição da Demanda Agregada ou PIB, qual é a percepção em relação as variáveis da equação:

(CF) Consumo das famílias: Em alta ou em baixa? Existe endividamento comprometendo renda futura? Qual a percepção em relação a esta variável?

Gastos do Governo: Há disposição do governo em aumentar os gastos em todas as linhas? Ou o governo busca reduzir seus gastos?
Investimento: Existe ambiente político, social e econômico para investimentos em grande escala.

Com base na sua observação pessoal se o leitor encontrar respostas positivas nas três questões acima, isto quer dizer que a economia pode estar em bom momento, se houver algumas respostas positivas e outras negativas pode haver estagnação, contudo se o leitor encontrar apenas respostas negativas e contundentes, podemos estar à beira de nova recessão, e ser muito forte o colapso econômico. Assim podemos ter mais clareza se a lei de Murphy pode ou não acontecer na economia.

O fator idade nos custos em saúde 557

Cesar Lopes é diretor Atuarial da Lockton no Brasil / Divulgação

Confira artigo de Cesar Lopes, diretor Atuarial da Lockton no Brasil

Oferecer benefícios para empregados é uma prática bastante comum no mercado brasileiro. Em alguns benefícios, como, por exemplo, o Plano de Assistência Médica, também são extensivos aos dependentes legais.

De acordo com a última Pesquisa de Benefícios da Lockton, publicada em novembro/20, que contou com a participação de 469 empresas de variados tamanhos e setores da economia, os benefícios mais prevalentes são a Assistência Médica, oferecida por 100% das consultadas, e Assistência Odontológica, concedida por 96%, conforme o gráfico abaixo.

De acordo com informações apuradas junto às áreas de Recursos Humanos, entre os principais fatores que motivam as organizações a investirem recursos para Assistência Médica, apesar do acesso universal ao Sistema Único de Saúde (SUS), estão o empenho de engajar e atrair colaboradores; a busca de uma força de trabalho com boa saúde, que contribui para a produtividade do negócio; a possibilidade de redução do custo da folha de pagamento e vantagens tributárias, já que os valores investidos pela empresa e/ou pelo colaborador não são tributados para fins de IR e Contribuição Previdenciária.

No entanto, sabe-se que os custos gerados pela população coberta por um plano de saúde são diferentes em função da idade, calcados no mutualismo.

O custo mais agressivo é registrado nos beneficiários com idades mais avançadas e está diretamente ligado à frequência com que utilizam o plano, a severidade dos eventos médicos e ao aparecimento de doenças crônicas, conforme demonstra o gráfico, extraído da base de dados da Lockton:

A equação gerada aponta que, a cada mudança de idade, há um crescimento de 3,5% nas despesas assistenciais, um indicador conhecido no mercado como aging factor – ou fator idade. Portanto, definir valores de mensalidades “por faixa etária” é tecnicamente o mais recomendável para contribuir com o equilíbrio financeiro dos planos de saúde.

E então, como ficam os aposentados? Bom, antes da publicação da Lei nº 9.656/98, poucas empresas no Brasil ofereciam a opção de manter o plano de assistência médica após o encerramento do vínculo empregatício.

Apesar de entenderem que era um benefício importante, havia receios relacionados a imprevisibilidade dos custos, a inflação galopante, a maior expectativa de vida da população, a insegurança jurídica e até mesmo a capacidade financeira dos aposentados assumirem parte ou a totalidade dos custos.

No final da década de 80 e início da década de 90, outro componente foi fundamental para que as empresas revisassem sua estratégia com programas de benefícios para aposentados, principalmente o programa de assistência médica: empresas multinacionais, com reporte para a matriz nos EUA ou na Europa, passaram a contabilizar passivos com benefícios pós-emprego, em atendimento às normas contábeis internacionais.

Para conferir transparência ao mercado, sempre que houvesse um benefício pós-emprego e a empresa o subsidiasse, os valores deviam ser projetados por meio de um cálculo atuarial, considerando a expectativa de vida do aposentado, trazidos a valor presente e reconhecidos como um passivo (ou obrigação) no balanço patrimonial. Estes números afetam os resultados financeiros da organização, podendo impactar no valor da ação da empresa, inviabilizar sua operação ou dificultar a estratégia de crescimento.

A necessidade de registrar os passivos em seus balanços fez com que muitas empresas decidissem alterar a regra de concessão do benefício, eliminando-o, transferindo os custos aos aposentados; congelando a entrada de novas pessoas ou mantendo o programa, mas definindo que os empregados ainda em atividade e elegíveis ao programa no futuro seriam aqueles admitidos até uma determinada data.

Tantos fatores contrários, como a imprevisibilidade dos custos futuros, a obrigatoriedade de assumir custos não planejados, os impactos nos resultados da empresa e a insegurança jurídica, são os principais motivos que definem ou não o interesse dos empregadores em ofertar benefícios para ex-empregados, principalmente para aposentados.

O que muda em relação aos riscos na indústria de energias renováveis com os critérios ESG? 553

Ana Beatriz Prado é Líder de Seguros Patrimoniais e de Responsabilidade Civil de Power & Utilities da Willis Towers Watson / Divulgação

Confira artigo de Ana Beatriz Prado, Líder de Seguros Patrimoniais e de Responsabilidade Civil de Power & Utilities da Willis Towers Watson

Mesmo durante a pandemia do coronavírus, a questão das mudanças climáticas tem sido um dos maiores desafios para as indústrias. As empresas de energias renováveis precisam colocar os critérios de Governança Ambiental, Social e Corporativa (Environmental, social, and governance – ESG), em prática e incorporá-los em suas estratégias de mitigação de riscos; não somente para atrair os investidores comprometidos com essa temática, mas também para sobreviver no futuro.

Apesar do reconhecimento das mudanças climáticas demonstrar claramente a necessidade da transição para um sistema de baixo carbono e demandar cada vez mais o desenvolvimento da energia renovável, tornando-a a fonte de crescimento mais rápido no mundo, a evolução desse mercado apresenta alguns novos desafios específicos para os gerentes de risco. Além de projetar, implementar e executar uma estratégia de baixo carbono, essas empresas também têm que direcionar questões que, além de proporcionar a sua sustentabilidade, demonstram a preocupação com o meio ambiente, com os aspectos sociais, e também com os aspectos relacionados à governança corporativa, incluindo a gestão dos riscos que podem prejudicar os investimentos.

Os critérios ESG provaram ser um refúgio seguro na pandemia para os investidores, enquanto demonstram também serem um fator importante para as outras partes interessadas como credores, seguradoras, acionistas, reguladores e até consumidores. Além disso, são fundamentais para impulsionar resultados financeiros das empresas que os consideram na sua estratégia.

Diante deste cenário, a figura do gestor de riscos se torna indispensável por voltar suas atenções para as mudanças na regulamentação, tecnologia e inovação, bem como traduzir o que isso significa para empresas e investidores. Além disso, a contratação de um seguro acaba por ser uma solução de proteção essencial e estratégica.

De acordo com o relatório anual Renewable Energy Market Review, da Willis Towers Watson, alguns dos principais desafios que assolam o mercado de seguros de energias renováveis no mundo incluem ativos antigos, operação, manutenção e peças sobressalentes, risco de catástrofe natural, o ritmo da mudança tecnológica e riscos de interrupção da cadeia de abastecimento relacionados à Covid-19.

Além dos aspectos relativos à transição energética e dos seus riscos específicos que desafiam as empresas de energias renováveis, um outro aspecto importante que os gerentes de riscos vêm enfrentando é o endurecimento do mercado de seguros. Há algum tempo a subscrição dos riscos para essa indústria se desenvolvia em um ambiente favorável, com taxas agressivas, coberturas amplas, limites altos e franquias baixas. Esse cenário vem mudando nos últimos anos como um reflexo dos resultados operacionais ruins de seguradoras e de resseguradoras, causados, dentre outros fatores, pela alta sinistralidade do setor. Dessa forma, além do aumento das franquias e prêmios de seguros, os critérios para aceitação dos riscos estão muito mais rígidos.

Cabem aos gestores de riscos contarem com seus corretores e especialistas de seguros para desenvolverem estratégias claras para superarem esse momento e os efeitos do endurecimento atual do mercado de seguros, incluindo a disponibilização de informações adequadas e abrangentes, bem como a antecipação dos processos de renovação de seus programas de seguros, permitindo que haja tempo necessário para a estruturação da melhor solução para a transferência do risco.

O engajamento das empresas neste processo é fundamental para que seja possível fornecer soluções inovadoras e para que se promova o crescimento deste setor cada vez mais importante para o país.

Newton Queiroz: Não deixe para amanhã o que deveria ter sido feito antes 755

Newton Queiroz: Não deixe para amanhã o que deveria ter sido feito antes

Colunista do JRS fala sobre transformações e expansão da penetração do seguro no Brasil

Apesar de tudo que estamos vivendo no mundo e, em especial no brasil, é incrível o poder de nossa sociedade em reinventar-se. Acredito que seja resultado das inúmeras crises/desafios que enfrentamos (mesmo nenhum tendo sido próximo ao que vivemos hoje).

O sofrimento é igual ao resto do mundo, mas a força de buscar algo novo e fazer diferente é uma característica da sociedade brasileira há muitos anos. Por isso que muitos compatriotas acabam destacando-se em algumas funções mundialmente.

Quando falamos da indústria de seguros, a reinvenção foi significativa em todos os aspectos da cadeia. A tão sonhada transformação digital teve início e veio aqui para ficar. Quem consegue imaginar um provedor de seguro sem um portal, atendimento online e outros? Em 2019 não era assim, mas nos adaptamos rápido e agora estamos correndo atrás para alcançar outras indústrias.

Contudo, um ponto ainda necessita de maior exposição em nossa indústria: a expansão do mercado. Por qualquer ângulo que desejemos olhar é fato que ainda existe muito a conquistar em termos de penetração de seguros na sociedade.

Este fato deve ser visto como positivo. Ainda mais no cenário atual. Em um momento de crise como o que vivemos, se fizermos um paralelo com outras indústrias mais desenvolvidas, percebemos que é muito mais difícil deixar de possuir um produto de nossa indústria.

Porém, o ponto crucial aqui é começar e dar sequência a um movimento de busca por novos clientes para produtos existentes e/ou que desejem novos produtos a serem desenvolvidos. Devemos lembrar que muitos não contratam seguro pelo simples fato de não receberem ofertas e, quando recebem, elas não são adequadas.

O grande ponto aqui é que o resultado não vem de imediato. Por isso, na maioria das vezes, isso tudo acaba ficando em segundo plano. Justamente por isso sempre defendi estratégias paralelas: uma para entregar os resultados de hoje e outra para entregar os resultados de amanhã. Em ambas deve ser dado foco às oportunidades que o setor nos traz e que deveríamos estar investindo.

Seria errado falar que existe um responsável por não estarmos mais avançados na penetração de seguros em nosso País, mas está claro que um jogador sumamente importante por aqui são os Corretores de Seguro. São eles que podem acessar a grande gama de clientes e buscar as novas vendas.

Para isso sempre defendi a criação de um círculo virtuoso, onde empresas de seguro e resseguro criam treinamentos, conteúdo e escutam as demandas dos clientes (via Corretores). Em contrapartida, os corretores dedicam parte de seu tempo para buscar novos clientes, oferecer novos produtos e traduzir pontos importantes para as seguradoras. Isso geraria um ciclo de melhoria contínua e resultaria em uma maior penetração de nossos produtos.

Se de um lado podemos dizer que deveríamos ter feito isso antes, de outro devemos lembrar que tudo tem um começo. Por que não agora?

Termino este texto com uma frase de Bernard Shaw que sempre me faz refletir e pensar no novo: “Você vê coisas e diz ‘Por quê?’ Mas eu sonho coisas que nunca existiram e digo ‘Por que não?”.

Aumento da volatilidade climática: um risco subestimado? 501

Nuno Antunes é Managing Director Ibero/Latam na Allianz Global Corporate & Specialty / Divulgação

Confira análise de Nuno Antunes, Managing Director Ibero/Latam na Allianz Global Corporate & Specialty (AGCS)

As mudanças climáticas aumentaram a frequência, intensidade e severidade de eventos extremos, e têm maior impacto nas comunidades vulneráveis. De acordo com o relatório da ONU “Estado dos Serviços Climáticos de 2020” divulgado em outubro de 2020, foram mais de 11.000 desastres naturais nos últimos 50 anos, levando a vida de 2 milhões de pessoas e causando prejuízos econômicos superiores a 3 trilhões de dólares.

A tempestade de inverno que varre o sul dos EUA, vem deixando vários mortos e milhões sem energia. Entre setembro e outubro do ano passado o Brasil foi palco de uma histórica onda calor, com temperaturas superando os 44°C, com perdas milionárias para produtores rurais – especialmente avicultores – reduzindo em 30% a produção nacional de ovos. Estes exemplos de condições climáticas extremas destacam ainda mais a crescente volatilidade do clima.

As catástrofes naturais (NatCats), tais como tempestades, enchentes, terremotos ou incêndios, ficaram em sexto lugar no Allianz Risk Barometer deste ano e a mudança climática chegou em nono lugar. O relatório anual da Allianz Global Corporate & Specialty (AGCS) identifica os principais riscos corporativos para os próximos 12 meses e além, com base no discernimento de mais de 2.700 especialistas em gestão de risco de 92 países e territórios.

Estes dois riscos devem estar mais acima no radar de risco? Tanto NatCats como a mudança climática perderam posições deste ano, um e dois lugares, respectivamente. As preocupações com os riscos dos entrevistados foram, compreensivelmente, superadas pela pandemia de Covid-19. O vírus representou uma ameaça imediata – tanto para a segurança individual quanto para as empresas, colocando o surto pandêmico no top 3 às custas de outros riscos. A pandemia provavelmente continuará sendo um risco prioritário em 2021 e adiante, até que a vacinação aumente e as empresas possam retornar a um novo normal pós-pandêmico.

O que a pandemia e a mudança climática têm em comum é que ambas são riscos sistêmicos globais. Entretanto, em comparação com a Covid-19, a mudança climática é uma catástrofe em câmera lenta com muitas causas e efeitos. Embora o vírus possa ter levado inadvertidamente a uma pequena redução nas emissões em 2020 devido a menos tráfego, viagens e atividade industrial, a necessidade de combater e prevenir a mudança climática e o aquecimento global permanece tão alta como sempre, como uma série de marcos recentes indesejáveis vem apontando.

Após o foco na pandemia em 2020, a mudança climática estará de volta à agenda dos conselhos de administração como prioridade em 2021. A mudança climática exigirá que muitas empresas ajustem suas estratégias e modelos de negócios a fim de promover um mundo com baixo teor de carbono. Os gestores de risco precisam estar na vanguarda dessa mudança para avaliar os riscos e oportunidades de transição relacionados às mudanças de mercado e tecnologia, questões de reputação, mudanças políticas e legais ou riscos físicos. Eles têm que ajudar a identificar cenários possíveis ou avaliar o impacto comercial e financeiro que impulsiona a transformação geral de uma empresa de baixo carbono, juntamente com outras partes interessadas.

Não foi há muito tempo que as estratégias ou objetivos relacionados ao clima foram considerados como uma ideia posterior para muitas empresas. No futuro, provavelmente será impossível para as empresas serem bem-sucedidas sem elas. Instituições como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu (BCE) veem a mudança climática como um risco financeiro significativo que poderia até mesmo colocar em risco a estabilidade do mercado financeiro, com cenários de “business as usual” levando a correções súbitas e drásticas aos ativos “supervalorizados” de combustíveis fósseis.

Depois há uma série de outros fatores que estão aumentando a pressão sobre as empresas para que elas estejam mais conscientes sobre o clima: funcionários cada vez mais engajados e interessados em saber que seu empregador está fazendo a coisa certa ambientalmente; investidores institucionais, tais como fundos de pensão e gestores de ativos, pressionando por medidas concretas para proteger o clima, como metas de redução de CO2 ou a saída da indústria do carvão; grupos de acionistas garantindo que as questões climáticas estejam no centro das reuniões gerais; e possíveis apoiadores que buscam mais informações granulares do que nunca sobre estratégias relacionadas ao clima.

Então quais são as exposições de risco mais significativas que o impacto da mudança climática cria para as empresas? De acordo com os entrevistados do Allianz Risk Barometer, o impacto da perda física é a exposição mais significativa que a mudança climática cria para as empresas, seguida por seu impacto nas cadeias de abastecimento, clientes e comunidades.

Além do impacto da perda física dos danos causados por catástrofes naturais ou eventos climáticos extremos aos bens e propriedades comerciais, há também uma crescente preocupação sobre como o aumento da temperatura global ou maiores riscos de inundação em locais-chave poderiam afetar significativamente as operações, instalações, força de trabalho e comunidades e como planejar tais cenários.

O aumento do risco regulamentar e legal também é uma preocupação, particularmente para os setores com altas emissões de carbono, mas também em outros segmentos. Mudanças políticas, novos esquemas de tributação, exigências de relatórios e métricas de sustentabilidade estão chegando. Por exemplo, o Acordo Verde Europeu visa tornar a Europa o primeiro continente neutro ao clima até 2050 e compreende uma Estratégia Financeira Sustentável Renovada. Na América Latina, ainda que os principais países estejam revisando suas políticas ambientais e as metas apresentadas no Acordo de Paris, a Costa Rica destaca-se em cumprir com as metas de aumento de temperatura. Portanto, as empresas têm que se preparar e ser capazes de se adaptar rapidamente.

A ameaça de litígio também está evoluindo. Casos de mudança climática visando “grandes emissores de carbono” já foram trazidos em mais de 30 países, com a maioria nos EUA. Mas a ciência da atribuição do clima abre a perspectiva de ação legal ligando eventos individuais à mudança climática e responsabilizando as empresas. Notadamente, um agricultor intentou uma ação contra a empresa de energia alemã RWE por sua contribuição para as emissões e potenciais danos a sua propriedade em Huaraz, Peru.

Uma repressão à “lavagem verde” – onde as empresas fornecem informações enganosas para apresentar uma imagem pública mais responsável do ponto de vista ambiental – por parte dos reguladores também poderia estar na pauta para o futuro, junto com a Força Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima; gestores europeus e a Comissão de Valores Mobiliários e Câmbio nos EUA, todos analisando a questão.

Como resultado, a mudança climática não deve ser classificada apenas como um risco de reputação, mas também como um risco legal/governamental. Os conselhos de administração das empresas têm o dever vital de assegurar uma sólida responsabilidade corporativa com relatórios e due diligence.

O investimento em preparação, mitigação e resiliência é crucial. Os riscos e oportunidades climáticas específicas da empresa devem ser identificados primeiro, por exemplo, utilizando análises e ferramentas e tecnologia baseadas em cenários, tais como modelos de catástrofes e mapas de risco. Estes podem ajudar a desenvolver uma estratégia climática que pode ser implementada com medidas apropriadas, tais como mudanças no modelo de negócios, novas combinações de portfólio ou investimentos em habilidades e tecnologias, se necessário. Tais mudanças também podem constituir oportunidades do ponto de vista comercial, já que a transição de energia traz novos produtos e mercados de venda.