População ocupada avança, mas rendimento ainda segue pressionado

Confira análise de Marco A. Caruso, Lisandra Barbero e Eduardo Vilarim, economistas do Banco Original

A taxa de desemprego medida pela PNAD Contínua foi de 11,2% no trimestre móvel encerrado em janeiro, o equivalente a uma taxa de 11,8% no mesmo período, na série livre de efeitos sazonais. O desempenho do mercado de trabalho veio exatamente em linha com o esperado pela nossa equipe e captura um aumento marginal de 0,2% da população ocupada e contração de 0,1% da força de trabalho no período.

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C Josias & Ferrer no JRS

Expressando uma melhora no quadro de ocupação, o contingente de subocupados (pessoas que trabalham menos horas do que gostariam) recuou 4,19% m/m no trimestre encerrado em dezembro, embora a subocupação ainda se encontra 3,9% acima de janeiro de 2020, período de comparação pré-pandêmico. Já os desalentados, aqueles que não buscavam uma ocupação, mas estavam disponíveis também recuaram na margem, apresentando uma queda de 1,70% (1,6% acima do período pré-pandemia).

Pela ótica da posição, houve um aumento das contratações de empregados no setor público, e acima de tudo, a volta mais expressiva do número de empregadores, (sobretudo dos empregadores com CNPJ), uma das posições que mais demorou a se recuperar da pandemia. Paralelamente, o trabalhador por conta própria – classe que tende a aumentar em tempos de crise, muito através de empreendedorismo forçado para recomposição de renda — apresentou recuo.

Apesar o avanço das classes que ganham em média mais do que os informais, o rendimento médio real habitual de todos os trabalhos ainda segue pressionado, e continua a apresentar queda na comparação com trimestre imediatamente anterior (-1,1% t/t).

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Agrifoglio Vianna no JRS

Olhando à frente, nossas projeções iniciais consideram desemprego médio de 11,3% para 2022, resultado de dinâmicas mais favoráveis à força de trabalho, que tende a retomar a tendência de crescimento com a queda nas restrições sociais, em função de um cenário pandêmico mais controlado, e por uma população ocupada, que deve crescer mais gradualmente em meio a uma atividade econômica mais fraca (projetamos um PIB de 0,5%).

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