Como a Inteligência Artificial tem sido usada na triagem hospitalar 560

Diandro Mota é Diretor Médico da Neomed / Divulgação

Confira artigo de Diandro Mota, Diretor Médico da healthtech Neomed

Para que a triagem hospitalar seja eficaz e assertiva na operação clínica, é preciso otimizar o cotidiano dos profissionais da equipe e colocar o paciente no centro do cuidado. Por essa razão, os primeiros instantes dentro do hospital são cruciais, visto que a admissão é o momento ideal não só para determinar o estado de saúde do paciente, como pode pautar a vida da pessoa dali para frente.

Uma triagem hospitalar bem-sucedida é executada de forma assertiva, precisa e ágil. Dessa forma, é opcional colocar em prática o Protocolo de Manchester, que consiste em priorizar o atendimento de casos urgentes, classificados de acordo com os sintomas e sinais que estão sendo apresentados pelos pacientes.

Quando feito corretamente, o sistema consegue auxiliar toda a equipe a identificar e responder rapidamente riscos reais ou potenciais ao paciente, visando sua segurança e bem-estar. Em casos de doenças cardiovasculares – como infarto do miocárdio, ou cerebrais, como o AVC -, a corrida contra o tempo é o fator determinante para que a equipe médica consiga evitar mortes e sequelas.

Durante a triagem hospitalar, as queixas e as reclamações de dor devem ser valorizadas por parte dos profissionais, como a dor torácica, na suspeita de infarto. Por exemplo, a dor no peito está incluída na Classificação de Risco e, por isso, é uma das prioridades de atendimento no Protocolo de Manchester. Afinal, trata-se de um sintoma característico de Infarto Agudo do Miocárdio. Sendo assim, a queixa de dor torácica deve ser motivo de toda atenção dos profissionais do hospital.

No entanto, nem sempre essas questões recebem a devida atenção. Segundo análises de Nonnemacher (2018), sobre os fatores cruciais na priorização no atendimento de pacientes com este quadro, muitos apresentavam complicações cardiológicas, mas mesmo assim foram classificados como baixa prioridade. Essa abordagem inadequada impacta negativamente o tratamento e o prognóstico, trazendo à tona as falhas no processo da triagem hospitalar.

A urgência desses quadros clínicos silenciosos pede mais apoio no primeiro momento. A agilidade passa a ser o principal equipamento para oferecer um cuidado que visa o desfecho positivo, deixando evidente que, nesses casos, a tecnologia é uma grande aliada.

A Inteligência Artificial (IA) é uma poderosa ferramenta no apoio à gestão das organizações de saúde, além de ser um importante meio de comunicação, dada a integração entre processos, pessoas e setores da organização. A IA tem grande capacidade para ajudar a impulsionar a operação clínica, tornando a decisão na triagem ágil e assertiva.

O primeiro passo para desenvolver esse tipo de inteligência é relacionar os problemas que são enfrentados pelas pessoas no processo da triagem, estabelecer a classificação de risco, determinar prioridade de atendimento em serviço de emergência hospitalar e identificar de qual maneira a tecnologia pode auxiliar nesse contexto.

A IA já é uma realidade possível para empresas de saúde, tornando o processo rápido e assertivo. O uso da IA evita uma abordagem lenta e inadequada, tornando menor o risco de um prognóstico equivocado para o paciente e, consequentemente, diminuindo falhas no processo da triagem hospitalar.

Exemplos de soluções bem-sucedidas no cenário de Inteligência Artificial são os robôs. Por meio de conversa em chatbot, o robô consegue analisar as respostas do usuário, identificando sintomas, alertando casos suspeitos e orientando casos graves sem a necessidade de sair de casa. Após a triagem, a IA segue acompanhando à distância o paciente por 14 dias via WhatsApp, garantindo o monitoramento do quadro clínico e, caso haja uma piora no quadro, alerta para que a pessoa procure atendimento médico. Na prática, tem a capacidade de identificar, em tempo real, um volume de dados que o ser humano levaria horas ou dias para identificar – como quadros clínicos de sintomas silenciosos.

Outra solução de IA bem sucedida são softwares que realizam a triagem rigorosa de eletrocardiogramas (ECG) e analisam a urgência dos laudos, antes mesmo da sua emissão, classificando-os como normais ou anormais em até 60 segundos. No caso de um ECG que apresente sinais de Infarto Agudo do Miocárdio, a Inteligência Artificial classifica esse exame como anormal e envia com caráter de urgência para a equipe médica, que tem o prazo de 5 minutos para liberar o laudo final para que o paciente seja tratado da maneira adequada, respeitando o tempo de intervenção previsto pela Diretriz Brasileira de Cardiologia.

Contudo, se o exame em questão não for um infarto, a IA fará a triagem classificando-o como anormal não-urgente, ou normal, e enviará para a equipe médica, que emitirá o laudo final em até 10 minutos. Trata-se de uma forma de revolucionar o diagnóstico das doenças cardiovasculares, pois o diagnóstico rápido aumenta as chances de um desfecho positivo, que resultará na qualidade de vida.

Não é uma realidade na maioria dos hospitais brasileiros obter um diagnóstico em até 10 minutos após realizar um eletrocardiograma. Por conta disso, quando a intervenção para infarto não ocorre no momento adequado, o paciente deixa de ter o benefício de receber o trombolítico nas situações em que existe indicação, o que aumenta as chances de morte ou de sequelas graves cardíacas. A IA garante à operação segurança médica, diagnóstico rápido, acesso fácil aos eletrocardiogramas realizados e com segura armazenagem de dados. No contexto das organizações hospitalares, que aumentam suas chances de salvar mais vidas, desenvolver e implementar um sistema de IA é considerado, também, um diferencial competitivo.

Regina Lacerda: O mercado abre as portas para a feminilidade 676

As coautoras do livro Mulheres no Seguro / Divulgação / Arquivo Pessoal

Confira integra do discurso da Coordenadora e Coautora do Livro Mulheres no Seguro e Presidente do Clube das Executivas em Seguros de Brasília (CESB) durante encontro da AIDA Brasil

A CEO da Rainha Seguros, Regina Lacerda, participou do XIV Congresso da Associação Internacional de Direito de Seguro (AIDA Brasil), realizado na cidade de Gramado (RS). Durante o encontro, as autoras do livro ‘Mulheres no Seguro’ reuniram-se para um momento especial de integração e prestígio à obra – que teve sua publicação coordenada por Regina. A executiva também é presidente do Clube das Executivas em Seguros de Brasília (CESB).

O lançamento do livro aconteceu no último dia 28 de abril. ‘Mulheres no Seguro’ tem a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Escola de Negócios e Seguros (ENS), Porto, ExpreMed, Iilex, MAPFRE e Rio Grande Seguros e Previdência entre seus patrocinadores e apoio institucional da Sou Segura.

Confira a integra do discurso de Regina Lacerda

Em 1991, a princesa Lady Di veio ao Brasil.

A princesa do povo e seu esposo, o príncipe Charles da Inglaterra, teve passagens por Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.

E entre vários lugares em que ela esteve, um me chamou muito a atenção. A princesa visitou a Fundação São Marinho, no centro do Rio de Janeiro, que cuida de crianças e adolescentes em situação de risco, na realidade soropositivos.

Eu, muito jovem naquela época, me encantei com essa postura da princesa. Ela não somente teve um casamento de conto de fadas. Ela parecia uma princesa saída de um livro: linda, doce e com o coração cheio de bondade, disposta a fazer diferença no mundo. Como uma princesa se dispõe a visitar um local como aquele? Ela tinha mesmo um coração de ouro. Virei fã dela, como milhões de outras pessoas.

Falando em mudar o mundo, em 1993, a então Funenseg, hoje Escola de Negócios e Seguros (ENS), cravou um marco no Brasil ao criar a campanha Seguro, uma vocação da mulher. Buscando mulheres para ingressar na profissão de corretora de seguros para aumentar a representatividade, a equidade de gênero no setor, eles contrataram a agência de publicidade Salles para selecionar no território nacional 4 mulheres corretoras de seguros para estrelar a campanha.

Nós fomos as garotas propaganda da agência, Christina, Silvia, Célia e eu, representantes de uma iniciativa pioneira da Funenseg. E quando recebemos nossos cachês, a primeira coisa que fizemos foi doar o valor para a mesma instituição visitada pela Lady Di. Eu também queria mudar o mundo, queria fazer diferença, e parecia que as coisas caminhavam para isso, uma vez que o mercado de seguros oferecia oportunidade de ascensão para as mulheres.

Entretanto, esse futuro parece que ainda não chegou.

 

Ao longo de décadas temos visto grandes homens trabalharem com afinco e muita determinação. Eles criaram um setor tão forte, e tão robusto que representa atualmente 6,7% do PIB, gera mais de 175 mil empregos diretos e faz a gestão de investimentos equivalentes a cerca de R$ 1,3 trilhão, quase um quarto da dívida pública brasileira, que o coloca entre os maiores investidores institucionais do país. Podemos nos orgulhar.

Hoje o setor tem 55% de mulheres no quadro. Elas representam uma poderosa força de trabalho.

Por que digo que ainda não chegamos lá? Quantas desse 55% do mercado de seguros está na liderança?

O mundo dos negócios foi criado pelos homens, e continua, na sua maior parte, operando de uma forma masculina, que exclui as mulheres, que não leva em consideração que as desigualdades históricas resultaram em profundas diferenças de comportamento de consumo.

Por exemplo: lido com centenas de condomínios no Distrito Federal e muitas mulheres são sindicas. Por que não temos mais produtos desenvolvidos e pensados para as mulheres?

A mulher, em todos os setores da seguridade, precisa ser compreendida dentro do contexto histórico de desigualdade pelo qual passou, para comprar mais.

Cito mais um exemplo: o setor automobilístico. Ele está na nossa frente nesse sentido, certamente com bons resultados. Antes, a mulher levava um homem na hora de comprar o carro. Hoje ela tem o prazer de ir sozinha, sabendo que pertence aquele lugar. A mulher pode chegar numa concessionária dizendo que não entende nada de carro … e não será chamada pejorativamente de loura burra. Está no seu direito.

Precisamos ampliar negócios e nós, mulheres, podemos ajudar. Se a população mundial é composta por homens e mulheres em percentual quase igual, por que haveríamos de considerar somente a metade como capaz de construir nosso futuro?

As mulheres representam capital humano e mercado imensos, crescentes, com demandas de consumos e produtos reprimidos, com potencial para gerar riqueza e desenvolvimento.

A desigualdade entre os sexos impacta de forma negativa no crescimento do setor de seguros. É o que mostram os relatos do livro Mulheres no Seguro, escritos com emoção por mulheres poderosas, que todo dia rompem mais uma barreira. Muitas vezes é como jogar um jogo cujas regras são diferentes para os jogadores.

Homens e mulheres, como seres humanos compartilhando um mundo podem utilizar as vivências para mudar a realidade, em benefício da sociedade.

Este livro inédito, Mulheres no Seguro, surge como interessante experiência para pessoas que lidam com números e resultados. As 30 coautoras, revelam-se personagens repletas de idealismo e garra, que souberam expor suas ideias com grande padrão literário. Demonstram liderança e visão de futuro, mas não escondem o sacrifício sofrido nas trajetórias cheias de obstáculos.

Mulheres no Seguro entra na história porque chama a atenção de gestores e influenciadores para que diminuam, na seguridade, os limites de crescimento ainda impostos às mulheres do setor.

Peço que nos ouçam porque estou falando de bilhões de oportunidades. Por muito tempo, as mulheres foram exploradas, passadas para trás. São milênios de história de exclusão das mulheres de espaços de tomada de decisão e de autonomia.

A jovem sonhadora de 20 anos, que achava que podia mudar o mundo, que desejava que as mulheres fossem mais do que princesas, ainda vive aqui, dentro do meu peito. Mas sei que para fazer diferença preciso de todos vocês, precisamos de todos nós.

Agradeço a generosidade do presidente Dr. Juliano Ferrer e de toda organização do relevante congresso da Associação Internacional de Direito de Seguro (AIDA) por abrir espaço para o lançamento do Livro Mulheres no Seguro.

Presentes no congresso, quinze das 30 coautoras do livro, idealizado por Andreia Roma e publicado pela Editora Leader, de São Paulo, cuja coordenação, tive a honra de fazer.

Termino com o texto escrito pela grande escritora gaúcha Lya Luft, que nos deu a honra extrema de prefacia-lo.

“Não posso dizer quanto e quantas vez escrevi e falei sobre a questão da mulher e seu valor, sua capacidade, sua importância também fora da casa e da família.

Mas cada vez me anima comentar o assunto, que já devia ter sido resolvido e assimilado pela humanidade em toda parte. Vai demorar, eu sei, pois há lugares recônditos, em que questões de informação ou crença nos limitam. Mas o dia vai chegar, em que não se precisará discutir o tema das minorias: crianças, negros, índios e … mulheres. Pois todos esses preconceitos, que revelam ignorância mental, desinformação e insegurança, terão sido, se não resolvidos, ao menos abrandados”.

Regina Lacerda

Coordenadora e Coautora do Livro Mulheres no Seguro
CEO da Rainha Seguros
Presidente do CESB

Setor segurador cresce no início de 2022 com destaque para regiões Norte e Nordeste 411

Ronaldo Dalcin é presidente do Sindicato das Seguradoras Norte e Nordeste (Sindsegnne) / Divulgação

Confira análise de Ronaldo Dalcin, presidente do Sindicato das Seguradoras Norte e Nordeste (Sindsegnne)

O início de 2022 foi muito positivo para o setor segurador, especialmente na região sob a administração do Sindicato das Seguradoras dos Estados do Norte e Nordeste (Sindsegnne), que abrange 13 estados brasileiros. Em fevereiro, conseguimos auferir um crescimento de 25,7%, superior à performance que obtivemos em janeiro (1,4%) e maior que o próprio comportamento nacional que teve uma evolução de 21,3%.

Observando o bimestre acumulado, comparativamente ao mesmo período de 2021, crescemos na ordem de dois dígitos, ou seja, 12,6%, com arrecadação de R$ 4,9 bilhões, atingindo a marca de 9,3% de market share. A liderança vai para o segmento de Danos e Responsabilidades, com 24% do total arrecadado, o que representa R$ 1,2 bilhões. Nesse segmento, mais uma vez, o protagonista é o Seguro de Automóvel que detém quase 54% da linha de Danos e Responsabilidade, com um volume arrecadatório de R$ 634 milhões.

Pontos importantes a serem ressaltados: a carteira de Seguro de Automóvel cresce mais do que o segmento de Danos e Responsabilidades, linha da qual ele faz parte. Danos e Responsabilidades detêm, no bimestre, crescimento de 21,5% e o auto está com 24,6%. Esse comportamento não segue a mesma lógica nacional, onde Danos e Responsabilidades está com 24,2% e auto 21,3%.

Podemos afirmar que grande parte disso tenha motivação no fato de que essas regiões têm grande volume concentrado na carteira de seguros veiculares (um fator importante, também, é o aumento do prêmio médio nesse segmento). O número citado anteriormente – 54% do total do segmento de Danos e Responsabilidades na nossa região sindical – é composto da carteira de auto e nacionalmente esse número é bem menor: 41%.

Temos também alguns destaques extremamente positivos dentro da seção de Danos e Responsabilidades observando os resultados do Norte e Nordeste: Transportes, com crescimento de 25,7; Crédito e Garantia, com elevação de 116,8%; Responsabilidade Civil, com alta de 73,8%; e Risco de Engenharia com robustos 209%, referendando que a demanda outrora represada por conta das restrições da pandemia está retomando o ritmo normal.

Traduzindo a análise para um olhar mais amplo e de perspectiva, na visão dos últimos 12 meses móveis, reeditamos o ciclo virtuoso de crescimento de dois dígitos (15,6%). Por mais que saibamos que o conflito entre Rússia e Ucrânia continuará afetando as cadeias produtivas mundiais e trará impactos para a nossa indústria, continuo afirmando com muita convicção que nosso setor seguirá essa jornada de números ascendentes, contribuindo com louvor para o crescimento da economia nacional.

Profundas transformações no Seguro Garantia nas duas últimas décadas 437

Stephanie Zalcman é embaixadora da Sou Segura (Associação das Mulheres no Mercado de Seguros) / Divulgação

Confira artigo de Stephanie Zalcman, embaixadora da Sou Segura (Associação das Mulheres no Mercado de Seguros)

O seguro Garantia foi transformado nas últimas duas décadas. Em junho de 2003, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) publicou a Circular 232 com o objetivo de divulgar as informações mínimas que deveriam estar contidas nas apólices, condições gerais, condições especiais e outras disposições, um avanço para a época no que se referia ao Seguro Garantia em geral, uma redação bem-intencionada e que pela primeira vez registrou a nova modalidade Judicial. Naquela época o setor tinha um cenário bem diferente, o mercado de resseguros no Brasil era fechado, com o monopólio do IRB, e o volume de prêmios dessa modalidade era relativamente baixo para o potencial. No início houve resistência e a maioria das seguradoras abriram as carteiras por volta de 2010, a partir de quando o seguro garantia de forma geral foi se desenvolvendo, com uma importante contribuição do segmento judicial.

Os anos seguintes tiveram resultados expressivos – crescimento do volume de prêmio entre 2005 e 2013 na ordem de quase 1.000% – o mercado ganhou força e foram necessários ajustes. Por isso, em novembro de 2013, a Susep publicou a Circular 477/2013, mas que era um tanto confusa. Extensa, com diversas regras para as seguradoras registrarem suas notas técnicas, distinções foram feitas entre os produtos para o setor público e privado, a Susep deixou de contabilizar de forma separada cada modalidade, mas não se preocupava em simplificar e apresentar de forma claro o produto aos segurados.

Em seguida vivemos anos de incrível desenvolvimento deste setor, seja no Seguro Garantia Judicial ou em todas as outras modalidades – entre 2003 e 2021 houve crescimento de 308%, passando de R$ 1 bilhão para R$ 3 bilhões o volume de prêmio emitido, mantendo evolução estável mesmo em um período de desafios da pandemia.

Em meio a esse franco crescimento, finalmente a Susep acertou a mão com a nova Circular 662/2022, publicada em 12 de abril, alcançando a simplicidade, objetividade e liberdade para atuação do mercado. Em 37 artigos, a autarquia demonstra foco em dar autonomia e liberdade às seguradoras, em vez de um engessamento regulatório.

A circular Susep 662/2022 entrou em vigor no dia 2 de maio estabelecendo as novas regras e critérios para a elaboração e a comercialização do Seguro Garantia. A partir de 1º de janeiro de 2023 as seguradoras não poderão mais comercializar novos contratos em desacordo com as disposições da Circular.

O texto, que passou por duas consultas públicas no ano passado, com a última rodada realizada em novembro de 2021, refina as regras e diretrizes do segmento, aumenta a precisão técnica, reforça os mecanismos de transparência, adota redações mais adaptadas à realidade do mercado e reduz significativamente a assimetria de informações entre as partes interessadas no seguro.

Seguindo a linha da Susep de simplificação do mercado, a nova norma visa facilitar a regulação, aumentar a liberdade contratual e fomentar novos clausulados. Além disso, a Circular ajusta dispositivos para atender melhor a demanda dos clientes e para assegurar e proteger os seus direitos. Dentre as principais mudanças, podemos destacar a flexibilidade e a liberalidade negocial entre seguradora, tomador e segurado, para cobertura de seus riscos.

Temos, agora, regulamentação condizente com um mercado maduro, com liberdade de atuação, pronto para o potencial brasileiro de desenvolvimento do Seguro Garantia.

Carlos Josias: Sinistralidade, a queixa 475

Carlos Josias Menna de Oliveira é Sócio do CJosias&Ferrer Advogados Associados / Divulgação

Confira artigo do Dr. Carlos Josias Menna de Oliveira, sócio-fundador da C.Josias & Ferrer – Advogados Associados

Ao longo dos anos tenho me deparado com uma queixa recorrente sempre na mira do tema como um desafio ao setor de seguros, mais precisamente ao segurador, uma espécie de chefe da cadeia – na medida em que é ele quem suporta o risco – qual seja a alta sinistralidade nos mais diversos ramos.

A todo nascer de ano este tema se levanta quase como uma bandeira a ser empunhada para ser vencida esta guerra que se estabeleceu travar.

Não que o tópico não seja relevante, claro que é, mas às vezes me deparo com um dilema que, este sim, me parece mais significativo. Não foram poucas as ocasiões em que sustentei, e convicto estou que corretamente, ser o nosso mercado dotado de extraordinária capacidade de se reinventar, vide a pandemia – entre tantos outros exemplos.

Não houve dificuldade, por mais cruel que tenha sido sua origem, que não acabasse ultrapassada. De sorte que, rotineiramente, os desafios são vencidos, com maiores ou menores esforços, com mais ou menos talento, com ampla ou restrita divulgação.

Com tal habilidade, histórica, do sistema, a queixa sobre a alta sinistralidade, e os desafios que ela possa provocar – e duelos a vencer, sabemos, representam custos, e este é o problema maior do lamento – não deveriam ter a imensa preocupação que parece causar.

Propagar proezas justas tem mais alcance do que se deixar abater pelas perdas – e é uma maneira inteligente, penso, de minimizar estas. Sempre se teve – lema que parece meio esquecido – que o pagamento do sinistro era o “cartão postal” do segurador – o que houve com ele? Tenho, faz tempo, que é necessário divulgar mais o bem que esta alta sinistralidade representa quando é entregue a indenização aos beneficiários. Neste momento, se salvam vidas e patrimônios. E não creio haver, de fato, maior publicidade do que esta.

Quando se pensa na alta sinistralidade deveria se refletir diretamente que sem ela o produto deixaria de existir!

Bendita alta sinistralidade;

Saudações.

Dyogo Oliveira: Seguros, mobilidade urbana e infraestrutura de transportes 344

Dyogo Oliveira é presidente da CNseg / Foto: Luciana Whitaker / Divulgação

Confira artigo do diretor-presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg)

Mobilidade urbana e infraestrutura de transportes dependem cada vez mais da boa interação entre o setor público e o setor privado. No caso de projetos de infraestrutura, o segurador tem a função de garantir os riscos envolvidos na elaboração dos projetos e na sua execução. Isso reduz o custo de capital do projeto com maior oferta de financiamento e aumenta o interesse de investidores do exterior, que veem com bons olhos a ação dos atores locais de peso. Ainda mais quando sabemos das restrições orçamentárias do setor público e da necessidade cada vez maior de se atrair investimentos privados para o setor.

Apostar em obras de longo prazo, aumentar a segurança viária, melhorar a fluidez do tráfego e incorporar tecnologias que beneficiem os motoristas são ações que podem contar com os seguros para torná-las mais viáveis e eficientes do ponto de vista financeiro e social.

Um transporte público eficiente aproxima as pessoas, mas estamos longe do modelo que está sendo aplicado em outras metrópoles do mundo, onde as pessoas podem acessar tudo que precisam em 15 minutos de onde moram.

Pensar em mobilidade urbana é pensar nas desigualdades sociais. Historicamente, o padrão de ocupação do território nas metrópoles afastou a moradia dos brasileiros para a periferia, deixando seus postos de trabalho e as oportunidades urbanas na educação, saúde e lazer mais distantes.

Sustentabilidade se aplica também ao deslocamento, resultando na redução de emissões de CO2 no meio ambiente. O que nos leva a outro tópico: o uso de energia mais limpa nos transportes, como carros elétricos no lugar dos de combustível fóssil, que poderia diminuir em muito o número dos acidentes. Ainda há poucos benefícios para veículos desse tipo.

A pandemia exigiu evitar aglomerações, gerando novos hábitos. Quase 50% dos brasileiros alteraram sua forma de se deslocar. Cerca de 10% adotaram o uso da bicicleta, mas 40% passaram a usar mais o carro particular.

Neste novo normal podemos incluir o maior uso de aplicativos de entregas e de carona. Diversas startups de compartilhamento de carros também se desenvolveram. O mundo quer mais acesso e menos posse.

Os seguros podem dinamizar esse movimento. Há uma demanda crescente de oportunidades com as inovações. Só como exemplo, as empresas digitais que prestam serviços de entrega vêm solicitando uma rede de seguro social para apoiá-las em caso de lesões no trabalho e perda de receita. Já para os carros com sensores, pode-se oferecer seguro de responsabilidade civil que recompense os segurados com base nos dados que coletam.

Há uma estimativa de que 40% da população brasileira ainda se movimenta exclusivamente a pé. Quais as condições que oferecemos ao pedestre, em termos de praticidade e acessibilidade? Legislações como o Código Brasileiro de Trânsito (CTB), revisado em 1998, a Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), de 2012, e a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), de 2015, são iniciativas que visam priorizar os pedestres. Mas em São Paulo, por exemplo, quase metade das calçadas não têm a largura mínima prevista em lei.

É urgente fortalecer uma agenda de investimento público e privado na pauta da mobilidade e dissolver as fronteiras que separam e segregam as cidades e as pessoas. Compartilhamos a mesma rota na direção de um país mais seguro. Podemos e devemos contribuir com um justo e inclusivo acesso à cidade, o que impacta na qualidade de vida do cidadão, garantindo que ele possa ter melhor moradia, mais saúde, educação, e que trabalhe mais descansado, produtivo, e tenha tempo para lazer.