Mente precisa de fôlego ao longo do expediente 441

A psicóloga Monica Machado / Divulgação

Confira artigo de Monica Machado, psicóloga pela USP, fundadora da Clínica Ame.C, pós-graduada em Psicanálise e Saúde Mental pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein

O termo “ócio” é usado para se referir ao “não fazer nada”, não ter atividade nenhuma em alguma circunstância, especialmente do ponto de vista motor. A rigor, não se aplica propriamente aos processos cerebrais, uma vez que o cérebro, tal como outros órgãos do organismo, nunca para de funcionar.

Se estamos pensando em algo especifico, raciocinando ou desenvolvendo alguma ideia ou atividade que demanda concentração, o cérebro está sempre ativo.

Quando deixamos de prestar atenção em algo e nos deixamos divagar (mind wandering, divagação ou devaneio da mente), algumas áreas cerebrais específicas são ativadas, constituindo a chamada rede de modo padrão (default mode network). Grosseiramente falando, seria algo como o ponto morto no câmbio do carro: o motor está ligado, mas o carro está parado. Ou seja, não ficamos sem pensar em nada, mas os pensamentos fluem sem foco, sem uma direção especifica.

Em tempos de Burnout, momentos ociosos podem ser produtivos aos profissionais

O cérebro é programado para funcionar um certo período de tempo, durante o qual estamos acordados. O descanso principal do cérebro ocorre quando dormimos. É quando ele se refaz, organiza e consolida memórias e se prepara para absorver novas informações.

No trabalho, estamos constantemente fazendo atividades que exigem muita atenção e concentração, o que resulta em um grande cansaço físico e mental. Daí a importância de fazer pausas. Saia um pouco da frente do computador, dê uma volta, tome um café. Por definição, não é possível forçar o cérebro a entrar em devaneio, uma vez que este é algo espontâneo.

Mas, é fundamental distrair a mente no decorrer do expediente. Esses minutos ociosos darão fôlego ao seu cérebro, permitindo que você retome o trabalho com maior disposição. E mais: é possível que alguma ideia criativa surja nestes instantes em que você esteja mais ocioso, já que sua atenção se voltou para outras coisas.

A possibilidade de deixar o cérebro divagar durante o expediente depende muito do tipo de trabalho que o funcionário desempenha. Nem toda atividade demanda criatividade. Pode ser uma tarefa relativamente padronizada, em que não há campo para sair de uma certa direção (como numa linha de montagem, por exemplo).

Em geral, quando o foco do profissional consiste justamente na criação, o ideal é que a empresa flexibilize seu sistema de trabalho, dando liberdade ao funcionário para, por exemplo, trabalhar como quiser, desde que entregue o resultado esperado.

De qualquer modo, experimente mudar seus hábitos. Só a hora do almoço e os poucos instantes em que você se lembra de ir ao banheiro não contam como momentos vitais de ócio no trabalho.

Faça o teste. Tenha pequenas pausas ao longo do dia. Seja para respirar na varanda, esticar o corpo ou tomar uma água. O importante é levantar da cadeira e levar seus pensamentos para longe. Permita que seu cérebro tenha minutos de ociosidade. Você perceberá a diferença ao final do expediente, sem ter a sensação de que carregou uma tonelada nas costas o dia inteiro!

2022 deve trazer mais rigor na retomada do crescimento, estima presidente da FenaCap 689

Marcelo Farinha é presidente da FenaCap / Divulgação

Confira artigo de Marcelo Farinha, presidente da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap)

A Capitalização ingressa em 2022 completando uma trajetória de 93 anos de atuação ininterruptas no mercado, em que a resiliência tem sido a sua marca. Nesta longa jornada, o setor enfrentou os mais diferentes desafios. Aliás, a atividade chegou ao Brasil no período dramático de crise mundial provocada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York – que afetou os rumos dos negócios com café e abriu caminho para o algodão, por exemplo. Portanto, é um segmento que tem convivido com mudanças de hábitos, no estilo de vida e na atividade econômica ao longo do tempo.

E estamos passando por mais um grande desafio: a pandemia da Covid-19. O setor, como todo o processo produtivo, também teve impactos negativos, mas acelerou os processos de inovação realizando pesados investimentos para garantir o atendimento on-line. Nesse processo de migração para o digital, foi fundamental o engajamento das equipes das empresas para a implementação de uma contínua mudança de processos capazes, por sua vez, de oferecer transparência e segurança nas operações.

Tudo isso constituiu um grande aprendizado e os resultados foram importantes para termos a confiança de que o setor encerra o ano de 2021 mais forte, mais estruturado e pronto para retomar o vigor dos anos anteriores. As equipes envolvidas nessa rápida transformação tecnológica também saem mais fortalecidas e aptas ao atendimento das novas demandas, entre as quais figuram, além das pessoas, os pequenos e microempresários que acabaram por ser os mais afetados justamente pela ausência, muitas vezes, de um planejamento financeiro e reserva de valor para períodos de crise.

A confiança da Capitalização com o futuro é sinalizada desde já pelo resultado positivo: R$ 20 bilhões de arrecadação entre janeiro e outubro de 2021, crescimento na casa dos 6%, e um crescente volume de reservas que ultrapassa os R$ 33 bilhões. É claro que ainda existe um longo caminho a ser trilhado. A crise provocada pela pandemia reforçou a importância da Capitalização como instrumento de reserva de valor, disciplina financeira e mecanismo de garantia, seja para os momentos de emergência, ações sociais e comerciais, ou para transformar sonhos em realidade.

É importante ressaltar que um dos diferenciais competitivos da Capitalização é a sua diversidade e a sua capacidade de se reinventar. Com os avanços regulatórios, o setor deixou de ter praticamente uma única opção de produto para se transformar em um segmento capaz de criar outros modelos de negócios, com atuação de produtos em garantia de aluguel, filantropia, ações de marketing voltadas à retenção de clientes, só para citar alguns exemplos.

É uma atividade com grande capacidade de se acoplar a outros produtos e mercados. Ao longo dos anos, a Capitalização se desenvolveu a partir das necessidades dos públicos de interesse e passou a oferecer soluções simples que, combinadas com sorteios, são capazes de atender de maneira diferenciada a novas e crescentes demandas da sociedade.

Essa característica abriu uma nova perspectiva de mercado, inclusive para corretores de seguros. Somos capazes de atender às demandas de praticamente todos os segmentos de negócios. Com produtos voltados para pessoa física ou jurídica e com valores acessíveis, para qualquer tamanho de bolso, extremamente inclusivo e de simples contratação, a Capitalização demonstra toda a sua versatilidade e aderência às necessidades dos consumidores.

O marco regulatório trouxe ainda novas possibilidades de negócios. A modalidade de Incentivo, que aproxima empresas de seus clientes, ou ainda a modalidade Instrumento de Garantia, que se vale os títulos para a viabilização de muitos contratos, devem dar impulso para uma retomada sustentável do segmento.

A modalidade Filantropia Premiável têm apresentado desempenho altamente promissor. Os acordos com organizações sociais emprestam ao mercado grande credibilidade que é devolvida a esses projetos na forma de investimentos significativos. De janeiro a outubro de 2021, os produtos contribuíram com um aporte mais de R$ 1 bilhão às entidades que realizam ações voltadas ao trabalho social. Foi o setor que mais direcionou recursos à filantropia ao longo do ano passado.

Por fim, os próximos anos serão de valorização da experiência do cliente, ou seja, pensar essa jornada é mais importante do que a simples venda dos produtos. Aprimorar os mecanismos de relacionamento com o consumidor e oferecer soluções mais ágeis e completas serão determinantes para a sustentabilidade do mercado de Capitalização. Transformar os clientes em fãs é o desafio da Capitalização no Brasil. Que venham os próximos anos!

A importância da segurança do paciente em ambiente hospitalar 406

A importância da segurança do paciente em ambiente hospitalar / Foto: Adhy Savala / Unsplash Images

Confira artigo de Gisele Panegassi, Gerente de Marketing da Advanced Sterilization Products Brasil

A pandemia reacendeu uma preocupação muito comum em ambientes hospitalares: o risco de infecção hospitalar relacionada à assistência à saúde (IRAS). Com um alto número de pessoas internadas em unidades de saúde, seja em ambulatórios ou em unidades intensivas, o perigo de contaminação cresce gradativamente.

Segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde, em países de baixa e média renda, estima-se que o número de infecções hospitalares é de 10%, que alteram entre risco, alto, médio e baixo. No Brasil, a taxa de infecção hospitalar chega a 14%. é importante ressaltar que o conceito de infecção hospitalar inclui todos os processos infecciosos, que não foram identificados na admissão do paciente na entrada ao hospital e que se manifesta durante a sua permanência.

Em geral, essas infecções são agrupadas como entéricas, respiratórias, cutâneas e gerais e o aparecimento da infecção é determinado pela interação entre agentes mórbidos com o meio ambiente e o homem. Após essa breve explicação, é possível entender o quanto as infecções hospitalares se mostram um problema desafiador nas unidades de saúde, principalmente, por existir um aumento significativo na taxa de mortalidade. Elas trazem dificuldade e riscos à saúde, tanto dos pacientes, quantos dos profissionais.

É devido a isso que foram desenvolvidos vários investimentos em práticas funcionais que aprimoram o controle e redução de casos. Assim, como forma de prevenção, existem práticas extremamente rotineiras que precisam ser cumpridas e auxiliam nos cuidados para evitar as infecções hospitalares, como lavar as mãos, realizar precaução de contato, utilizar as roupas certas, manter os protocolos de limpeza local e esterilizar materiais hospitalares, sendo este último muito importante, pois é a porta de entrada para iniciar todo o processo de infecção hospitalar relacionado a assistência à saúde, tendo em vista que há contato tanto interno, quanto externo, em pacientes e profissionais da saúde.

No mercado existem diversos tipos de tecnologias que automatizam os processos de desinfecção e esterilização, e é por isso que vale ressaltar a busca por tecnologias que levem segurança para pacientes e equipes médicas., assegurando a rastreabilidade do processo e do dispositivo médico.

Neste sentido, é imprescindível a utilização de um ecossistema único no qual os equipamentos estejam conectados para que seja possível assegurar a rastreabilidade durante todo o ciclo a partir de uma tecnologia que permite a captura e transferência de informações para a nuvem, tornando-as seguras e acessíveis em toda a cadeia produtiva.

Desta forma, concluímos ser necessário cuidados minuciosos, tanto pessoais, como no uso de tecnologia para evitar a disseminação das infecções hospitalares nas redes unidades de saúde. Além de atrasar a recuperação do paciente, há um aumento no custo com as internações e até mesmo levar a complicações mais graves. Por isso, toda ação realizada para evitar as infecções hospitalares precisa ser considerada para preservar a saúde dos pacientes e, principalmente, dos profissionais que atuam nos hospitais.

Cibersegurança pode ser o game over das organizações 730

Cibersegurança pode ser o game over das organizações / Foto: Adi Goldstein / Unsplash Images

Confira artigo de Flávia Duarte, Lucimara Tejeda e Thiago Labliuk, executivos da Bravo GRC

É reconhecida a transformação pela qual o mundo vem passando, e muito enfatizada por conta dos efeitos que a pandemia da Covid-19 impôs nestes últimos dois anos. Hoje, a forma de consumir e ofertar serviços passa pelo celular ou qualquer outro dispositivo conectado à internet e seu processamento, ou parte dele, é realizado em alguma nuvem. A hiperdigitalização que todo negócio se viu obrigado a adotar contou com a democratização das opções de tecnologia e serviços, gerando um grande ecossistema de conexões e organizações que assumem, de forma terceirizada, partes sensíveis da cadeia de valor de diversas empresas.

A democratização da tecnologia normalizou a capacidade de as empresas entregarem uma experiência ao cliente mais aderente à expectativa de quem consome. São adaptações de um mundo massificado, veloz e de grandes riscos. Um contexto extremamente atraente para gerar valor, entretanto, a maturidade e forma de pensar de quem passou por essa transformação não acompanhou a mesma velocidade para entender que alguns riscos, antes periféricos ao negócio, passaram a fazer parte estrutural da proposta de valor. Estamos falando dos riscos de cibersegurança, que envolvem de forma geral a privacidade dos dados e, por consequência, a sua continuidade de negócios.

Entre 70% a 90% dos executivos reconhecem a importância em considerar aspectos de segurança de dados nas agendas internas da companhia. Por outro lado, de acordo com o estudo “How Covid-19 is impacting future investment in security and privacy”, elaborado pela EY, foi observado um aumento de mais de 300% dos casos de ataques em 2021, frente ao que tivemos em 2020, e a perspectiva é de crescimento constante. Na sua grande maioria, os alvos não são escolhidos a dedo, mas sim de forma massificada por robôs que operam a todo momento na internet, tentando encontrar os menos preparados.

Por mais que os discursos dos executivos sejam pragmáticos e apresentem até mesmo um tom padronizado sobre a importância da cibersegurança, ainda é evidente a falta de conhecimento sobre a real exposição aos riscos cibernéticos, principalmente quando os investimentos sobre a prevenção ainda são marginalizados frente a uma oferta de soluções que hoje estão em máxima, seja por necessidade ou valor.

A democratização da tecnologia traz consigo a vulnerabilidade que um olhar exclusivo para o business pode propiciar. O olhar apenas para o produto final e para a experiência do cliente, sem o planejamento em segurança adequado, seja por empresas tradicionais que nunca se preocuparam tanto com a vulnerabilidade que o digital traz, seja novas empresas que estão focadas em fornecer diferentes experiências, pode trazer consequências significativas para a reputação de organizações. Qualquer modelo de negócio e cadeia de valor que esteja caminhando para um mundo digital, tanto em organizações tradicionais ou startups, precisa entender que a segurança da informação e privacidade de dados fazem agora parte da cadeia. Os fornecedores de tecnologia, por sua vez, precisam demonstrar ao cliente final que a cibersegurança deve ser contemplada como o próprio business.

Toda semana temos exemplos de empresas que estão sofrendo com problemas cibernéticos, principalmente com a onda de Ransomware (Sequestro de Dados) que vem acontecendo com maior intensidade nos últimos dois anos. Fato interessante e preocupante é que os ataques não são exclusividade das empresas pequenas, mas também em empresas de grande tradição, ou até mesmo órgãos governamentais, o que demonstra o enorme gap entre quem ataca e quem defende.

Simulações de estresse, com uma adequada governança para apresentação de resultados, follow-up de ações e projeção de investimentos certamente podem evitar que o business sofra com as vulnerabilidades deste novo contexto digital, que não dorme. Podemos encontrar diversos indicadores, cases e análises de tendências sobre como o futuro está se desenhando para o mundo social e dos negócios, tudo misturado em ambientes de metaverso. Estar presente neste futuro consiste em ser seguro, caso contrário, será game over para o seu negócio.

De tradicional a inovador: as transformações no mercado de seguros 624

Christian Wellisch é sócio-fundador da Globus / Divulgação

Confira artigo de Christian Wellisch, sócio-fundador da corretora Globus Seguros

O setor de seguros é conhecido por ser muito previsível, mas ainda um pouco desconhecido do mercado como um todo. Atualmente, o produto de seguros ainda é “marginalizado”, e isso ocorre por diversos motivos: bancos vendendo produtos que não estão alinhados às necessidades dos clientes, falta de transparência por parte de alguns corretores, a percepção dos clientes de que os profissionais não são qualificados, experiências de compras ruins, problemas com indenização e a percepção (equivocada) do não pagamento de indenizações.

Outro ponto é que aqui no Brasil, especificamente, as pessoas têm a falsa impressão de que o mercado se restringe ao seguro de automóvel. Porém, não podemos nos esquecer da premissa básica da contratação de seguros, que é o equilíbrio econômico da sociedade. Em momentos de pandemia e crise financeira sua importância tem sido fundamental. Nota-se o aumento da sinistralidade em algumas linhas de negócios, como, por exemplo, nos seguros de saúde, que sofreram alguns impactos com o aumento exponencial do número de internação desde o início da pandemia.

Vemos também o aumento do interesse da sociedade em relação às apólices de seguros de vida, que vem sendo bastante comercializada ultimamente, até mesmo em função da covid-19 e a maior conscientização da necessidade de proteção por parte das pessoas. Existem ainda outros produtos que estão crescendo e mostram a força dessa indústria, que nos últimos anos vem crescendo acima dois dígitos, com exceção do ano de 2020, que foi atípico. Em 2021 o setor já apresenta uma retomada forte em relação ao ano passado e a expectativa é fechar o ano com um crescimento entre 15% e 18%.

Embora os números sejam bons, a penetração dos seguros no PIB nacional ainda é muito pequena – na casa de 3% –, o que significa que temos grandes oportunidades nesse setor nos próximos anos. Também existe muito espaço para evolução no que tange tecnologia, produto e distribuição. Além disso, os investimentos em infraestrutura devem impactar positivamente esse mercado.

Nos últimos meses, temos visto uma aceleração muito forte em relação a inovação no setor de seguros. Há muita coisa acontecendo hoje com a entrada de novos players (insurtechs) e seguradoras mais leves (sandbox). Com as novas regulamentações da Superintendência de Seguros Privados (Susep), principalmente o marco da questão do sandbox, que é uma regulamentação um pouco mais flexível, o mercado passa a ter acesso a novos produtos e também maior capacidade de inovação. Já temos mais de dez participantes desse modelo que estão trazendo novos produtos para o mercado, o que até pouco tempo atrás seria impossível. Evolução e mais transparência em relação ao modelo de distribuição e aumento do nível de qualificação dos profissionais são outras grandes tendências para o mercado segurador.

O seguro de automóvel “pay per use” é um exemplo de produto inovador, já que o cliente paga pelo seguro apenas quando utiliza o automóvel. A flexibilização aproxima as pessoas do mercado como um todo, proporciona uma experiência mais fluida para o cliente final, contribuindo para que conheçam e contratem outros produtos (além do seguro auto), como seguro de vida, acidentes pessoais, responsabilidade civil etc. Na esteira de produtos que vem se destacando desde o início da pandemia, estão o seguro de saúde PME – de 30 até 100 vidas – e o seguro garantia, que apresentam aumento significativo da procura e comercialização.

No longo prazo, a reboque dos R$ 700 bilhões de investimentos em saneamento, produtos como riscos de engenharia, riscos diversos, patrimoniais, transporte, saúde e vida devem se destacar, uma vez que irão oferecer cobertura para toda essa indústria que irá trabalhar nas obras. São os ramos de seguros que devem alavancar o setor nos próximos anos. Sob a perspectiva de produtos e proteção, a indústria de seguros está 100% preparada para lidar com momentos críticos/atípicos. Ela está muito amparada, de diversas formas, e qualificada para fazer as devidas indenizações. Vale destacar que as próprias seguradoras compram proteção através de resseguradores, diluindo assim o risco.

Por fim, há o desafio de fazer com que a sociedade tenha uma visão mais positiva do setor. Nesse sentido, a indústria tem pela frente a missão de disseminar e popularizar a cultura do seguro. Só assim poderá explorar novos nichos, continuar inovando e alcançar todo o seu potencial.

Sustentabilidade na Saúde Suplementar 477

Sustentabilidade na Saúde Suplementar / Foto: EVG Culture / Pexels

Confira artigo de José Luiz Toro da Silva, Advogado, Mestre e Doutor em Direito, além de Pós Doutorando na Universidade de Coimbra

Como tive a oportunidade de mencionar em recente seminário promovido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), que contou com as honrosas presenças do ex-Ministro José Cechin, do Ministro do STJ Ricardo Villas Bôas Cueva e da Diretora Médica Dra. Vanessa Assalim, existe uma má judicialização da saúde, que é aquela que obriga as operadoras de planos de saúde cobrir procedimentos e eventos que não têm fulcro na legislação vigente, especialmente no Rol de Procedimentos e Eventos da  Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que é editado com fundamento no parágrafo 4º. do artigo 10 da Lei n. 9.656, de 1998.

José Luiz Toro da Silva é Advogado, Mestre e Doutor em Direito, além de Pós Doutorando na Universidade de Coimbra / Divulgação
José Luiz Toro da Silva é Advogado, Mestre e Doutor em Direito, além de Pós Doutorando na Universidade de Coimbra / Divulgação

Muitas decisões judiciais se esquecem que os planos de saúde representam um verdadeiro fundo comum, pois se baseiam no mutualismo, que é a socialização dos riscos. Em termos práticos, não são as operadoras que pagam pelas citadas coberturas, mas os próprios consumidores ou beneficiários do plano de saúde, sendo que o preço é estabelecido com base em estudo técnico-atuarial, e eventuais coberturas não previstas na legislação acabam distorcendo a equação econômico-financeira que norteou a contratação, exigindo que seus beneficiários tenham que pagar contraprestações pecuniárias cada vez maiores. Ademais, estas decisões acabam privilegiando alguns, que receberão cobertura maior do que aquela contratada, em detrimento de toda a massa de beneficiários.

Em audiência pública realizada na Câmara dos Deputados, que discutia proposta de aumento de cobertura, mencionei que se faz mister verificar se os consumidores e os beneficiários têm condições de suportar tais ampliações de atendimento, pois serão eles, ao final, que irão pagar a conta, pois como dizem os americanos “Don’t have free lunch”. Alguém terá que pagar a conta, sendo que, muitas vezes, no afã de proteger, acabamos desprotegendo, pois muitas pessoas não terão condições de pagar seu plano de saúde, tendo que ser atendido pelo SUS, que realiza um extraordinário trabalho, mas que terá seus recursos diminuídos em face daqueles que não conseguiram pagar seus planos de saúde.

Ora, foi o próprio legislador quem definiu que o rol de coberturas seria estabelecido pela ANS, e, concomitantemente, também existem no parlamento inúmeros projetos de lei que objetivam o aumento de cobertura ofertada pelos planos privados de assistência à saúde aos seus consumidores e beneficiários, de modo que, é possível constatar a existência de sérios conflitos entre os próprios poderes constituídos com referência ao mencionado assunto.

Quando um juiz concede uma cobertura que não tem amparo na lei dos planos de saúde ele está criando uma “nova” obrigação para a operadora (e seus mutualistas), com efeito retroativo, invadindo a separação dos poderes e contrariando o princípio da legalidade, gerando, muitas vezes, externalidades positivas para os consumidores/beneficiários e negativas para as operadoras de planos privados de assistência à saúde, resultando em distorções nos custos dos planos e, principalmente, nos seus cálculos e estudos atuariais, impondo o oferecimento ao mercado de planos mais caros, que acabam restringindo o acesso de muitos consumidores a este mercado.

Por fim, trazemos à colação trecho de recente acórdão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) (Agint no Ag em RE n. 1.810.221-GO), relatado pelo Ministro Luís Felipe Salomão, que bem apreciou a questão da judicialização da saúde, tendo mencionado na ementa que:

“Conforme adverte a abalizada doutrina, o fenômeno denominado ‘judicialização da saúde’ exige redobrada cautela e autocontenção por parte de toda a magistratura, para não ser levada a proferir decisões Documento: 141717455 – Ementa, Relatório e Voto – Site certificado Página 4 de 30 Superior Tribunal de Justiça limitando-se ao temerário exame insulado dos casos concretos, que, somados, correspondem à definição de políticas públicas, feita sem qualquer planejamento (que o Judiciário, pela justiça do caso concreto, não tem condições de fazer) e sem atentar para as deficiências orçamentárias que somente se ampliam em decorrência de sua atuação, desprovida que é da visão de conjunto que seria necessária para a definição de qualquer política pública que se pretenda venha em benefício de todos e não de uma minoria’. Com efeito, o ‘grande risco da concessão judicial indiscriminada […] é que o summum jus (concessão de um direito individual mal investigado) se transforme em summa injuria (interesse coletivo desprotegido). Isto sem falar que o juiz se substitui ao Legislativo e ao Executivo na implementação de políticas públicas, concentrando em suas mãos uma parcela de cada um dos três Poderes do Estado, com sérios riscos para o Estado de Direito e para a segurança jurídica’ (DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Judicialização de políticas públicas pode opor interesses individuais e coletivos)” (AgInt no AREsp 1619479/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 29 de março de 2021, DJe 05 de abril de 2021)

Evidencia-se, portanto, que a sustentabilidade dos planos de saúde, inclusive daqueles administrados pelas entidades de autogestão, que não possuem finalidade lucrativa e que são geridos pelos próprios trabalhadores e servidores públicos, depende da forma como o judiciário aprecia as demandas dos consumidores e beneficiários que exigem coberturas que não possuem amparo na legislação vigente, o que gera grave instabilidade jurídica aos agentes envolvidos na atividade de saúde suplementar. Ademais, a última ratio do direito é, justamente, trazer previsibilidade e segurança jurídica.