Mercados globais operam mistos e monitoram avanço russo em solo ucraniano em dia de PCE e IGP-M

Confira análise de Matheus Jaconeli, analista de investimentos da Nova Futura Investimentos

As bolsas europeias operaram em queda considerável após os movimentos da Rússia e seu vizinho, a Bielorrússia. Na madrugada de hoje, Putin ordenou operações no leste da Ucrânia, exigindo rendição das forças de Kiev. O que ampliou o risco percebido, em grande medida, foi o fato de que os russos não se limitaram em atacar o leste ucraniano, mas em mais 16 regiões. Os líderes europeus e o presidente estadunidense informaram que fariam sanções econômicas contra a Rússia. Londres teve queda de 3,88%. Frankfurt perdeu 3,98%. Milão fechou com queda de 4,14%. Paris recuou 3,83%. Lisboa e Madri tiveram queda de 1,52% e 2,86% respectivamente.

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Agrifoglio Vianna no JRS

Nos Estados Unidos, a volatilidade foi o que deu o tom às bolsas. O VIX finalizou o dia acima dos 30 pontos. No começo do dia, o mercado caia fortemente, tal qual aos seus pares do velho continente. Contudo, o pronunciamento de Biden que anunciou as retaliações à Rússia, teve tom menos duro que o esperado, o que fez as principais bolsas do Nova York subirem. O Dow Jones subiu 0,28%. O S&P 500 ganhou 1,50% e o Nasdaq saltou 3,34%.

No Brasil, os ativos começaram a operar em queda acompanhando a aversão ao risco que ocorria globalmente. No início do pregão Petrobras e as outras companhias relacionadas ao setor de petróleo subiam fortemente, mas depois passaram por realização devido ao anúncio de que o governo americano iria aumentar a oferta de reservas de petróleo e impor sanções. Internamente, foi divulgada a taxa de desemprego saindo de 11,6% para 11,1%. Quanto a agenda de balanços, os números recordes de Petrobras com forte geração de caixa e lucro de R$ 31,5 bi. O Ibovespa teve queda de 0,37% cotado a 111.591 pontos. Dentre os destaques da sessão SulAmérica (SALA11) teve mais uma alta forte em 15,19% acompanhada de Minerva (BEEF3) com avanço de 7,04%.

Para hoje (25):

As bolsas asiáticas se recuperaram majoritariamente acompanhando a melhora significativa de Wall Street na tarde de ontem. Em Tóquio houve alta de 1,95%. Na Coreia do Sul o Kospi avançou 1,06%. Taiwan teve ganho de 0,33%. Na China Continental, o Xangai Composto e Shenzhen tiveram valorização de 0,63% e 1,21% respectivamente. Na contramão de seus pares, o Hang Seng de Hong Kong teve queda de 0,59%.

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Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian teve baixa de 3,13%, a 680,5 iuanes, o equivalente a US$ 107,75.

Na Europa, os mercados também têm recuperação parcial, mas os investidores também ficam atentos aos movimentos dos russos ao longo de solo ucraniano, que marcha em direção à Kiev. Na agenda econômica foram divulgados muitos dados importantes, com destaque para o PIB alemão. Mais tarde, Lagarde realizará um pronunciamento e, devido aos riscos geopolíticos, há a possibilidade de um posicionamento mais dovish.

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Nos EUA os futuros operam em queda com os investidores monitorando os próximos passos dos russos e em importantes dados de conjuntura que sairão hoje como o PCE.

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No Brasil serão divulgados o IGP-M e dados das contas públicas na agenda econômica.

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Os preços do petróleo continuam a subir, mesmo que em menor magnitude, o que deve ajudar as companhias do setor de petróleo. Já a queda do minério de ferro pode gerar impacto negativo nas mineradoras e siderúrgicas.

Na agenda corporativa, o mercado ficará atento aos números de importantes companhias que divulgaram resultado ontem após o pregão.

A mineradora Vale (VALE3) registrou lucro líquido atribuído aos acionistas de US$ 5,427 bilhões no quarto trimestre de 2021, o que representa um crescimento de e 39,6% em relação ao terceiro trimestre de 2021 e 7,34 vezes superior ao registrado no quarto trimestre de 2020. A companhia anunciou a distribuição de US$ 3,5 bilhões em dividendos, o que equivale a R$ 3,7 por ação.

O IRB registrou prejuízo contábil de R$ 370,9 milhões no quarto trimestre de 2021 (4T21), redução de 42,4% na comparação com as perdas do mesmo período de 2020. No acumulado de 2021, o resultado líquido foi negativo em R$ 683 milhões, perda 54% menor ano a ano.

A Americanas (AMER3) reportou lucro líquido de R$ 490 milhões no quarto trimestre de 2021, o que representa um crescimento de 20,5% em relação ao mesmo período de 2020.

A Hypera Pharma (HYPE3) lucrou de forma líquida R$ 366 milhões no quarto trimestre de 2021, número 12,6% maior do que os R$ 324,9 milhões do mesmo período de 2020.

A JHSF (JHSF3) reportou lucro líquido de R$ 254,6 milhões no quarto trimestre de 2021 (4T21), o que representa um crescimento de 33,4% em relação ao mesmo período de 2020 e anunciou dividendos. A receita líquida somou R$ 483,3 milhões no 4T21, alta de 23,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa também divulgou distribuição de dividendos no valor total de R$ 108,9 milhões, equivalentes a R$ 0,1606560263 por ação.

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