Newton Queiroz: Todos falam em crescimento no primeiro trimestre, mas como o consumidor se sente? 645

Newton Queiroz é especialista em seguros e colunista do JRS / Arquivo JRS

Colunista do JRS afirma que é preciso observar jornada do consumidor na aquisição de proteção

Como sabem tenho um grande foco no consumidor de nosso produto (seguros), uma vez que existe ainda muito espaço para crescimento em nosso setor como parte do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Claro. Os números são importantes e os mesmos demonstraram que nosso primeiro trimestre foi positivo como indústria. Tivemos um pequeno crescimento de margem em relação ao ano anterior e um crescimento interessante de prêmio emitido.

Porem, nos dias de hoje, tão importante quanto o crescimento de receita é o crescimento da 1) lealdade do cliente com a marca; 2) lealdade do cliente com o produto; 3) identificação com produto e marca; 4) senso de que o produto é feito especialmente para ele/ela e a lista segue… Sempre com o foco em melhorar a jornada do cliente (pré, durante e no pós-venda) de modo que o mesmo tenha percepção de que recebe pelo que paga.

Agora, se analisarmos o trimestre na perspectiva de novos produtos, melhorias nos existentes e na jornada do cliente… Quanto deveríamos comemorar? Acredito que se olharmos os números de novos produtos e inovações, poderíamos dizer que estamos no caminho certo, mas como o aumento de prêmio se deu muito ou por decisão já tomada do cliente, ou por ajuste em segmentos, é difícil afirmar se o que foi introduzido já teve um real significado para o consumidor final.

Para quem está na indústria é muito claro que já temos muitos benefícios e avançamos muito, mas em relação ao cliente ainda vejo como um grande desafio de que não temos todos os dados bem definidos.

Chamo a atenção a este ponto, pois, um estudo mundial informa que 95% das interações entre consumidor final e indústria de seguros deverá ter algum elemento de Inteligência Artificial até 2025 e 50% ou mais consumidores preferiram comprar seus produtos de seguro com empresas de tecnologia que já conhecem e se identificam.

Tais dados mostram o quanto é importante o foco em garantir a melhor experiência para toda cadeia de nosso produtos. Do ressegurador, seguradora, corretor, até o consumidor final. Muito já foi feito até a parte dos corretores (essenciais nessa adaptação, ao levar em conta as visões dos clientes finais).

Agora estamos na hora de focar em pesquisas, dados e satisfação desses consumidores finais. Eles entendem o produto, a compra foi fácil, durante a jornada se sentiram acolhidos? E mais importante: percebem o valor do produto que compraram e da empresa que o vendeu?

Com esses pontos em foco acredito que seria prematuro indicar um resultado do primeiro trimestre em relação ao consumidor final. Portanto, devemos monitorar isso de perto para promover os ajustes necessários.

O que mais me alarma é o fato de que a maioria dos consumidores finais não sabem quem são as seguradoras e corretores e, por isso, preferem contratar o mesmo produto via outro canal com pagamento mais caro, na maioria das vezes.

Muito importante nos juntarmos como indústria e defender a venda de nossos produtos corretamente ao deixar claro o imenso valor que se pode agregar a proteção com um produto de seguro.

Vamos verificar o resultado do segundo trimestre e aguardar novidades positivas à respeito de tais pontos.

Qual o impacto dos IPOs na contratação de seguros? 351

Breno Nardy é gerente de Linhas Financeiras da Austral Seguradora / Divulgação

Confira artigo de Breno Nardy, gerente de Linhas Financeiras da Austral Seguradora

O expressivo aumento de IPOs que o Brasil acompanha, desde o ano passado, movimenta a atuação de uma série de stakeholders, responsáveis pelos diversos âmbitos necessários para que uma companhia se torne listada na Bolsa de Valores. Há escritórios especializados para a construção de um prospecto robusto, bancos que fazem a ponte entre executivos e investidores em roadshows e agências de mídia para a divulgação da marca. A preparação pela empresa é complexa e depende da mudança de processos internos, além de considerável dispêndio de recursos. Como um mecanismo capaz de gerar oportunidades para investidores, ao mesmo tempo em que permite injeção de capital na empresa a ser listada, o IPO eleva as exigências sobre a administração da companhia, que pode buscar proteção e algum nível de conforto no mercado segurador.

Apesar das dificuldades que o processo de IPO pode trazer, esse mecanismo de captação financeira vem se tornando cada vez mais popular. A B3, principal bolsa de valores do Brasil, registrou entre os Níveis 1 e 2 e o Novo Mercado apenas 5 empresas listadas no ano de 2019; em 2020, foram 28 empresas; e, no primeiro quadrimestre de 2021, já são 21 empresas listadas. Um dos fatores que explica essa movimentação elevada de aberturas de capital na bolsa é a baixa taxa de juros do mercado, que mantém liquidez elevada em um cenário de busca por maior rentabilidade.

As companhias que estão aproveitando esse momento para fazer seu IPO acabam por ampliar o seu quadro societário diante da venda de parte de suas ações ao mercado. Essa alteração na composição de sócios exige um maior nível de governança da companhia, com grau de maturidade elevado em processos operacionais, contábeis e financeiros, em linha com todas as diretrizes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Atentos às dificuldades do processo, ao maior nível de exigência sobre seu trabalho e às tendências de mercado, os administradores dessas companhias vêm buscando soluções para suavizar os riscos aos quais a administração está exposta. Seja com o seguro de Responsabilidade Civil para Diretores e Administradores (D&O, sigla em inglês para Directors and Officers), seja com o POSI (Public Offering of Securities Insurance, em tradução literal Seguro para a Oferta Pública de Valores Mobiliários) o mercado segurador oferece algumas opções.

A contratação do D&O, cuja proteção é voltada para o patrimônio das pessoas físicas que ocupam cargos com poder de gestão, ganhou publicidade desde a Lava Jato. Em consonância com as necessidades de seus clientes, a indústria de seguros oferta o POSI, voltado justamente para a as empresas que estão realizando a abertura de capital ou ofertas subsequentes (Follow Ons). O mercado securitário trabalha com a contratação do POSI em paralelo à contratação do D&O, atuando com a proteção anual tradicional, inclusive com coberturas voltadas para o mercado de capitais, e aquele com uma proteção muito mais direcionada para a oferta de capitais em si e os envolvidos nessa oferta como os próprios acionistas controladores e vendedores.

A partir do momento em que a empresa realiza a abertura de capital, é indicada a contratação da Cobertura C dentro do seguro D&O. Essa cobertura protegerá os segurados e o tomador das reclamações realizadas contra eles no mercado de capitais advindas de atos de gestão. Em especial o órgão regulador desse mercado, a CVM, costuma ser duro em seu papel de fiscalizar casos de violações de leis, normas ou regulamentos ligados à compra, oferta, subscrição ou venda de valores mobiliários. A Cobertura C será responsável por essa proteção enquanto a empresa estiver sob a regulação do mercado de capitais, não apenas no momento de abertura. Sendo assim, mesmo empresas consolidadas há longo período na bolsa de valores mantêm a contratação da cobertura como proteção a seus administradores.

A tendência é que, conforme mais administradores tenham conhecimento desses instrumentos, maior seja o nível de contratação do seguro e, consequentemente, maior a proteção que o mercado segurador poderá oferecer. O seguro D&O e o POSI são complementares, não excludentes. O amadurecimento do mercado securitário brasileiro certamente agrega valor a todos os envolvidos.

Aumento dos riscos nas empresas potencializa atuação do seguro de crédito no mercado 850

Luciano Mendonça é Director of Market Management, Commercial, and Distribution (MMCD) da Euler Hermes / Foto: William Anthony/Arquivo JRS

Diretor Comercial da Euler Hermes traz panorama do comportamento do mercado no último ano e para 2021

Com a pandemia e consequentemente as perdas causadas por conta da crise econômica, o número de indenizações nas empresas brasileiras no último ano foi significativo.

As primeiras estatísticas de 2021 mostram um recuo do número de empresas que pediram recuperação judicial. Embora o cenário de pandemia esteja longe de se resolver, vemos que o empresário que sobreviveu a 2020 teve muita resiliência e flexibilidade no gerenciamento do seu negócio, e deveria aproveitar a perspectiva um pouco mais positiva da economia em 2021. As previsões de crescimento do PIB em 2021, depois de um desastre em 2020, são muito encorajadoras. Portanto, esperamos um ano melhor no que se refere a empresas em recuperação judicial.

A análise é do diretor comercial da seguradora de crédito Euler Hermes, Luciano Mendonça. O executivo acredita que este quadro foi potencializado também pelo fato de novas empresas estarem buscando cobertura de crédito em virtude de atrasos e não pagamentos que ocorreram ao longo do último ano. “Esta tendência deverá ser acompanhada pelo aumento da exposição ao risco, principalmente nos setores que ensaiam alguma retomada, como metais, construção, químicos e alimentos”, exemplifica.

Impactos e perspectivas

O diretor lembra que, no início da pandemia, o prognóstico do mercado de seguro de crédito era bastante negativo: a partir do 2Q2020 houve aumento do número de sinistros (não-pagamentos informados pelos segurados) em comparação com 2019. No entanto, Mendonça afirma que este aumento se reduziu no 2H2020, levando ao fechamento do ano com apenas 15% mais perdas que em 2019.

“Isto não foi ao acaso: quando a pandemia eclodiu, tomamos ações de redução de exposição que estavam alinhadas à redução das vendas dos nossos segurados, desta forma limitando potenciais perdas. Com a melhora que se percebeu ao final de 2020, tivemos possibilidade de retomar nossa exposição a níveis pré-pandemia, com aumento constante de exposição ao risco em setores mais resilientes à crise. Sem dúvida, nosso monitoramento da situação econômica nos permitiu gerenciar mais precisamente a exposição ao risco de crédito nos vários mercados onde atuamos, retomando o apetite de cobertura antes de qualquer outra seguradora”, conta.

Setores mais afetados buscam proteção

Mendonça explica que os setores ligados à infraestrutura, como metais e construção, além de plásticos/embalagens, foram os que sofreram mais no começo da pandemia e têm buscado proteção com seguro de crédito.

“Estes são os setores mais afetados por uma redução da atividade econômica, e suas cadeias têm pouco tempo de adaptação a uma nova conjuntura de risco. Assim, as perdas se espalharam por diferentes elos da corrente. Por isso, percebemos o aumento de apólices em empresas destes setores já no final de 2020, o que continuou neste primeiro quadrimestre”, afirma.

Monitoramento é aliado

Com mais de 85 milhões de empresas monitoradas diariamente em todo o mundo, a base de dados da Euler Hermes auxilia na gestão de crédito de empresas dos mais variados tamanhos e setores. “Se sua empresa fornece para um cliente, é muito provável que este cliente já tenha sido avaliado anteriormente pela Euler Hermes como um risco de crédito junto a outros fornecedores”, afirma Mendonça.

Diante dessa expertise, a seguradora conta com uma visibilidade transversal sobre a cadeia de suprimentos dos clientes e isto faz com que esteja em posição privilegiada no monitoramento do risco de pagamento das empresas, uma vez que a seguradora é a primeira a saber sobre potenciais atrasos e caso estes se tornem inadimplência, é a Euler Hermes que indeniza as perdas.

Mercado em desenvolvimento

O diretor afirma que o seguro de crédito ainda é uma ferramenta pouco difundida no Brasil. Apenas no estado de São Paulo, há mais de 42 mil corretores de seguros habilitados, e aproximadamente duas dezenas deles são especializados em seguro de crédito. Portanto, é um campo aberto para corretores de seguro que querem diversificar a oferta de soluções para seus segurados atuais.

“O seguro de crédito é a melhor ferramenta de gerenciamento de risco de crédito: além de monitorar a capacidade de pagamento das empresas, o seguro indeniza as perdas caso um cliente segurado fique em inadimplência. Uma empresa pode ter o melhor time de analistas de crédito e as melhores ferramentas de monitoramento de risco, mas nenhuma delas põe dinheiro na mesa caso um cliente não honre os pagamentos”, explica.

O diretor lembra ainda que o ano de 2020 assustou muitos empresários com as perdas ocorridas, o que despertou a busca por soluções contra o não pagamento e o seguro de crédito faz este papel. “Já no final de 2020, percebemos um aumento da busca de proteção e este movimento se confirmou em 2021. Ano passado crescemos +25%, e neste ano nossos números já estão bastante positivos”, comemora.

Capemisa Seguradora participa do workshop “Conhecer para Proteger” do CSP-MG 685

Thiago Morelo é Gerente de Treinamento e Desenvolvimento Comercial da Capemisa Seguradora / Divulgação

Transmissão acontece no próximo dia 17 de junho

O Gerente de Treinamento e Desenvolvimento Comercial da Capemisa Seguradora, Thiago Morelo, participará da live do Clube de Seguros de Pessoas e Benefícios de Minas Gerais (CSP-MG), no próximo dia 17 de junho. Em pauta, o executivo falará sobre “O papel do Corretor frente ao empreendedorismo brasileiro”.

Trata-se do segundo workshop elaborado pelo Clube com a proposta de falar sobre o mercado de seguros e suas possibilidades de negócios para os profissionais: o “Conhecer para Proteger”. Faz parte do programa de capacitação focado nos Corretores de Seguros e as instituições mantenedoras da entidade, como a Capemisa, são convidadas a expor ao público seus produtos, serviços e estratégias de vendas.

“Nossa expectativa é trazer aos Corretores uma reflexão estruturada a respeito das oportunidades de negócios que surgiram nos últimos anos. Espero contribuir com argumentações comerciais que fortaleçam a posição do Corretor como consultor para seus clientes. A Capemisa é uma seguradora especialista em soluções de Seguros de Vida para Pequenas e Médias Empresas. Mais do que nunca, nesse momento delicado em que vivemos, devemos estar próximos desses profissionais, levando informação de qualidade que podem ajudar e inspirar os corretores e empreendedores”, explica Thiago Morelo.

Os interessados devem ficar atentos. As inscrições para o workshop serão realizadas até o dia 11 de junho, pelo e-mail eventos@cspmg.com.br, ou pelo WhatsApp (31) 99358-0636. Os encontros são gratuitos e transmitidos pela plataforma Zoom. A entidade enviará previamente o link de acesso aos participantes inscritos.

Câmbio e inflação são variáveis importantes para medir potencial de crescimento do PIB em 2021 343

Câmbio e inflação são variáveis importantes para medir potencial de crescimento do PIB em 2021

Confira avaliação da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg)

A última reunião mensal do Comitê de Estudos de Mercado (CEM), da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), realizada na última semana de maio, avaliou o desempenho do setor segurador perante os diferentes ciclos econômicos, apresentou projeções da Superintendência de Estudos e Projetos (Suesp) de alguns indicadores macroeconômicos para o ano em cenários otimista ou pessimista e, também, tratou dos movimentos recentes das economias brasileira e mundial.

Na etapa do encontro, a Suesp apresentou um levantamento que confronta o desempenho do setor versus o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro a partir de 2011. A arrecadação do setor de seguros, entre 2011 e 2013, foi de 9,5% reais, ao passo que o PIB acumulado no mesmo período avançou 3%. De 2014 a 2016, o setor cresceu 3,5% por ano, ao passo que o PIB teve contração de 2,1%, na média. Entre 2017 e 2019, a taxa de crescimento do setor foi de 3,4% (e a do PIB no mesmo período de 1,5%). Por fim, em 2020, ano da pandemia, o setor de seguros experimentou queda real 1.5% na arrecadação, enquanto o PIB teve retração de 4,1%, ambos impactados pela pandemia.

No segmento de Saúde, foram apresentados dados sobre o comportamento de receitas e das indenizações desde 2011. O gráfico mostra uma tendência de gradual arrefecimento das contribuições aos planos a partir de 2014 (ano contra ano) até a recente recuperação ocorrida a partir do segundo semestre de 2020. Apresenta-se ainda o desempenho diferenciado entre as modalidade médico-hospitalar e planos odontológicos, com taxas de crescimento anual de, respectivamente, 1,2% e 4,7% no número de beneficiários na comparação entre dezembro de 2020 e mesmo mês de 2019.

Sobre o seguro Rural, foi constatado que a movimentação deste ramo cresceu 572% entre 2010 e 2020. A taxa é muito superior à expansão apresentada pelo PIB agropecuário, de 175% nominais no mesmo período. Dessa forma, a penetração do seguro Rural no PIB Agropecuário (Arrecadação/PIB), mais que dobrou, passando de 0,6% para 1,6% no período.

Os economistas Luiz Roberto Cunha e Pedro Simões, ambos integrantes do CEM, se revezaram na parte destinada à apresentação das projeções dos indicadores, dependendo do cenário macroeconômico que prevalecerá. No quadro otimista, os economistas esperam um crescimento maior da economia, com a superação (mesmo que parcial) de problemas que fazem o câmbio estar tão depreciado no Brasil. Projetam o IPCA mais alto por estar muito mais ligado à demanda e juros mais elevados como nos dois cenários (pessimista ou otimista) como “normalização” da política monetária. No cenário pessimista, o câmbio permanece mais alto, pressionando IGP-M (por meio do IPA).

Dessa forma, o PIB real, por exemplo, em um quadro pessimista, pode crescer 2,95% ou avançar para 4,08% neste ano, em um cenário otimista. O PIB indústria real, uma variação de 2% (pessimista) a 5,10%(otimista); a Selic oscilar de 4,75% a 6,25%. Já o IGP-M pode subir 21,02% em um cenário pessimista, ou 12,50%, em um quadro macro mais positivo.

O balanço mais recente da economia foi também avaliado. Os dois economistas concluíram que a segunda onda da Covid-19 – apesar de mais intensa que a primeira – afetou de maneira menos severa a atividade econômica. Há menor elasticidade entre mobilidade e PIB. Segundo eles, os Serviços se beneficiam com a reabertura e demanda “reprimida”, além do gasto da poupança precaucional acumulada pelas classes médias e altas ao longo do ano passado. Também a Indústria se beneficia do aumento da demanda por bens industriais, mas, na margem, tem sofrido por conta de aumento de preços ou mesmo escassez de insumos, citando como exemplo os semicondutores para produção de automóveis. Já o Comércio, beneficiado durante a fase mais aguda da pandemia- enfrenta um período de ressaca, com o deslocamento dos gastos para serviços.

No plano global, as preocupações com a inflação continuam presentes. Constata-se que revisões no ritmo da atividade são acompanhadas de elevações nas projeções de inflação, como maior pressão sobre os preços administrados e de bens industriais, além das já conhecidas pressões no preço das commodities, exacerbadas no Brasil pelo câmbio. Logo, a recuperação rápida da economia mundial aumentou a demanda mundial por bens, mas já há restrições de oferta para alguns produtos, pressionando também preços de bens industriais.

Setor de seguros avança na retomada de crescimento, aponta KPMG 567

Setor de seguros avança na retomada de crescimento, aponta KPMG

Relatório demonstra nova realidade para o segmento

A KPMG realizou um levantamento em que analisa os quatro padrões de retomada dos 40 principais setores da economia brasileira após um ano de início da pandemia da covid-19. Segundo estudo, o setor de seguros está no estágio de “crescimento” em que as empresas escalam o pós pandemia com o comportamento do consumidor favoravelmente alterado durante a crise. Na primeira edição da pesquisa realizada em abril do ano passado, o segmento estava fase chamada “retorno ao normal” em que as empresas sofreram efeitos da recessão do distanciamento social do consumidor.

Com relação à nova realidade para o setor de seguros, o relatório apontou as seguintes:

Estratégia: essa nova realidade destacou ainda mais a necessidade de as seguradoras simplificarem, melhorarem, automatizarem e digitalizarem os processos de ponta a ponta. Haverá uma maior percepção da necessidade de transformar digitalmente todo o ecossistema, como forma também de tornar os processos mais simples e ágeis.

Colaboradores: As novas formas de trabalho que as seguradoras e os colaboradores estão vivenciando, provavelmente, vieram para ficar e provocarão uma transformação dos modelos de trabalho. Nesse cenário, é importante assegurar que os profissionais tenham as habilidades e a disposição para embarcar no mundo digital, promovendo o desenvolvimento de habilidades e competências considerando o novo normal.

Estrutura de capital: Necessidade de reforçar a eficiência da estrutura de capital e o monitoramento dos níveis de solvência regulatórios, considerando um cenário de taxas de juros mais baixas e maior volatilidade.

Gestão de riscos: Fortalecer as políticas de gestão de riscos e governança, para responder às incertezas que afetam a volatilidade, juros mais baixos, bem como os riscos relacionados aos ataques cibernéticos, que são acentuados num ambiente externo. Um novo conceito de gerenciamento de exposição de risco de seguro pode ajudar as seguradoras a progredir e planejar quais sinistros são recebidos para oferecer um melhor atendimento aos clientes.

Modelo de negócios: aceleração do processo de transformação digital, aumentando a automação das operações e interações com os clientes. Revisão das estratégias de canais de distribuição para atender a essa demanda. Seguradoras potencialmente passarão a avaliar de forma mais contundente alianças e parcerias com insurtechs por meio das quais os recursos digitais podem ser mais rapidamente incorporados.

Modelo operacional: Foco na eficiência operacional como fator competitivo, tanto na perspectiva de precificação, quanto na rentabilidade. A oportunidade digital para as seguradoras vai além das interações entre clientes e corretores, a nova realidade destacou ainda a necessidade de as seguradoras simplificarem, melhorarem e digitalizarem diversos processos para serem capazes de responder com mais agilidade às demandas do cliente, bem como realinhar sua estrutura de custos.

Mudanças de hábitos dos consumidores: Houve um interesse maior pelos produtos de vida e de saúde, além de seguros residenciais e de riscos cibernéticos, considerando os novos hábitos e a nova realidade experimentada pelos consumidores. Além disso, as preferências dos consumidores por interagir via plataformas digitais também apoiam esta tendência. As seguradoras deverão responder a isso com a criação de novos produtos para atender a esse novo interesse, bem como repensando seu modelo de negócio e operacional para ter capacidade de responder, de forma mais ágil, com produtos personalizados.

“A pesquisa mostrou que o setor de seguros avançou no que diz respeito à retomada de crescimento um ano após o início da pandemia. Na nova realidade, podemos considerar aspectos que estão impulsionando o setor como transformação digital, resiliência, inovação e colaboração”, analisa a sócia líder de seguros da KPMG, Érika Ramos.

Pesquisa “Tendências e a nova realidade – 1 ano de covid-19”:

O documento da KPMG traz informações relevantes e um balanço sobre como as empresas vêm respondendo aos desdobramentos desde o início da crise. De acordo com a pesquisa, podem ser consideradas em “processo de crescimento”, as indústrias em que os investidores percebem o potencial de liderar e fornecem capital para escalar agressivamente durante a recuperação. Já no “retorno ao normal”, essas organizações são vistas como essenciais e se recuperarão mais rapidamente à medida que a demanda do consumidor retornar em volumes semelhantes. No terceiro estágio intitulado no relatório como “transformar para emergir” estão as indústrias e empresas que precisam se transformar para emergir mais fortes e mais alinhados com as mudanças nas prioridades e nos padrões comportamentais dos consumidores. Por fim, “em reiniciar”, essas organizações lutam para se recuperar da covid-19 devido à demanda permanentemente reduzida por ofertas, capital insuficiente para evitar recessão prolongada ou má execução da transformação digital.

“A análise destaca que líderes de diferentes mercados têm buscado enfrentar esse momento com resiliência, informação e planejamento estratégico, de modo a antecipar possíveis entraves e obstáculos e, assim, obter os resultados esperados mesmo em um período complexo e desafiador. O estudo aponta as especificidades dos setores abordados, incluindo as tendências, as medidas que as empresas têm adotado para mitigar os reflexos do atual cenário, os principais desdobramentos observados neste último ano, as lições aprendidas e os riscos inerentes aos mercados”, finaliza o sócio de clientes e mercados da KPMG no Brasil e América do Sul, Jean Paraskevopoulos.

O documento completo está disponível neste endereço.