Capital Economics espera retração de 1,5% no PIB em 2020

Instituição também destaca lentidão do governo em conter coronavírus

O Brasil tem sido mais lento do que a maioria dos países da América Latina a tomar medidas para conter a propagação do novo coronavírus e a resposta falha do governo federal poderia aprofundar e prolongar os danos econômicos, avalia o economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, William Jackson.

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A consultoria britânica revisou suas projeções e, agora, espera uma retração de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2020 e ao menos uma redução adicional de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros, para 3,25%.

“Independentemente de o Brasil introduzir ou não medidas amplas para reforçar o distanciamento social, a economia ainda sofrerá. Os temores relacionados ao vírus podem fazer as pessoas evitarem espaço públicos e alguns números já indicam isso”, afirma Jackson. Para ele, embora o BC tenha emitido sinalizações mais cautelosas, o dano econômico exigirá uma resposta maior. Assim, “esperamos pelo menos mais um corte de 0,50 ponto na taxa Selic”.

Quanto aos desdobramentos políticos, Jackson nota que a resistência do presidente Jair Bolsonaro em adotar medidas de contenção gerou um distanciamento entre ele e governadores e o Congresso. “É impossível saber o que vai acontecer a seguir, mas parece provável que os pacotes fiscais levem algum tempo para serem aprovados, atrasando o apoio a famílias e empresas. Isso, por sua vez, poderia piorar o aumento do desemprego. Em suma, a política brasileira pode (mais uma vez) piorar muito a situação”, diz.

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