Como escolher os cuidados para seu gato ou cachorro de estimação 804

Como escolher os cuidados para seu gato ou cachorro de estimação

Confira artigo de Ale Boiani, CEO, fundadora e Sócia do 360iGroup

Ale Boiani é CEO, fundadora e Sócia do 360iGroup / Divulgação
Ale Boiani é CEO, fundadora e Sócia do 360iGroup / Divulgação

Para muitas pessoas os animais de estimação, como gatos e cachorros, são considerados parte da família. E assim como protegemos nossos familiares, devemos pensar na proteção dos nossos filhos de quatro patas. Da mesma forma que pessoas estão sujeitas a acidentes e doenças e podem precisar de um atendimento médico, os pets também precisam de cuidados com a saúde e estar protegido no caso de imprevistos ou problemas repentinos.

Porém, a ida ao veterinário para consultas, tratamentos e remédios, principalmente em casos emergenciais, pode custar caro. E o que fazer para não ser pego de surpresa nessa situação e tomar um grande prejuízo financeiro?

Uma opção recomendada é utilizar uma rede credenciada de saúde pet, com apenas a carteirinha do plano do pet. Dessa forma, qualquer pessoa que esteja com o seu bicho de estimação naquele momento pode levá-lo ao veterinário sem precisar ter uma despesa não planejada.

Essa rede credenciada funciona como planos de saúde para humanos. Além do pagamento dos custos, ela também garante atendimento telefônico com veterinários que podem tranquilizá-lo e orientá-lo. Isso é um diferencial muito grande no caso de emergência em que não sabemos como proceder. Também é possível a consulta domiciliar para gatos e cachorros que não podem ser transportados. Cobertura de vacinas e castração também fazem parte dos serviços que um plano pet pode oferecer.

É muito importante que nós que amamos nossos pets avaliemos o custo benefício das coberturas, e não apenas o custo final. Pode ser que algum plano te ofereça algo que realmente faça diferença para você e para a saúde de seu gato ou cachorro.

Outra importante dica neste processo, é checar se o Seguro Saúde Pet é atrelado a uma seguradora regulamentada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão responsável pelo controle e fiscalização do mercado de seguros, e se segue uma série de normas e critérios. Quando for escolher seu seguro, procure saber quem é a seguradora responsável e a solidez da empresa.

Também existem os Planos de Saúde Pet que não são comercializados por seguradoras e por isso não têm regulamentação da Susep. Estes produtos merecem mais cuidado na hora de pesquisar sobre a empresa responsável.

Avalie se a rede credenciada atende às suas expectativas e se o produto tem opção de reembolso. Mesmo quando você está acostumado a utilizar a rede, a opção de reembolso é importante para quando você viaja. Se você tem o hábito de levar seu pet sempre com você, é importante que ele tenha cobertura em qualquer lugar que vocês estejam.

Tudo isso serve para que a saúde do seu pet seja protegida da melhor forma. Afinal, sabemos que sua vida e sua saúde valem muito!

Turismo de Vacina: é obrigatório contratar Seguro Viagem? Quais as demais exigências? 97

Ale Boiani é CEO e sócia fundadora do 360iGroup / Divulgação

Confira artigo de Ale Boiani, CEO e sócia fundadora do 360iGroup

O turismo de vacina vem sendo praticado após surgir a oportunidade de garantir a vacinação contra a Covid-19 em alguns países que estão disponibilizando doses para estrangeiros. O assunto tem gerado diversas controvérsias, mas vem sendo realizado e também visto como incentivo ao turismo e movimentação da economia local, mais comum nos Estados Unidos.

Atualmente, no Brasil, o volume de pessoas não vacinadas ainda é muito alto. Os brasileiros vacinados representam, aproximadamente, 11% da população, considerando quem tomou duas doses. Esse número representa cerca de 23 milhões de pessoas. Já as pessoas que tomaram a primeira dose, o número fica na casa de 1.4M de vacinados.

Embora não haja uma garantia direta de que a pessoa será vacinada no país americano, por exemplo, as chances são muito altas se forem cumpridos os requisitos e atenderem às regras dos pais.

Falando especificamente dos brasileiros, não é possível ir diretamente aos Estados Unidos. É necessário passar 14 dias em um dos países autorizados pelos EUA – como México, Panamá, República Dominicana, e alguns outros mais distantes.

Cada um destes países está atuando de uma forma diferente, o que faz com que os EUA possa mudar esta lista a qualquer momento. No Panamá, por exemplo, ao chegar no país é obrigatório realizar um teste de Covid-19, ficar 5 dias em um “hotel hospital”, fazer mais um teste, e aí então sair e cumprir o restante dos dias antes de viajar para os EUA. Já o México e a República Dominicana estão aceitando brasileiros sem estas restrições, e a pessoa pode aproveitar o local nos 14 dias em que permanecer por lá.

Em resumo: além do visto de entrada para os Estados Unidos, o turista precisa garantir o Teste PCR negativo, 72 horas antes de embarcar, 14 dias em algum dos países autorizados, e a cobertura de saúde para Covid. Além de poder ser vacinado antes de chegar sua vez aqui no Brasil e disponibilizar vaga para quem não tem esta possibilidade de ser vacinado antecipadamente no exterior, o “tipo” de vacina também tem sido fator importante na decisão de quem vai viajar para os EUA. Nos EUA as vacinas ministradas alternam em 3 tipos: a da Johnson, que é de dose única, e a da Pfizer e Moderna, aplicadas em 2 doses.

O mundo todo tem imposto restrições quanto a aceitação de turistas não vacinados. Em relação ao tipo da vacina, nenhum país se posicionou oficialmente, embora haja rumores de que alguns países da Europa só aceitariam vacinas específicas. Como esta decisão gera impacto direto no turismo do país, é provável que haja uma série de discussões entre as autoridades, até que seja de fato aprovada.

Obrigatório para o Turismo de Vacina, entenda a importância de contratar o Seguro Viagem:

Vale ressaltar que é importante, antes de realizar o turismo de vacina, emitir um seguro viagem, ou ter um produto de saúde com cobertura internacional, que cubra Covid-19. Além de ser obrigatório para realizar a viagem, trata-se de uma proteção importante, já que as despesas com tratamento Covid podem ser bastante altas.

O Seguro Viagem serve para cobrir acidentes ou doenças agudas, inesperadas. No começo da pandemia, várias seguradoras só estavam cobrindo Covid para quem já estivesse viajando. Agora, várias delas oferecem a cobertura, mas com um custo adicional, que não é baixo.

Os preços dos seguros viagem pós-pandemia subiram consideravelmente. Assim como na Europa sempre teve obrigatoriedade de contratação de seguro viagem com cobertura mínima de 30 mil euros, o chamado Tratado de Schengen, nos Estados Unidos, também tem exigido comprovação de cobertura de seguro, para não terem despesas caso a pessoa adoeça durante a estadia no país. As companhias que oferecem seguro viagem no Brasil têm limitado a cobertura da doença em U﹩ 30 mil, mesmo que para outras coisas a cobertura seja maior.

Alguns países estão começando a desenvolver ainda mais o turismo de vacina, e aproveitando o movimento da população para promover passeios e experiências locais. Um caso curioso está acontecendo na Romênia, em um castelo na Transilvânia, conhecido como o Castelo do Conde Drácula: o programa de vacinação para turistas é feito no castelo e a pessoa recebe um certificado de que foi vacinada lá e ainda tem acesso gratuito ao museu interno do local.

*Ale Boiani é CEO, gestora e fundadora do grupo financeiro 360iGroup , fundado há 11 anos e que tem cinco linhas diferentes de negócios nas áreas de seguros, finanças, investimentos e planejamento patrimonial, sucessório, tributário e fiscal. Com a profissional, que possui experiência de mais de 20 anos na área na linha de frente, a companhia soma 1,3 bilhão sob administração e mais de 2.500 pessoas capacitadas.

CCR ViaOeste e CCR RodoAnel apontam cuidados com neblina nas rodovias 454

CCR ViaOeste e CCR RodoAnel apontam cuidados com neblina nas rodovias / Divulgação/CCR

Incidência de neblina se torna mais constante com a chegada dos períodos de frio, o que reduz a visibilidade nas rodovias e aumenta o risco de acidentes

Dirigir sob neblina exige cuidado e atenção do motorista. O período de junho a setembro – época do ano com os dias mais frios do ano, principalmente nos meses de inverno – é marcado pela ocorrência do fenômeno climático, comum na madrugada e nas primeiras horas da manhã.

As concessionárias CCR ViaOeste e CCR RodoAnel reforçam, a partir de hoje, nos Sistema Castello-Raposo e trecho oeste do Rodoanel, a campanha de alerta e orientação sobre o período de ocorrência de neblina. A ação também acontece no Sistema Anhanguera-Bandeirantes, administrado pela CCR AutoBAn, na Rodovia Presidente Dutra, administrada pela CCR NovaDutra, e nas principais rodovias do sudoeste paulista, administrado pela CCR SPVias, totalizando mais de 1,5 mil quilômetros de rodovias sob concessão do Grupo CCR nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Para despertar a atenção dos usuários das rodovias, as concessionárias estão instalando faixas nos trechos com maior ocorrência deste fenômeno climático. Também estão sendo veiculadas mensagens nos painéis eletrônicos que alertam os motoristas para dirigir com prudência diante da pouca visibilidade provocada principalmente no início das manhãs.

Caso o motorista encontre uma situação de neblina:

  • Reduza gradualmente a velocidade;
  • Mantenha distância segura do veículo à frente;
  • Nunca utilize o farol alto;
  • Nunca pare na pista. Evite parar no acostamento e, se precisar estacionar, pare fora da rodovia, em um posto de serviços;
  • Nunca acione o pisca-alerta com o veículo em movimento. Os motoristas que vêm atrás podem pensar que o seu veículo parou na pista;
  • Atenção às mensagens dos painéis de mensagens variáveis (PMVs) espalhados ao longo da rodovia.

Se houver necessidade de parada ou em situação de emergência, a CCR ViaOeste e CCR RodoAnel possuem atendimento ao usuário, gratuito, 24 horas por dia. O contato pode ser feito pelo Call Box, telefone de emergência, localizado nas rodovias ou pelo 0800 701 5555 (Sistema Castello-Raposo) e 0800 773 6699 (trecho oeste do Rodoanel Mário Covas).

Em todo o ano passado, foram 80 dias com condição de neblina no trecho oeste do Rodoanel e Sistema Castello-Raposo. Em 2021, de janeiro a maio, foram registrados 53 dias com a ocorrência deste fenômeno.

Confira os principais pontos de incidência de neblina nas rodovias

CCR ViaOeste

SP-280 – Rodovia Castello Branco

  • km 20 ao km 25 em Barueri
  • km 37 ao km 44 em Santana de Parnaíba
  • km 48 ao km 58 entre Araçariguama e São Roque
  • km 60 ao km 69 entre São Roque a Mairinque

SP-270 – Rodovia Raposo Tavares

  • km 45 ao km 53 – entre Vargem Grande Paulista e São Roque
  • km 63 ao km 74 – entre São Roque a Alumínio
  • km 83 ao km 89 – em Sorocaba

SP-075 – Rodovia Senador José Ermírio de Moraes (Castelinho)

  • km 3 ao km 6 – em Sorocaba

CCR RodoAnel

SP-021 – Trecho oeste do Rodoanel Mário Covas

  • km 15 – em Osasco

Em quais hipóteses fica dispensada carência mínima para auxílio doença e aposentadoria por invalidez? 461

Willian Ribeiro Gomes integra o escritório Agrifoglio Vianna - Advogados Associados / Reprodução

Quem explica mais sobre o assunto é Willian Ribeiro Gomes, do escritório Agrifoglio Vianna – Advogados Associados

A previdência social pode ser compreendida como uma grande seguradora, para a proteção social. Ao passo que fornece benefícios aos seus abrangidos, sejam eles segurados obrigatórios ou facultativos, tal qual no contrato de seguro exige, para os benefícios ofertados, uma carência mínima, ou seja, um número mínimo de contribuições para usufruir estes benefícios.

Entretanto, para o caso do benefício por incapacidade temporária (antes da Emenda Constitucional 103/2019 chamado de auxílio doença) e o benefício por incapacidade permanente (aposentadoria por invalidez antes da EC 103/2019) a carência pode ser dispensada, bastando somente que aquele que pretende tais benefícios mantenha a qualidade de segurado – aqui podemos, resumidamente, dizer que: esteja com suas contribuições em dia ou gozando do período de graça (aquele período onde o segurado, por ter vertido um número mínimo de contribuições ao INSS ou pela ocorrência do chamado desemprego involuntário, pode ficar sem contribuir e mantém todos os seus direitos perante à Previdência Social).

O artigo 26, inciso II da Lei de Planos de Benefícios da Previdência Social (Lei 8.213/91), prevê que ao segurado, nos casos de acidente de qualquer natureza ou causa e de doença profissional ou do trabalho, é dispensada a carência mínima para os benefícios anteriormente referidos.

Tal dispensa também abrange o segurado que, após a filiação ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), seja acometido por alguma das moléstias especificadas em lista elaborada pelos Ministérios da Saúde e da Previdência Social.

Atualmente, as moléstias que dão direito à essa dispensa de período mínimo de carência estão listadas no artigo 151 da Lei 8.213/91, quais sejam:

  • tuberculose ativa;
  • hanseníase;
  • alienação mental;
  • esclerose múltipla;
  • hepatopatia grave;
  • neoplasia maligna;
  • cegueira;
  • paralisia irreversível e incapacitante;
  • cardiopatia grave;
  • doença de Parkinson;
  • espondiloartrose anquilosante;
  • nefropatia grave;
  • estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante);
  • síndrome da deficiência imunológica adquirida (AIDS);
  • ou contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina especializada.

Vale lembrar ao segurado do INSS que, como em um seguro particular, a moléstia incapacitante não pode ser preexistente à sua filiação, ela deve ter ocorrido a partir/ durante sua filiação ao Regime Geral de Previdência Social.

Isso quer dizer que o segurado filiado, com caso de doença pré-existente, perde seu direito à tais benefícios? NÃO! De acordo com o art. 59, § 1º da Lei 8.213/1991 e o art. 71, § 1º do Decreto 3.048/1999, o agravamento ou progressão da moléstia após a filiação dará direito à concessão dos benefícios por incapacidade, seja ela temporária ou permanente. Em alguns casos o INSS tem reconhecido esse direito ainda na via administrativa. Em outros casos, o segurado se vê na necessidade de buscar o Poder Judiciário para ver esse direito reconhecido, ante a dificuldade de ver reconhecido o agravamento ou progressão da doença incapacitante.

Quer saber mais sobre o assunto? Ficou com alguma dúvida? Procure um advogado especialista de sua confiança e tire suas dúvidas.

*Willian Ribeiro Gomes é graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e especialista em Direito Previdenciário.

Nova lei de licitações abre espaço para o seguro garantia 457

Álvaro Igrejas é Diretor de linhas financeiras da Willis Towers Watson / Divulgação

Confira coluna de Álvaro Igrejas, Diretor de linhas financeiras da Willis Towers Watson

As lições trazidas pelo ano de 2020 levaram muitas empresas a revisar e mitigar suas projeções de fluxo de caixa, obrigações de liquidez e despesas. Com a expectativa de retomada das obras públicas, algumas medidas já começam a ser formuladas para garantir a segurança dos investimentos.

Como novidade dentro deste tema, temos a aprovação da nova Lei de Licitações nª 14.133/21 que deu destaque, no Artº 96 – item II, à possibilidade de apresentar, no edital, o Seguro Garantia como um instrumento de conforto para as Administrações Públicas Diretas, Autárquicas e fundações da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios nas hipóteses previstas no Art. 2º da mencionada Lei. A contratação deste tipo de proteção é, em sua essência, uma forma de assegurar que um contrato seja executado integralmente, protegendo a instituição, ou empresa, de qualquer exposição financeira adicional em caso de inadimplência.

Para melhor entendimento, a contratação do Seguro Garantia envolve quatro partes: o tomador, contratado para cumprir uma obrigação de construir, fornecer ou executar um serviço; o segurado, contratante da obrigação e beneficiário da apólice; a seguradora, que garante o pagamento da indenização, em caso de descumprimento do contrato; e o corretor, que assessora as partes em relação à melhor contratação junto ao mercado, fazendo as avaliações técnica e financeira.

Apesar de alguns avanços desta modalidade, existem pontos que preocupam o mercado, como, por exemplo, o step-in. Quando o tomador do seguro se encontra inadimplente com as suas obrigações, o segurado pode acionar a seguradora, pedindo que ela assuma a conclusão do contrato. Além disso, o segurado também tem a alternativa de acionar a apólice com o objetivo de receber 100% do valor segurado.

Com o maior conhecimento da nova Lei de Licitações, as instituições governamentais acima listadas têm até dois anos para aplicá-la, e com isso ocorrerá uma maior demanda de garantia de Bid e Performance. O primeiro, também chamado de garantia do licitante, é muito utilizado em concorrências e licitações públicas, para assegurar a indenização por prejuízos causados pelo tomador na recusa em assinar o contrato adjudicado.

Já os contratos de performance bond, também chamados de Garantia do Executante, são usados para asseverar a indenização pelos prejuízos decorrentes da não entrega, não fornecimento ou não prestação de serviços assumidos em contrato pelo tomador.

Como reflexo da pandemia, o seguro garantia foi impactado pela menor demanda das apólices de garantia judicial, que tem representado, nos últimos anos, 90% do volume de prêmios do Garantia. Esse impacto é mais expressivo por conta da atual limitação de análise de processos por parte do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que demandava elevados valores de apólice de Garantia.

Diante da impossibilidade de as reuniões ocorrerem de forma presencial, o CARF limitou em 2020, a R$ 8 milhões a análise de processos virtuais. Em janeiro de 2021, esse limite foi ampliado para R$ 12 milhões e, de abril a 30 de junho de 2021, passou a ser de R$ 36 milhões. Nesses valores, estão cerca de 95% dos processos, ficando de fora as demandas de alto valor, algumas bilionárias, referentes à discussão de Ágio, PLR, Stock-Options, entre outros. Atualmente o CARF tem um volume de mais de R$ 700 bilhões em processos a serem analisados.

Uma outra modalidade que tem grandes possibilidades de crescimento no mercado é o seguro de Garantia Financeira. Hoje o mercado praticamente só trabalha com o pagamento de energia, mas há outras oportunidades para esse seguro, competindo com as fianças bancárias, depósito em dinheiro, entre outros, a exemplo do seguro de Garantia Judicial. Chamo atenção para o grande diferencial do seguro de Garantia Financeira ter uma data previamente definida para o encerramento da obrigação, diferentemente do Judicial, em que o tomador pode ter a sua apólice prorrogada até o término da ação judicial, como ocorre em muitas situações. Resta saber o que falta para as seguradoras e resseguradoras investirem em uma modalidade tão promissora.

As vulnerabilidades das instituições de saúde e o cyber risco 438

Ana Cristina Albuquerque é Head de linhas financeiras da Willis Towers Watson / Divulgação

Confira artigo de Ana Cristina Albuquerque, Head de linhas financeiras da Willis Towers Watson

As empresas do setor de saúde são alvos cada vez mais populares entre os criminosos cibernéticos. O Brasil está listado em quinto lugar entre países com maior grau de ataques cibernéticos no segmento, segundo a empresa Check Point Research (CPR). A principal ameaça é do tipo ransomware que são muito prejudiciais porque qualquer interrupção em seus sistemas pode afetar a capacidade das instituições de prestarem cuidados e colocar vidas em risco.

Cerca de 50% dos incidentes cibernéticos globais no terceiro trimestre de 2020 no setor de saúde foram desses chamados ransomware, que se caracterizam pelo sequestro de dados de dispositivos e liberação apenas com o pagamento de um “resgate”. Esses ataques estão se tornando mais prevalentes para provedores de saúde, uma vez que os grupos maliciosos julgam que essas instituições estão mais dispostas a pagar um resgate pela devolução de seus dados ou acesso ao sistema, em vez de sofrer os impactos associados a um incidente cibernético. Além disso, muitas organizações foram forçadas a realizar mudanças imediatas, quase inimagináveis, em seus ambientes de trabalho de TI, o que pode ter levado a um aumento em suas vulnerabilidades cibernéticas.

Recentemente, um ataque ao serviço de saúde pública da Irlanda paralisou o sistema e afetou o cadastro para imunização no país. E no ano passado, uma invasão cibernética atingiu três hospitais do estado Alabama, nos Estados Unidos, forçando-os a recusar todos os pacientes, exceto os mais críticos. Além de enfrentarem a forte pressão do número crescente de casos de coronavírus, essas instituições enfrentam a difícil tarefa de encarar a complexidade de adotar sistemas robustos, computação em nuvem e estratégias de segurança cibernética corporativa.

O setor da saúde também tem se preocupado especialmente com o vazamento de informações, já que tratam de informações classificadas como sensíveis, conforme classificação da Nova Lei Geral de Proteção de Dados, e ficam sujeitas a responder por eventuais responsabilidades que sejam imputadas, inclusive multas e penalidades estabelecidas na LGPD. Em 2020, uma falha de segurança no sistema do Ministério da Saúde expôs dados pessoais de mais de 200 milhões de brasileiros que fazem uso do SUS (Sistema Único de Saúde) e informações de 16 milhões de pessoas que tiveram diagnóstico suspeito ou confirmado de covid-19.

Como instrumento de proteção, o seguro cyber deve ser visto como um investimento para auxiliar e mitigar perdas financeiras em caso de eventuais vazamentos de dados, bem como prejuízos em face interrupção dos negócios das instituições, em virtude de um ataque cibernético. Atualmente o seguro também é colocado como boas práticas de gestão de cyber risks, fazendo parte do controle de risco das grandes organizações, reduzindo exposições e sendo parte dos controles internos.

Os crimes cibernéticos estão cada vez mais sofisticados, por isso é importante as empresas estarem adequadas com políticas internas efetivas de segurança de informações e de dados, além de planos de contingenciamento, assim como adequação às diretrizes relacionadas a LGPD. Hoje é imprescindível realizar a gestão desses riscos e o seguro de cyber é um instrumento significativo para reduzir os prejuízos financeiros relacionados ao tema trazendo um significado de boas práticas de governança para o mercado.