Entidades de seguro de pessoas discutem seu papel no novo mercado

A Maratona da Inovação em Seguros, promovida Jornal do Seguro (JRS.digital) no State Innovation Center, em São Paulo (SP), dia 18 de agosto, contou com a participação de 300 pessoas e a audiência de outras 1,5 mil pela internet. O evento reuniu algumas das principais entidades de seguro de pessoas, dentre elas o CVG-SP. Sob a mediação do jornalista William Anthony, o tema em debate foi “O novo mercado de seguros”.

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Gente Seguradora no JRS

O painel contou com a participação de Marcos Kobayashi, presidente do Clube Vida em Grupo São Paulo (CVG-SP), Andréia Araújo, presidente do Clube de Seguros de Vida e Benefícios do Estado do Rio Grande do Sul (CVG-RS), João Paulo Moreira de Mello, presidente do Clube de Seguros de Pessoas de Minas Gerais (CSP-MG) e Joceli Pereira, presidente do Instituto Superior de Seguros e Benefícios Brasil (ISB Brasil), sediada no Paraná.

A continuidade do trabalho durante a pandemia e a oferta de conteúdo relevante foi um tema comentado por todos os representantes das entidades. Andréia Araújo revelou que sempre foi desejo do CVG-RS, ao longo de seus 36 anos de existência, expandir sua atuação para o interior do estado. “A transformação digital repercutiu na nossa entidade a ponto de levarmos conteúdo de qualidade não apenas para o interior, como para todo o país”, revelou.

Com dez anos de existência, o CSP-MG é, para João Paulo Moreira de Mello, o “caçula” dentre as entidades. No entanto, ele afirmou que o foco sempre foi a capacitação do mercado. “Porque somos agentes de transformação e o nosso papel é inverter o percentual 15/85 (85% da população não têm seguro)”, justificou. Para ele, a simplificação de produtos pode ajudar nesse sentido. “Já existem no mercado produtos simples, então precisamos trabalhar e oferecê-los”, destacou.

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Joceli Pereira apresentou em primeira mão ao evento a pesquisa “Insights Brasil”, com foco em benefícios, realizada pelo ISB Brasil com o RH de 500 empresas. Ela afirmou que as respostas para a questão que tratou da personalização de benefícios causaram inquietude. “Percebemos que os corretores precisam ter maior intimidade e integração com os clientes”, destacou. A dirigente acrescentou que a pesquisa traz informações preciosas e que o ISB tem se dedicado à geração de conteúdo de qualidade.

Kobayashi concordou com Andréia Araújo sobre o alcance que a transformação digital tem proporcionado, sobretudo por meio do conteúdo transmitido pelas lives durante a pandemia. “Quebrou as fronteiras. No CVG-SP, nos deu a capacidade de expandir conhecimentos, compartilhar boas práticas e chegar até os profissionais que estavam em regiões distantes”, afirmou. “Diria que reduzimos distâncias”, acrescentou.

O presidente do CVG-SP também enfatizou o trabalho de capacitação profissional, um dos pilares da entidade, que se manteve ativo durante a pandemia por meio de eventos e cursos online. Nesse sentido, ele reconheceu a importância da parceria com a FECAP, instituição de ensino. “Desde 2018, temos essa forte parceria que nos dá capacidade para promover cursos técnicos e divulgar também temas que não são de seguro”, reforçou.

O novo consumidor

Questionada sobre como amadurecer a percepção do consumidor em relação à importância do seguro, Joceli Pereira afirmou que o caminho é conhecê-lo melhor e que a pesquisa tem servido para este fim. Mas, alertou para a necessidade de atendimento humanizado, apesar do avanço do digital. “Temos seguido a linha figital, porque precisamos ser digitais, sem se esquecer da modalidade física”, explicou.

Para João Paulo Mello, o mercado está passando por uma fase de transição entre o digital e o presencial. Ele contou que o CSP-MG realizou quatro eventos online durante a pandemia da série “Conhecer para proteger” e também cursos online, que alcançaram 600 inscritos. “No evento presencial, que fizemos recentemente, tínhamos 30 pessoas presentes e 150 online. Então, o modelo hibrido está prevalecendo. O mais importante é que temos de estar aprendendo sempre”, mencionou.

Kobayashi lembrou que o seguro de pessoas já estava em crescimento contínuo nos últimos anos e que a pandemia “trouxe um cenário claro da necessidade do seguro de vida”. Por isso, a seu ver, o papel das entidades é mostrar a importância do produto. “Por meio de cursos, workshops, debates etc. temos de mostrar que, apesar da telemedicina e aplicativos, as coberturas básicas de morte e invalidez fazem a diferença. Temos 85% das pessoas sem acesso ao seguro vida, um mar azul gigante para operar”, sinalizou.

A presidente do CVG-RS destacou o aumento de vendas do seguro de vida durante a pandemia e, por outro lado, o crescimento da sinistralidade, por causa da decisão das seguradoras de indenizar casos de covid. “Foi um movimento justo, o seguro cumpriu a sua função social, mas, agora, está colhendo os frutos amargos. Mas, o mercado ainda encontrará o ponto de equilíbrio”, disse. Para ela, a pandemia trouxe mais conscientização do consumidor. “Como entidades da área, temos papel relevante para facilitar a compreensão do consumidor”, completou.

Divulgação / CVG SP
Divulgação / CVG SP

No encerramento do painel, o presidente do CVG-SP observou que há espaço para todos no mercado, em especial para os corretores que investirem em capacitação. “Esteja perto do seu cliente, se capacite para fazer um bom trabalho de consultoria, porque muitos ainda vão preferir o atendimento personalizado. A máquina nunca poderá substituir o atendimento personalizado do corretor”, finalizou.

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