Chegou a hora da democratização dos seguros

Confira artigo do Country Manager da Klimber no Brasil, Cristiano Saab

A pandemia continua impactando a forma como vivemos. Ao mesmo tempo em que desacelerou o mundo em certos aspectos, também deu a ele o estímulo necessário para se impulsionar para o futuro de maneira ainda mais vertiginosa. E, quando falo de futuro, penso em como o digital se torna cada vez mais real. Estamos atravessando novos tempos de mudança constante, que nos obrigam a processar cada vez mais informação. A partir do momento em que acordamos, começamos a processar dados e assim continuamos pelo resto do dia. Dados, dados e mais dados.

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Europ Assistance Brasil

Este inesperado e surpreendente contexto pandêmico fez, entre muitas coisas, com que tivéssemos de repensar a forma como os seguros são oferecidos, particularmente os seguros de vida, que são concebidos como instrumento de proteção financeira das pessoas. E não digo todas as pessoas, mesmo que seja o meu desejo, porque a verdade é que não só existe desinformação, como também o acesso a cobertura não é tão fácil.

Então, como podemos tornar isso possível? O equilíbrio entre tecnologia, seguros e dados pode ser o ponto de virada. Embora esse turbilhão possa ser avassalador, também pode, se tratado corretamente, ter um impacto positivo na vida das pessoas e democratizar seu acesso.

Sim, sou convicto nesse sentido. Primeiro, porque já existem formas benéficas de aproveitar os dados e obter vantagens substanciais. Segundo, porque acredito que as pessoas não usam o que não consideram útil e, neste ponto, é fácil mudar – e nós o faremos. Vai depender do alcance do que cada um considera necessário proteger. E aqui entram em jogo duas arestas: por um lado, a magnitude do risco que as seguradoras aceitam assumir e, por outro, sua ânsia de conquistar clientes, o que tenderá a ser exigido pelo grau de preocupação que têm com os bens do consumidor que compra delas. Neste ponto da história, um novo fio nasce de um novelo cuja extensão é difícil de projetar.

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Porém, para nos ajudar a puxar esse fio, há dados que nos mostram que o grande esforço para tornar o seguro um produto de abrangência geral tem, aos poucos, dado frutos.

Segundo dados da SUSEP, as empresas fiscalizadas pela autarquia fecharam o primeiro semestre de 2022 com R$ 168,8 bilhões em faturamento, um crescimento de 16,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Quase ao mesmo tempo, a CNSeg lançou a campanha “Seguros, Previdência Privada e Saúde. Pra tudo e pra todos”, que pretende “desmistificar e esclarecer questões relacionadas com este grande mercado, com histórias que são exemplos de como os produtos e serviços do setor de seguros podem proporcionar proteção, segurança, tranquilidade e bem-estar”.

Não sei vocês, mas me pergunto: qual a necessidade desse movimento se há um faturamento tão sólido no mercado? Não encontro uma resposta definitiva e não sei se vale a pena investir tempo e energia discutindo hipóteses, mas acredito que o importante, além de chegar a um resultado, é continuarmos nos questionando para continuar avançando. Nesse sentido, trago algumas considerações que podem ser gatilhos para ver onde podemos chegar.

No Brasil, temos uma clara preferência pela cura em detrimento da prevenção, o que ajuda a explicar a resistência a uma ampla adesão aos seguros. No entanto, embora este seja um aspecto crucial do problema, ouso dizer que vai além dele. E isso talvez seja mais pretensioso, mas acredito que a solução para superar esse obstáculo já existe, embora não como uma fórmula mágica.

Hoje é lugar-comum falar da importância dos dados para a prestação de serviços mais alinhados com os desejos dos consumidores e, além disso, muito se trabalha para garantir a eles uma ótima experiência. Porém, algo que mal analisamos é o foco desses serviços, ou seja, o que eles efetivamente nos proporcionam e, principalmente, o que eles nos estimulam a fazer. Sejamos sinceros: espontaneamente, de que serviço nos lembramos que não nos traz ansiedade em seu sentido literal? Nenhum.

Não estou criticando este modelo, estou apenas destacando como ele é jogado. Somos cada vez mais usuários que vendem seu tempo na forma de dados e que são incentivados a se conectar, do que consumidores individuais de um serviço ou solução. Essa lógica deixa de lado o seguro que, como um peixe na Piracema que nada contra a corrente, propõe, desde sua essência, cautela e prevenção que, à primeira vista, não parecem se caracterizar por uma natureza sedutora. Além do mais, parece, diretamente, não ser emocionante, e é isso.

Ao mesmo tempo, o novo consumidor está mais bem informado e cada vez mais consciente da quantidade de dados a que pode ter acesso. Por isso, temos no grande desafio de aproximar informações, desmistificar mitos e facilitar o acesso a seguros, uma grande oportunidade porque, em um ambiente de incerteza econômica e, muito provavelmente, escassez de crédito e falta de liquidez no geral, cuidar mais do que se tem pode virar a nova moda. O bom é que já existe quem pode fazer com que qualquer brasileiro faça parte dela.

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