Banco Original destaca diário econômico para a quinta-feira (10)

Confira o Comentário Original, elaborado por Marco A. Caruso, Lisandra Barbero e Eduardo Vilarim

O Diário de hoje comenta a forte recuperação dos ativos ontem, seguida por uma nova rodada de piora hoje. No Brasil, destaque para a divulgação dos dados do varejo (0,8 m/m) e alterações no projeto de combustíveis.

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Comentário Original

Mercados

A forte recuperação dos ativos ontem é seguida, hoje, de uma nova rodada de piora. Há sinais iniciais de reaproximação entre Rússia e Ucrânia, mas com avanços efetivos bastante modestos. Parte da melhora de ontem também pode ser creditada à possibilidade de o Irã ampliar a oferta de petróleo de a OPEP requerer. Irã, Iraque e Emirados Árabes são os países com maior capacidade ociosa, de fato.

Os analistas têm 2 eventos econômicos importantes hoje para analisar. Primeiro, o banco central europeu acaba de manter a sua taxa inalterada, como amplamente esperado, mas anunciou uma redução mais rápida nas compras de ativos. Havia uma dúvida entre os analistas sobre a resposta do BCE pós-conflito; esse era um dos poucos BCs com algum espaço para mudar o plano de vôo de aperto das condições financeiras, mas a preocupação com a inflação continua ganhando peso nas suas decisões.

Daqui a pouco, as atenções se voltam à inflação nos EUA. Em meio a tanta volatilidade, salta aos olhos o comportamento da curva de juros dos EUA, com alguns vértices já próximos dos níveis pré-invasão da Ucrânia. Como vemos, o caminho dos juros pelo mundo segue como a grande história (econômica dado o embate no leste europeu) de 2022.

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Combustíveis

O relator do projeto que altera a cobrança do ICMS sobre os combustíveis, Jean Paul Prates, adicionou à proposta a isenção de PIS e Cofins sobre o diesel e o gás de cozinha até o fim do ano, o equivalente a custo estimado de R$ 18 bilhões. A proposta dispensa a necessidade de compensar a perda de arrecadação, conforme exige a LRF.

Estradas

As rodovias federais públicas terão menos da metade dos investimentos necessários manutenção este ano. Para que a estrutura dos 50 mil quilômetros de estradas pudesse manter o nível de qualidade, seria necessário injetar R$ 12,3 bilhões. O que se prevê até o fim deste ano eleitoral, porém, é que esse montante chegue a R$ 6 bilhões, incluindo incrementos pelo Congresso, já que o Orçamento Federal prevê oficialmente pouco mais de R$ 4,2 bilhões. É o pior cenário dos últimos 17 anos, aponta o Estadão.

Dívida pública

Com o aumento da Selic (considerando Selic a 12,25%), projeções da gestora de investimentos Armor Capital indicam que o custo da dívida pública deve atingir R$ 760 bilhões em 2022, uma alta de 70% na comparação com 2021, quando o gasto somou R$ 448,4 bilhões.

Fertilizantes

Segundo a consultoria Stonex, os fertilizantes respondem por cerca de 30% do custo dos produtores de grãos e com as altas do ano passado, esse resultado passou a ser de 35% a 40%. Este ano, devido a guerra entre Rússia e Ucrânia, o preço da tonelada de potássio passou de US$ 788 para US$ 803, enquanto a ureia passou de US$ 585 para US$ 875 e devem pesar mais ainda no bolso dos produtores.

Varejo

Em linha com nossas expectativas (0,6%), o varejo brasileiro avançou 0,8% em janeiro, na série já dessazonalizada, o equivalente a uma queda de 1,9% na comparação interanual do mesmo período. O resultado foi influenciado pelo desempenho positivo dos artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria (3,8% m/m) – o que era sugerido pelo aumento expressivo no volume de vendas de medicamentos divulgado pela Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêutico (Sindusfarma) – e artigos de uso pessoal e doméstico (9,4% m/m). Já o varejo ampliado, que inclui também os segmentos de veículos e materiais de construção, recuou 0,3% ante dezembro do ano passado, em linha com a queda no volume de licenciamento de automóveis e comerciais leves da Fenabrave.

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