Ever Given: encalhe é só a ponta do iceberg da crise em Supply Chain 468

Ever Given: encalhe é só a ponta do iceberg da crise em Supply Chain

Confira artigo de Rodrigo Scolaro, economista da Costdrivers

Poderia ser até uma cena saída de um filme hollywoodiano: um navio gigantesco, com capacidade para transportar mais de 20 mil TEUs (um TEU é equivalente à unidade de medida de um contêiner de 20 pés), preso em um dos pontos de estrangulamento de transporte marítimo mais movimentados do mundo. Esse foi o enredo de uma história sem precedentes no mundo – que parou o canal de Suez há poucos dias – e que teve como protagonista a embarcação Ever Given, um dos maiores porta-contêineres do mundo.

Entretanto, essa é só a última peça em um complexo emaranhado de problemas que têm afetado a cadeia global de fornecimento desde o começo da pandemia do coronavírus. Falta de contêineres, de mão de obra, e a pressão do setor aéreo, com aviões comerciais desocupados já sendo usados para transporte de insumos para vacinação – elevam o embate dos custos e a necessidade de eficiência.

O cálculo do prejuízo causado pelo encalhe do Ever Given talvez nunca possa ser feito em sua totalidade, mas o impacto não foi pequeno, se considerarmos que ao menos US$ 3 bilhões de mercadorias por dia passam pelo canal. Mais do que isso, o acontecimento também vai, nos próximos meses, reverberar em mudanças graduais, mas que podem desenhar novas rotas. Na China, por exemplo, serviços de transporte por trem tiveram um pico na Rota da Seda após o incidente do Canal de Suez – com a capacidade de transporte completamente lotada até o final de maio.

Crise nas cadeias globais

O problema nas cadeias globais de Supply Chain vai além e, claro, esbarra no impacto causado pelo Covid-19. A pandemia trouxe caos ao setor de transporte marítimo e, recentemente, houve um substancial aumento de preços – sobretudo no transporte de contêineres. A alta ocorre sobretudo pelo tempo que os barcos têm ficado presos nos portos ao redor do mundo, em função do custo e da falta de mão de obra para carga e descarga. O atraso nos portos, claro, impacta o transporte e armazenagem terrestres, sendo repassado para produtos e commodities.

Outro ponto para a crise no transporte marítimo foi a falta de contêineres – que começou, claro, com a pandemia. A falta de mão de obra disponível nos portos e a diminuição do número de navios em funcionamento foram coadjuvantes neste cenário – agravado no final do ano por uma mudança no comportamento do consumidor – levando a um aumento no influxo de bens exportados da Ásia para os Estados Unidos.

Com isso, centenas de contêineres ficaram presos em solo norte-americano, por conta das restrições de mão de obra. Hoje, ainda, de cada 10 contêineres parados nos EUA, apenas quatro retornaram para a Ásia.

Cenário brasileiro

No Brasil, o terceiro trimestre de 2020 registrou um aumento na movimentação portuária de 2,1%, quando comparado ao mesmo período de 2019.

Apesar da alta, o aumento nos preços, atrasos e mudanças no itinerário de diversos navios atrapalha a logística dos portos e exportadores – que já operam em uma característica diferenciada devido à natureza comercial do Brasil – que compra muitos produtos manufaturados e exporta commodities. Estas últimas utilizam geralmente o transporte a granel e não contêineres – e as empresas que param no país para descarregar manufaturados preferem voltar com seus contêineres vazios, ao invés de “meio cheios”, visando um lucro maior no carregamento de produtos manufaturados para outras regiões.

Esses fatores atrapalham a exportação de diversos setores, como o de carne, e também a produção de manufaturados em solo nacional que dependem de produtos importados, como os setores têxtil e automobilístico.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou recentemente um relatório em que aponta uma diminuição no número de operadores marítimos no país nos últimos anos, contribuindo para um cenário de pressão dos preços devido a menor concorrência. Há também a discussão sobre o projeto BR do Mar, que deve ser votado no final de abril, e visa permitir a utilização de navios estrangeiros para cabotagem em rotas nacionais e, assim, diminuir os custos com transporte no país com mais concorrência e menor necessidade de uso de caminhões para grandes viagens entre regiões costeiras. Embora pareça uma alternativa atrativa, há críticas ao projeto.

Pelo mundo, diversas empresas de transporte estão aproveitando o momento para aumentar seus lucros, tendo em vista que esse comportamento pode durar até o final do ano. Há fatores que podem alterar essa previsão, como o ritmo de vacinação e de retomadas econômicas pelo globo, aumento da capacidade de produção de novos contêineres e novas saídas logísticas para o escoamento da produção global. Só nos resta esperar que outro encalhe de proporções globais não nos tire ainda mais da rota da normalidade.

Empreender na crise é possível, mas exige cuidados 449

Empreender na crise é possível, mas exige cuidados

Confira artigo da perita contábil Regina Fernandes

A perita contábil Regina Fernandes / Divulgação
A perita contábil Regina Fernandes / Divulgação

Toda crise gera uma necessidade que, se vista e analisada de forma positiva, pode virar oportunidade aos que tem perfil empreendedor. A pandemia do novo Coronavírus virou o mundo de cabeça para baixo, onde o efeito surpresa e a incapacidade de uma preparação rápida prejudicou o funcionamento de diversas empresas. Apesar disso, já podemos notar alguns sinais com perspectivas muito positivas para uma mudança desse cenário, especialmente graças a ações empreendedoras.

Abrir o seu próprio negócio e encontrar uma nova fonte de renda foi a solução buscada por muitos brasileiros para driblar essa crise econômica. Na primeira semana de janeiro, o Ministério da Economia já havia registrado 11,1 milhões de microempreendedores individuais (MEIs) formalizados no Brasil, 1,8 milhões a mais do que o mesmo período do ano passado.

O mercado de trabalho nunca ficará saturado, existem oportunidades para todos e em diversos segmentos. Empreender neste momento de crise pode ser uma ótima opção -mas para isso, não há espaço para conformidades. O cenário é marcado por grande competitividade corporativa, e para se destacar, algumas dicas podem fazer toda a diferença.

Veia empreendedora

O sucesso de um empreendimento está sujeito a diversas influências do mercado – muitas deles incapazes de serem controladas. Mas uma coisa é certa: ter uma veia empreendedora é um fator indispensável para lidar com essas adversidades da melhor forma.

Um bom empreendedor é um inconformado natural, aquele que não se acomoda e, mesmo com todas as dificuldades, busca sempre resolvê-las sem se deixar cair. É importante olhar para o mercado, avaliar suas demandas e o que você pode oferecer de inovador e que, de alguma forma, agregue valor ao seu público.

Ter um bom contador

Abrir um negócio envolve gastos – e muitos por sinal. Diante de tantas decisões financeiras importantes a serem tomadas, um bom contador é o ajudante ideal para esta tarefa, pois a escolha do ponto tem impacto em razão da atividade, a definição do regime tributário em função ao mercado que irá atender, conhecer e entender os custos para formação de preço tem ligação direta com a sustentabilidade e lucratividade da empresa.

O contador é o profissional de gestão mais próximo ao empreendedor. Suas experiências e conhecimentos são a chave para orientá-los nessa jornada, não somente para agilizar e facilitar o processo – mas principalmente para trazer segurança e todo apoio necessário na tomada de decisões.

É como se fosse um clínico geral do mundo contábil, que irá analisar o funcionamento do mercado no qual o empreendedor deseja entrar, suas características e exigências, e apontar o melhor direcionamento a ser seguido.

Escolha da atividade

Todas as atividades econômicas que podem ser exercidas no Brasil são categorizadas e classificadas, englobando a chamada Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE).

Ao abrir uma empresa, é necessário avaliar em qual dessas categorias seu negócio se enquadra, uma vez que cada uma delas possui uma tributação específica que influencia diretamente no recolhimento de impostos pela Receita Federal, além de outros incentivos fiscais, e aqui temos novamente a figura do contador como parceiro importante no processo de decisão.

Regime tributário

A escolha do melhor regime tributário é uma das mais importantes para a abertura da sua empresa, uma vez que impacta diretamente no preço e estratégia da organização. Ele nada mais é do que um sistema de cobrança que estabelece os impostos que a sua empresa deve pagar para o governo, e assim como as atividades, vai variar de acordo com o tipo, faturamento e tamanho do negócio.

Atualmente, existem quatro tipos de regimes de tributação que podem ser adotados pelas empresas:

  • Simples Nacional – ideal para empresas com receita bruta de até R$4,8 milhões. As grandes vantagens desse regime são: recolher impostos através de guia única – DAS (uma vez que há a união de oito impostos e contribuições); Imposto de Renda da pessoa jurídica e, em alguns casos, INSS patronal. Preferência desta modalidade em desempate de licitações e não ter a obrigatoriedade de contratar Jovem Aprendiz. Nessa modalidade a tributação é determinada de acordo com a Atividade Econômica e o anexo de enquadramento no Simples, que são 5 anexos que possuem alíquotas distribuídas por faixa e que são calculadas de forma progressiva, por isso é importante ter um contador no processo de abertura ou desenvolvimento da empresa para entendimento da tributação.
  • Lucro Real – Algumas empresas são obrigadas a optar por esse regime em razão da atividade que exercem (como instituições financeiras, por exemplo) ou por possuírem receita bruta superior a 78 milhões, no entanto é uma opção disponível para qualquer empresa. O Lucro Real normalmente é vantajoso para empresa com reduzidas margens de lucro ou com prejuízo, possui mercadorias no regime de substituição tributária e tem o custo de operação alto.
  • Lucro Presumido – para as empresas que adotarem o regime do Lucro Presumido, o Imposto de Renda (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro (CSL) têm por base uma margem de lucro pré-fixada pela lei. As margens de lucro presumidas são basicamente 8% para atividades de industrias e de comércio, e de 32% para atividades de serviços, existem algumas exceções, por isso é muito importante consultar um contador. O Lucro Presumido pode ser vantajoso para empresas que possuam Margens de Lucro superiores as da presunção, que tenham poucos custos operacionais e que tenha uma folha salarial baixa, ainda assim é necessário verificar se o Simples Nacional não oferece mais vantagem comparado a este enquadramento.
  • MEI – o Microempreendedor Individual é voltado para autônomos que decidiram formalizar o seu trabalho e possuem uma receita bruta, em média, de R$ 6.750 mil por mês. As vantagens estão em menor burocracia para abrir e fechar a empresa, poder emitir Nota Fiscal, ter acesso a linhas de crédito e a benefícios do INSS, como auxílio-doença ou auxílio-maternidade, possui isenção de impostos federais e redução de taxas e custos. O MEI paga ao município o valor simbólico de R$ 5,00 como Imposto Sobre Serviços (ISS), além do módico valor de R$ 1,00 ao Estado, cobrindo-se o Imposto sobre Circulação de Mercadoria (ICMS). Fora isso, paga-se um percentual de 5% sobre o salário-mínimo, todo mês, para custear o INSS, o que faz com que o custo mensal de tributos seja bem pequeno.

Cada dos regimes tributários possui regras e impactos bem distintos, por isso, contar com a ajuda de um contador é um recurso extremamente valioso. Seus conhecimentos e experiências contribuirão para a escolha ideal de acordo com a área de atuação do seu negócio e o momento da sua empresa.

Plano de Negócios

Por último, mas não menos importante, ter um plano de negócios é uma ótima estratégia de organização que permitirá que você tenha claro em sua mente todas as questões que envolvem o funcionamento da sua empresa: quem é seu público; suas fontes de lucro e despesas; atividades chaves e proposta de valor, como exemplo.

O Canvas é o modelo mais comum, simples e prático que existe no mercado. Seu diagrama possui nove blocos formando um quadro, com todos os espaços fundamentais a serem preenchidos com as informações da sua empresa. Dessa forma, fica muito mais fácil saber sua situação atual, onde deseja chegar e, principalmente, como conquistar seus objetivos.

Ter seu próprio negócio não é uma tarefa fácil, e exige grande planejamento. Mas ao tomar todos esses cuidados, pode ser a grande saída para muitos profissionais que tiveram grandes prejuízos financeiros durante a pandemia. Existe uma saída, e o planejamento bem estruturado apoiado e subsidiado com ajuda de um contador experiente e qualificado também em gestão com certeza oferecerá todo o apoio necessário para a conquista de seus objetivos.

*Regina Fernandes é perita contábil, trainer em gestão, mentora e responsável técnica da Capital Social, escritório de contabilidade com 10 anos de atuação que tem como objetivo facilitar o dia a dia do empreendedor. Localizado na cidade de São Paulo, atende PMEs do Brasil inteiro por meio de uma metodologia de contabilidade consultiva, efetiva e digital.

Leonardo Pereira de Freitas: Seguro, um item essencial para o planejamento financeiro 2298

Leonardo de Freitas é diretor de Organização de Vendas da Bradesco Seguros / Divulgação

Confira coluna de Leonardo de Freitas, diretor de Organização de Vendas da Bradesco Seguros

Inicio de mais um ano, geralmente é o período de organizar a vida e se preparar para um novo ciclo, renovar as perspectivas. É época de pensar nas metas que queremos atingir e se preparar para cumpri-las. E por que não aproveitar o ambiente propício – de reflexões e mudanças, para olhar as finanças e planejar melhor a vida financeira? Em tempos de pandemia, esse tem sido um movimento cada vez mais frequente entre os brasileiros; já que muitos enfrentam dificuldades, seja financeira ou por questões de saúde, e precisam começar a se atentar para a importância de estar preparado para os imprevistos. Atualmente, grande parte das pessoas já mudaram completamente suas prioridades e hábitos de vida.

A pesquisa Panorama-Covid, realizada pelas áreas de pesquisa e inteligência de mercado da Globo, explorou essa tendência e identificou que 88% dos respondentes estão preocupados com a crise sanitária e 62% afirmam ter medo de perder o emprego. Entendemos que esse novo momento despertou uma nova mentalidade – a preocupação com o futuro; e com isso, a necessidade de se preparar para os eventos inesperados.

Buscar opções de investimento é um dos fatores mais importantes do planejamento financeiro, embora o senso comum restrinja essa prática quando não há avaliação de gastos e contenção de dívidas. Em primeiro lugar, é preciso equilibrar as contas no presente, mas também buscar opções que tragam segurança e garantam o bem-estar para a longevidade. Neste aspecto, o seguro é um item que pode ser inserido no planejamento financeiro e que oferece benefícios tanto à curto prazo, quanto à longo prazo; e em tempos de crise, pode assumir um papel ainda mais importante, como um investimento essencial.

Pensando no presente, e nos potenciais benefícios de uma apólice de seguro, podemos entender sua importância a partir dos imprevistos, quando paramos para avaliar o papel das suas coberturas no dia a dia. Quantas vezes você já economizou tempo e dinheiro porque acionou o seguro para resolver algum problema com o carro? Quanto já poupou de gastos médicos por investir em um plano de saúde? Já deixou de fazer reforma ou trocar algum eletrodoméstico com a cobertura do seguro residencial?

Todas essas ocasiões, em que acionamos o seguro, representam uma economia de gastos significativa no orçamento; prevenindo custos financeiros, que mais tarde poderiam, eventualmente, se tornar grandes dívidas. Portanto, contar com um seguro significa investir um pouco mais agora para evitar prejuízos muito maiores futuramente, em situações cotidianas que fogem completamente do nosso controle.

Contudo, notamos que as pessoas começam a despertar a consciência para a relevância do seguro – adquirindo uma concepção de risco. E essa nova realidade pode ser facilmente percebida quando observamos o aumento expressivo da procura de alguns segmentos dentro do mercado segurador. Por exemplo, a grande adesão ao home office, o aumento da permanecia dentro das residências e as mudanças nas rotinas dos lares, gerou um aquecimento do seguro residencial. Segundo balanço da Superintendência de Seguros Privados (Susep), o Residencial arrecadou R$ 2,7 bilhões entre janeiro e outubro de 2020, um aumento de 3,6% com relação ao mesmo período de 2019.

Falando de futuro, é certo que o seguro não é a única opção para oferecer segurança e proteção, afinal investir em produtos financeiros, como previdência privada é importante também; essa é uma boa forma para quem deseja garantir um “pé de meia” para a posteridade, mesmo quando não for mais possível trabalhar. Com isso, além de produtos como o seguro de Vida, a Previdência também é uma solução para garantir que os clientes tenham uma renda para recorrer.

Olhando para o mercado, os produtos de Vida também tiveram crescimento entre janeiro e outubro de 2020, com aumento de 10,5%, segundo dados da Susep; e têm um potencial imenso de penetração nos próximos anos, sendo também um ótimo recurso em casos de doenças graves, despesas médicas e hospitalares; além de uma série de assistências que estão disponíveis para os segurados.

Por fim, seja pensando no presente ou no futuro, é essencial considerar a adesão aos seguros quando se desenha um planejamento financeiro. Avalie quais os segmentos e tipos fazem mais sentido dentro dos seus hábitos e estilo de vida, e certamente você encontrará boas opções que atendem as suas prioridades. Além disso, se há dúvidas sobre onde adquirir, ou em qual produto investir, é necessário procurar a orientação de um especialista – nesse caso, um corretor de seguros; que irá, primeiramente, entender seu momento de vida – alinhado com as suas condições financeiras, para encontrar a solução adequada às suas necessidades.

Segmento de Seguro de Vida se consolida durante a pandemia 712

Ronaldo Dalcin, Superintendente Comercial Nordeste da Tokio Marine

Confira artigo de Ronaldo Dalcin, presidente do Sindicato das Seguradoras Norte e Nordeste (Sindsegnne)

Recentemente, foram divulgadas informações sobre o crescimento expressivo na contratação de seguros de vida no mercado brasileiro. Segundo levantamento da Brasilseg, do Banco do Brasil, a contratação de apólices do produto pelos clientes de 18 a 20 anos cresceu quase 205% em janeiro deste ano, na comparação com igual período do ano passado. Já a pesquisa realizada pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi) mostra que houve um acréscimo de 26% nessa mesma modalidade em 2020, quando comparado ao resultado de 2019. No primeiro bimestre de 2021, o ritmo de crescimento se manteve com avanço de 24,9%.

Considerando que em 2020 vivenciamos nove meses de isolamento social com graves efeitos sobre a economia, superar patamares anteriores ao período de crise deve ser motivo de muito orgulho e comemoração. E quando verificamos essas performances podemos fazer algumas interpretações. A primeira, que já citei em outros artigos, é que a pandemia evidenciou a responsabilidade de revistarmos diversos conceitos. Entre eles, o planejamento financeiro familiar que alçou uma condição de importância não percebida nessa proporção anteriormente.

Nessa linha, a pandemia também acelerou nosso conceito de necessidade de proteção, o que certamente contribuiu sobremaneira para que aumentasse a busca por um esteio securitário. E quando escrevo proteção, aí vem um ponto muito importante, pois se anuncia o imperativo de uma proteção ampla e familiar.

Dito isso, é importante perceber que o ecossistema segurador está em constante processo evolutivo, trazendo as mais diversas possibilidades para os produtos de vida. Além das tradicionais coberturas de morte e invalidez, por exemplo, podemos optar pela cobertura de doenças graves que são benefícios utilizados em vida. Algumas seguradoras trabalham com combos para essas situações que vão desde um AVC, um transplante e a esclerose múltipla.

Estamos aqui falando não somente de um leque diverso de possibilidades que o seguro de vida apresenta em termos de coberturas, mas também um ponto que o torna ainda mais atrativo sob o ponto de vista de serviços agregados: a telemedicina. Ela foi autorizada em caráter emergencial pelo Ministério da Saúde nesse período e disponibilizada por algumas empresas seguradoras em seus portfólios.

A facilidade e segurança de ter um médico disponível por vídeo, sete dias por semana, vinte e quatro horas por dia, é realmente um grande atrativo, especialmente nesse cenário pandêmico em que o isolamento social se torna imprescindível. Esse diferencial tem demonstrado sua relevância, como mostram dados divulgados pela Doctoralia, uma das principais plataformas de consulta de especialistas e centros médicos do Brasil: cerca de 86% dos brasileiros aprovam o uso da telemedicina e 81% afirmam que vão continuar utilizando a ferramenta pós-pandemia. Portanto, é algo que já foi incorporado ao nosso ambiente.

Ainda no que se refere à proteção ampla familiar, reforço veementemente que o setor segurador tem feito uma contribuição indispensável para a consolidação desse conceito que tem tudo a ver, também, com planejamento financeiro. Sim, isso mesmo! Ter apólices de seguros previstas em seu orçamento passa a ser uma condição sine qua non para quem considera assunto sério a vulnerabilidade da vida, os riscos dos negócios e sua continuidade.

E aqui, mais uma vez, a pandemia nos trouxe à tona essa conscientização. Quem pode me ajudar a fazer a avaliação de riscos, necessidades e me trazer alternativas? Sem dúvida, um corretor profissional de seguros, devidamente lastreado por uma seguradora oficial. Corretores, segurados e seguradoras formam uma tríade imprescindível ao desenvolvimento desse país, com contributos de grande valia para a sociedade e a economia.

Lúcio Roca Bragança: O cross selling pelo Corretor de Seguros e a LGPD 652

Lúcio Bragança é advogado do escritório Agrifoglio Vianna / Arquivo JRS

Confira artigo do advogado do escritório Agrifoglio Vianna

As informações constituem a matéria-prima para o seguro. As seguradoras se alimentam de dados para poder exercer a sua função de garantir riscos. Por sua vez, o Corretor de Seguros – por ser quem intermedeia a relação entre segurado e segurador – é aquele encarregado de fazer os dados circularem. Daí já fica fácil perceber que o setor de seguros é um dos mais afetados pela vigência da nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Diante das diversas questões atinentes ao uso de dados que surgem, uma que tem despertado especial atenção é a de cross selling. Trata-se de prática também conhecida como venda cruzada e que consiste em oferecer um produto ou serviço complementar àquele que o cliente já adquiriu. Pois muito bem, é lícita a sua utilização pelo Corretor de Seguros? Para respondermos a esta pergunta, faremos uma breve análise dos conceitos elencados na Lei Geral de Proteção de dados concernentes ao tema.

Inicialmente, cumpre notar que a LGPD estabelece uma diretriz muito clara para a obtenção de dados pessoais: o consentimento. Esta é a regra geral: para se valer dos dados pessoais de alguém, é preciso a sua autorização; as demais hipóteses de obtenção de dados constituem exceções permitidas pela Lei e que não têm aplicação ao caso sob estudo, tais como são as hipóteses de cumprimento de ordem judicial, proteção da vida, tutela da saúde, etc.

Além de disciplinar a obtenção, a norma estabelece 3 requisitos para a sua utilização:

  • Finalidade: “Realização do tratamento para propósitos legítimos, específicos, explícitos e informados ao titular, sem possibilidade de tratamento posterior de forma incompatível com essas finalidades”;
  • Adequação: “Compatibilidade do tratamento com as finalidades informadas ao titular, de acordo com o contexto do tratamento”;
  • Necessidade: “Limitação do tratamento ao mínimo necessário para a realização de suas finalidades, com abrangência dos dados pertinentes, proporcionais e não excessivos em relação às finalidades do tratamento de dados”.

Aqui já temos todos os subsídios necessário ao exame do tema proposto. Voltando então ao cross selling: após a venda de um seguro de vida, em percebendo que o Segurado não dispõe de plano de Previdência, o Corretor poderá oferecer tal plano ao mesmo cliente?

Ora, veja-se: a Lei Geral de Proteção de Dados não disciplina a oferta de seguros, mas o tratamento de dados, donde já se conclui que a oferta é permitida. O que não será possível é a utilização dos dados pessoais obtidos para fins específicos da primeira contratação na montagem da segunda oferta. Não será possível, assim, a utilização dos dados pessoais de que o Corretor já tem posse, como renda, patrimônio, ou mesmo filiação sindical, pois haverá um desvio de finalidade, adequação e necessidade frente ao consentimento outorgado para o primeiro contrato.

A oferta terá de ser genérica, sem se valer dos dados pessoais do segurado, a menos, é claro, que o corretor conte uma autorização de seu cliente para utilização de seus dados para outros fins, para além da contratação originária. Não há necessidade de formalismo quanto a essa autorização: desde que seja clara e objetiva em seu teor, qualquer forma passível de comprovação, como um e-mail, ou mesmo uma mensagem de WhatsApp será o suficiente.

Carlos Josias: A constante reinvenção do setor de seguros 750

Carlos Josias: A constante reinvenção do setor de seguros

Confira artigo de Carlos Josias Menna de Oliveira, Sócio da C. Josias e Ferrer Advogados Associados

Carlos Josias Menna de Oliveira é sócio fundador do escritório C. Josias & Ferrer Advogados Associados / Divulgação
Carlos Josias Menna de Oliveira é sócio fundador do escritório C. Josias & Ferrer Advogados Associados / Divulgação

Não nasci há dez mil anos atrás, tampouco vi tantas coisas como Raulzito, mas vi muito ao longo destes 50 anos trabalhando no setor – que serão completados em novembro, livre de Covid se os Deuses quiserem – (vale para todos nós até para que sejam mantidos e até redobrados os cuidados, porque este vírus maldito se recompõe também).

Reinventar é recriar, trabalhar em cima do que já existe.

Recordando estes 50 anos militando no setor, seguradoras e corretoras como funcionário por 12 anos e 38 anos atuando como advogado. Me ocorre, com dose de humor, lembrar da publicidade antiga da cerveja cujo marinheiro ao recomendá-la falava: “Pelas minhas andanças pelos sete mares…”, era o recado do capitão do navio. Já vi de tudo ou quase, menos uma cerveja tão boa quanto a do comercial – naquela época chamavam de “reclames”.

As barbas brancas do marinheiro eu adquiri, mas enxergo os oceanos dele com olhos de leigo, não vejo a transformação que aparentam; mas, nos oceanos do ramo que trabalho elas são visíveis.

Se tivesse que apontar – e estou me forçando a fazer – o que mais me impressiona neste ramo durante toda a minha existência nele, eu não teria nenhuma dúvida em dizer: a estupenda capacidade de se reinventar!

O setor chegou nos anos 1960 totalmente desorganizado e desencontrado até a Lei do Seguro – o histórico e antológico Decreto-Lei 73/66 – colocar todos no lugar e projetar um sistema operacional que não se acreditava que pudesse ser possível programar.

Ali incontáveis dificuldades foram atravessadas, quebras de seguradoras, crise nos montepios, enfim.

Quando a lei tinha de passar a ser executada de verdade, sair da intenção ou do “papel” – nos anos 1970 – o país se encontra num regime severo em que se misturavam seguranças e inseguranças ideológicas. E o setor seguiu firme sua marcha – sem ironia no termo. Se criou mesmo que houvesse repetidos problemas com liquidações extrajudiciais e outros percalços. A travessia continuou.

O setor venceu o período e ingressou na transição dos anos 1980, onde enfrentou uma inflação surreal que parecia invencível. E seguiu em frente, ainda que alguns pedaços ficassem pelo caminho, novas liquidações – que até hoje ocorrem vez que outra (mas quem não perde pedaços ao longo da vida?).

Anos 1990, 2000, 2010, 2020 – pandemia

Já repararam quantas vezes este setor teve que se reinventar? Perceberam quantas vezes houve pessimismo? Já perceberam quantas guerras tivemos de vencer para ter um pouco de paz?

Não, essas vitórias não foram Quixotescas, ainda que Cervantes me seduza.

Abro os noticiosos e vejo uma avalanche de novos produtos que estão sendo lançados pelos seguradores em geral, despejando dezenas ou centenas de opções aos consumidores. Sem que contar que novas empresas aportam no país.

Mas o que é isto se não uma capacidade de recriação admirável?

Nos 21 anos de existência do Escritório – que já são 38 – lançamos um livro que continha uma compilação de artigos escritos pelos sócios em informativos do ramo que denominamos “Conflitos Que Geram Produtos”. Contamos a quantidade enorme de batalhas judiciais que acabavam por – mirando eliminar conflitos – se transformando em opções de cobertura, como o “dano moral” – por exemplo – ou o suicídio que era um tormento.

Sim. Os advogados do setor colaboraram em muito para esta reinvenção. Mas não é a categoria, somente, que me faz traçar estas reflexões.

Estou me debruçando sobre os artificies desta construção que reinventa esta atividade como:

  • As direções que cobraram de suas equipes – nem sempre com tempo satisfatório para resposta – uma visão de mercado, perspectivas e diagnósticos;
  • Os Mestres Técnicos que reinventaram produtos e coberturas quando os que possuíam estavam pouco viáveis;
  • Os Atuários que estavam sempre prontos para ajustar a reinvenção a um preço compatível;
  • Os publicitários que tiveram a incumbência de apresentar ao grande público esta safra noviça;
  • Os comerciais que estiveram este tempo todo sempre se atualizando para poder levar ao consumo tais reinvenções
  • Os corretores que tiveram que ter compreensão técnica e de venda;
  • As entidades culturais em geral – que com suas insistentes atividades de ensinamento e treinamento aperfeiçoam e esclarecem o entendimento.

E muitos outros que transformam este ramo para melhor e com maior rentabilidade a cada dificuldade – sustentando uma multidão de famílias (quer com empregos, quer com reposição do patrimônio perdido).

Senhores, que privilégio ser colega de vocês.

Saudações;
Carlos Josias Menna de Oliveira, Sócio Diretor Fundador da C. Josias e Ferrer Advogados Associados.