Por que a Susep virou as costas para o mercado de seguros? 2782

Autarquia divide o mercado e atua pelo retrocesso disfarçado de inovação?

Nos dias de hoje fala-se muito em inovação, disrupção e boas práticas de mercado. A Superintendência de Seguros Privados (Susep) frequentemente coloca-se como percursora das mudanças no mercado segurador brasileiro, fato que não procede. O que se vê são diversos retrocessos disfarçados de inovação. O setor é composto por quase 50 mil profissionais habilitados que estudam incansavelmente para proteger cada vez mais a população do país. Isso sem contar os executivos das seguradoras e demais operadores de empresas parceiras, além de terceirizados que atuam no setor.

Além da luta diária que todo empresário possui no seu dia-a-dia, os profissionais da corretagem ainda contam com forte oposição da autarquia que controla as operações do setor de seguros no Brasil. Ao invés de atuar como facilitadora de tais boas práticas, a Susep e sua superintendente vão na contramão de todo o mercado.

Ao assumir a posição de comandante da Susep, o Jornal do Seguro (JRS) realizou uma averiguação da trajetória de Solange como chefe da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com o intuito de dar o devido destaque. Surpreendidos, os repórteres receberam a seguinte declaração de diversas pessoas ligadas à instituição: “Não sei porque querem fazer uma reportagem”. Outros adjetivos foram ditos durante a averiguação, que não convém serem reproduzidos neste artigo.

A partir disso, o sinal amarelo foi aceso. Afinal de contas, como alguém deixa tal percepção em uma passagem considerada – até então – bem sucedida por uma agência reguladora? Solange tocou a Anac no momento em que o Brasil vivia uma profunda crise no setor aéreo.

Desde então decorreram-se três anos de completo descaso pelas demais instituições e pelos operadores do setor de seguros.

Neste período, em apenas uma oportunidade foi possibilitado que os jornalistas pudessem fazer questionamentos para a senhora superintendente – em uma coletiva de imprensa onde houve tentativa de censura a qualquer tipo de registro em vídeo. Como ainda vivemos em uma democracia com liberdade de expressão e de imprensa, o JRS foi o único veículo jornalístico a registrar algumas das declarações dadas por Solange naquela ocasião.

Desde então, um verdadeiro vácuo de informações. Como esquecer de quando a superintendente disse que os corretores chegavam a ganhar mais de 50% de comissão em uma sessão deliberativa de comissão na Câmara dos Deputados? (Justamente aquela que tratou da apreciação da Medida Provisória 905/2019 – que propunha extinguir a profissão de corretor de seguros).

Neste cenário nebuloso, os parlamentares decidiram por deixar os profissionais da corretagem de fora da MP 905 e a Susep voltou a realizar a fiscalização dos corretores.

Foram diversas as tentativas de entrevistar a superintendente Solange Paiva Vieira, bem como promover o diálogo da autarquia com os espectadores. Todos os pedidos simplesmente foram ignorados pela equipe que realiza sua assessoria, que só retorna ou dá declarações quando é de seu interesse.

Nos últimos dias, o Jornal do Seguro (JRS) promoveu a Maratona da Inovação em Seguros – em uma verdadeira demonstração de união da categoria que contou com mais de 30 mil espectadores pelo YouTube. Participaram os dirigentes da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor), da Escola de Negócios e Seguros (ENS), além de diversos Sindicatos das Seguradoras, dos Corretores e demais entidades representativas do setor. A única entidade que não atendeu ao convite para participar foi a Susep, apesar de uma dezena de trocas de e-mails e ligações.

Essa recapitulação de acontecimentos faz lembrar da realização do Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, promovido pela Fenacor. Naquela oportunidade, Solange Vieira compareceu ao evento, mas literalmente escondeu-se das pessoas que estavam presentes. Ficou em cima do palco, escoltada, e sem conversar com nenhum dos demais representantes do setor.

Afinal de contas, por que a autarquia recusa-se a conversar com o mercado de seguros? Por que parece que quer atingir a categoria dos corretores e simplesmente virar as costas para todas as entidades e atores de um dos nichos mais sólidos e pujantes da economia nacional?

Pessoas vão e as instituições ficam. Ficam também os questionamentos.

Economia global tem tendência de crescimento em níveis desiguais, aponta Euler Hermes 415

Economia global tem tendência de crescimento em níveis desiguais, aponta Euler Hermes

Relatório divulgado nesta semana mostra crescimento do PIB Global de +5,5% em 2021 e +4,2% em 2022; no Brasil, seguradora prevê aumento de 5,1% e 1,4%, respectivamente

Relatório divulgado nesta semana pela Euler Hermes, líder mundial em seguro de crédito e especialista em seguro garantia, aponta que o crescimento econômico global permanece forte, mas cada vez mais desigual em meio à evolução da dinâmica da pandemia e à remoção gradual do apoio político nos países.

O documento considera que a incerteza relacionada à variante delta e as paradas suaves custarão (apenas) -0,2 a -0,5 pp do crescimento do PIB nas economias avançadas em 2021.

“No geral, enquanto esperamos que o crescimento global permaneça forte em + 5,5% em 2021 e + 4,2% em 2022 em meio a acomodação monetária significativa e impulso fiscal, a folga econômica permanece considerável, com variações significativas entre os países”, explica Ana Boata, chefe de pesquisa econômica global da Euler Hermes.

Condições macroeconômicas e perspectivas: retorno cauteloso

O relatório lembra que o amplo apoio político amorteceu o impacto da pandemia sobre o crescimento, mas a retração econômica permanece considerável, uma vez que o ritmo de crescimento se atenuou durante o verão. Embora perdas massivas de empregos e falências tenham sido evitadas, a participação do trabalho diminuiu e o consumo e o investimento privados se recuperaram apenas parcialmente, deixando a produção no 2º trimestre de 2021 mais de -2,5% abaixo de seu nível pré-pandêmico na Zona do Euro vs. -0,3% nos Estados Unidos.

Ao contrário da crise financeira global, as cicatrizes econômicas têm sido maiores na maioria das economias emergentes, principalmente daquelas que dependem do comércio internacional e do turismo, e onde o espaço político para apoio era limitado. No entanto, o declínio da alavancagem decorrente do aumento da liquidez de empresas e famílias é um bom indício para uma recuperação do investimento e do consumo, uma vez que as perspectivas melhorem.

Embora se espere que o crescimento do PIB global permaneça forte em 2021 e 2022, a economista acredita que recuperação provavelmente será parcial e desigual, isso porque a maioria dos países irá restaurar a produção pré-crise, mas permanecerá abaixo do potencial até o final de 2022.

A perda cumulativa de produção em relação à tendência pré-crise é considerável e maior em países com baixas taxas de vacinação, especialmente na Europa, onde há uma divergência crescente entre os países. Além disso, a inflação deve acelerar este ano, à medida que a recuperação se firma, refletindo principalmente fatores transitórios que provavelmente diminuirão no início de 2022.

Fontes: Various, Euler Hermes, Allianz Research / Divulgação
Fontes: Various, Euler Hermes, Allianz Research / Divulgação

Níveis reais do PIB

Fontes: Various, Euler Hermes, Allianz Research / Divulgação
Fontes: Various, Euler Hermes, Allianz Research / Divulgação

Previsão de crescimento para o comércio global

A seguradora de crédito também atualizou a previsão de comércio global para 2021 (+ 0,3 pp para + 8,0% em volume e + 1,0 pp para + 16,9% em valor). A pressa para reabastecimento em meio a quedas de produção doméstica historicamente elevadas e baixos estoques continua a alimentar a aceleração de volumes e preços.

“Esperamos que as pressões de preço e capacidade continuem entrando em 2022, embora de forma menos aguda, e sem normalização na capacidade de transporte antes de 2023. Portanto, na parte de trás do frontloading em 2021, impulsionado principalmente por interrupções na cadeia de abastecimento, revisamos ligeiramente para baixo nosso 2022 previsto de -0,2pp para + 6% em volume e de -0,4pp para + 8,0% em valor”, explica a economista.

Previsões de crescimento do comércio mundial

Fontes: Various, Euler Hermes, Allianz Research / Divulgação
Fontes: Various, Euler Hermes, Allianz Research / Divulgação

Por fim, Boata lembra que “é provável que a maior parte da forte recuperação recente da inflação seja temporária e, em grande parte, explicada por restrições do lado da oferta e efeitos de base. No entanto, a reabertura das economias após uma série de bloqueios aumentou a incerteza sobre a escala e a duração do atual surto de inflação global”.

Nas economias avançadas, a escassez de mão-de-obra pode aumentar as pressões inflacionárias, principalmente se os esquemas de desemprego parcial não forem totalmente retirados até o final do ano e a participação da mão-de-obra continuar reprimida devido a alguma transformação estrutural, resultando em uma prolongada realocação de recursos durante a fase de recuperação.

DOC24 e Howden Harmonia Corretora de Seguros firmam parceria de negócios 434

Fernando Ferrari, diretor-geral da DOC24 no Brasil; e Dr. Celiano Amorim, diretor médico da Howden Harmonia Corretora de Seguros / Divulgação

Ideia é oferecer, em conjunto, soluções de vídeoconsulta em saúde que atendam demandas específicas dos clientes

A DOC24, empresa especialista em telemedicina, e a Howden Harmonia, uma das principais corretoras de seguros do país, firmaram uma parceria de negócios. A ideia é oferecer, em conjunto, soluções de vídeoconsulta em saúde que atendam demandas específicas dos clientes da corretora.

Um bom exemplo é o caso de um aeroporto executivo internacional, inaugurado esse ano, que contará com os serviços de telemedicina. O objetivo é fornecer atendimento para as mais de oito mil pessoas que circulam diariamente pelo local, incluindo passageiros, trabalhadores e demais visitantes.

O projeto prevê teleatendimento para casos de clínica geral e pediatria – 24h, todos os dias da semana; atendimento em português, espanhol e/ou inglês; e triagem suspeitas de enfermidades, sejam elas contagiosas ou não. Por se tratar de um aeroporto internacional, é necessário a criação de uma primeira barreira sanitária.

Em uma sala exclusiva, o passageiro poderá ser atendido de forma reservada, por videochamada, sem a necessidade de colocar um médico à disposição fisicamente. Em casos de emergência, será acionado o hospital mais próximo para remoção do paciente.

“Muitas empresas nos enxergam como um interessante parceiro de negócios por conta da nossa capacidade de agregar valor ao serviço prestado. Somos a única solução abrangente de telemedicina disponível no mercado, que adapta seu serviço de consulta médica por vídeo de acordo com as necessidades e políticas de cada organização, ajudando a implementá-las e treinando as equipes”, disse Fernando Ferrari, diretor-geral da DOC24 no Brasil.

“A telemedicina é uma ferramenta que veio para facilitar e se tornou de extrema importância neste momento de pandemia, em que o contato físico está mais restrito e cauteloso. Esta será uma nova modalidade de atendimento médico, trazendo a comodidade de um ambiente virtual, sem perder a eficácia ou prejudicar o vínculo da relação médico/paciente, como em uma consulta presencial. Mesmo distante, o paciente consegue receber todo o cuidado e suporte necessários, como receitas, pedidos de exames, tudo virtualmente. A Howden Harmonia acredita que esta parceria com a DOC24 vai agregar como um benefício a mais para os nossos clientes, oferecendo o cuidado integrado em qualquer lugar”, disse Dr. Celiano Amorim, diretor médico da Howden Harmonia Corretora de Seguros.

Aumento do IOF torna empréstimo e juros do rotativo no cartão de crédito mais caros 517

Ale Boiani é CEO e sócia fundadora do 360iGroup / Divulgação

Confira artigo de Ale Boiani, CFP, Assessora de Investimentos, Corretora de Seguros, CEO e fundadora do 360iGroup

No último dia 20 de setembro começou o aumento temporário de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para operações de crédito. A verba será utilizada no Auxilio Brasil, versão ampliada do Bolsa Família, proposta pelo Governo. Embora o IOF também incida sobre câmbio, seguros e investimentos, o aumento temporário que vigorará até o dia 31 de dezembro de 2021, deve afetar apenas as operações de crédito.

Na prática, para as pessoas físicas afetará o empréstimo, rotativos do cartão – quando há atraso de pagamento – e o cheque especial. Já para as pessoas jurídicas, a mudança terá impacto principalmente no que se refere a capital de giro e antecipação de recebíveis.

Com os recentes aumentos da Selic e ainda a possibilidade de crescer ainda mais até o fim do ano, o brasileiro já vem se preparando para pagar mais juros em seus financiamentos e empréstimos. Além disso, esperávamos uma redução dos custos com o open banking, mas o aumento da taxa e o crescimento do IOF podem “apagar” o impacto positivo que o open banking geraria.

Não é a primeira vez que somos surpreendidos com aumento do IOF em prazo tão curto. O anúncio aconteceu no dia 18 de setembro, e iniciou na última segunda-feira (20). Há 10 anos, por exemplo, ocorreu uma mudança definitiva no IOF dos cartões de viagem, igualando o imposto com o cartão de crédito, e também foi avisado um dia antes, o que nos coloca em um cenário parecido.

Para vermos a comparação das alíquotas diária e anual, antes e depois do aumento, de acordo com o Ministério da Economia

  • Pessoa Jurídica: Alíquota diária atual: 0,0041% X Nova alíquota diária: 0,00559%.
  • Pessoa Jurídica: Alíquota anual atual: 1,50% X Nova alíquota anual: 2,04%
  • Pessoa Física: Alíquota diária atual: 0,0082% X Nova alíquota diária: 0,01118%
  • Pessoa Física: Alíquota anual atual: 3,00% X Nova alíquota anual: 4,08%.

Diante disso, vem o questionamento: como se programar com antecedência ao sermos avisados sobre esse tipo de mudança de maneira tão abrupta? Na verdade, embora não possamos “adivinhar” estes movimentos, eles são previsíveis conforme a dívida do país aumenta e os problemas econômicos se agravam. Quando se administra uma empresa, ao detectar problemas financeiros é necessário aumentar a receita e diminuir as despesas. No caso do governo, acontece a mesma coisa: e como a única fonte de receita é a arrecadação de impostos, e, por isso, a decisão acaba sendo em que área mexer.

Para não sofrer perdas consideráveis diante de um cenário como este, as dicas são: guardar dinheiro sempre, ter um colchão de segurança, viver um padrão de vida abaixo do que consegue manter, investir bem e de forma inteligente, e fazer o dinheiro trabalhar para você. São medidas que funcionam muito bem e que devem fazer parte do dia a dia do brasileiro. É um trabalho árduo, que no começo pode parecer difícil de gerar resultados, mas que a longo prazo faz toda a diferença.

Os juros compostos são extremamente estratégicos quando estão a seu favor, quando você está investindo, mas, eles podem comprometer consideravelmente a renda quando é o contrário: a pessoa devendo e os juros fazendo a dívida crescer exponencialmente. Por isso, comece a se programar o quanto antes! Não é novidade que o planejamento financeiro é a chave para garantir uma vida tranquila e segura.

Grupo Life Brasil integra Time Campeão de Patrocinadores Diamante do Troféu JRS 2021 310

Grupo Life Brasil integra Time Campeão de Patrocinadores Diamante do Troféu JRS 2021

19ª edição do evento acontecerá de forma híbrida, no dia 29 de outubro

O dia 29 de outubro promete contar com uma noite mágica. É quando acontece a 19ª edição do Troféu JRS em formato híbrido e iremos conhecer os destaques do mercado brasileiro de seguros. E o Grupo Life Brasil, referência de sucesso em Seguros de Vida no Brasil, integra o time campeão de patrocinadores diamante da cerimônia de reconhecimento.

São mais de duas décadas de atuação de um dos maiores cases de sucesso no ramo de Seguro de Vida no Brasil. Com o lema “O Seguro da Sua Vida”, o Grupo Life Brasil nasceu da Mitraseg Corretora de Seguros e sua integração com outros empreendimentos do CEO, Alberto Jr. “Atuamos em operações de vendas diretas em seguros de pessoas e desde o início, nosso resultado vem crescendo acima da média nacional do setor. Nosso método de consultoria tem grande destaque nessa evolução, pois prioriza as reais necessidades dos clientes”, explica o executivo.

Desde 2015 no quadro de membros do Million Dollar Round Table (MDRT), Alberto Jr. está entre os 0,2% melhores profissionais do ramo de seguros de vida no mundo, além de ter conquistado, junto ao Grupo Life Brasil, quase uma centena de reconhecimentos em nível mundial por sua atuação no mercado segurador.

O evento contará ainda com 1 mil pessoas na plateia virtual, que poderão interagir e participar ao vivo com a transmissão e receberão kits especiais com mimos para desfrutar deste momento inesquecível direto do conforto de suas casas. Tudo será transmitido na íntegra no Canal do JRS no YouTube. Além disso, durante todo o mês de outubro o público escolherá os destaques de quatro categorias: Personalidade do Ano, Prestadores de Serviços, Corretora de Seguros e Seguradora Destaque.

Autoconhecimento e empatia são fundamentais na busca pela felicidade 1030

Stephanie Crispino, CEO da Tribo Global; e José Pedro Vianna, Fundador da Escola das Emoções / Divulgação

Especialistas dão dicas para prevenção ao suicídio em meio ao Setembro Amarelo

Os jovens entre 18 e 24 anos foram os que mais reportaram ter a saúde mental afetada durante o período de pandemia de Covid-19, segundo uma recente pesquisa divulgada pela Pfizer. A Organização Mundial da Saúde estima que uma pessoa morre por suicídio a cada 40 segundos no mundo e essa é a segunda principal causa de falecimento de jovens entre 15 e 29 anos. “A grande maioria dos casos de suicídio está relacionada a transtornos mentais. A depressão é a que tem o maior predomínio, em seguida o transtorno bipolar e o abuso de drogas. Porém, de forma situacional, existem outros fatores de risco para o suicídio, como desemprego, autoestima baixa, conflitos nos relacionamentos, entre outros fatores que podem afetar diretamente o nosso bem-estar e saúde mental. Por isso, falar sobre o assunto de saúde mental é importante nos tempos atuais, quanto antes normalizarmos a importância do tema, antes poderemos entender como sociedade o que precisamos evoluir culturalmente para promover uma sociedade mais saudável e, assim, evitar que esses dados continuem alarmantes”, explica Stephanie Crispino, CEO da Tribo Global.

Na visão de José Pedro Vianna, Fundador de A Escola das Emoções, a ascensão das redes sociais pode também ser um dos impulsos para uma maior recorrência de casos. “Esse número [de suicídios] cresceu na pandemia, porém, já vinha aumentando nos últimos anos. Percebo que a partir das redes sociais se criou uma ditadura da felicidade, há uma pressão enorme de ‘ser feliz’ o tempo todo. Os jovens – faixa etária onde ocorreu o maior crescimento em número de casos – estão submissos às redes sociais de tal forma que a realidade deles está quase que totalmente submersa no mundo virtual. Nesse meio-ambiente, as pessoas apresentam suas conquistas, seus momentos de alegria, e todos aparentam estar felizes, satisfeitos, realizados. Quando essa felicidade virtual é comparada com uma vida cheia de altos e baixos – às vezes mais baixos que altos – a sensação é de incompetência. Cria-se um abismo entre o mundo ‘feliz’, idealizado, e o mundo interior real. Portanto, a mente gera uma necessidade impossível de ser satisfeita e uma autocobrança excessiva. O resultado é uma frustração e auto invalidação”, explica. José Pedro lembra ainda que o desemprego ou condições precárias de vida geram medo, ansiedade, cansaço. “Esses sintomas quando não são devidamente tratados podem se agravar para quadros de depressão, pânico. Essas sensações são por demais desagradáveis e também podem levar ao suicídio”, completa.

Repressão emocional e cuidado com a Saúde Mental

Stephanie acredita que falar de saúde emocional é tão necessário quanto falar da saúde física. “Nossa saúde como um todo irá influenciar a qualidade das nossas decisões diárias. No mundo dos negócios ainda se julga o desempenho pela quantidade de horas que se trabalha e pela necessidade de resiliência em lidar com os altos e baixos sem ser afetado por isso. Porém somos humanos, vivemos em ciclos. Alguns dias os sentimentos estão positivos e em outros não e está tudo bem aceitarmos essas sensações, lidando com elas. O principal desafio que encontramos quando o assunto é emoções começa por quebrar esse tabu de que todo mundo tem que estar bem o tempo todo ou de que não há espaço para as emoções no ambiente de trabalho. Se a nossa saúde afeta a qualidade das nossas decisões, da nossa performance e se o trabalho é um dos principais ambientes em que convivemos, precisamos falar sobre como nos sentimos e quais os desafios e pedidos de ajuda que temos. Isso faz parte de construir uma cultura inclusiva, colaborativa e essencialmente humana. Afinal, não escolhemos como nos sentimos, nosso poder de escolha está justamente na forma como decidimos lidar com isso. Para que as conversas difíceis aconteçam é preciso, também, garantir a segurança psicológica, caso contrário, a empresa pode até dizer que as emoções são bem-vindas, mas as pessoas não se sentirão seguras para de fato abordar o tema com a verdade e o acolhimento que ele merece”, revela. A especialista destaca, entretanto, que, nos últimos anos, o autocuidado passou a ganhar mais atenção. “As empresas estão cada vez mais promovendo práticas de bem-estar e saúde mental para seus times, afinal como acreditamos dentro da Tribo: todo desafio de negócio é também um desafio de gente, ou seja, não adianta apenas pensar em aumentar os resultados do negócio se você não parar para entender os desafios culturais que irão impulsionar e sustentar esse crescimento”, acrescenta.

José Pedro demonstra a importância da empatia por considerar a repressão emocional como uma das causas para o suicídio. “O acolhimento das nossas emoções é fundamental para validarmos nossas sensações. Quando escutamos frases simplistas para questões graves, tais como ‘isso já vai passar’, ‘tem gente bem pior, ao menos tu tens isso ou aquilo’, ‘eu já passei por isso, em breve tu vai estar bem’, ‘toma um remedinho’; a tendência de quem escuta é se sentir inadequado. Minimizar o que sentimos ou nos compararmos com os outros nunca é uma boa forma de analisarmos nosso quadro emocional. A falta de educação emocional implica em julgarmos nossas emoções de forma dual. Porém as emoções não são boas, nem ruins, nem certas nem erradas. Esses conceitos geram uma bagunça interna. Não sabemos bem se é vergonhoso ter medo, nem se a raiva deve ou não ser expressada, se a tristeza é aceitável, quando a ansiedade nos ajuda… São muitas questões básicas que não nos ensinaram”, comenta. Ainda sobre conceitos que são difundidos na infância e prosseguem com as pessoas ao longo da vida, o Fundador de A Escola das Emoções exemplifica que muitos adultos ainda acreditam que chorar é para fracos, por exemplo. “O que uma criança que aprende isso tende a fazer? Reprimir o choro e consequentemente sua tristeza fica represada também. Uma hora ou outra essa tristeza pode se tornar uma raiva e se manifestar na hora errada, com alguém que nada tem a ver com a causa da tristeza reprimida. Essa manifestação de raiva pode ser tratada com ainda mais repressão. Ou seja, as necessidades que a emoção estava tentando mostrar não só não foram vistas, como foram mal gerenciadas. O ápice desse roteiro é uma confusão sobre o que é meu, o que não é, o que é certo, o que é aceito e o que de mim é reprovado. Essa sensação de ‘peixe fora d’água’, ou uma quantidade enorme de emoções reprimidas, podem culminar em um ato desesperador contra a própria vida”, complementa.

Saúde Integral

Stephanie Crispino pensa que o conceito de saúde já não é somente um bem estar físico. “É um somatório de condições em todos os campos do ser humano. A saúde integral é um conceito abordado na psicologia que enfatiza que o corpo e a mente são uma unidade indivisível. O pensamento integral proporciona uma vida mais plena, com mais longevidade e um aumento significativo da qualidade de vida em todos os níveis. As empresas que enxergam dessa forma, conseguem priorizar um ambiente organizacional humanizado, que respeita a integralidade do seu colaborador. Os benefícios para a empresa é que ela passa a criar uma relação de confiança, transparência e de valorização, resultando em protagonismo, liderança de si e performance do colaborador. Assim é possível unir duas palavras que não costumamos ver no linguajar dos negócios em conjunto: performance e amor, entendendo que falar de um é falar do outro e para uma vida integral e saudável também no trabalho é preciso olhar para os resultados tanto quanto para as pessoas”, analisa.

Entretanto, José Pedro Vianna lembra que este conceito é muito amplo e questiona “o quanto esse é um discurso bonito e o quanto de fato a saúde é entendida pelas pessoas nas empresas como integral?”. “O bem-estar no ambiente de trabalho é apenas um dos fatores para uma saúde integral. Obviamente quaisquer esforços nesse sentido são muito válidos. A divisão entre a persona trabalhadora e a pessoa real, que algum tempo atrás se estimulava, ou seja, vestir um personagem durante o expediente e outro após, mostrou-se esquizofrênico e pouco saudável. Nós somos seres influenciados e influenciadores a todo momento. Minha relação extra trabalho vai afetar meu rendimento, quer eu queira mascará-la ou não. Como pode alguém que está passando por uma situação delicada em sua vida pessoal ter a mesma performance do que tinha quando estava sem esse problema? E como uma empresa pode lidar com isso da forma mais inteligente para ambos? Essas perguntas foram feitas e respondidas em diversas pesquisas. Percebeu-se então que, quando existe uma aceitação e um apoio por parte da empresa das questões que envolvem seus colaboradores o senso de pertencimento gerado conecta, estimula e aumenta a capacidade de criar, trabalhar, produzir”, analisa.

A importância do autoconhecimento

A CEO da Tribo Global reforça que o “Autoconhecimento Liberta”. “Por meio desse despertar de consciência sobre si expandimos barreiras que nos deixam reativas ou reativos e somos capazes de operar cada vez mais na criatividade que é a base para a liderança consciente. Qualquer negócio que queira evoluir e transformar a sua forma de impactar precisa de lideranças conscientes que praticam essas mesmas transformações primeiro em si mesmas e depois estendem esse impacto ao seu entorno. Profissionais que exercitam essa autoconsciência conseguem trabalhar melhor a sua autoconfiança, autocompaixão e atuar com ainda mais protagonismo em suas decisões fora e dentro do ambiente de trabalho”, justifica.

Stephanie ainda aponta a importância de trabalhar a autocompaixão. “Não basta querermos nos conhecer e evoluir como profissionais e seres humanos se fizermos isso de uma forma pesada, com uma auto cobrança excessiva e um olhar pouco cuidadoso e generoso consigo mesmo/a. Aprendemos com o nosso mentor e referência em liderança consciente, o neurocientista Daniel Friedland, que existe uma crença que podemos cultivar internamente e que muda tudo, a capacidade de acreditarmos e repetirmos para nós: ‘Eu me amo e me aceito, não importa o que’. É lógico que isso não significa que seremos perfeitos, que não haverá erros, mas significa também que teremos a calma de olhar para tudo isso sem diminuir o nosso próprio valor e buscando aprender com a experiência sem deixar de lado o nosso amor próprio e autocompaixão. Não vai ser na primeira vez que você disser, talvez, que a frase já se internaliza, por isso não tenha medo de repetir quantas vezes for necessário e saber que pedir ajuda, inclusive para praticar essa autocompaixão, é sempre muito bem-vindo!”, diz.

Já o Fundador de A Escola das Emoções reitera que se conhecer é fundamental “para nos darmos conta do que passa conosco antes de sermos engolidos por nossos sentimentos”. “Se não nos percebemos, as consequências da cegueira emocional podem parecer surpresas”, afirma.

Como lidar com adversidades

Stephanie Crispino recomenda a reflexão diante de momentos delicados. “A dica é refletir sobre o que está complicado. Qual é o principal desafio do momento? O que mais me incomoda? O que eu gostaria que fosse diferente? O que hoje impede que seja diferente? Ganhar mais consciência sobre o aqui e o agora, sobre o real problema contribui para identificar as oportunidades ocultas e apoia no processo evolutivo individual de cada pessoa. Dessa forma, reconhecemos a reatividade que pode estar presente ao lidar com esses desafios e podemos ressignificá-la de modo abrir espaço para a criatividade que, como comentei, é a fonte da liderança consciente. Uma pergunta que podemos nos fazer nesses momentos é: se encararmos esse desafio atual como um presente, como isso mudaria a nossa forma de enxergar esse ‘problema’? Se isso for um presente, o que muda na sua atitude?”, aconselha.

No mesmo sentido, José Pedro Vianna pensa que uma situação delicada pode ser percebida como uma oportunidade de crescimento, mesmo que não seja tão simples quanto parece em alguns casos. “Não podemos minimizar nem culpar a vítima, mas também não podemos apenas nos vitimizar. É uma questão que depende de muitos fatores. Alguns químicos, outros psíquicos. Muitas vezes a única forma que uma pessoa aprende para lidar com o mundo é se colocando no papel de ‘fraco’ pois isso um dia funcionou. E não cabe a cada um de nós julgar se essa atitude, que mais tarde pode vir a ser a causa de uma depressão, estava certa ou errada. A questão é se essa pessoa teve disposição e oportunidades de apoio para se analisar, entrar em suas dores, limpar seus traumas. Em muitos casos não”, indica.

Ajudando algum conhecido que enfrenta dificuldades

Stephanie propõe, em primeiro lugar, que a melhor maneira de ajudar alguém é ouvir a pessoa de maneira respeitosa. “Busque compreender pelo ponto de vista dela e, caso haja abertura, buscar uma solução junto com ela. O melhor que podemos oferecer para alguém que precisa de ajuda é ser uma ótima rede de apoio, reforçando a segurança psicológica de ouvir a pessoa a partir de uma escuta ativa, sem buscar resolver, dizer como nos sentimos ou assumir interpretações. Também é indicado reforçar o quanto continuar pedindo ajuda e contar com pessoas que são profissionais na área é saudável para dar o suporte necessário ao desafio emocional e mental que essa pessoa está vivendo. É importante não querermos resolver a questão pela pessoa ou assumir para nós essa responsabilidade, já que podemos não ser a pessoa mais indicada para esse suporte que vá além de agir como rede de apoio”, cita.

José Pedro Vianna sugere, primeiramente, que as pessoas negligenciam suas emoções e seus sentimentos. “Sinta-as e entenda que elas são mensageiras, alertas. Assim que a mensagem for ouvida a emoção cumpre sua função e se dissipa. A emoção é uma mensageira diligente. Ela não vai embora até entendermos seu propósito. Quando não damos ouvidos à ela, a emoção se transforma em sentimento e o sentimento em humor e o humor em nossa personalidade”, sinaliza. “Vou tentar explicar melhor dando um exemplo. Se alguém se sente triste seguidamente mas não investiga qual a necessidade por trás dessa tristeza, ela tende a perdurar. Em pouco tempo pode ser que ela cresça internamente, tentando te avisar que algo não vai bem e deve ser cuidado. A insistência em não dar atenção gera um estado de humor chateado, cabisbaixo, de pouca vitalidade e disposição. O corpo físico começa a se fechar. Seguindo o caminho da negação, a depressão é o próximo passo. O corpo torna-se viciado na produção de hormônios que, em demasia, são nocivos”, explana.

O Fundador de A Escola das Emoções ainda lembra que outras sugestões estão no documentário Happy Você é Feliz?, do Diretor Roki Belic, de 2011. “Muito se tem estudado sobre a felicidade e o quanto nessa fórmula as variáveis são simples. Estar integrado em algum grupo que faça sentido na sua vida, ou seja, vínculos”, finaliza.