Monitoramento contínuo e manutenção são essenciais para evitar desastres em barragens

Em estruturas em operação ou desativadas, planos de monitoramento servem para analisar condições e atualizar órgãos de fiscalização

No dia 25 de janeiro, o rompimento da barragem de Brumadinho (MG) completou três anos. O risco de um novo desastre paira no estado, já que o início do ano foi marcado por chuvas intensas e de longa duração. Segundo um dossiê do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), 18 das 31 estruturas em estado de emergência necessitam de intervenções para evitar vazamentos ou rompimentos.

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Para realizar essa classificação, o MPMG e a Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam) avaliaram dados como a incidência de chuva nos locais com barragens, as ações de manutenção planejadas, se a estrutura conta ou não com um plano de segurança para períodos chuvosos atípicos, o funcionamento do sistema de drenagem de água e a existência do registro de anomalias.

Segundo Rodrigo Moraes da Silveira, engenheiro civil e pesquisador do instituto de ciência e tecnologia Lactec, os Planos de Segurança e de Monitoramento são essenciais para trazer mais segurança para as estruturas de mineração: “Conforme as leis, é uma obrigação dos proprietários terem esses planos, que indicam boas práticas de engenharia. Quando construídas observando essas práticas, é pouco provável que as barragens apresentem riscos para a população e para o meio ambiente”.

O planejamento, anterior à fase de construção da estrutura, é realizado mediante estudos para que ela suporte até uma chuva decamilenar — ou seja, a chuva mais intensa que poderia acontecer em um período de dez mil anos.

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Sinais de irregularidades

Existem alguns indicativos de que a segurança da barragem está em níveis inferiores aos desejados. Alguns deles são a detecção de deslocamentos internos ou externos que geram instabilidade; alterações do nível de pressão interna de água (chamada de poropressão) e a identificação de fluxos de água.

Para identificar essas irregularidades, o pesquisador ressalta a necessidade de seguir o Plano de Monitoramento durante toda a vida útil da instalação, desde sua construção. “As barragens devem ser constantemente monitoradas. Mesmo quando elas são inutilizadas, não podem ser simplesmente abandonadas; precisam ser acompanhadas até o seu completo descomissionamento”, explica.

Em 2016, uma pesquisa da Feam identificou a existência de ao menos 400 minas abandonadas ou desativadas no estado de Minas Gerais, assim como suas barragens.

Construção do Plano de Segurança

A elaboração do Plano de Segurança, que compreende, entre outros, o Plano de Ação Emergencial e o Plano de Monitoramento, leva em consideração parâmetros como a incidência de chuvas, cheias de rios, análises de segurança e monitoramento de terrenos inclinados. “No Lactec, conduzimos pesquisas e ensaios, sistematizamos e instalamos os instrumentos de monitoramento e desenvolvemos Planos de Ação Emergencial e de Segurança de Barragens, que indicam o que o proprietário deve fazer caso a estrutura apresente riscos”, pontua Rodrigo Silveira.

Entre as iniciativas de ação emergencial previstas estão, por exemplo, a instalação de alto-falantes para o aviso de moradores do entorno, cadastro da população local e seus contatos e a promoção de um treinamento de evacuação junto da Defesa Civil e da empresa responsável, para que essa população saiba como proceder em caso de risco iminente.

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