Estamos no meio de uma tempestade global. Como enfrentá-la? 433

Alexandre Pimenta é CEO da Asia Shipping, maior integradora logística da América Latina / Divulgação

Confira artigo de Alexandre Pimenta, CEO da Asia Shipping, maior integradora logística da América Latina

Uma antiga frase diz que não se deve ter medo das tempestades, pois são elas que ensinam a navegar. Se a crise que o modal marítimo vive hoje fosse uma dessas tormentas que assustam e, ao mesmo tempo, deixam os navegantes mais experientes, poderíamos dizer que é uma das mais longas, adversas e surpreendentes. Certamente quando ela passar, e vai passar, deixará ensinamentos que impactarão de maneira definitiva todo o setor.

Estamos ainda no meio dessa grande intempérie: com a retomada econômica, após um longo período de pandemia que ainda não acabou e vem causando incontáveis perdas humanas e paralisando as atividades econômicas no mundo, o frete marítimo teve o custo elevado a níveis inimagináveis por causa da demanda acirrada de encomendas de insumos e mercadorias no comércio exterior. A procura por produtos e bens acabou voltando muito mais rápido do que a oferta e há mercados, como o americano, por exemplo, que continuam consumindo fortemente.

Além da questão cultural daquele país, a nação conseguiu manter a renda e o poder de compra estáveis graças a pacotes econômicos implantados por seu governo para enfrentamento da crise causada pelo coronavírus. O Federal Reserve (Fed), o banco central americano, por ser extremamente robusto, seguirá investindo para retomada das atividades econômicas com expectativa de US$ 9 trilhões em seu balanço para o ano que vem.

Com a pressão pela volta do comércio exterior se intensificando, esses mercados têm condições de pagar mais, elevando os preços no mundo todo. Um bom exemplo disso é a comparação do custo do frete entre China e Brasil. Comparando agosto de 2020 a agosto de 2021, o valor até então praticado passou a ser de 20 vezes mais. Esses preços ainda estão longe de diminuir e voltar ao patamar usual antes da pandemia. Para a indústria brasileira, o impacto é doloroso porque o frete compõe a base de cálculo do custo de importação e de pagamento de impostos e isso influencia diretamente no preço para o consumidor final.

Inúmeros fatores levaram ao atual quadro, que deixa toda a cadeia de importação e logística em profunda crise, no meio dessa tempestade que está longe de acabar. Infelizmente, os produtos ainda podem ficar mais caros e os importadores do Brasil continuarão sendo afetados porque o consumidor final ainda não recuperou seu poder de compra. Se não bastasse todos os efeitos na pandemia na cadeia global, o encalhamento do navio Ever Given, porta-contêineres operado pela empresa taiwanesa Evergreen Marine, no Canal de Suez durante seis dias, em março, e a paralisação no início de agosto de um dos principais portos chineses, Ningbo-Zhoushan, devido a um novo surto de coronavírus, vieram para agravar o funcionamento de um sistema que já estava operando no limite e, mesmo assim, não conseguindo atender a demanda do decorrer da pandemia. Ambos os episódios paralisaram as atividades por alguns dias. O problema é que poucos dias parados nesse complexo sistema se transformam meses de atraso.

Quando o desembarque de contêineres sofre algum tipo de interferência, como é o caso do fato ocorrido no Canal de Suez, há um desbalanceamento global do inventário de equipamentos que atinge o maior trade do mundo: o fluxo entre Ásia e a Europa. Na sequência, o restante do globo é afetado. Por conta desse incidente específico, mais de 600 navios ficaram parados e milhões de contêineres não chegaram a seu destino. Após a liberação, não é possível atracar tudo no dia seguinte porque não existe infraestrutura capaz de repor o atraso em pouco tempo. O motivo é que todos os navios e armadores têm uma janela portuária para chegar num dia determinado. Devido ao congestionamento e acúmulo, perderam-se essas janelas e meses serão necessários para recuperar aquela semana de bloqueio do canal.

O modal marítimo é todo interligado e há grande dificuldade para conseguir mais navios em operação numa tentativa de suprir o tempo perdido porque simplesmente não existem unidades disponíveis para serem colocadas em operação: todas já estão operando. Além disso, o segmento é bastante consolidado com seis armadores sendo os detentores de aproximadamente 70% de todo o market share global. Para chegar a melhores resultados em meio ao atual caos logístico, os armadores executam um planejamento estratégico que consiste em uma oferta extra. Isso significa que os navios regulares dos armadores seguem suas rotas e schedules habituais e navios a mais, que não estejam fixos nos trades em que eles atuam, passam a atuar nos maiores trades do mundo e que pagam mais Ásia-Estados Unidos e Ásia-Europa. Neste caso, é importante ressaltar que os armadores não visam somente aumentar seus lucros, mas precisam receber o que é adequado para executar a estratégia necessária e ainda manter o funcionamento do sistema regular, cobrindo os gastos altíssimos ligados ao funcionamento dos navios, armazenagem e tempo ocioso.

Quando um navio não atraca, começa a falta de equipamentos e de peças de reposição causando um problema de inventário de equipamentos e impactando o mercado de commodities. A perspectiva é que ainda este ano toda a cadeia produtiva global continueenfrentando graves problemas de logística e os valores do frete se mantenham elevados. A torcida é para que os preços se estabilizem conforme o mercado vai se normalizando, o que deve acontecer após 2023, porque novos navios só devem ficar prontos ao final de 2022 e início de 2023, o que resultará numa capacidade adicional no mercado, em torno de 17%, que mudará essa dinâmica global. Todo esse custo é repassado ao frete que, de acordo com estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deve seguir escalando ainda nos próximos meses. Como o consumo ainda não está em seu melhor momento no Brasil, isso se reflete no volume e demanda do mercado que, apesar desse cenário, ainda se mantém aquecido. Outro componente deste triste contexto, é que o País ainda tem pouca participação no total de contêineres movimentados em todo o mundo e, por isso, não é uma prioridade dos grandes players.

Outro ponto importante a ser avaliado é que a nossa região precisa melhorar a sua própria integração para que, aos poucos, deixe de depender das regiões mais ricas, como acontece hoje. De acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), será preciso investir mais em infraestruturas locais, uma vez que a pandemia colocou em maior evidência o quão vulnerável é a América Latina nesse mercado, estando pouco integrada com o restante do mundo e ficando na dependência de produtos importados. Enquanto isso não se concretiza, o comércio precisa planejar as compras para as datas-chave e intensas de vendas do segundo semestre, buscar negociar o que for possível e entender as mudanças que estão em curso. Quando o céu se abrir e a tempestade passar, certamente estarão prontos para navegar melhor e mais longe.

Fidelização exige conhecer de perto todas as necessidades do cliente 1887

Fidelização exige conhecer de perto todas as necessidades do cliente

Confira artigo de Robson Tricarico, diretor comercial da Suhai Seguradora

Para as empresas de todos os setores, seria cômodo se os clientes retornassem as compras ou renovassem os seus contratos ao longo dos anos sem esforços de fidelização. Contudo, dada a concorrência na grande maioria dos mercados, além da alta qualidade do produto ou serviço oferecido e de conhecer muito bem as necessidades do cliente, uma das chaves para o sucesso é inovação. Mas esse fator é algo muito mais complexo do que simplesmente disponibilizar ferramentas tecnológicas na operação ou no processo.

No mercado de seguros, por exemplo, oferecer múltiplos canais para facilitar a comunicação entre o cliente e a seguradora, apesar de não ser mais novidade, nunca foi tão importante. Saber quem é o cliente, como ele quer se comunicar e em qual momento ajuda a estreitar os laços e fortalecer a parceria, contribuindo para que ele enxergue (e se interesse) pela geração de valor que está disponível nas apólices. Ao oferecer vantagens e mostrar os diferenciais competitivos do que está em oferta para o cliente, é importante ter a certeza que ele receba a mensagem e enxergue esse valor para que, portanto, a relação seja fortalecida e tenha muito mais perspectiva de longo prazo.

Nesse contexto, a figura do corretor não pode ser esquecida. Trata-se de um pilar extremamente importante na mediação entre a seguradora e o cliente, sendo eles quem passam as explicações a respeito dos diferencias que são oferecidos e das inovações.

Com a cadeia completa e com todos os elos operando com foco no cliente, o setor ganha com a democratização do seguro, com respeito às escolhas dos clientes. No caso do seguro automotivo, por exemplo, ganham aquelas que reforçam a sua reputação de respeito ao cliente não apenas no momento da venda do seguro, mas na relação diária com o segurado, com foco em expertise de atuação em todos os tipos de veículos, sobretudo naqueles que têm maior risco de exposição a roubos e furtos, ou motos.

As mudanças regulatórias para Grandes Riscos e o impacto em Seguro Garantia 1159

Rafael Tavares, coordenador jurídico da Austral Seguradora, e as analistas do setor Giselly Monteiro, Maria Letícia Tomelin e Marcella Tronchini / Divulgação

Confira artigo de Rafael Tavares, coordenador jurídico da Austral Seguradora, e dos analistas do setor Giselly Monteiro, Maria Letícia Tomelin e Marcella Tronchini

O ano de 2021 foi histórico para o mercado de seguros, com um marco: aquele em que mais foram editadas circulares e soluções da Susep, o órgão que regula o setor. Na maioria das ações, o objetivo foi atualizar as diretrizes, trazendo melhorias em sintonia com o atual momento para o mercado de Grandes Riscos. Afinal, torná-lo mais competitivo, transparente e inovador vai contribuir para o potencial deste ramo, que está descrito nos números: no acumulado do ano, até junho, o mercado de danos movimentou R$ 42 bilhões.

A alta foi de 14,9%, no comparativo de 2020, se deve ao aumento de contratação de linhas como Transportes, RC e Patrimonial que, com o avanço da vacinação e afrouxamento do lockdown, são beneficiadas. Apesar de um período desafiador para a sociedade e para os negócios, as apólices de grandes riscos foram resilientes. Ou seja, com o avanço da vacinação e a retomada da economia, este é um cenário promissor e conta com ramos fundamentais para crescimento do país como seguros Garantia, de Transportes, de Responsabilidades e os chamados compreensivos, que são os seguros com coberturas para danos como incêndios, furtos e danos de qualquer natureza.

Há um caminho de novos normativos que dará maior liberdade contratual em seguros de Grandes Riscos, possibilitando intensa negociação das condições entre as partes (segurado e seguradora). Há grande expectativa pelos seguros corporativos, como foi o caso da Resolução do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) nº 407 de 2021. Por ela, foi definido o que são os “Grandes Riscos” e a complexidade dos ramos que abrange e a diferença entre apólices. Não é possível tratar do mesmo modo, por exemplo, as condições do seguro de vida dos funcionários de uma determinada usina hidrelétrica, comparada ao que se propõe para o seguro da usina propriamente dita, cujo limite máximo de garantia pode ultrapassar R$ 30 milhões.

Dentre as principais inovações trazidas pela resolução, o produto, uma vez considerado “de Grandes Riscos”, não precisa ser registrado e autorizado pelo órgão regulador. É claro que reduzindo a regulamentação, aumenta-se a flexibilidade comercial, estimulando a concorrência. A novidade simplificou significativamente as amarras regulatórias, viabilizando um atendimento quase personalizado caso a caso. Todos ganham mais liberdade nas negociações.

Mas atenção: mesmo sendo regidos por condições contratuais livremente pactuadas entre as partes, permanecem com princípios e valores essenciais que devem ser cumpridos. As empresas seguem comprometidas com boa fé, transparência, objetividade nas informações e tratamento paritário entre as partes contratantes. A liberdade de mercado não significa trazer um déficit de segurança e confiabilidade. Pelo contrário, acreditamos que essas mudanças trarão para todos os envolvidos, mais confiabilidade às partes envolvidas, bem como a diminuição significativa de litígios posteriores, deflagrados em virtude da falta de interpretação das condições contratuais.

Os departamentos jurídicos das seguradoras terão novos desafios já que, além da Resolução nº 407, soma-se a ela a Circular nº 621. Ambas têm redigidas cláusulas para atender clientes específicos e até mesmo resseguradores. Estamos nos aproximando do fim da padronização, cada caso é um caso, contratos de acordo com suas análises dos negócios. E não é isso que a sociedade atual espera? Customização.

Será assim também com o Seguro Garantia, importante instrumento para tirar do papel projetos ligados à infraestrutura do Brasil. Mas apesar das várias possibilidades de mudança do regulatório do ramo, as codificações com a Circular nº 24 permaneceram as mesmas. Não trazendo flexibilizações significativas.

Em um mercado que em sua grande maioria de emissões traz importância segurada inferior a R$ 15 milhões; ativo total inferior a R$ 27 milhões e faturamento bruto anual superior a R$ 57 milhões, não foi dado direto à “liberdade” aplicada aos Grandes Riscos. Mas as empresas possuem capacidade econômica e aconselhamento jurídico competente na contratação, querendo mais liberdade em seu clausulado.

A cada dia, novas mudanças são estudadas para pensar o futuro do mercado. Nenhum ramo pode ser esquecido nessa transformação. O Seguro Garantia tem seu valor, movimentando R$ 1,3 bilhão em prêmios nos primeiros seis meses de 2021. Pelo desenvolvimento das 35 seguradoras do setor e pela demanda crescente no país, a flexibilização deve ser pauta hoje para escrever o futuro do mercado. Fica a reflexão.

Como o Open Insurance vai melhorar o mercado de investimentos 453

Luiz Bacellar é CEO da Saks / Divulgação

Confira artigo de Luiz Bacellar, CEO da Saks

O Open Banking é um sistema que compartilha dados pessoais e financeiros de clientes entre instituições financeiras. Isso é fiscalizado pelo Banco Central e ocorre mediante autorização, o objetivo é promover uma experiência melhor.

Já o Open Insurance compreende o mesmo processo. Mas, nesse caso, no universo das seguradoras e mais especificamente da previdência privada e seguros.

É a abertura do mercado de seguros e envolve a troca de dados entre seguradoras e outros participantes do setor. Esse processo também será regulamentado e, nesse caso, aprovado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), a reguladora oficial do segmento.

Seu foco é a oferta de opções adequadas para cada cliente, com personalização, atendendo a necessidade do investidor e não da entidade. A novidade promove uma competição saudável e com mais transparência, facilitando a tomada de decisão dos clientes.

Outro benefício inclui o acesso digital por meio de canais e redes de atendimento das instituições financeiras. Isso empodera e oferece conhecimento para os clientes sobre o movimento do seu patrimônio.

Criado recentemente, o Open Insurance é um projeto que promove um ecossistema financeiro amplamente integrado. Isso prepara o terreno para o que o mercado chama de Open Investments, conceito que permite mais transparência no segmento de investimentos e um ambiente mais confiável 一 melhores produtos e serviços, mais segurança e inovação.

O fluxo livre de informações é um benefício para todos e a ampla utilização da internet nos mostra este movimento. Porém, é importante ter regras claras para que o cliente esteja no centro das decisões e não apenas das informações.

Para implementar o Open Banking, por exemplo, o Banco Central está trabalhando com fases. A terceira e última acaba de ser adiada e está prevista para ocorrer em outubro. Com isso, o ecossistema entre as empresas se desenvolve a cada dia mais. Porém, ainda há muita incerteza no setor e as instituições mais tradicionais podem ficar para trás.

A transparência é algo contemporâneo que se popularizou com a internet e chegou de fato para ficar. Não seria diferente no sistema financeiro e quem se beneficia disso é o cliente.

Neste movimento de transparência e compartilhamento de informações, a previdência privada deve assumir o papel de protagonista na acumulação de dinheiro e formação de patrimônio.

Esse movimento já ocorre em outros países, pois o investimento apresenta condições fiscais mais atrativas e é uma etapa importante da vida do investidor. É essencial ter uma previdência antes de partir para investimentos de risco, por exemplo. Até mesmo para diversificar a carteira e garantir que grandes oscilações no mercado não sejam muito prejudiciais.

Os grandes fundos previdenciários de renda fixa e multimercado registraram retorno positivo no 2º trimestre deste ano. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), juntos estes fundos reúnem R$ 197 bilhões em patrimônio, com um resgate líquido de R$ 35 bilhões nos últimos seis meses. Para os multimercados o patrimônio atingiu R$ 67 bilhões, com uma captação líquida acumulada de R$ 8 bilhões no período.

É um mercado bilionário, mas que ainda fica estigmatizado no Brasil como uma renda complementar à aposentadoria. Na realidade, também pode ser usado para outros objetivos. Há acesso a benefícios fiscais, acúmulo de capital e auxílio no processo de sucessão patrimonial.

Com o Open Insurance o brasileiro se apodera de uma cidadania financeira e passa a entender os mecanismos de acumulação de dinheiro, com a possibilidade de comparar as opções no mercado, sem ficar preso aos players tradicionais.

Desta forma, o novo modelo traz diversos benefícios e facilitará o processo de investimentos, além de ampliar e desmistificar o acesso aos produtos de seguro e previdência para os brasileiros.

Eliel Fernandes: Ventos positivos na Buonny 450

Eliel Fernandes é CEO e co-fundador da Buonny / Divulgação

Confira artigo de Eliel Fernandes, CEO e co-fundador da Buonny

Com 26 anos de atuação, recentemente a Buonny passou pela maior mudança de sua história. Em dezembro de 2020, a empresa passou a fazer parte da nstech, plataforma aberta de tecnologia para logística e mobilidade. A nstech foi fundada pela Niche Partners, braço da gestora de investimentos SK Tarpon, e conta também com investimento da Greenbridge Partners.

Com o propósito de apoiar empresas e ajudar times excepcionais a atingirem novos patamares e a perpetuarem histórias vencedoras, a nstech busca investir em empresas líderes de nicho em tecnologia para logística, criando o mais completo ecossistema do setor.

Essa grande mudança foi extremamente positiva para nós, que podemos crescer e ainda manter a estrutura operacional e, principalmente, o DNA Buonny, que é nosso grande patrimônio. Nessa nova etapa, fui nomeado CEO da empresa e Cyro Buonavoglia tornou-se membro do Conselho de Administração da Niche Partners.

Crescimento acelerado

Há nove meses fazendo parte do ecossistema da nstech, já é possível enxergar um futuro ainda mais promissor para a Buonny: crescemos 17% em faturamento e 37% em EBITDA, se compararmos o primeiro semestre de 2021 com 2020.

Os efeitos positivos da chegada da nstech vão além dos nossos resultados. As transformações começaram de dentro para fora, com integrações de áreas, criação de novos processos, investimento massivo em tecnologia, estruturações, entre outras mudanças.

No primeiro semestre de 2021, multiplicamos por quatro os investimentos realizados em tecnologia e em ganhos de produtividade, com o aprimoramento do nosso Data Lake, a contratação de consultorias que nos apoiaram na reestruturação das áreas de operação e comercial, fazendo adequações importantes para a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e, com isso, vimos os nossos números crescerem de forma exponencial.

Previsões

Futuramente, teremos mais inovações, pois o Brasil oferece muito espaço para isso. Nos próximos anos, tecnologias baseadas em inteligência artificial e machine learning, associadas aos recursos da telemetria, por exemplo, trarão ganhos relevantes em segurança e produtividade para todo o setor de logística e seguros de transportes.

Estamos muito otimistas e trabalhando para trazer mais novidades nos próximos meses. Queremos manter a curva de crescimento, sempre com objetivo de contribuir com o mercado brasileiro e possibilitar que a marca Buonny se fortaleça ainda mais e possa ser orgulho para os cerca de 700 colaboradores e mais de 12 mil clientes espalhados de Norte a Sul do País.

Economista-chefe do Banco Alfa: Verga, mas não quebra 477

Luis Otavio Leal é economista-chefe do Banco Alfa / Divulgação

Confira artigo de Luis Otavio Leal, economista-chefe do Banco Alfa

Após as manifestações do Dia da Independência, a frase que sintetiza a situação política brasileira no curto prazo vem de um provérbio africano: “Árvore que verga o vento não quebra”. Portanto, vamos fazer uma incursão no terreno pantanoso da análise política, tentando entender quais as implicações das manifestações de 7 de setembro sobre o cenário econômico brasileiro.

Se estivéssemos assistindo a uma luta de boxe, poderíamos dizer que o saldo das manifestações foi um “empate técnico”. Ou seja, se por um lado Jair Bolsonaro conseguiu a foto desejada – milhares de pessoas na rua apoiando seu Governo –, por outro, o número de manifestantes não pode ser considerado suficiente para dar respaldo a qualquer movimento “fora das quatro linhas da Constituição”. Acrescente-se a isso o fato de não ter ocorrido nenhum dos cenários mais adversos, como invasões de prédios públicos e/ou conflitos entre manifestantes pró e contra Bolsonaro, e chegamos ao nosso veredito final: por enquanto, a democracia por aqui “vergou, mas não quebrou”. Mas quais as consequências disso daqui para frente?

Apesar de não ter havido nenhuma ruptura da ordem institucional, não dá para deixar de admitir que a situação política está mais tensionada neste momento. As declarações de Bolsonaro, tanto em Brasília quanto, principalmente, em São Paulo, aumentaram o clima beligerante entre o presidente e o STF. Sem dúvida, frases do tipo “Ou o chefe desse Poder enquadra o seu ou esse Poder vai sofrer aquilo que não queremos”, ou “Qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá”, foram mais um passo no movimento de esticar a corda, que parece ser o nome do jogo dos dois lados da Praça dos Três Poderes.

O discurso de Bolsonaro em 7 de setembro lançou um claro desafio ao STF, que provavelmente deve reagir intensificando as prisões e as diligências contra pessoas próximas do presidente, sob pena de perder autoridade. A fala do presidente da corte, Luiz Fux, no dia seguinte, deu o tom ao afirmar que, “se desprezo a decisões judiciais é iniciativa de chefe de poder, configura crime de responsabilidade”, ou que “ninguém, ninguém, fechará esta corte”. Portanto, a sensação é de que a única forma de não haver um choque entre os “dois carros” seria a intervenção de um terceiro ator, podendo ser a classe política, caracterizada, ou não, na figura do Congresso.

Mas como se daria esse apaziguamento? A resposta pode ter vindo de onde menos se esperava. Uma reunião entre o ex-presidente Michel Temer e Bolsonaro resultou em uma nota oficial que parece ser o primeiro passo para a redução da temperatura entre os poderes. Por enquanto, um dos carros aparenta ter desviado. Como a probabilidade de ruptura ainda não é a predominante em qualquer análise e, esse apaziguamento ainda deverá se provar duradouro ou não, temos que pensar qual o impacto de um cenário de estresse permanente sobre as perspectivas para a economia brasileira.

O ponto de contato mais importante entre a crise política e a economia se dá, tanto através das pesquisas de opinião a respeito do governo de Jair Bolsonaro, quanto das que medem as chances de reeleição do incumbente. Quanto pior for o desempenho do presidente em ambas, maior será a tendência de tomar medidas populistas para reverter o seu desempenho ruim. Isso nos leva à questão fiscal e à discussão do Orçamento de 2022.

A inflação mais alta esperada para o final de 2021, por vários fatores, entre eles a Crise Hídrica, está reduzindo o espaço adicional que havia no Teto dos Gastos para acomodar, entre outras demandas, um Bolsa Família “turbinado”. A essa questão se soma o problema dos precatórios, que agrava ainda mais a situação. Enquanto isso, o orçamento enviado pelo Governo ao Congresso na semana passada não direciona a solução de nenhum desses problemas, até por limitações legais, fazendo com que a PEC dos precatórios seja o ponto-chave para desarmar esse “nó górdio” fiscal. O problema é que o texto pautado na Câmara não foi bem aceito pelo mercado, e, a solução via acordo na justiça, conhecida como “Fux-Dantas”, pelos seus idealizadores serem os ministros do STF, Luiz Fux, e do TCU, Bruno Dantas, perdeu força após a escalada da tensão entre Bolsonaro e o Supremo.

Portanto, a conjunção de um Governo enfraquecido pelo embate com o judiciário e a necessidade de aumentar os gastos em um ano eleitoral, pode abrir espaço para soluções criativas para desatar o tal “nó górdio” fiscal, o que também não deve ser bem aceito pelo mercado, ampliando o prêmio de risco embutido nos ativos brasileiros. Uma nova PEC protocolada na quinta-feira (09 de setembro) pelo vice-presidente da Câmara, Deputado Marcelo Ramos (PL/AM), acendeu uma luz no fim do túnel ao propor a retirada dos precatórios da conta do Teto em 2016, recalculando-o desde então. Essa proposta, além de eliminar a discussão sobre o calote do pagamento, abriria espaço ao redor de R$ 20 bilhões no Teto para acomodar as demandas de novos gastos, como a do Auxílio Brasil.

Como as incertezas fiscais se refletem tanto em um câmbio mais desvalorizado quanto em taxas de juros de mercado mais elevadas, mantendo a política monetária pressionada e a contratação de crédito mais cara, reduzindo as perspectivas de crescimento da economia brasileira, o círculo vicioso se fecha com a piora na sensação de bem-estar econômico. Como está considerada uma variável-chave para a chance de qualquer presidente candidato à reeleição, voltamos às medidas populistas para alavancar a chances de Bolsonaro no pleito de 2022.

Se colocarmos no meio dessa confusão a questão da Crise Hídrica podemos dizer que estamos em meio a uma “tempestade perfeita”, em que os problemas políticos, institucionais e econômicos se retroalimentam. As próximas semanas, portanto, podem ser decisivas para vermos se a “nossa” árvore vai continuar vergando à força do vento ou acabará sucumbindo às forças da natureza.