Benefícios da renovação de frota no transporte rodoviário de cargas

Manter frota atualizada pode gerar novas possibilidades para empresas

Reconhecidamente o meio de abastecimento mais utilizado no Brasil, o transporte rodoviário de cargas é responsável por movimentar cerca de 60% de tudo aquilo que é produzido no País. Essa importância também é acompanhada de muita responsabilidade: os caminhões percorrem todas as estradas e rodovias brasileiras e afetam a vida de todos, seja no caminho ou no final de sua rota, ao efetuar as entregas.

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O Brasil possui hoje cerca de 2,2 milhões de caminhões registrados. Desses, 1,3 mi são de empresas de transporte. Além disso, de acordo com dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), a idade média dos caminhões chega a 15,2 anos. Isso é 1,3 ano a mais do que o apurado na edição de 2016 da mesma pesquisa, quando a idade média dos veículos conduzidos pelos entrevistados alcançava 13,9 anos.

A pesquisa apontou que tanto os veículos de caminhoneiros autônomos quanto aqueles conduzidos por empregados de frota envelheceram. Os dos autônomos passaram de 16,9 anos em 2016 para 18,4 anos em 2019; os veículos de empresa, por sua vez, passaram de 7,5 anos para 8,6 anos.

Para Joyce Bessa, head de gestão estratégica, finanças e pessoas da TransJordano, empresa especializada no transporte de combustíveis, esse envelhecimento da frota é extremamente preocupante. “Um veículo com mais de dez anos possui características mecânicas e de projeto muito diferentes da tecnologia atualmente disponível, o que põe em xeque a qualidade dos serviços e principalmente a segurança dos motoristas nas estradas. Veículos mais velhos requerem mais manutenção e com isso ficam mais suscetíveis a falhas humanas”.

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Segundo a executiva, é inegável que a renovação de frota traz benefícios para as empresas, para o setor e para a sociedade como um todo. “A cada ano as montadoras inovam e trazem tecnologias que aumentam a produtividade, a segurança, o conforto e consequentemente a qualidade do serviço entregue. Além disso, quanto mais velho um veículo, de mais manutenção ele precisará. Ter um plano de renovação de frota pode ter um maior custo para a empresa em um primeiro momento, porém, veículos novos darão para a sua operação uma melhora de performance e aumento de produtividade, de modo a alcançar novas possibilidades”, afirma Bessa.

Outra questão observada por Joyce é a segurança. Para a profissional, esse é o principal benefício de realizar um planejamento de renovação de frota. “É inegável que um veículo novo traz uma segurança muito maior para o motorista e para os demais veículos nas entradas. Com a tecnologia atual, o treinamento do motorista e um veículo em bom estado, o transporte se torna muito mais seguro”.

A TransJordano possui um padrão de renovação de frota de no máximo dois anos e meio, e atualmente as trocas acontecem em média em 2,1 anos. “Entendemos, aqui dentro da empresa, que para conseguirmos atingir nosso objetivo, que é abastecer o mercado com segurança, precisamos das tecnologias avançadas e consequentemente de veículos que não percam tempo em manutenção e que possam nos entregar toda a qualidade e eficiência que esperamos de veículos novos”, finaliza Joyce.

Atualmente, o Brasil não possui nenhuma legislação que obrigue as empresas a renovarem suas frotas. Em 2019, durante a Fenatran, uma das mais importantes feiras de transporte do mundo, o governador do Estado de São Paulo, João Dória, avaliou em conjunto com empresários do setor de transportes a renovação de frota no Estado. Porém, desde então, nenhum plano real foi colocado em prática.

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