Professor José Antônio Lumertz analisa impactos da enchente no RS no setor de saúde

Após enfrentar graves inundações causadas por intensas chuvas, o estado do Rio Grande do Sul está lidando com uma crise significativa na área da saúde. Diversos hospitais e centros de saúde enfrentam dificuldades no fornecimento de materiais e na gestão de suas estruturas.

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José Antônio Lumertz, professor assistente de Ciências Atuariais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e responsável pela assessoria atuarial da Unimed Federação RS, comenta sobre as consequências dessa crise: “Os impactos que decorrem são vários, tanto no curto, médio e no longo prazo. Inicialmente, temos os danos corporais diretos, as moléstias (leptospirose, verminoses, etc). No médio prazo teremos as decorrentes da menor prevenção (alguns até com comorbidades, tipo: crônicos, diabéticos, hipertensos, oncológicos). E no longo prazo as questões psicológicas e decorrentes da perda de renda”.

Formado em Ciências Atuariais pela UFRGS em 1978, com especialização em Controladoria (2000) e mestrado em Economia (2011), além de uma especialização em Gestão de Cooperativas Médicas pela Unisinos (2004), Lumertz detalha os desafios enfrentados pelo sistema de saúde.

O Professor explica que as perdas na estrutura do sistema podem ser categorizadas em dois grupos. O primeiro, que diz respeito aos impactos resultando no aumento da quantidade de atendimentos e na extensão da duração dos tratamentos, que se deve ao fato de que a margem já é pequena. “Atualmente, a média de sinistralidade do Setor Privado de Saúde é de 86% (dados de dezembro de 2023), o que deixa apenas uma margem bruta de 14% para custos de Gestão, Tributos e Remuneração do capital investido”, explica.

Já o segundo grupo, está relacionado ao comprometimento da renda dos setores empresarial, industrial, agropecuário e, consequentemente, da renda das pessoas físicas. O que dificulta a manutenção dos seguros e, em especial, o de Saúde Privada, acabando por onerar o Sistema Único de Saúde (SUS).

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José Lumertz ainda destaca que há uma grande questão a ser avaliada em casos das coberturas de tratamentos médicos e hospitalares, pois desde o período da Pandemia global, eventos de calamidade, guerras e situações semelhantes são considerados riscos excluídos. “Como profissional deste Segmento e Atuário, esperamos que as autoridades públicas de cada município avaliem com minuciosa acurácia as áreas a serem liberadas para moradia”, finaliza.

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