Casos da Covid-19 já mostram desaceleração em alguns lugares do mundo 2304

“Como se espera que o pico no número de novos casos diários ocorra exatamente nestes próximos dez dias, talvez os EUA possam cogitar um retorno gradual de sua atividade a partir de maio”

Na semana passada, o presidente Trump não apenas reconheceu que sua ambição de retorno à normalidade logo após a Páscoa era impraticável, como sinalizou que as medidas mais severas de isolamento social devem se prolongar até pelo menos o final deste mês de abril.

Em meio à pandemia da Covid-19, os EUA, e virtualmente qualquer outro lugar do mundo, se defrontam com o dilema de tentar controlar o ritmo de avanço das infecções, que naquele país, já somavam mais de 335 mil ao final do domingo, dia 05, ao custo de um enorme impacto econômico. Neste caso, ele pode ser medido, por exemplo, pela explosão dos pedidos de auxílio desemprego, que nas duas últimas semanas apenas, alcançaram quase 10 milhões.

Como se espera que o pico no número de novos casos diários ocorra exatamente nestes próximos dez dias, talvez os EUA possam cogitar um retorno gradual de sua atividade a partir de maio. E esse é um talvez recoberto de grande incerteza, como demonstram Itália e Espanha, que já deixaram seus respectivos picos diários para trás há mais de uma semana e ainda parecem distantes, mesmo assim, de relaxarem suas quarentenas bastante restritivas.

No Brasil, embora o número absoluto de casos ainda seja uma fração dos registrados nos EUA, em termos relativos nosso dilema não é menor. De um lado, porque a despeito das evidências de subnotificação do número real de infecções, os casos diários confirmados já estão na casa do milhar e podem mostrar aceleração nos próximos dias. De outro, porque os primeiros indicadores quanto ao impacto econômico da pandemia e de suas medidas de controle, embora ainda localizados, já se mostram bastante significativos.

Tome-se como exemplo o indicador Cielo de vendas nominais do varejo. À medida em que as medidas de distanciamento social se tornavam mais restritivas e eram aplicadas em um número maior de estados, os dados do comércio mostravam uma deterioração simultânea e bastante expressiva, conforme mostra o gráfico abaixo.

Os destaques na agenda econômica desta semana no Brasil são a esperada aprovação pelo Senado da chamada PEC do Orçamento de Guerra (já votada pela Câmara Federal), que libera o Executivo das amarras da Regra de Ouro e da Lei de Responsabilidade Fiscal para poder ampliar as medidas de mitigação da crise econômica. Na 5ªa-feira, o IBGE divulga o IPCA de março, o último com variação positiva antes de dois meses (abr-mai) em que provavelmente serão registradas variações negativas (deflação). No exterior, as atenções estarão voltadas para uma reunião entre os principais produtores de petróleo, que buscam um acordo para reduzir a oferta do produto em meio ao colapso da demanda e que trouxe os preços de US$ 60/barril ao final de 2019 para os atuais US$ 25.

Por José Pena é economista-chefe da Porto Seguro Investimentos.

Pedidos de recuperação judicial caem em abril 753

Resultado é 3,2% menor que o visto no mesmo mês em 2019

O último mês de abril, marcado pelos efeitos negativos do isolamento social e da queda do consumo, registrou 120 pedidos de recuperação judicial, de acordo com dados da Serasa Experian. O dado ficou próximo aos 124 acordos requisitados no mesmo mês de 2019, o que representa uma queda de -3,2% no período. Já quando analisado em comparação com março deste ano, sem ajuste sazonal, houve um aumento expressivo de 46,3% no volume de recuperações judiciais solicitadas, ante os 82 pedidos que foram feitos na época.

O economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, analisa que por conta dos prazos burocráticos para que as decisões de solicitar a recuperação judicial se concretizem, os números ainda não sofrem tanto impacto relacionado ao atual período de incertezas econômicas, mas prevê que esse número cresça daqui em diante. “Com empresas enfrentando dificuldades no fluxo de caixa e para manter a folha salarial em virtude da queda considerável dos níveis de consumo e de produção, nos próximos meses devemos ter um aumento dos pedidos, sendo que as empresas de menor porte e as recentemente criadas deverão ter uma maior representatividade”, projeta o economista.

Rabi ainda explica que apesar da queda observada na comparação anual, o índice pode ser considerado estável, uma vez que a variação das quantias absolutas, ou seja, o total de requerimentos, são relativamente baixos. “Podemos enxergar essa estabilidade quando analisamos que o acumulado deste ano até abril totalizou 377 pedidos, sendo praticamente igual ao do ano passado, quando tivemos 371”, explica o economista.

Setor de serviços e micro e pequenas empresas lideram pedidos em abril

O indicador de Recuperação Judicial da Serasa revela que o setor de serviços foi o mais impactado e quase dobrou o número de requisições, passando de 56 solicitações de recuperação judicial em abril de 2019 para 92 em igual mês de 2020. Os demais seguimentos tiveram baixa, entre elas a mais acentuada foi no setor primário, que diminuiu de 22 pedidos para apenas 3.

Na análise por porte todas as naturezas jurídicas tiveram diminuição, no entanto, as micro e pequenas empresas continuam se destacando, com 226 pedidos feitos em abril deste ano. Em seguida estão as médio porte (99) e grandes empresas (52).

Solicitações de falências caem 42,7% em abril

Em abril de 2020 foram registradas 75 requisições de falências, uma retração de 42,7% em relação ao mesmo mês de 2019 que marcou 131 requerimentos. O economista Luiz Rabi pondera que a baixa tem a ver com o fato de que tanto as empresas credoras como as devedoras têm buscado flexibilizar novos acordos financeiros para suas dívidas, demovendo mesmo que temporariamente, os credores a entrarem com pedidos de falências.

Serasa promove capacitações gratuitas para ajudar pequenos negócios

Para ajudar os micro, pequenos e médios empresários a atravessarem a turbulência deste momento, a Serasa Experian tem promovido uma série de ações on-line neste mês de maio. Os empreendedores que estão com dificuldades financeiras podem acompanhar todas as quintas às 18h, uma série de lives no Instagram da Serasa. Sob o comando de especialistas da Serasa e convidados especiais, toda semana o conteúdo é diferente e ajuda as empresas a manterem o fluxo de caixa, potencializarem suas vendas e praticarem uma boa gestão de pessoas à distância. Neste mês, haverá uma programação especial sobre fraudes e abordagem criativa junto a clientes.

Além das lives, a Serasa também vem ajudando os empresários de pequeno porte com uma série de materiais gratuitos voltados para o cuidado da saúde financeira dos negócios e um curso on-line gratuito para micro e pequenos empreendedores individuais (MEIs).

Outra iniciativa é o ‘Estímulo 2020’, um movimento nacional e sem fins lucrativos da qual a Serasa faz parte e que reúne empresas de diversos setores para oferecer capacitação e crédito online barato aos pequenos negócios que estão sofrendo os impactos econômicos do isolamento social. Pequenas empresas que faturam entre R$ 360 mil e R$ 2 milhões por ano e existem há pelo menos três anos podem participar. A inscrição é feita no site www.estimulo2020.org.

A série histórica deste indicador está disponível em:
https://www.serasaexperian.com.br/amplie-seus-conhecimentos/indicadores-economicos

ANS inclui mais seis exames no Rol de coberturas obrigatórias 775

Decisão foi tomada para ampliar as medidas de combate ao coronavírus

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) está incluindo mais seis exames que auxiliam na detecção do novo Coronavírus na lista de coberturas obrigatórias dos planos de saúde. A decisão foi tomada pela Diretoria Colegiada em reunião realizada nesta quarta-feira (27). A medida passa a valer a partir da publicação da Resolução Normativa no Diário Oficial da União.

As novas incorporações buscam ampliar as possibilidades de diagnóstico da Covid-19, especialmente em pacientes graves com quadro suspeito ou confirmado, e estão alinhadas às diretrizes e protocolos do Ministério da Saúde para manejo da doença. Dessa forma, auxiliam no diagnóstico diferencial e no acompanhamento de situações clínicas que podem representar grande gravidade, como por exemplo, a presença de um quadro trombótico ou de uma infecção bacteriana causada pelo vírus.

Os testes podem ajudar os profissionais de saúde a tomar a conduta certa na hora certa, salvando vidas, muitas vezes, em situações limítrofes, que dependem que abordagens terapêuticas específicas sejam instituídas com rapidez para que sejam eficazes.

Passam a ser de cobertura obrigatória para os beneficiários de planos de saúde nas segmentações ambulatorial, hospitalar e referência os seguintes testes:

– Dímero D (dosagem): O procedimento já é de cobertura obrigatória pelos planos de saúde, porém, ainda não era utilizado para casos relacionados à Covid-19. É um exame fundamental para diagnóstico e acompanhamento do quadro trombótico e tem papel importante na avaliação prognóstica na evolução dos pacientes com Covid-19.

– Procalcitonina (dosagem): O procedimento é recomendado entre as investigações clínico-laboratoriais em pacientes graves de Covid-19, auxiliando na distinção entre situações de maior severidade e quadros mais brandos da doença.

– Pesquisa rápida para Influenza A e B e PCR em tempo real para os vírus Influenza A e B: Esses testes são indicados para diagnóstico da Influenza. A proposta consiste na incorporação dos dois procedimentos para minimizar questões de disponibilidade e para otimizar o arsenal diagnóstico disponível. A pesquisa rápida é recomendada para investigações clínico-laboratoriais em pacientes graves. O diagnóstico diferencial é importante, pois a influenza também pode ser causa de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS).

– Pesquisa rápida para Vírus Sincicial Respiratório e PCR em tempo real para Vírus Sincicial Respiratório: Esses testes são indicados para diagnóstico da infeção pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). A proposta consiste na incorporação dos dois procedimentos para minimizar questões de disponibilidade e para aprimorar as possibilidades. O teste rápido para o VSR é útil no diagnóstico diferencial de Covid-19 em crianças com infecção viral grave respiratória.

“A ANS permanece atenta às mudanças no cenário do enfretamento da Covid-19 e está alinhada aos protocolos do Ministério da Saúde. A maioria dos testes diagnósticos citados nas diretrizes do órgão já são de cobertura obrigatória no âmbito da saúde suplementar. No entanto, observamos que alguns testes destinados à atenção de pacientes graves, que podem impactar na conduta terapêutica, não estavam listados no rol de coberturas mínimas dos planos de saúde ou, quando já incluídos, não contemplavam pacientes com quadro suspeito ou confirmado da Covid-19. Dessa forma, estamos incluindo esses exames para ampliar as possibilidades de diagnóstico e, assim, buscar uma resposta mais rápida e efetiva para salvar vidas”, explica o diretor-presidente substituto da ANS, Rogério Scarabel.

A proposta de atualização extraordinária da cobertura assistencial será reavaliada até o final do processo regular de atualização do Rol em curso, tanto quanto ao seu contexto de utilização no quadro pandêmico, quanto aos seus critérios técnicos, e será submetida a consulta pública, juntamente com as propostas de atualização elegíveis do atual ciclo de atualização.

Esta é a segunda inclusão extraordinária de procedimentos relacionados ao novo Coronavírus no Rol de Procedimentos da ANS. Desde o dia 13/03, os planos de saúde são obrigados a cobrir o exame Pesquisa por RT-PCR, teste laboratorial considerado padrão ouro para o diagnóstico da infecção pela Covid-19.

Artigo: Aprendizagem para o mundo de hoje 464

“Grande desafio é tornar a interação digital cada vez mais real e engajadora”

Estamos vivendo, de fato, a era digital. E essa era impõe uma velocidade diferente em tudo aquilo que fazemos, e não pode ser diferente quando o tema é aprendizagem. Temos que investir naquilo que temos de mais importante: o conhecimento. Afinal, como bem dizem, “a educação é a única saída para tudo”.

Neste momento, milhões de crianças, jovens e adultos estão sem frequentar ambientes físicos, como salas de aula, onde muitas instituições adotam estratégias de educação online e por outras mídias para garantir a continuidade da aprendizagem. Isso também aconteceu no T&D.

Os educadores e facilitadores estão se desdobrando para oferecerem aulas envolventes e ao mesmo tempo eficientes. Para isso, estes profissionais estão buscando novas metodologias e ferramentas para estreitar a relação com o aprendiz, além de otimizar o tempo e passar o conhecimento na dose certa. Com isso, trago a seguinte reflexão: o que funciona no presencial, não necessariamente funciona no digital. Não se trata somente de gravar uma palestra, há uma série de conhecimentos andragógicos e pedagógicos para serem aplicados. E mais do que nunca, é preciso entender os diferentes formatos de aprendizagem, pois cada pessoa aprende de uma forma diferente e, no caso dos adultos, é preciso ainda gerenciar o tempo de maneira a conjugar as tarefas domésticas e os compromissos profissionais.

É fato que somos dotados por com uma habilidade automática de filtrar irrelevâncias. Esse são os nossos filtros perceptíveis. Independente da fonte utilizada para transmitir os conhecimentos, filtramos só o que percebemos como relevantes. A informação que passa por nossos filtros, ingressará em nossas memórias de curto prazo onde acontece o processamento ou tratamento das informações. Por essa razão, ao introduzir um conhecimento, devemos focar no essencial para segurar a passagem pelo filtro. Se a informação é percebida como relevante, ela passa para a memória de longo prazo, no entanto, se essa informação não recebe tratamento, ela desaparece em cerca de 10 a 15 segundos. Aqui que entra a importância de compartilhar informações assertivas, curadas, verdadeiras, engajadoras e criativas. Entregando tudo isso usando a tecnologia certa.

Quando trazemos isso tudo para a área de desenvolvimento humano, eu não posso mais, por exemplo, treinar pessoas que estão se desenvolvendo dentro de um universo digital, com metodologias e perspectivas antigas. Não antigas no sentido que elas não funcionam mais, mas antigas no sentido que eu preciso usar tecnologias para facilitar o processo de aprendizagem. Então dentro da área de educação corporativa eu preciso, cada vez mais, não só trabalhar com metodologias ativas e com alternativas digitais, mas também preciso me desafiar a não só levar a aprendizagem para um meio com uso de tecnologia, mas tornar essa aprendizagem engajadora e interativa, apesar dela acontecer com o uso de tecnologia. Confuso? Vou explicar!

É preciso trazer a tecnologia para o desenvolvimento de pessoas pensando nos modelos de entrega que temos que desenvolver, ou seja, chega de blábláblá. Vamos efetivamente usar as tecnologias que fazem parte do dia a dia das pessoas.

Aprendizagem para o mundo de hoje é isso: disponibilizar aquilo que um indivíduo precisa aprender, na hora que ele precisa aprender, no formato que ele acredita que seja o mais adequado e na hora que ele precisa efetivamente deste conteúdo. Não adianta disponibilizar um conteúdo para uma pessoa que não esteja diretamente conectado com o contexto dela.

O grande desafio é tornar a interação digital cada vez mais real e engajadora. Conectar a experiência de aprendizagem com a realidade das pessoas. Não é necessário volumes enormes de conteúdos. Um dia desses alguém comentou comigo que tinha que assistir alguns vídeos que faziam parte de um curso. E sabe como assistiu? Acelerando a velocidade do vídeo. A pergunta é: adianta oferecer volumes gigantescos desnecessários de conteúdos? Não adianta!

O ponto chave é selecionar os que são essenciais para que as pessoas consigam chegar onde elas precisam. Colocar o participante no centro do processo, usar abordagens para soluções de problemas para que se a gente empatize com essa pessoa e consiga efetivamente fazer com que o conhecimento chegue de uma maneira relevante, engajadora e que seja útil.

Se você é um profissional da área de aprendizagem, entenda do negócio, antes de entender de aprendizagem. Já demos grandes passos nessa direção, mas ainda temos algumas muralhas para serem derrubadas. A nossa principal função é facilitar a vida das pessoas. Com isso em mente, não é só sobre ofertar conteúdo, é compreender o que o outro precisa aprender. É mudar de lentes. É olhar para a vida real!

*Por Flora Alves, idealizadora da metodologia Trahentem® e CLO da SG – Aprendizagem Corporativa.

Bradesco Seguro Auto oferece nova facilidade para profissionais da saúde 605

Iniciativa que acontece nas cidades do RJ e SP tem como objetivo apoiar quem trabalha na linha de frente da luta contra o Covid-19

Em meio à pandemia do Coronavírus no Brasil, a Carglass e a Autoglass, empresas parceiras da Bradesco Auto/RE – uma empresa do Grupo Bradesco Seguros –, passaram a oferecer a isenção de franquia na troca de vidros para profissionais de saúde que possuírem o Bradesco Seguro Auto.

A ação acontece até o dia 30 de agosto, nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, e contempla a realização de serviços, como troca de vidros laterais, dianteiro ou traseiro, lanternas, faróis, retrovisores e, ainda, para-brisas.

“A parceria com a Carglass e a Autoglass oferece esse abono aos nossos segurados, em apoio e agradecimento aos profissionais que trabalham incansavelmente na linha de frente da luta contra a doença”, declarou Rodrigo Herzog, Superintendente Executivo da Bradesco Auto/RE.

Para a realização do serviço, é preciso apresentar um documento de classe que comprove a profissão pertencente à área da saúde. O atendimento está disponível nos seguintes endereços:

Rio de Janeiro – unidades da Autoglass nos bairros de São Cristovão e Barra da Tijuca;

São Paulo – unidades da Carglass dos bairros de Barra Funda, Washington Luís, Tatuapé e Tamboré.

Artigo: Por que plano de saúde está tão caro? 510

“De acordo com a ANS, em apenas três anos, houve redução de 3,1 milhões de usuários de convênios médicos”

Não é de hoje que os planos de saúde estão ficando cada vez mais caros. Prova disso é que, de acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em apenas três anos, houve redução de 3,1 milhões de usuários de convênios médicos. Muitas dessas pessoas acabam migrando para o Sistema Único de Saúde (SUS) e, devido a superlotação, fica cada vez mais complicado atender essa alta demanda.

Frequentemente recebo perguntas sobre os motivos do encarecimento dos serviços privados de saúde. É uma questão que permeia roda de amigos, familiares, clientes e até mesmo em palestras.

Existem muitos motivos para justificar a constante elevação do custo dos planos de saúde, mas neste artigo vou me ater apenas a pontos estruturais, sem discutir modelos de negócios, má gestão das companhias, fraudes etc. Então vamos lá:

1) O avanço da tecnologia

Em todo o mundo existem milhões de pesquisas sendo feitas, máquinas sendo criadas, procedimentos sendo testados; muitos destes progressos servem para tratar doenças que já existem de forma mais simples e menos custosas ao menos no curto prazo.

2) Avanço da idade populacional

A partir de determinada idade, o índice de utilização de serviços médicos tende a aumentar radicalmente, mesmo em indivíduos saudáveis. Como os preços dos planos de saúde são, de certa forma, divididos entre os participantes de uma determinada carteira de cliente, automaticamente, todos pagam mais caro.

3) Regulação com viés socialista

A criação da Lei 9656/98, que regulamenta os planos de saúde, tem mais de 20 anos e foi essencial para que se separasse o joio do trigo. Hoje temos empresas sérias e comprometidas com o atendimento do cliente.

Sei que há várias críticas às operadoras, mas você já pensou como seria sua vida sem elas? O SUS teria capacidade de atender mais 50 milhões de usuários de maneira integral?

Mas passados mais de 20 anos com diversas ingerências no setor, a lei se tornou um problema para os usuários de planos de saúde e levou muitas operadoras à falência. Exemplo disso é a regulamentação de reajustes para planos de pessoa física, que culminou na retirada do produto do mercado por quase todas as empresas do setor, por perceberem que, ao longo do tempo, não conseguiriam atender seus clientes com as receitas, devido aos reajustes abaixo da inflação médica.

Não há aqui nenhuma crítica política em si, o ponto aqui é outro: quando o estado obriga as operadoras a cobrir todo e qualquer procedimento, incluindo tratamentos caríssimos, e que às vezes atende apenas casos muito específicos, o preço dos planos aumenta para todos os usuários do sistema.

Isto se repete com relação à regulamentação do reajuste por idade: a lei diz que não se pode realizar reajuste a partir dos 59 anos, portanto, como equalizar o valor a ser cobrado de uma pessoa com 60 anos e outra com 80 anos? Cobrando a diferença dos mais novos, inclusive da pessoa com 60 anos.

Quer outra regra? Os planos de saúde só podem cobrar até 6 vezes o valor de uma criança, para pessoas acima de 59 anos (além de outras regras no meio do caminho). Portanto, o preço tende a ficar caro para todos os usuários do sistema para cobrir esta diferença de custo entre os mais velhos.

O objetivo aqui não é discutir se são justas ou não estas regras, mas demonstrar o motivo do alto custo dos planos de saúde.

4) Falta de produtos alternativos com menos coberturas (ainda um problema de regulação)

A legislação obriga aos planos de saúde a ter cobertura integral, para qualquer tipo de doença. Isto causa o efeito reverso, pois para que as operadoras tenham produtos completos que absorvam todos os riscos, inclusive a inclusão de coberturas após o fechamento do contrato com o cliente (outra anomalia do sistema), seus produtos tendem a custar mais caro.

5) Judicialização da saúde

No Brasil criou-se o hábito de judicializar tudo. E como primícia constitucional, na área de saúde, os juízes primeiro permitem ao usuário ser tratado por conta da operadora (mesmo que o usuário não tenha direito), para depois se discutir o contrato. Na prática, a operadora dá o tratamento (paga por ele) e só depois se discute de quem é a responsabilidade pelo pagamento. E ainda que a operadora um dia ganhe este processo após ter gasto com honorário de advogados, a chance de recuperar os valores é muito baixa.

Eu sei que você deve estar me odiando, mas quem você acha que paga esta conta afinal?

6) “Vender seguro para carro batido”

Você já imaginou se houvesse a obrigação de uma seguradora vender seguro para carro batido? O que acha que aconteceria com o valor da cobertura de seguros para os clientes que ainda não bateram seus carros?

Isto acontece na saúde: os planos de saúde são obrigados a aceitar o cliente e dar cobertura (mesmo após dois anos) para qualquer doença, seja qual for o valor deste tratamento. E mais, não poderá cobrar R$ 1,00 a mais do que do cliente da mesma idade com saúde perfeita.

Não podemos misturar as coisas: uma é o estado ter a obrigação de atender qualquer cidadão, outra é exigir que uma empresa privada faça isso. Portanto, essa obrigação ajuda a encarecer o produto.

7) Reserva técnica obrigatória

As operadoras são obrigadas a manter uma reserva técnica em dinheiro. Este dinheiro fica aplicado em um fundo específico e mal remunerado em um banco e não pode ser usado para melhora do atendimento e diminuição do custo. Portanto, as companhias são obrigadas a cobrar mais dos clientes para constituir e manter essas reservas.

8) Cheque em branco

Em diversos países, os planos de saúde são vendidos com valores de cobertura máxima determinada em contrato. Com isto, o risco deste plano de saúde tem um limitador claro, que é o valor máximo que a companhia tem que indenizar por serviços de saúde referente aquele cliente.

Já no Brasil, a cada novo cliente, a operadora de planos de saúde assinam um cheque em branco para cobrir todo e qualquer problema de saúde que este usuário venha ter. Sendo assim, a companhia precisa precificar em seu produto, o imponderável.

9) Problema estrutural do sistema de saúde privado

As operadoras também não têm tido lucros exorbitantes. Existe um problema estrutural ocorrendo no mercado nos últimos 20 anos, mas isso é tema para outro artigo.

Conclusão

Não existe solução simples e mágica para o tema. É preciso muita coragem para enfrentar os desafios do setor, pois se não houver uma discussão séria, sem viés populista, que busque soluções técnicas e de longo prazo, cada dia mais as pessoas e empresas terão dificuldades de manter seus planos de saúde e sairão do sistema privado, colocando mais dificuldades para o sistema público em absorver mais pacientes.

* Por Márcio Mantovani, sócio-fundador do Clude, clube digital de vantagens, que oferece um programa de prevenção à saúde e qualidade de vida.