Carlos Josias: o não ao racismo na boca do povo

Confira o artigo de autoria do advogado, acadêmico da ANSP e sócio-fundador da CJosias & Ferrer Advogados Associados

Em 31.10.2023 foi realizada a tradicional noite acadêmica da ANSP, ocasião em que foram empossados diversos novos membros, para alegria dos recém chegados e orgulho dos seus padrinhos e de todos integrantes da ANSP, afinal o ingresso de novos filiados sempre aumenta a capacidade das cátedras de produzirem conteúdo, grande pregação do Dr. Mauro Cesar Batista para desenvolvimento dos estudos na e da própria Academia.

Publicidade

Estes eventos têm se caracterizado, em geral, como uma ocasião festiva.

Naquela noite, contudo, o Presidente Rogério Guede Vergara havia preparado uma bela surpresa que nos obrigou a uma grande reflexão.

Antes mesmo do início da cerimônia de posse, a Acadêmica Solange Guimarães, Diretora de Diversidade, Equidade e Inclusão da Entidade, nos brindou com palestra luzente.

Publicidade

Com energia, brilho especial, por sua sabedoria, desenvoltura e profundo conhecimento no assunto, a palestrante, que é Jornalista, Pós Graduada em Psicologia Social e Ecônomica e possui mais de 15 anos no setor segurador, abordou com fundamentos fortes, argumentos convincentes, e de forma corajosa – como tem que ser – o tema racismo.

Em alguns momentos da sua muito bem sustentada exposição cheguei a pensar: duvido, nesta sala – não me excluo – quem, em algum instante não se sentiu tomado de algum sentimento por pouco ou nada fazer contra a discriminação e, pior, talvez até contribuir, inconscientemente que seja, com ela.

É preciso reconhecer isto para que se trilhe um caminho que de uma forma ou de outra se comece a mudar este “apartheid” que se alojou com sagacidade e de um jeito reprovável na humanidade.

Pois ontem muito me lembrei daquela noite.

No dia de ontem, por iniciativa do sócio Juliano Ferrer, atual Presidente da AIDA – há tempos parceira da ANSP – engajado na ofensiva pelo fim do Racismo – e também Acadêmico, em dia de homenagem a uma funcionária padrão da empresa – 22 anos de casa – Madalena Dutra, também uma Guerreira na causa Negra e que vem a ser uma espécie de símbolo do escritório, tivemos outra felicidade, a de ouvir a Professora Doutora Lucia Regina Brito Pereira, com amplo currículo e “expert” no tema, e exibir seu conhecimento invejável sobre a questão deixando-nos vários questionamentos e, sim, muitas preocupações com a demora em superarmos este preconceito odioso.

Uma observação, entre tantas, que ela deixou ficou sacudindo minha mente, em breve síntese, foi: não nos deixem só, não adianta só nós negros falarmos e lutarmos por isto, os brancos tem que nos ajudar na caminhada.

Ela em razão. Toda.

Recordando da Noite Acadêmica depreendi que o Presidente Vergara trouxe a matéria para dentro da Academia porque sabe a importância disto e que a Entidade pode sim, contribuir, muito para um desfecho de humanidade sem que se atravesse outro século com este fardo pecaminoso nas costas.

O enfrentamento desta praga tem que cair na boca do povo, eis a questão.

Saudações.

Artigos Relacionados

Comentários

Deixe uma resposta