Advogada do C. Josias & Ferrer faz análise objetiva sobre o Seguro de Responsabilidade Civil 1109

Dra. Eliza Thais Schaeffer é advogada no escritório C. Josias & Ferrer / Divulgação

Confira artigo da Dra. Eliza Thais Schaeffer, advogada no escritório C. Josias & Ferrer

A definição legal da Responsabilidade Civil se encontra disciplinada no Código Civil (CC), mais especificamente em seus artigos 186 e 927, que determinam que, aquele que por ação ou omissão causar dano a alguém, comete ato ilícito, nascendo, assim, a obrigação de reparar.

Consoante prescrição normativa, a obrigação de reparar depende da coexistência de quatro requisitos: conduta (ação ou omissão), dano, nexo de causalidade entre a conduta lesiva e o prejuízo experimentado e culpa.

O princípio primordial então da Responsabilidade Civil visa à restauração do equilíbrio moral ou patrimonial violado. Isto é, há a obrigação de indenizar objetivando restabelecer o status quo ante (que nada mais é do que reparar o desequilíbrio promovido a alguém).

A Responsabilidade Civil, no seguro, não é diferente.

Previamente, recorda-se que o contrato de seguro se encontra disciplinado nos artigos 757 a 802 do CC, caracterizando-se por ser uma modalidade contratual em que, de um lado, há a figura do segurador, cujo objetivo é garantir interesse legítimo do segurado, relativo à pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados, e de outro, o segurado, a quem compete à obrigação do pagamento do prêmio.

Ainda tratando sobre as disposições do CC, destacam-se algumas obrigações do segurado trazidas pela própria legislação civil. A respeito do parágrafo primeiro do artigo 787, é exigido do segurado, tão logo saiba das consequências do seu ato, a comunicação imediata do fato ao segurador; em seu parágrafo segundo, traz a proibição do segurado em reconhecer sua responsabilidade, assim como traz a proibição de indenizar o terceiro prejudicado sem anuência expressa do segurador. O parágrafo terceiro do artigo mencionado, por sua vez, determina que compete ao segurado dar conhecimento da demanda ao segurador. Por fim, o parágrafo quarto dispõe que a insolvência da seguradora não isenta o causador do ato ilícito perante o terceiro prejudicado.

É acertado conceituar então o seguro de RC como o dever assumido pela seguradora de indenizar o segurado (pois se trata de seguro de reembolso) em razão de eventual ação/omissão culposa que prejudique terceiros; isto é, reembolsam-se indenizações a que o segurado for obrigado a pagar em razão de sua conduta ilícita. Nos ensinamentos de Walter Polido, “o seguro de responsabilidade civil tem a função de proteger o patrimônio do segurado, a partir da obrigação legal que ele tem de indenizar quem sofreu dano ou prejuízo por ele causado, ou por pessoa ou coisa sob a sua responsabilidade”. (POLIDO, Walter. Seguros de Responsabilidade Civil: Manual Prático e Teórico. Curitiba: Juruá, 2013).

Feitos tais apontamentos, importa esclarecer que a Superintendência de Seguros Privados (Susep) também conceitua a responsabilidade civil no seguro. A Circular Susep Nº 637/21, que entrará em vigor em 1 de setembro de 2021, esclarece, em seu art. 3º: No Seguro de Responsabilidade Civil, a sociedade seguradora garante o interesse do segurado, quando este for responsabilizado por danos causados a terceiros e obrigado a indenizá-los, a título de reparação, por decisão judicial ou decisão em juízo arbitral, ou por acordo com os terceiros prejudicados, mediante a anuência da sociedade seguradora, desde que atendidas as disposições do contrato. Destaca-se que essa nova Circular traz uma importante inovação na modalidade de RC, qual seja a supressão da exigência de trânsito em julgado da sentença para que haja a obrigação de indenizar da seguradora. (Redação anterior: Art. 5º. No Seguro de Responsabilidade Civil, a Sociedade Seguradora garante ao Segurado, quando responsabilizado por danos causados a terceiros, o reembolso das indenizações que for obrigado a pagar, a título de reparação, por sentença judicial transitada em julgado, ou por acordo com os terceiros prejudicados, com a anuência da Sociedade Seguradora, desde que atendidas as disposições do contrato).

A Susep também divide o seguro de responsabilidade civil basicamente em cinco grandes blocos, que se encontram especificados no artigo 4º da referida Circular: RC D&O (Responsabilidade Civil de Diretores e Administradores de Empresas – cobertura para a responsabilidade civil pelas decisões tomadas no exercício da função de direção ou administração de empresas); RC Profissional (garante as perdas financeiras relacionadas à responsabilidade atribuída ao profissional – médico, por exemplo – em razão da prestação de serviços); RC Riscos Ambientais; RC Riscos Cibernéticos (vinculado a incidente cibernético – danos aos equipamentos e sistemas de tecnologia da informação, às suas informações ou à sua segurança) e RC Geral (riscos decorrentes da responsabilização civil, que não possuam ramo específico).

Embora não seja considerado um seguro em benefício da vítima (pois, conforme abordado, trata-se de seguro de reembolso da seguradora ao segurado das quantias a que for responsabilizado) e mesmo que a jurisprudência atual dos tribunais considere válida a responsabilização solidária da seguradora e segurado, fica evidente, ainda que em exposição sumária, a importância do Seguro RC, que, precipuamente, objetiva garantir proteção patrimonial ao segurado de eventuais consequências causadas a terceiros que decorram de suas ações.

Paulo Barni, Superintendente do GBOEX: Boas perspectivas nas corporações 405

Paulo Antonio Barni é Superintendente de Compliance, Controles Internos e Modelagem do GBOEX / Divulgação

Confira artigo de Paulo Antonio Barni, Superintendente de Compliance, Controles Internos e Modelagem do GBOEX

O mundo corporativo tem inovado de maneira significativa. A gestão, relacionada com a execução dos processos das empresas, tem se direcionado, com intensidade, para a dimensão digital, em razão do movimento praticado pelas corporações em consequência da pandemia da Covid-19, uma nova realidade vivenciada pela sociedade.

Desde 2020, as empresas, objetivando a viabilização da sobrevivência dos seus negócios, adotaram fluxo de inovação e digitalização junto à maioria de seus processos. Esse empenho de customização, necessário para readequação das operações, estabeleceu novos desafios, cenários, riscos e trouxe novas oportunidades. É fato que a base estrutural das corporações foi movimentada, e a perspectiva de retorno à posição anterior, definitivamente, não existe mais.

A virtualização das operações, inicialmente, foi desafiadora, mas oportunizou às empresas vivenciarem uma nova realidade na gestão, em diversos aspectos, oportunizando às organizações trabalharem em uma estrutura mais matricial. O trabalho remoto possibilitou um outro modelo de liderança das equipes, permitindo que a tecnologia viabilizasse os negócios e o exercício da força de trabalho fosse executado, em muitas circunstâncias, ininterruptamente.

Olhando para o micromundo da operação, verificamos que os ciclos de negócios foram revistos, adaptados ou inovados. Os requisitos hoje são outros, e serão endereçados de forma apropriada. É fato que superamos o desafio posto pela pandemia.

Neste retorno ao trabalho presencial, lições de redesenho assimiladas estão sendo implantadas nas atividades técnicas, operacionais e comerciais. Ter uma concepção mais holística da organização, alinhando mercado, estratégia e operação, é requisito fundamental. Precisamos considerar o sentido das “partes” no “todo” corporativo. É imprescindível que as rotinas, as quais agora voltam a serem exercidas em uma dimensão presencial, sejam traçadas de maneira mais eficiente, eficaz e com a economicidade que a perspectiva do home office trouxe.

O mundo das corporações nunca mais será o mesmo. Compulsoriamente, em razão das circunstâncias, evoluímos nas relações de trabalho. Efetivamente, aprendemos com essa nova realidade. Empresas de alta performance souberam, com a abordagem de qualidade exigida, superar as adversidades do momento sem prejudicar seus clientes.

PEC dos Precatórios: Fim horroroso ou horror sem fim? 318

Luis Otavio Leal é economista-chefe do Banco Alfa / Divulgação

Confira artigo de Luis Otavio Leal, economista-chefe do Banco Alfa

Entre as idas e vindas da PEC dos Precatórios, devemos perguntar: se ela é mesmo tão ruim, por que os ativos pioravam toda a vez que a sua aprovação ficava ameaçada e melhoravam quando o inverso acontecia?

A PEC dos Precatórios é um “fim horroroso” para o problema de arrumar espaço dentro do Teto dos Gastos para as demandas políticas, mas as opções na mesa para substituí-la poderiam transformar essas discussões em um “horror sem fim”. A ideia de se acionar novamente o estado de calamidade, retirando as amarras fiscais em 2022, abriria uma caixa de pandora de gastos de difícil mensuração. Portanto, partindo da ideia de que a “opção” é pior, vamos aproveitar a aprovação da PEC dos Precatórios na Câmara dos Deputados para mostrar a razão do mercado ter ficado tão ‘nervosinho’, em relação a sua elaboração, e o motivo da comemoração, após ela ter passado pelo seu primeiro teste no Congresso.

O título “fim horroroso”, refere-se à solução encontrada pelo governo federal para encaixar o Auxílio Brasil dentro do Teto dos Gastos. Isso nos parece bem adequado. Primeiro, porque adia o pagamento de parte dos precatórios, que é uma dívida transitada e julgada pela justiça, de modo que a diferença disso para calote é uma mera questão semântica. Segundo, porque esse adiamento vai levar a um efeito cascata futuro, que terá efeitos nocivos sobre as contas públicas muito além de 2022. Ou seja, para resolver um problema do ano que vem, estamos arrumando um problema para 2023 em diante. Terceiro, porque mexeu em uma das cláusulas pétreas do regime fiscal brasileiro: o Teto dos Gastos Públicos.

Por tudo isso, não deve causar estranheza que o mercado tenha reagido tão mal quando essa opção apareceu como sendo o ‘Plano A’ do Governo para resolver o problema do espaço no Teto dos Gastos. Porém, como temos que aceitar isso como fato consumado, vamos aos números. Após todas as manobras, calculamos que foi aberto um espaço ao redor de R$ 106 bilhões na restrição aos gastos para 2022, sendo R$ 40 bi vindos do adiamento do pagamento dos precatórios e R$ 66 bi da mudança de indexador do Teto. Parece muito para custear um programa que vai demandar R$ 47 bi a mais do que já estava previsto no Orçamento para o Bolsa Família. Entretanto, temos que levar em conta outras benesses que serão inevitáveis em ano eleitoral, como o “Bolsa Caminhoneiro” (custo de R$ 4 bi), o Auxílio-Gás (custo de R$ 6 bi) e a renovação da desoneração da folha de pagamento para 17 setores (custo de R$ 9 bi).

Além disso, temos ajustes contábeis, como as correções das despesas dos demais Poderes (custo de R$ 2 bi) e das vinculadas à saúde (custo de R$ 3,9 bi) e à educação (custo de R$ 1,8 bi).

Temos ainda o ajuste da inflação. No Orçamento de 2022, enviado ao Congresso em agosto, o índice projetado para corrigir o salário-mínimo era de 6,2%. Após o IPCA de outubro, divulgado no último dia 10, acreditamos que esse número vai ficar mais próximo de 10%. Como o próprio governo estima que, para cada 1 p.p. de inflação, temos um aumento dos gastos de R$ 8 bi, essa diferença de projeção retira algo próximo de R$ 30 bi do espaço aberto no Teto. Diante desse cenário, chegamos a um valor ao redor de R$ 104 bi. Muita demanda para pouco dinheiro. Isso sem contar com o aumento do Fundo Partidário que, certamente, vai entrar em discussão, as proibidas Emendas do Relator e o aumento para o funcionalismo público anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro do outro lado do mundo sem combinar com os “russos”.

Essa sensação de que o ‘pé não cabe no sapato’ apenas reforça o mal-estar gerado pela mudança da regra do Teto dos Gastos. Se, no primeiro ano em que essa regra fiscal foi efetivamente restritiva, foi alterada para atender às demandas políticas, qual a credibilidade dela como restrição aos aumentos dos gastos daqui para frente?

A mudança no Teto dos Gastos incluída na PEC dos Precatórios não vem sem custos, e eles são facilmente mensuráveis, seja na piora da trajetória da dívida ou na deterioração dos preços dos ativos brasileiros. No fim, vamos ter um Real mais desvalorizado, uma inflação mais alta, requerendo juros mais elevados. O que irá diminuir, consequentemente, as expectativas de crescimento e tornando mais custoso o ajuste fiscal requerido para reequilibrar a trajetória da dívida pública.

Como o próprio título sugere, a situação pode ficar pior. Caso a PEC dos Precatórios não seja aprovada até o final do ano, a ala política do governo federal já indicou que vai partir para o “Plano B”, que seria decretar Calamidade. Nesse caso, todas as amarras fiscais seriam afrouxadas, de modo que não se teria que respeitar nem o Teto dos Gastos nem a Lei de Responsabilidade Fiscal. Os que defendem essa solução advogam que isso ficaria restrito ao ano que vem. Entretanto, juntando isso ao fato de que, a partir de 2023, podemos ter um novo governo, temos a combinação perfeita para o mercado extrapolar esse descontrole dos controles fiscais para além de 2022.

Obviamente que temos a opção de fazer os ajustes nas contas públicas através do aumento nas receitas. Entretanto, aqui também a situação complica, pois as Receitas Líquidas teriam que subir dos atuais 17,2% do PIB para um patamar ao redor de 21%. Esse nível superaria em quase 1 p.p. o recorde da série iniciada em 1998, alcançado em 2010 (20,2%) e só obtido por conta da receita extra recebida pelo governo com a cessão onerosa do petróleo do Pré-Sal à Petrobras. Ou seja, salvo por alguma privatização bilionária e/ou por alguma solução ‘criativa’, como a venda de reservas cambiais, o ajuste não poderia ser feito apenas pelo lado das receitas.

Mais uma vez, o Brasil escolheu o caminho mais fácil para resolver um problema complexo. Os formuladores do Teto dos Gastos queriam que este, além de ser um guia para a trajetória futura dos gastos do governo federal, em algum momento fosse tão restritivo a ponto de tornar inevitável a discussão a respeito das prioridades na alocação das despesas no Orçamento da União. Porém, quando esse momento chegou, decidiu-se colocar ‘um zíper na camisa de força’, tornando a regra pouco crível.

A recente melhora dos ativos com a aprovação da PEC dos Precatórios não deve ser considerada uma prova da aprovação deste instrumento pelos mercados, mas um alívio temporário após se vislumbrar um cenário ainda pior. Como o “jogo só termina quando acaba”, ainda temos toda a tramitação no Senado Federal, com ainda mais emoção nas próximas semanas.

A democratização dos seguros é fundamental para a economia do País 413

Dhaval Chadha é founder da startup Justos / Divulgação

Confira artigo de Dhaval Chadha, founder da startup Justos

O seguro é uma das invenções mais geniais da economia moderna: juntar os recursos do coletivo para evitar catástrofes do indivíduo. Transferência de riscos de pessoas e seus bens às seguradoras e assim proteger às pessoas e deixar elas viverem sem medo. Esse é o papel do seguro para a sociedade. Em sua definição mais simples, o seguro é um acordo contratual entre contratante e contratada, no qual uma é responsável pelo pagamento das parcelas e a outra assume os riscos de pagar uma indenização em caso de danos. O seguro permite que o risco seja transferido a empresas especializadas no seu gerenciamento, possibilitando que indivíduos, empresas e governos desenvolvam projetos mais arriscados.

Além do seguro fornecer segurança e proteção contra grandes riscos, a importância do setor para a economia é gigante. O seguro torna a poupança (capital parado) em investimento; reduz perdas; garante tratamento médico e compensação por lesões; possibilita investimentos e inovações protegendo o downside (movimento negativo em um ativo, um mercado ou até na economia como um todo); aumento do crédito, pois as credoras sentem mais segurança quando tem garantias; complementa o investimento em serviços sociais; traz estabilidade e eficiência ao sistema bancário, nos mercados de capital e nas taxas de juros; na criação de empregos, recuperação da economia e crescimento do PIB. Com R$ 8 trilhões sob gestão e representando, em média, 6% do PIB brasileiro, a participação do setor ainda é pequena quando comparada a países como Coreia do Sul, Holanda e Reino Unido, que ultrapassam os 12%.

O mercado é altamente competitivo e diversificado: em 2019, por exemplo, havia mais de 122 seguradoras, 15 Cias de capitalização, um mil operadoras de saúde suplementar, 94 mil corretoras de seguros ativos dentro de 90 ramos de seguros classificados pela Susep (Superintendência de Seguros Privados), agrupados em 16 grupos. Os dados indicam que o mercado de seguros oferece ampla escala de produtos e serviços contribuindo para o cotidiano da população.

Como demonstração da importância do seguro para a economia do país e para a população, podemos usar um exemplo de uma pessoa que guardou dinheiro durante dois anos para comprar um carro e uma geladeira. Quando adquiriu o veículo, decidiu que não iria fazer um seguro, pois acreditava ser um custo desnecessário e caro. Ao sair da loja, sofreu uma colisão, causando “perda total”. Então, essa pessoa perdeu o seu patrimônio integralmente. Agora, além de usar o dinheiro da geladeira, precisará de mais tempo e mais economias para comprar outro veículo. Como reflexo na economia do país, se ela comprasse um carro e uma geladeira estimularia a cadeia produtiva de ambos os produtos. Se tivesse contratado um seguro, seria indenizada e teria a possibilidade de comprar o veículo e a geladeira ao mesmo tempo.

Nos últimos anos, os brasileiros da classe C passaram a consumir cada vez mais o seguro de automóveis. Entre os principais motivos da democratização do mercado de seguros no Brasil está a preocupação com a segurança. Segundo os dados do Governo Federal, entre 2015 e 2019, foram roubados mais de um milhão de veículos. Somente em 2017 foram 276.389. O volume de roubo e furto de veículos, principalmente nos grandes centros urbanos, vem alertando o brasileiro da necessidade de proteger seus bens.

Um outro grande impulso pela democratização do setor se deu com o surgimento das insurtechs, startups de seguros, que chegaram ao país automatizando operações e modernizando processos quando comparados às seguradoras tradicionais, com uma distribuição mais rápida, fácil e acessível, além de produtos personalizados para os consumidores. Com a flexibilização da regulação de seguros no país e a criação de um “sandbox” regulatório pela Susep para que empresas criem e testem projetos inovadores em condições favoráveis com tempo determinado, as insurtechs ganham cada vez mais relevância no cenário nacional, aumentando a competitividade e levando mais possibilidades para o consumidor final.

Além de inovação, essas startups valorizam a desmistificação do “segurês”, que são os jargões usados pelos players tradicionais do mercado, com palavras como “sinistros”, “apólices”, entre outros. É importante que a linguagem ao falar sobre o tema seja acessível e informal, para que o público se sinta mais próximo do produto e também mais confortável ao fazer a aquisição.

Para que o mercado continue aquecido e que essa democratização continue acontecendo é necessário continuar investindo em tecnologia e comunicação para que a população brasileira se conscientize de dois pontos: a importância de se ter um seguro e que esse serviço está cada vez mais acessível, já que nunca houve tantas opções para quem deseja contratar um.

Seguro de Danos Estruturais passa a ser obrigatório no programa Casa Verde Amarela 451

Seguro de Danos Estruturais passa a ser obrigatório no programa Casa Verde Amarela / Foto: Pixabay

Mercado da construção civil deve entregar mais qualidade no principal programa habitacional do governo federal

O mercado brasileiro de construção civil dá um grande passo para transparência, segurança e gestão de riscos. Realidade no mundo todo, o seguro para danos estruturais agora se torna parte do Programa Casa Verde e Amarela, do governo federal, que financia casas com juros mais baixos para o público com renda mensal de R$ 2 mil até R$ 7 mil.

Essa exigência está respaldada por instrução normativa do Ministério de Desenvolvimento Regional, de 15 de outubro, que agora contempla todo o Programa e dá maior segurança aos clientes/beneficiários de que os empreendimentos serão construídos com maior qualidade, supervisão e compliance. Reduz-se a probabilidade de obras abandonadas, fora de cronograma ou mal fiscalizadas.

O seguro quinquenal, como popularmente é conhecido, visa justamente evitar a incidência ou falta de comprometimento com anomalias, defeitos ou imperfeições em imóveis, aparentes ou ocultas, por parte das construtoras, em até cinco anos após a entrega do imóvel.

Esse marco histórico, que reduzirá processos na Justiça, já desperta a atenção de toda uma cadeia no entorno. A Wiz Corporate, unidade de negócio da Wiz Soluções (WIZS3) especializada em seguros para o segmento pessoa jurídica, sai na frente na colocação deste produto junto às principais seguradoras do mercado, amparando as construtoras vinculadas à Caixa Econômica Federal.

“Temos soluções e expertise consolidadas de seguros para o setor da construção civil. Atuamos na operacionalização da venda, na colocação da apólice junto às executoras das obras selecionadas pela Caixa e no monitoramento do cumprimento e da conformidade do projeto apresentado”, explica a diretora Técnica de Operações e Estruturação da Wiz Corporate, Stephanie Zalcman.

A Wiz Corporate conta com recursos tecnológicos e digitais para acompanhamento em tempo real das obras e vistorias técnicas (com engenheiros). Atende construtoras e seguradoras corriqueiramente habilitadas pela Caixa. Ao longo do ano passado, comercializou cerca de 1 mil apólices do seguro de riscos de engenharia. Nos últimos 20 anos, mais de 3 mil produtos deste segmento serviram aos parceiros do banco vinculado ao governo federal.

O Casa Verde Amarela tem um orçamento de R$ 56,2 bilhões para 2021, mas deve deslanchar mesmo ano que vem: há previsão de mais R$ 61 bilhões. Outros R$ 64 bilhões e R$ 67 bilhões estão previstos para investimentos no programa nos anos subsequentes. O Programa acaba de ser ajustado, com juros ainda mais baixos para o público-alvo.

“Todo esse movimento visa uma atuação proativa na mitigação de riscos e assegurar maior qualidade de vida para uma parcela importante da população brasileira“, afirma Caroline Borges, Gerente Técnica responsável pelo produto na companhia.

O governo federal ainda não apresentou um cronograma com as praças que serão inicialmente contempladas pelo Programa. No entanto, há alta expectativa do mercado para que as informações venham à tona em curto prazo.

Saint’Clair Lima: Um novo mercado para o Seguro Auto 421

Saint'Clair Lima é diretor da Bradesco Seguros / Divulgação

Confira artigo de Saint’Clair Lima, diretor da Bradesco Seguros

Necessidade intrínseca ao ser humano, a busca por proteção tem aumentado entre a população. E a entrada de novas regulamentações que visam aprimorar e fomentar o desenvolvimento do segmento traz um cenário ainda mais positivo para o mercado.

No caso do setor automotivo, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) publicou novas normas que permitem a flexibilização no momento da contratação do seguro, com objetivo de promover a ampliação do acesso à população à proteção e a simplificação das apólices. Na prática, a novidade oferece maior liberdade para formatação de produtos e permite a elaboração de contratos mais simples e de fácil entendimento para os consumidores.

No dia a dia, ao mesmo tempo em que as seguradoras passarão a ter maior liberdade para criar produtos, os consumidores serão beneficiados com uma gama maior de coberturas, proteção pay per use, combos com serviços e assistências diferenciadas em uma única apólice, entre outras possibilidades.

Neste novo ciclo de desenvolvimento, é importante o consumidor entender claramente as diferenças entre os vários tipos de seguros que passarão a ser oferecidos pelas seguradoras, que terão a possibilidade de ofertar recursos variados com o suporte de inúmeros dispositivos tecnológicos, internet das coisas (IOT) e simplificação dos processos. Diante desse quadro, cada consumidor precisa escolher, de forma ainda mais consciente, a melhor opção de contratação às suas necessidades. É uma evolução do mercado para atender um novo consumidor, mais exigente e diversificado.

A norma atende às novas demandas de consumo do seguro automotivo e essas mudanças também contribuem para aperfeiçoar a relação entre clientes e corretores. A indústria de seguros vive um momento de grandes oportunidades. Produtos e serviços mais customizados são imprescindíveis, com foco em maximizar a experiência do consumidor. No caso das seguradoras, a forma de vender seguro passa por uma transformação para acompanhar o ritmo das mudanças. O processo de venda torna-se uma verdadeira consultoria de risco para o cliente, ao invés de uma simples oferta de produto de prateleira.

No papel de consultor, o corretor analisa o perfil e as necessidades de cada pessoa ou empresa, levando em consideração macro e micro singularidades. É preciso ter sensibilidade e visão holística sobre o que é essencial para cada cliente e essa nova norma permite ampliar o olhar e as possibilidades segmentadas.

Em paralelo, empresas investem na integração de informações e otimização e/ou na criação de canais de relacionamento com cliente, com uso de inteligência artificial, chats em tempo real, URAs (sistemas de atendimento) com autosserviços, chatbots, redes sociais, aplicativos de mensagem, sem abrir mão de ferramentas tradicionais, como e-mails, telefones e sites. Nesse cenário de múltiplas opções de contato, o principal continua sendo a qualidade da prestação do serviço e o atendimento próximo e humanizado.

Diante dessa grande oportunidade de modernização e simplificação do regime de produtos, desenvolvimento do setor e melhoria da experiência do segurado na contratação de seguros, as empresas buscam transformar clientes em fãs, a partir do encantamento com os serviços prestados. Criatividade, simplicidade e qualidade serão diferenciais cada vez mais sentidos no mercado de Seguro Auto.