Diário Econômico: Mercados otimistas neste começo de semana

Confira análise de Marco A. Caruso, Lisandra Barbero e Eduardo Vilarim, especialistas do Banco Original

No Diário Econômico de hoje, os especialistas do Banco Original comentam sobre o otimismo dos mercados sobre as bolsas internacionais, que avançaram para níveis acima do pré-invasão da Ucrânia. No Brasil, destaque para o reajuste de servidores e impactos nos fretes rodoviários.

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Mercados

Depois de uma semana em que as bolsas avançaram para níveis acima do pré-invasão da Ucrânia, a segunda-feira começa sem grandes novidades. A valorização veio tanto dos sinais de progresso nas negociações de paz, quanto das indicações do alto escalão chinês de que novas medidas serão tomadas para sustentar os mercados locais.

O otimismo não deixa de ser surpreendente. Não há amostras concretas de que o conflito está recuando; o porta-voz do Kremlin faz questão, dia após dia, de minimizar os progressos (como o fez Dmitry Peslov em conference call esta manhã). Enquanto isso, os impactos econômicos da guerra vêm aumentando, especialmente no front inflacionário e com reflexos nos juros pelo mundo. O rendimento do Bund de 10 anos da Alemanha, por exemplo, atingiu seu maior patamar desde 2018. A últimas falas do Fed são todas na direção de mais aperto, mais rápido que o sinalizado anteriormente.

Por aqui, depois que o Copom deixou na mão do petróleo a possibilidade de ter que elevar a Selic para além dos 12,75% já sinalizados, a curva de juros sobe junto com a valorização de 4,5% do Brent esta manhã. Nesse mundo de commodities para cima puxando os juros, o real surfa melhor que a bolsa. Juros e commodities são ventos favoráveis para o primeiro, mas conflitantes para o segundo.

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Servidores

Em ano eleitoral, 26 dos 27 chefes de Executivos estaduais já concederam ou apresentaram propostas que elevam os rendimentos dos funcionários, com reajustes em torno de 10% (indo de 3% no Paraná até 36,5% aos servidores do Detran, que estão a quase 10 anos sem reajuste). Somadas, as medidas vão custar ao menos R$ 28 bilhões aos cofres públicos.

Renúncia fiscal. As medidas adotadas pelo governo e Congresso com o objetivo de reduzir impostos em diferentes frentes vão custar ao menos R$ 54,2 bilhões para União, estados e municípios em 2022. O cenário inclui o corte de 25% do IPI (R$ 20 bi por ano), mudanças no ICMS e PIS/Cofins (R$ 28,2 bi), eliminação do IOF (R$ 7,7 bi até 2029), corte do frete marítimo (R$ 4 bi) e eventuais cortes de impostos.

IPI

Durante Seminário Economia Brasil, em Fortaleza (CE), Paulo Guedes afirmou na sexta-feira que o governo estuda reduzir as alíquotas de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em 35%. Mencionando a alta dos preços dos insumos básicos, o ministro mencionou que em conversa com Bolsonaro, na pior das hipóteses haveria um corte de 30%.

ANTT

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reajustou os valores dos pisos mínimos de frete após o aumento do diesel. A variação foi de 11% a 14% do referencial mínimo de frete, dependendo do tipo de carga e número de eixos.

TEC. Um novo corte de 10% na Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul neste ano depende principalmente de duas medidas em elaboração pelo governo federal e ligadas ao transporte marítimo. Após a redução do IPI no fim de fevereiro, o governo anunciará o corte da alíquota de Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), uma taxa sobre os fretes marítimos (25% em longas distâncias). Além disso, o Ministério da Economia quer excluir a incidência de impostos sobre a taxa de capatazia (cobrada pelos portos para movimentar as cargas), o que pode gerar uma economia anual de R$ 600 milhões a R$ 1 bilhão às empresas importadoras.

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