Faturamento das PMEs fecha 1º trimestre com avanço de 9,3% e previsão para o ano é de 2,8%

Desempenho no primeiro trimestre surpreendeu positivamente e motivou revisão da projeção para o ano, que antes era de 1,2%

Mesmo com o conturbado ambiente econômico, o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs) indica que a média da movimentação financeira real das pequenas e médias empresas no País avançou 9,3% no primeiro trimestre de 2022, na comparação com o mesmo período de 2021. Setorialmente, o crescimento do varejo, da construção civil e de alguns segmentos de serviços tem se destacado no período recente.

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Figura 1: IODE-PMEs (Número índice – base: média 2019=100)

Fonte: IODE-PMEs (Omie) / Divulgação
Fonte: IODE-PMEs (Omie) / Divulgação

Já em março, o avanço foi de 11,2%, quando comparado ao mesmo período do ano anterior, puxado pelas atividades de Infraestrutura e Comércio. Na comparação com fevereiro de 2022, o índice mostra expressivo aumento de 15,2%, atestando a recuperação sazonal da atividade econômica brasileira no período, após o enfraquecimento usual no primeiro bimestre.

Para o ano, o IODE-PMEs projeta um crescimento de 2,8% na movimentação financeira das PMEs. O avanço, que antes indicava 1,2%, é motivado, especialmente, pelo desempenho acima do esperado das movimentações financeiras reais das PMEs no decorrer do primeiro trimestre do ano.

Figura 2: IODE-PMEs (Número índice – base: média 2019=100)

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Fonte: IODE-PMEs (Omie) / Divulgação
Fonte: IODE-PMEs (Omie) / Divulgação

O choque causado pela variante Ômicron na economia brasileira foi bem mais contido do que o esperado, em comparação com ondas anteriores da pandemia no País. Além disso, a recente medida do governo que libera recursos do FGTS para saque no segundo trimestre do ano deve ter efeitos positivos sobre o consumo no curto prazo.

Desempenho 1º Trimestre de 2022

O Brasil vem enfrentando diversos desafios no ambiente macroeconômico, atualmente, com a subida dos juros, encarecendo a tomada de crédito, e a inflação elevada, prejudicando a renda das famílias. Apesar do cenário desafiador, as pequenas e médias empresas (PMEs) mostraram importante tendência de recuperação no primeiro trimestre de 2022, refletindo certa normalização do ambiente de negócios com o maior controle da crise sanitária de Covid-19 no Brasil.

Segundo o IODE-PMEs, o crescimento no primeiro trimestre foi condicionado, especialmente, pelo avanço da movimentação financeira real nos setores de Infraestrutura (+19,6% ante o 1T21) e Comércio (+15,0%). Também se observa crescimento – ainda que em menor magnitude – nos setores de Serviços (+10,4%) e Indústria (9,4%). A única exceção no período foi o segmento Agropecuário, que seguiu com movimentação financeira real abaixo dos níveis de 2021 nos primeiros três meses do ano (-5,3%).

O Comércio tem se destacado nos últimos meses – em linhas gerais, dentre os três grandes segmentos que compõem o setor (‘Atacado’, ‘Varejo’ e ‘Comércio e reparação de veículos e motocicletas’), no comércio varejista. No primeiro trimestre de 2022, considerando a evolução da média móvel em 12 meses dos segmentos (que permite avaliar os setores com suavização dos movimentos meramente sazonais), houve crescimento médio de 1,6% ao mês das movimentações financeiras reais no varejo, enquanto no comércio atacadista a tendência de crescimento tem sido relativamente mais branda (+1,3% ao mês ante o nível de dez/21). Por outro lado, considerando a mesma base de comparação, o segmento de ‘Comércio e reparação de veículos e motocicletas’ mostrou retração no período (-2,1% ao mês ante o nível de dez/21).

Por outro lado, outros setores do varejo mostram desaceleração, como ‘lubrificantes’, ‘equipamentos e suprimentos de informática’ e ‘eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo’, reflexo da intensa subida de preços na economia e da elevação do custo da tomada de crédito.

Projeção para 2022

Apesar da revisão positiva na perspectiva para o ano (+2,8%), as projeções indicam desaquecimento na movimentação financeira das PMEs na segunda metade de 2022, que deve ser afetada pelo prolongamento da aceleração da inflação e pelos efeitos cada vez mais evidentes da subida de juros promovida pelo Banco Central nos últimos meses. A subida dos juros encarece a tomada de crédito, além de aumentar o rendimento de aplicações financeiras em renda fixa, prejudicando, assim, a evolução do consumo e dos investimentos. Outro fator é que, mesmo com a queda do desemprego entre final de 2021 e começo deste ano, observa-se uma tendência de redução do rendimento real dos trabalhadores, seja pelos salários mais baixos ou pela manutenção da inflação bastante pressionada no País, especialmente em itens básicos de consumo (tais como alimentos e combustíveis).

Além disso, 2022 é ano de eleição presidencial – período geralmente marcado pelo aumento de incertezas. As pesquisas eleitorais indicam uma configuração de uma eleição presidencial bastante polarizada. Momentos assim costumam ter paralisações de investimentos e perda de ímpeto do consumo, o que também pode afetar negativamente o desempenho econômico das PMEs brasileiras.

Do ponto de vista setorial, o cenário se mostra mais adverso no decorrer do ano para as PMEs dos setores de Comércio, Indústria e Infraestrutura (em particular na atividade de construção civil), segmentos que dependem da manutenção do consumo e, muitas vezes, de decisões que envolvem tomada de crédito. De fato, apesar do crescimento geral do varejo, por exemplo, algumas atividades já mostram tendência de retração recentemente: ‘lubrificantes’, ‘equipamentos e suprimentos de informática’ e ‘eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo’.

Ainda que os efeitos macroeconômicos também sejam sentidos no setor de Serviços, avalia-se que há espaço para a continuidade da retomada de algumas atividades, com a consolidação do maior controle da pandemia no País – viabilizada pelo sucesso da campanha de vacinação. Assim, o crescimento do setor deve ser influenciado pela continuidade do processo de retomada da demanda das famílias por serviços em detrimento de bens – revertendo a estrutura da cesta de consumo verificada após os choques mais intensos da pandemia. Já para o setor Agropecuário, apesar dos resultados ainda no campo negativo no primeiro trimestre, espera-se uma retomada no curto prazo, haja vista as expectativas positivas para algumas culturas – sobretudo de milho e algodão.

Sobre o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs)

Compreendendo a relevância das PMEs no desempenho econômico do Brasil, a Omie, plataforma SaaS de gestão (ERP) na nuvem, desenvolveu o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs), que acompanha as atividades econômicas das pequenas e médias empresas brasileiras. A pesquisa da scale-up é um tipo de apuração inédita entre as empresas do segmento, atuando como um termômetro econômico das empresas com faturamento de até R$ 50 milhões anuais, além de oferecer uma análise segmentada setorialmente do mercado de PMEs no Brasil. Para elaborar os índices, a Omie analisa dados agregados e anonimizados de movimentações financeiras de contas a receber de mais de 90 mil clientes, cobrindo 622 CNAEs (de 1.332 subclasses existentes) que compõem cinco grandes setores: Agropecuário, Comércio, Indústria, Infraestrutura e Serviços. Os dados são deflacionados com base nas aberturas do IGP-M (FGV), tendo como base o índice vigente no último mês de análise, com o objetivo de expurgar o efeito meramente inflacionário na série temporal, permitindo que se observe a evolução das movimentações financeiras em termos reais.

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