Kanban: Agilidade e evolução no desenvolvimento de software 3192

Kanban: Agilidade e evolução no desenvolvimento de software / Foto: Jo Szczepanska / Unsplash Images

Confira artigo de José Roberto Costa, Agile Coach da Art IT

Como mudar, melhorar e agilizar os processos da organização de uma maneira evolutiva, mitigando a resistência das pessoas e os possíveis problemas causados por essas mudanças? Possivelmente o método Kanban tem a resposta.

O método Kanban é um método para definir, gerenciar e melhorar serviços que entregam algum tipo de trabalho seja ele, software ou não. Ele torna visível o trabalho solicitado pelo cliente, a capacidade de entrega da equipe e o fluxo de trabalho necessário para realizar as entregas.

Na década de 1960, a Toyota nomeou seu sistema de produção de Kanban e esse foi um do sistemas que serviram de inspiração por trás do método Kanban que foi desenvolvido por David Anderson entre os anos de 2006 e 2008. Desde então ele passou a ser utilizado no desenvolvimento de softwares.

O Kanban possui seis práticas:

  1. Visualizar: Para que não seja apenas um quadro de fluxo de trabalho, é necessário que ele apresente os pontos de compromisso, entrega, as políticas do processo e os limites de WIP (Work in Progress);
  2. Limitar o WIP (Work in progress): Ao limitar o trabalho em progresso evita-se o trabalho parcialmente realizado e o aumento do tempo de espera da demanda. O foco em terminar a demanda que teve início;
  3. Gerenciar o fluxo: Quando falamos em gerenciar o fluxo tratamos de registrar e evidenciar os possíveis pontos de gargalo no processo, ou seja, os pontos que impedem ou atrasam o avanço das tarefas;
  4. Tornar as políticas explícitas: Ao tornar as políticas explícitas, é possível definir um processo que vai além do fluxo de trabalho. Essas políticas precisam ser simples, bem definidas, visíveis, sempre aplicadas e facilmente modificáveis. Exemplo: limite de WIP, limite de itens urgentes, políticas que definem quando uma tarefa pode ser puxada de uma coluna para outra dentro do fluxo;
  5. Implantar ciclos de feedback: Os ciclos de feedback são extremamente importantes para a mudança evolutiva. São reuniões cíclicas que impulsionam essa mudança evolutiva e a entrega de serviços. Exemplos: replenishment meeting, Kanban, meeting, dentre outras;
  6. Melhorar colaborativamente, evoluir experimentalmente: A ideia do Kanban não é mudar ou trocar todo o processo de uma só vez, mas sim melhorar de forma colaborativa, ou seja, com a colaboração de todos e com evolução experimental.

O Kanban ficou muito popular na área de TI para construção de produtos digitais, mas ele pode ser usado para organizar o fluxo de trabalho de outros segmentos, como Recursos Humanos, Marketing e Compras, por exemplo. Para isso, se faze necessário aplicar as práticas que o método sugere.

Como toda mensuração de produtividade, é necessário saber se está funcionando para que se possa ajustar e ter insights sobre a organização das atividades.

O Kanban possui três métricas básicas:

  1. Lead Time: é o tempo total desde que o item entrou no sistema até o momento que ele foi entregue ao cliente;
  2. Cycle Time: é o tempo total que o item levou para ser entregue a partir do momento que passou a ser trabalhado. O Cycle Time pode ser medido em uma ou mais etapas do fluxo de trabalho;
  3. Throughput: é a quantidade de itens que saem do sistema, ou seja, são entregues ao cliente em um determinado tempo.

O Kanban pode ser aplicado como um processo principal ou como um processo de apoio em conjunto com outros como scrum ou cascata e por isso é chamado por muitos como um “caminho alternativo à agilidade” uma vez que possibilita a melhoria dos processos de forma evolutiva, experimental e contínua.

Cobertura de riscos climáticos e o avanço do Seguro Rural 630

Rodolfo Bokel é sócio da corretora Globus Seguros / Divulgação

Confira artigo de Rodolfo Bokel, sócio da corretora Globus Seguros

Não é surpresa para ninguém dizer que o agronegócio move a economia do Brasil e fomenta, por consequência, outros setores, como o de seguros. Só no ano passado, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, o valor segurado ultrapassou R$ 68 bilhões – o que representa um aumento de aproximadamente 49% em relação a 2020. As agriculturas que apresentaram maior demanda por seguro rural foram: soja, milho (2ª safra), trigo, milho (1ª safra), café, maçã, uva, arroz e tomate.

O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) aplicou, em 2021, R$ 1,18 bilhão, valor 34% maior que o executado em 2020. Foram beneficiados aproximadamente 121 mil produtores rurais, contratadas 218 mil apólices e a área segurada total foi de 14 milhões de hectares, 2,4% superior ao resultado de 2020. Isso significa que os produtores rurais estão cada vez mais conscientes sobre a preservação de suas fazendas e plantações e querem estar preparados para as mais diversas situações, como, por exemplo, os riscos climáticos.

De fato, os sinistros mais comuns são perdas por geadas e seca e queda de produtividade pelo excesso ou falta de chuva. Independente do tamanho do agricultor, o seguro climático é essencial para assegurá-lo contra perdas ocasionadas pela própria natureza. Fenômenos naturais, mudanças bruscas de temperatura, entre outros, podem prejudicar e muito o empresário que depende da venda daquilo que produz.

Existem três modalidades de seguros que cobrem riscos climáticos: Multirisco, Nomeados e Seguros de produtos paramétricos. O Multirisco, como o próprio nome sugere, cobre diversos riscos climáticos. Na cotação mais básica normalmente estão inclusos os principais, tais como chuva excessiva, seca, geada, granizo, raio e incêndio, entre outros. Quando se tratar de seguro de faturamento/receita, a variação de preço da cultura também será um dos riscos cobertos.

Na modalidade de Multirisco é importante observar algumas variáveis. A Produtividade Esperada é uma delas, pois tem como referência o potencial de produção da lavoura baseado em uma média histórica. O mercado segurador geralmente define esses números com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de cooperativas, instituições financeiras ou consultando o próprio produtor rural.

O nível de cobertura é outro fator importante a ser observado, já que ele é um percentual de proteção garantida pela apólice. Esse número varia de 50% a 85%, dependendo da seguradora e do produto. Quanto maior o nível de cobertura, maior a proteção oferecida pela apólice. Outra variável da modalidade de Multirisco são as coberturas adicionais. Alguns produtos oferecem a possibilidade de contratação, como é o caso, por exemplo, da Cobertura de Replantio e de Perda de Qualidade.

Já na modalidade de Riscos Nomeados, o segurado pode contratar proteção apenas para os riscos de seu interesse. Por exemplo, em áreas de baixa temperatura, o produtor rural pode optar por contratar apenas a cobertura de geada. Cobre diversos riscos climáticos numa única cobertura.

Em agriculturas de frutas e hortaliças, o principal objetivo é cobrir as perdas qualitativas, além da produtividade. Em culturas de grãos e cana de açúcar, a indenização costuma se basear na proporção da área atingida em relação à área total segurada. Na apólice deve constar a franquia ou Participação Obrigatória do Segurado (POS), que é o percentual de risco assumido pelo próprio segurado, o qual normalmente varia de 10% a 30%.

No Seguros de Produtos paramétricos a cobertura é baseada na variação de um parâmetro preestabelecido na apólice, que pode ser de dois tipos: 1. Seguro de Dados Meteorológicos que se baseia na variação de um determinado índice meteorológico, como pluviométrico ou temperatura, indenizando os segurados caso os índices sejam inferiores ou superiores ao estipulado na apólice, gerando prejuízos à lavoura. 2. Seguro de Produtividade Média de Grupo onde a cobertura é dada a um conjunto de agricultores segurados e se baseia na produtividade média de todos, geralmente estabelecida pelo IBGE. O nível de proteção dependerá do percentual de cobertura contratado.

Seja qual for a opção de Seguro Rural escolhido, é importante levar em consideração todos os fatores que influenciam a produtividade do seu negócio e entender todas as cláusulas e coberturas garantidas pela apólice. Se você tem dúvidas, consulte sua seguradora e tire elas antes de qualquer decisão, pois no futuro você pode estar mais preparado diante de uma situação adversa ou se arrepender por não ter dado a devida importância neste tema.

‘Metaverso não é uma revolução, é uma evolução’, afirma Martha Gabriel 528

'Metaverso não é uma revolução, é uma evolução', afirma Martha Gabriel / Foto: UK Black Tech / Unsplash Images

Com a aceleração do processo de digitalização nos últimos dois anos, o mundo passa por uma fase de adaptação dos modelos de negócio à nova realidade

Em uma era de negócios disruptivos e avanços tecnológicos, a digitalização é uma grande aliada das empresas que desejam se destacar nesse mercado competitivo. E as discussões sobre o futuro fazem uma reflexão, principalmente, sobre os impactos das tecnologias no presente e como as pessoas irão adaptar esse conceito às necessidades atuais.

Dentro deste contexto, a Nova Economia (ou New Economy, em inglês), termo que surgiu pela primeira vez em 1993, na revista americana Time, é marcado por mudanças rápidas e contrastes acentuados. O conceito se estende também ao marketing digital e à adaptação de negócios, em que é possível avaliar o que o público espera das marcas e como elas podem, a partir de uma cultura baseada em dados, melhorar as experiências de consumo para se sobressaírem.

Para abordar esse tema, a equipe do Digitalks conversou com Martha Gabriel, escritora, futurista e considerada um dos principais pensadores digitais do Brasil, que destacou as tendências do mundo com a aceleração da digitalização nos últimos anos. Especialista do Digitalks no segmento Digital World & New Economy, Martha terá uma apresentação exclusiva e inédita sobre os 3 mitos e as 3 tendências do Digital World no próximo Digitalks Executive, que acontece no dia 24 de junho, no Unibes Cultural.

Vivemos um cenário de constante transformação há dois anos. A própria pandemia acelerou o processo de revolução digital em vários segmentos, como saúde, comércio, sistema financeiro, educação e indústria, entre outros. Qual o balanço que você faz da evolução digital no período?

Martha Gabriel: Tivemos uma aceleração da digitalização, mas não no mesmo ritmo da aceleração estratégica ou da cibersegurança. O que isso significa? Que várias empresas se conectaram porque havia essa necessidade, mas não necessariamente de forma estratégica e segura. Quanto mais conectados ficamos, mais vulneráveis estamos. A segurança é uma questão de negócio, assim como as estratégias que envolvem as pessoas. É preciso considerar essas duas dimensões: a cultura, que vai muito além da tecnologia, e as pessoas. Costumo dizer que não adianta saber usar a tecnologia sem compreender as questões relacionadas ao negócio. Embora em ritmos diferentes, as empresas já compreenderam este cenário e estão se articulando para conectar cultura organizacional e mudança de mindset com o negócio.

Outro ponto importante é a questão do trabalho híbrido. Durante o período da pandemia, a maioria das pessoas trabalhou 100% online. Agora, existe em várias organizações a possibilidade de conciliar o trabalho presencial e remoto, o que traz uma complexidade maior para as equipes de RH. Como as áreas são diferentes, é preciso avaliar quais podem se manter à distância, quais as características profissionais necessárias, como capacitar talentos e atrair novos profissionais especializados. Onde tem escassez, é necessário fazer adequações para poder colocar o time colaborando de acordo com o que eles querem e as necessidades do negócio.

Qual cenário você vislumbra para os próximos cinco anos? Qual será a tecnologia da vez no mundo e no Brasil?

Martha Gabriel: Todo mundo está falando sobre o metaverso. Embora muitos considerem que o conceito está centrado no mundo virtual 3D, a verdade é que não é bem assim. O Metaverso é toda essa fusão de on e off, mas para a gente chegar nesse cenário, fomos constituindo camadas de experiências digitais, desde e-mail, sites, jogos e mundos 3D, e-commerce etc. Lá atrás tivemos também o Second Life.

Atualmente, podemos ter múltiplos mundos virtuais 3D interagindo com o físico. Entre as tecnologias que ajudaram a construir e pavimentar esse caminho, destacamos Inteligência Artificial, Internet das Coisas (IoT), 5G e 6G, Blockchain, Big Data, nanotecnologia, impressão 3D, robótica e computação quântica. Todas essas tecnologias são importantes, mas o carro-chefe para a formação do metaverso é a integração entre o nosso mundo físico e digital. E a tecnologia mais importante para vencer a complexidade de todas as conexões tecnológicas é a Inteligência Artificial. Não é à toa que a gente tem uma corrida mundial em busca das melhores práticas, das melhores pesquisas para chegar em um nível de Inteligência Artificial cada vez mais avançado.

É justamente essa tecnologia que traz a inteligência que complementa a nossa para vencer a complexidade deste cenário. Inclusive, lancei o livro “Inteligência Artificial do Zero ao Metaverso”, que aborda o que é IA, como utilizá-la, cases, robótica e a diferença que a Inteligência Artificial traz ao metaverso.

O metaverso tem sido protagonista em vários eventos de inovação no mundo. No Brasil, algumas empresas estão com ações iniciais para utilização do metaverso. Na prática, quais são as vantagens da tecnologia? Em quanto tempo teremos o conceito funcionando em sua melhor performance? Quais são as áreas que poderão se beneficiar da tecnologia, além do varejo e e-commerce?

Martha Gabriel: Bom, para começar todo mundo já está no metaverso. A gente não vai entrar no metaverso, a gente não precisa se preparar para entrar nele. O metaverso não é uma revolução, ele é uma evolução. O metaverso começa a se constituir desde o início da era digital. Ele vem da ficção, em 1992, do livro Snow Crash, de Neal Stephenson, que eu recomendo muito a leitura, pois já mostrava a integração entre o on e o off. Com a Internet, a gente vai expandindo e ele vai se configurando. Mas se o metaverso não é tão novo, por que as pessoas passaram a falar tanto dele? Porque todas as tecnologias que eu mencionei na resposta anterior permitiram a construção da infraestrutura, que agora pode integrar novas camadas de experiência.

Precisamos nos preparar para essa evolução do metaverso, que expandirá para todas as dimensões da nossa vida. No varejo, por exemplo, é natural que você queira comprar coisas, integrar seu avatar com skins e objetos. Se compro uma bolsa no mundo físico, vou querer usá-la também no mundo virtual. Lá tem n itens adicionais, então a gente tem oportunidades que surgem para o marketing. Qualquer empresa que conseguir produzir experiências digitais para esses ambientes adicionais que estão surgindo, as camadas 3D ou produtos e serviços que ajudem nessa experiência, têm oportunidade no metaverso.

Existe um mercado potencial, inclusive para novas profissões, tais como designers para trabalhar no metaverso e em experiências, ou seja, a gente tem uma gama gigante para todas as áreas: do financeiro, com a ascensão do blockchain, criptomoedas e NFTs, ao segmento de beleza. E quando você está lá (no metaverso) e aqui tem produtos diferentes, você compra skins, características e experiências diferentes. Nesse sentido, as áreas de beleza, varejo e serviços financeiros podem se beneficiar dessas integrações, assim como educação.

No futuro, todas as empresas serão de tecnologia para vender alguma coisa. Portanto, todas as empresas vão integrar as experiências on e off. Mesmo que você seja uma empresa que oferece experiência no off, terá que integrar com o on. Tem muita oportunidade e o céu é o limite.

A gente já falou aqui sobre metaverso e inteligência artificial. Outra tecnologia que vem ganhando cada vez mais espaço, que as pessoas estão tomando conhecimento, é o 5G. Como essa tecnologia impactará a economia digital?

Martha Gabriel: A importância do 5G, e a gente já está indo para o 6G na realidade, não é só ficar mais rápido. A tecnologia traz uma dimensão bastante importante para novas possibilidades de negócio. Por causa do 3G, a gente tem Skype, Netflix e outras plataformas de streaming que foram surgindo depois, porque ele viabilizou. Imagina com o 5G, que é muitas vezes mais rápido, o que poderemos fazer.

Mas a grande vantagem do 5G e do 6G é poder conectar mais dispositivos, especialmente neste em que a geração de dados é crescente. Mas para que cada coisa possa entrar nesse cenário de inteligência, possa ser “sentida” com dados, você precisa endereçar isso, você precisa poder conectar tudo isso. E as tecnologias que permitem isso são o 5G e o 6G, ou seja, as tecnologias de conexão que conectam mais dispositivos. A gente está crescendo cada vez mais na quantidade de dispositivos e, virtualmente, qualquer coisa pode ser conectada. E também a velocidade que ela traz para que a gente não tenha latência e consiga entrar com esses dados na rede, em tempo real.

A tendência é que novas tecnologias interajam cada vez mais com o marketing das empresas? E quais são as possibilidades para o marketing na era digital?

Martha Gabriel: Eu escrevi um livro, em 2010, sobre marketing no ambiente digital. Conforme o ambiente digital vai se estabelecendo, ele também muda o comportamento das pessoas, as possibilidades de conexões e de comunicação. As plataformas e tecnologias digitais impactam os quatro pesos primordiais do marketing, mas também as pessoas, que é a origem do marketing. Elas transformam o comportamento das pessoas. Quando a gente fala de 2010 para cá, quando escrevi o livro, e depois de 2020, quando lancei a segunda edição, temos mais tecnologias, mais possibilidades e mais conexões. Então, isso impacta o marketing em todas as dimensões, mas traz um grau adicional de complexidade. Então imagina, quando a gente traça a jornada do consumidor em um ambiente que já era complexo, cheio de plataformas, cada uma com uma característica diferente.

Agora, a gente entra nesse cenário do metaverso, dos mundos virtuais 3D, em que cada um pode criar uma jornada distinta do outro, escolhendo quais caminhos percorrer. Como falei anteriormente, a Inteligência Artificial é a principal tecnologia para isso. Em termos de oportunidades e impactos, hoje com essas tecnologias, tem como fazer uma automação muito mais refinada, com dados muito mais refinados, e isso pode levar a um cenário tão sonhado no marketing que é o um a um, ou seja, a hiperpersonalização em massa, em escala. É muito fácil a gente hiperpersonalizar quando está frente a frente com outra pessoa, mas quando tem milhões de pessoas interagindo com a sua marca, a personalização só pode ser feita de forma incrível se ela tiver todas as informações necessárias para entregar a experiência. E a gente está indo para esse cenário do marketing, mas o desafio é o seguinte: para fazer a hiperpersonalização em escala, que seria o máximo da experiência que a gente quer oferecer, precisamos vencer a complexidade que está se instaurando. É necessário dominar as tecnologias para que a gente consiga dar conta disso. Esse é, portanto, o cenário vislumbrado daqui para frente.

Qual o papel dos seguros no planejamento financeiro? 571

Ale Boiani, CEO, fundadora e Sócia do 360iGroup / Divulgação

Confira artigo de Ale Boiani, CEO, fundadora e Sócia do 360iGroup

Você sabia que ao fazer um planejamento financeiro e vislumbrar investimentos e grandes aplicações é necessário primeiro levar em conta uma pirâmide de prioridades sobre a sua própria vida, garantindo seguros que vão trazer tranquilidade – para então, depois disso, seguir para novos objetivos ligados ao seu patrimônio? Não que a parte de alocação dos investimentos e análise de perfil de risco não sejam importantes, mas essa etapa está um pouquinho mais pra frente do que o começo do próprio planejamento.

A primeira coisa que a pessoa precisa fazer é aprender a poupar, fazer o controle das despesas e custos que tem no dia a dia, e, para isso, é preciso ter algum “ganho” ou geração de receita. Então, quando vamos colocar isso em uma pirâmide, considerando o que é a base do planejamento financeiro, a primeira coisa que vamos avaliar é o fato de o cliente ter que gerar algum tipo de renda, de ganho, para que o profissional que atua com o planejamento possa fazer o restante do trabalho.

Antes de falarmos sobre investimentos com os clientes que buscam planejar a sua vida financeira, sempre priorizamos o que chamamos de “controle de riscos”, que é nada mais nada menos do que montar a estrutura de seguro de saúde, para que não aconteça o caso de a pessoa ter um problema de saúde, por exemplo, e acabe tendo que “torrar” todo o dinheiro que demorou anos para guardar. Para isso, sempre valorizamos uma cobertura de “doenças graves”, que vai ser complementar a algumas especialidades que muitas vezes o seguro saúde não cobre em sua totalidade, e evitando até mesmo que a pessoa acabe usando o seu patrimônio para custos com medicações ou ajustes na própria rotina que tenham despesas ainda maiores, caso seja algo coisa mais grave.

Também sugerimos e sempre levamos em consideração a cobertura de “invalidez laborativa”, no caso de ocorrer algum acidente ou situação inesperada e a pessoa deixar de gerar renda. Logo após essa “cobertura” e a garantia de tranquilidade quando o assunto é saúde, jamais deixamos de fora o seguro de vida, no caso de o provedor vir a falecer de uma maneira prematura.

Vários outros seguros também são importantes para garantir tranquilidade e iniciar um bom planejamento financeiro, fazendo escolhas cautelosas sobre o próprio futuro. É importante lembrar que cada pessoa tem as suas particularidades e necessidades que vão além desses seguros citados. Dentro do seguro de vida, por exemplo, existe a “ferramenta” de sucessão empresarial – para quem atua como pessoa jurídica e/ou tem empresas e sociedades. Essa cobertura auxilia financeiramente empresas e familiares quando um dos sócios vêm a falecer ou precisa se afastar de maneira definitiva. Nesses casos, os sócios da empresa passam a ser beneficiários do sócio em questão para poder comprar a parte da família e redistribuir as cotas de quem fica. Também podem utilizar este valor para injetar capital na empresa e contratar um executivo que tome a frente dos negócios que este sócio cuidava anteriormente.

Com isso, podemos resumir que os seguros têm papel fundamental e estrutural em um planejamento financeiro, pois eles blindam o patrimônio e minimizam riscos. Só após garantir que a base da sua pirâmide esteja sólida, é que o profissional que vai cuidar do seu planejamento vai pensar em acumulação de capital, pegar parte desse valor e ir criando estratégias de investimentos, aplicações visando os seus planos em curto, médio e longo prazo, entre outros objetivos – unindo isso à tranquilidade que só os seguros promovem.

Depois que o capital está acumulado, fica mais fácil ir fazendo a constituição do patrimônio do cliente de forma sólida, parando para pensar em ‘pontos’ um pouco mais sofisticados e até mais “ousados”, como a questão de diminuir carga tributária, pagar menos impostos, entre outras especificidades.

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Liberty Seguros anuncia treinamentos para desenvolvimento de corretores parceiros 457

Liberty Seguros anuncia treinamentos para desenvolvimento de corretores parceiros / Foto: Josefa nDiaz / Unsplash Images

Conteúdos terão focos variados para desenvolver e empoderar os parceiros em produtos da seguradora e temáticas de mercado

A Liberty Seguros anuncia seu calendário de treinamentos exclusivos para parceiros. Em formatos presenciais e online, os cursos fazem parte do objetivo da companhia de constantemente desenvolver os profissionais parceiros e ampliar seus negócios em frentes variadas de seguro. Para desenvolver os treinamentos, a seguradora levou em conta desde as plataformas da Liberty, como Meu Momento de Vida e Meu Momento Residência, até temáticas relevantes do mercado, como diversidade, práticas para o trabalho híbrido, uso de dados para negócios e os desafios do momento.

Entre as opções disponíveis no ar em junho, há o curso de Desafios e Dilemas da Era da Transparência, que abordará questões sobre a importância da transparência na comunicação e como essa ferramenta pode auxiliar na construção de relacionamento, significado e reputação. Outra possibilidade é o treinamento sobre Uso de Dados para Business Insights, que ensinará os parceiros a fazer análises precisas de dados para tomadas de decisões mais assertivas. Ainda, para os corretores que tiverem interesse na parte digital, há a possibilidade do treinamento Mindset Digital: Seja o Profissional que Mercado Precisa, que auxiliará os profissionais a desenvolverem um pensamento digital para contribuir com os negócios e otimizar a experiência do cliente.

Para se inscrever, os parceiros devem acessar o Meu Espaço Corretor e selecionar os cursos que tenham interesse e efetuarem a matrícula online, para receberem o certificado após a realização do curso. Além das opções de cursos já citadas, ao longo do ano, os seguintes conteúdos também serão lançados:

  • Novo marketing e foco no cliente;
  • Líder sustentável posso ser um;
  • Diversidade Muito Além Do Discurso;
  • Relações de Confiança. Os pactos no trabalho presencial e a distância;
  • Práticas para o Trabalho Híbrido;
  • Erro sim, incompetência não;
  • Comportamento humano na era digital;
  • Cultura Maker – Seja um “fazedor”;
  • Simplicidade: como focar no que é importante;
  • Colaboração ágil e facilitação;
  • Tem dias que a gente ganha, tem dias que a gente aprende;
  • Meu Momento de Vida;
  • Meu Momento de Residência;
  • Família Vida Individual;
  • Régua de Comunicação para corretores.

A Liberty Seguros também disponibiliza Moedas Liberty a cada conclusão dos mais de 200 cursos fixos disponíveis para fazer regastes de prêmios a qualquer momento na Plataforma Online da Liberty, ferramenta dedicada à capacitação dos parceiros que impactou 65 mil pessoas ao longo de 2021.

Seguro D&O no dilema: em tempos estranhos, qual sua efetiva utilidade? 624

Marcelo Camargo é advogado da Agrifoglio Vianna / Arquivo JRS

Confira artigo do Dr. Marcelo Dias Camargo, advogado da Agrifoglio Vianna – Advogados Associados

Recentemente, o jornal Folha de São Paulo destacou o receio dos integrantes do Conselho de Administração da Petrobras em aprovar a indicação do nome para a presidência da estatal. A matéria destaca que os integrantes do Conselho temem ver seus patrimônios pessoais atingidos por ações indenizatórias de terceiros caso o ato de nomeação se mostre, no futuro, prejudicial.

E não é difícil imaginar de que forma isto poderia ocorrer: bastaria que o presidente nomeado pelo Conselho intervisse no preço dos combustíveis, o que já vimos no passado ocorrer, gerando prejuízo financeiro à empresa em razão da diferença de preço praticado no exterior, e consequentemente, afetando os acionistas.

Não se pretende aqui entrar no mérito da política de preços da estatal, mas, sim, chamar atenção para a aparente ineficiência de um seguro que serviria justamente para dar tranquilidade aos gestores para que façam o seu mister, qual seja, pratiquem atos de gestão!

Trata-se do Seguro D&O (Directors & Officers), um contrato de seguro de Responsabilidade Civil para administradores de sociedades, disciplinado, atualmente, na Circular Susep nº 637, de 27 de julho de 2021.

Este seguro é praticado no exterior desde o início do Século XX e, no Brasil, há pelo menos 20 anos. Serve para vários fins atrelados à responsabilização civil decorrente de um ato de gestão. Visa a dar tranquilidade ao gestor para que pratique tais atos com a segurança de estar amparado por um seguro que, por exemplo, custeará as despesas de defesa dele na ação ajuizada pelo terceiro, seja este um particular lesado, um órgão de fiscalização, uma agência reguladora, o Ministério Público, o Fisco, etc.

Outras coberturas e funções foram acrescidas ao Seguro D&O ao longo do tempo, tornando este produto algo tão sofisticado que até mesmo o tomador, a empresa, passa à condição de verdadeiro segurado na forma direta, como na cobertura conhecida como “Side C”, e indireta, em algumas extensões de cobertura.

Não há tempo nem espaço, aqui, para um detalhamento das inúmeras coberturas e seus formatos, classificação da natureza jurídica delas, identificação do efetivo interesse segurado e do risco em garantia, entre outros elementos jurídicos.

O problema está no recente histórico deste seguro no Brasil, na equivocada subscrição de alguns riscos por ele cobertos, na equivocada expectativa por parte dos segurados quanto à função deste contrato, no anacronismo de algumas de suas coberturas, e também, pela visão um pouco obtusa de algumas seguradoras e entes de mercado quanto ao “conjunto da obra” antes relatado. Percebe-se uma crise em andamento, um sentimento que nos remete, operadores do âmbito jurídico de seguro, àquela pergunta: como viemos parar aqui, no olho deste furacão?

Um exemplo simples, que tem merecido críticas de parte da doutrina, diz respeito ao juízo de valor e ao pré-julgamento que alguns seguradores fazem quando acionada a cobertura mais básica, a que deu origem ao Seguro D&O, que é a de custeio de defesa. Algumas seguradoras exigem, para honrar a cobertura, a prática de “preços razoáveis” pelos prestadores de serviços jurídicos contratados pelos administradores, ou ainda, a “demonstração de equivalência” entre serviços jurídicos distintos. Em outros casos, há condicionamento à demonstração de que o ato de gestão não foi doloso.

Ora, quanto aos custos de defesa, as exigências remetem a um critério um tanto subjetivo utilizado no momento mais crítico de uma relação segurado-segurador: o do sinistro. Quanto ao outro óbice, condicionar o custeio de defesa à prévia demonstração de ausência de dolo, esbarra no princípio da presunção de inocência e no critério meramente temporal, pois eventual dolo será cristalizado somente ao final de todo o processamento para o qual se pretende e necessita, justamente, apresentar imediata defesa. Então, que se pague logo a indenização em formato de custeio de defesa do administrador, e ao final, verificado o dolo, que exercite a seguradora a ação regressiva.

Outro ponto de conflito é a exigência de prévia desconsideração da personalidade jurídica da empresa como condição para a incidência da extensão de cobertura referente à Responsabilidade Trabalhista, Tributária, Previdenciária, Concorrencial e Consumerista.

O problema está no fato de que, especificamente ao âmbito Tributário, a Instrução Normativa nº 1.862/18 da Receita Federal forneceu aos agentes fiscais novas ferramentas que permitem o redirecionamento da responsabilidade tributária empresarial para as pessoas dos sócios e administradores. Neste contexto, o Parecer Normativo 4/18 ampliou o conceito de responsabilidade solidária entre administrador e empresa. Na prática, a Receita inclui, já na autuação administrativa, os administradores da sociedade como codevedores do tributo e acessórios.

Então, passou a ser duvidosa a utilidade desta cobertura frente às atuais práticas da Receita Federal. E vejam, nem tão atuais, pois se a Instrução Normativa nº 1.862 é do ano de 2018, era recomendável uma atualização dos clausulados das seguradoras desde então. Não parece haver dúvida quanto ao substancial aumento de risco a que as companhias estão sujeitas por força da referida prática da Receita, de modo que, se o clausulado de antes segue sendo o mesmo de agora, fica ainda mais aparente a ocorrência de um lapso entre subscrição e risco, o chamado risco oculto, aquele não mapeado pela seguradora no momento de ofertar o produto.

Os exemplos acima apenas ilustram, tal como a matéria jornalística referente ao receio dos Conselheiros da Petrobras, um certo desalento quanto ao Seguro D&O no Brasil, que por motivos diversos, mas principalmente devido ao desconhecimento de seu âmbito técnico, parece em vias de cair em descrédito, o que seria prejudicial para segurados e seguradores. Por outro lado, é certo que há demanda para tal ramo no País, de modo que todos os esforços para seu melhoramento certamente serão recompensados.