Newton Queiroz: Mercado global de seguros se recupera, mas margens na indústria brasileira exigem atenção

Confira coluna de Newton Queiroz, Chief Strategy Officer da Kovr Seguradora e articulista do JRS

Entre a semana passada e esta primeira de agosto começamos a receber notícias do desempenho do mercado global de seguros por via da publicação de resultados das grandes empresas globais. Felizmente, vemos que as atitudes tomadas pela indústria (aumentar taxas, restringir coberturas e outras mais) deram resultados. Quase todas as notícias até o momento apontam lucros em 2021 (primeiro semestre) contra perdas em 2020 (mesmo período).

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Agrifoglio Vianna no JRS

Existem algumas variáveis e especificações de mercado a mercado que podem variar um pouco a análise dos números; mas o resultado é positivo e a visão é que o segundo semestre seja ainda melhor e que globalmente a indústria volte a crescer este ano (mesmo que de forma modesta).

Porém, novamente trago a atenção do leitor ao fato de nosso mercado estar crescendo em relação a prêmios emitidos (15% aproximadamente), enquanto que o resultado líquido da indústria caiu mais de 30% (em alguns estudos chega a 50% de queda).

Um fato a considerar é que, enquanto todo o mundo ajustava as taxas (gerais), o Brasil foi o único pais (desde o inicio da pandemia) que registrou manutenção ou queda. Ou seja, completamente na contramão do resto do mundo (na América Latina apenas o Brasil não teve aumento geral de taxas (o país com menor ajuste teve pelo menos 5%).

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Verdade que tivemos aumento em linhas pontuais como D&O e outros produtos e que provavelmente o mercado não teria registrado manutenção (leve crescimento) com ajuste de taxas durante o ano de 2020, mas de que adianta ter números interessantes no que tange crescimento geral da indústria se o ganho das empresas cai?

Antes da pandemia a situação já era complexa, mas as taxas de investimento ainda ajudavam um pouco na hora de ver o resultado da linha final. Agora, mesmo com uma certa melhora nas taxas de investimento, os valores de sinistralidade, DA e DO aumentaram de forma significativa e os resultados financeiros já não conseguem fazer frente a tais perdas.

O que começamos a ver é uma retomada da economia geral e de alguns setores da indústria seguradora. Algumas seguradoras estão com resultados interessantes, mas, no geral, algo tem de ser feito para que a indústria possa gerar mais empregos, investir mais em tecnologia e outros pontos mais.

Enquanto seguirmos este método atual apenas empresas com faturamentos enormes terão a possibilidade de ver retornos devido a diluição de custos e maiores valores investidos.

Como resultado, a sequência de novos entrantes para ofertar produtos de seguros no mercado (como temos visto nas últimas semanas) e um aumento ainda maior na complexidade da indústria por termos mais pseudo-competidores na distribuição e margem, mas que não tomam o risco.

Apenas através de um trabalho conjunto da indústria e de todas as classes que integram a mesma (algo bem focado e que com certeza levará mais de 12 meses) é que conseguiremos começar a ver essa mudança necessária. O ponto é – somos unidos o bastante para fazer isso juntos? Conseguimos ver o interesse maior da indústria antes dos de nossas empresas?

O tempo trará essas respostas e, com elas, a evolução de nossa indústria e de seus números – eu sempre fui e sou um otimista e estarei sempre vendo o copo meio cheio.

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